Eleições em Espanha para suceder a Fulgencio Sánchez

Processo eleitoral coloca lista de Juan Carlos Castaño e Jose Luis Algarra em vantagem

O espanhol Juan Carlos Castaño, administrador de empresas e presidente da Federação Madrilena de Ciclismo, parte da primeira linha da grelha de partida às eleições presidenciais da Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC), após retumbante vitória na escolha dos delegados da Assembleia Geral, orgão que a 6 de Dezembro tomará Fulgencio Sánchez, presidente em final de exercício, como parte do passado do ciclismo do país vizinho. Na escolha de um novo homem forte para comandar a modalidade do outro lado da raia, Carlos Castaño foi quem reuniu a parte de leão do apoio das 19 federações regionais, um compromisso tácito que, por norma, se confirma na hora da eleição que decorrerá, numa segunda fase, no seu quarte-general, em Madrid. Um dos principais trunfos de Castaño, se não o principal, é o seu número “dois”, Jose Luis Algarra, antigo Director Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), entre 1996 e 2006.

Espanha segue modelo português
Uma análise à candidatura de Carlos Castaño e Jose Luis Algarra permite identificar a aproximação do modelo de trabalho posto em prática por este último no decorrer da sua experiência como DTN,  sobretudo ao nível da área desportiva e de formação – a esse título, é curiosa a inserção de fotos de escolas de ciclismo portuguesas na ilustração do programa da candidatura. A missão de Algarra na FPC permitiu de uma forma original o desenvolvimento a médio e longo prazo das selecções nacionais cujo expoente – além dos lugares de honra de Sérgio Paulinho (3º Mundial Sub-23 Contra-relógio 2002, Medalha de Prata em Atenas 2004) – se consolidou em 2008, com a conquista da Taça das Nações no escalão sub-23. Essa ligação a Portugal é tão os mais óbvia quanto os elementos que a lista de Castaño apresenta na “área desportiva” do seu programa eleitoral: as escolas de ciclismo, o programa de detecção de talentos e de formação integral, o controlo periódico da evolução dos atletas e ainda o forte respaldo às selecções nacionais e à formação permanente de técnicos que são, actualmente, as guias de trabalho da FPC. Entre as parcas novidades do programa Castaño-Algarra, não primeiramente adoptadas em Portugal, está a criação de um curso de alto rendimento, um instrumento válido ao acompanhamento dos principais valores emergentes do ciclismo espanhol.

Ataque à dopagem
Ainda que escassamente desenvolvido, um dos temas que Castaño e Algarra não pretendem abrir mão diz respeito à prevenção do consumo de substâncias dopantes entre os mais novos, tendo para efeito reconduzidos esforços na elaboração de um programa  com o nome de “Prevenir para ganhar”. A luta anti-dopagem em Espanha nas camadas jovens deverá ter no “Prevenir para ganhar” a sua bandeira no desenvolvimento um conjunto de acções destinadas a sistematizar a prevenção da dopagem em conjugação com as distintas federações regionais, seguindo “modelos educativos de referência”.

A herança de Sánchez
Castaño enfrentará, caso seja eleito, a herança de Fulgencio Sánchez, presidente em exercício entre 2004 e 2008, curiosamente os anos do martírio e eventual rendenção do ciclismo espanhol, num mandato que sofreu com a Operação Puerto a maior crise de sempre na modalidade mas que, sem grande relevo no processo, contrabalançou com os sobejados resultados internacionais dos ciclistas espanhóis conquistados nos anos seguintes.
Fulgencio Sánchez, antigo ciclista profissional  e treinador que chegou a representar as cores do Coelima e do Benfica, fica ainda na memória pelo seu carácter “obscuro” e “comportamento indigno” no exercício do cargo, que, tal como como a tíbia luta contra a dopagem que deixaram o ciclismo espanhol com “danos irreparáveis”, motivos que, explicitados em carta, levaram à demissão, em Março último, de Ángel Sáenz Terroba, vice-presidente da RFEC. Mais longe, porém, terá sido a tentativa de substituição de Hein Verbrugghen aquando do último acto eleitoral da União Ciclista Internacional (UCI), numa manobra que se estimava a preservar as chances do candidato espanhol, Gregorio Moreno, face a Pat McQuaid – que viria a ser eleito – e que tinha o patrocínio do dirigente holandês.

Programa eleitorial de Carlos Castaño e Jose Luis Algarra: http://www.candidaturajuancarloscastano.es