Denis Menchov (quase) à prova de ataques vê di Luca aproximar-se

A 17ª etapa da Volta a Itália, hoje disputada entre Chieti e Blockhaus, mostrou um Denis Menchov (Rabobank) cerebral e capaz de segurar a camisola rosa, embora também tivesse permitido perceber que o russo não é de ferro e que, apesar de manter um aspecto imperturbável, não é imbatível. Esta tirada era bastante peculiar devido à curta extensão – apenas 83 quilómetros – e muito aguardada pela última dezena e meio de quilómetros, na dura ascensão para Blockhaus. Com a corrida cada vez mais perto do fim, os italianos deram o tudo por tudo para se manterem na discussão. Franco Pellizotti (Liquigas) atacou nas primeiras rampas da escalada final, venceu isolado e ascendeu ao pódio. Danilo di Luca (LPR Brakes-Farnese Vini) trabalhou muito, mas só conseguiu recuperar 13 segundos face a Menchov.

A expectativa para esta jornada residia, em grande medida, em saber se Carlos Sastre (Cervélo Test Team) estava de novo em condições de desferir um forte ataque na subida e se Danilo di Luca podia encurtar ou anular os 39 segundos que o separavam de Menchov. As indicações na aproximação à grande dificuldade do dia foram boas. Primeiro foi a LPR a impor um ritmo forte no pelotão. Já mais perto do começo da subida foram os colegas de Sastre a fazer idêntico esforço. Tudo se conjugava para um fim de etapa emocionante e alucinante.

Apesar do trabalho daquelas equipas, foi a Liquigas que assumiu as despesas da corrida quando se entrou em Blockhaus. Primeiro pelo polaco Sylvester Szmyd e, mais adiante por Franco Pellizotti, que ninguém conseguiu deter e que teve liberdade, pois partia bastante distanciado na geral. Lance Armstrong (Astana) ainda tentou entrar nesta guerra, saindo do pelotão atrás de Pellizotti, esforço que se revelaria inglório, já que o americano acabaria por nem sequer conseguir acompanhar o quarteto de luxo que se formara atrás de si: Denis Menchov, Danilo di Luca, Stefano Garzelli (Acqua & Sapone-Caffe Mokambo) e Ivan Basso (Liquigas).

Neste grupo de quatro elementos, todo o trabalho esteve a cargo de Danilo di Luca, corredor conhecedor desta subida, pois é natural daquela região. Ora impondo uma cadência forte ora fazendo bruscas mudanças de ritmo, di Luca tudo tentou para “descarregar” Menchov. Debalde! O líder manteve-se sempre imperturbável, com um semblante descontraído, que muito incomodou o italiano que várias vezes olhou o rival nos olhos tentando antecipar uma quebra que parecia impossível.

Na frente, Franco Pellizotti fez uma corrida à parte, com um ritmo constante que o levou à vitória e que, perante a incapacidade de Carlos Sastre, acabaria por permitir-lhe subir à terceira posição da geral. Depois de muito sofrer para ganhar tempo a Menchov, di Luca entrou nas últimas centenas de metros receando que o russo ainda lhe roubasse tempo num curto mas forte ataque. Mas num último esforço, o corredor da LPR acelerou bastante e, para surpresa geral, Denis Menchov não conseguiu responder. Com a meta à vista, di Luca preparava-se para conseguir os 12 segundos de bonificação do segundo lugar na etapa mais o tempo que conseguisse ganhar com o corte que acabara de provocar. Só que o compatriota Stefano Garzelli resolvou ser desmancha-prazeres e sprintou para a segunda posição. Di Luca teve de contentar-se com 8 segundos de bonificação mais 5 segundos de tempo ganho ao líder.

Feitas as contas e quando faltam ainda duas etapas potencialmente decisivas, Denis Menchov mantém-se como grande favorito e Danilo di Luca, só a 26 segundos, assume-se como o maior rival. Franco Pellizotti, a dois minutos não está totalmente fora da luta pelo triunfo final, mas seria uma surpresa grande que conseguisse ultrapassar os dois homens que estão à sua frente.

O pelotão tem amanhã uma jornada de transição, antes da etapa de sexta-feira, que terminará na subida para o vulcão Vesúvio. A jornada de amanhã vai levar os corredores de Sulmona a Benevento, por 181 quilómetros de pedalada em estradas maioritariamente planas.

(em actualização)

Sylvester Szmyd

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