Balanço de 2008 III: Os ciclistas mais ganhadores e as vitórias mais “baratas”

A lista dos dez ciclistas mais vitoriosos do pelotão português em 2008 é encimada por Francisco Pacheco (Barbot-Siper). A cumprir a segunda temporada como profissional, depois de no ano de estreia ter ganho apenas por uma vez, Francisco Pacheco foi a grande revelação do ano. Na última temporada ergueu os braços em dez ocasiões, duas delas na Volta a Portugal, corrida em que se sagrou ainda vencedor da classificação por pontos.

O segundo mais produtivo do ano foi Manuel Cardoso (Liberty Seguros). O ciclista natural de Paços de Ferreira, que havia sido o mais laureado de 2007, não acusou a responsabilidade de passar a representar uma equipa mais forte e voltou a fazer valer os seus dotes de velocista. Ganhou em nove ocasiões, sendo um dos triunfos o da Taça de Portugal, que dedicou ao amigo Bruno Neves, que liderava essa competição quando faleceu.

O terceiro corredor com mais sucessos foi Héctor Guerra (Liberty Seguros). O madrileno fez uma primeira metade da temporada de grande nível, coroando o bom arranque com a vitória na Volta ao Alentejo. Depois de uma paragem regressou outra vez em alta, conquistando a Rota dos Vinhos Verdes. Feitas as contas, totalizou cinco vitórias.

A lista dos dez corredores com mais triunfos é maioritariamente estrangeira, dado que os portugueses são apenas quatro. Além do citado Manuel Cardoso, integram este lote Tiago Machado e Sérgio Sousa, ambos da Madeinox-Boavista e os dois com quatro êxitos, tantos quantos os alcançados pelo renascido Nuno Ribeiro (Liberty Seguros).

Quem ganhou mais
Francisco Pacheco (Barbot-Siper): 10
Manuel Cardoso (Liberty Seguros): 9
Héctor Guerra (Liberty Seguros): 5
Javier Benitez (Benfica): 5
Danail Petrov (Benfica): 4
Martin Garrido (Palmeiras Resort-Tavira): 4
Nuno Ribeiro (Liberty Seguros): 4
Sérgio Sousa (Madeinox-Boavista): 4
Tiago Machado (Madeinox-Boavista): 4
Rubén Plaza (Benfica): 3

Barbot-Siper: o investimento mais rendível
Atendendo ao total de vitórias em etapas e na geral individual, estabelecemos um ranking das equipas para as quais o investimento teve maior retorno. Para isso dividimos o valor do orçamento apresentado no início do ano pelo total de triunfos, obtendo o “custo” de cada vitória. Os resultados indicam que a aposta com maior retorno foi a da Barbot-Siper, pois cada sucesso ficou por 29 mil euros. A Liberty Seguros investiu 37 mil euros por cada vitória. No terceiro posto colocou-se a Madeinox-Boavista, equipa em que cada erguer de braços ficou por 50 mil euros.

Este método é meramente um toque de curiosidade, não devendo ser lido como científico, pois as vitórias não são todas iguais, devido às diversas repercussões e coberturas mediáticas de cada uma das provas. A título de exemplo, a Palmeiras Resort-Tavira é, nesta tabela, a equipa que ocupa a última posição. No entanto, uma só vitória sua – a da Volta a Portugal – vale por muitas conquistas de outros blocos.

Preço por vitória
Barbot-Siper: 29.000 euros
Liberty Seguros: 37.000
Madeinox-Boavista: 50.000
Fercase-Rota dos Móveis: 67.000
LA-MSS: 77.000
Benfica: 92.000
CC Loulé: 100.000
Palmeiras Resort-Tavira: 133.000

Boavisteiros sprintaram pelas classificações secundárias
Quem não tem cão, caça com gato. O ditado aplica-se ao desempenho da Madeinox-Boavista ao longo do ano. Mesmo quando não se apresentava em condições de disputar a geral individual, os corredores às ordens de José Santos não baixaram os braços. Por isso, foram amealhando vitórias nas classificações secundárias, terminando a época com 13 camisolas dessas, mais duas do que a Liberty Seguros, segunda equipa mais afincada nesta luta particular.

Vitórias em classificações secundárias
Madeinox-Boavista: 13
Liberty Seguros: 11
Palmeiras Resort-Tavira: 6
Barbot-Siper: 6
Benfica: 4
Fercase-Rota dos Móveis: 3
LA-MSS: 4
CC Loulé: 2

Como acabaram as etapas?
Qual o final das 78 etapas disputadas nas corridas portuguesas em 2008? Quase metade, 38, foram discutidas ao sprint por um pelotão compacto. As fugas ou ataques coroados de êxito foram 31. As restantes tiradas, nove, disputaram-se em sistema de contra-relógio.

Foto: PAD/JLS