Carlos Sastre ganha no Monte Petrano e aproxima-se de Menchov [vídeo]

A 16ª etapa da Volta a Itália foi palco de uma exibição de luxo do espanhol Carlos Sastre (Cervélo Test Team), que atacou para uma vitória em solitário no alto do Monte Petrano. Quem também esteve em bom nível foi o líder da corrida, Denis Menchov (Rabobank), que ganhou tempo a todos os rivais, excepto Sastre, ciclista que o russo decidiu não marcar em cima, pois partia para esta tirada com uma diferença de quase três minutos para o camisola rosa. No plano oposto, o destaque negativo vai para o estadunidense Levi Leipheimer, muito frágil na última subida, facto potenciado por ter sido deixado sozinho por Lance Armstrong num momento decisivo da etapa.

A decisão da etapa jogou-se nos últimos dez quilómetros de ascensão contínua para a meta. Nessa altura ainda seguiam na frente os mais resistentes da fuga do dia. O ucraniano Yaroslav Popovych (Astana) estava em cabeça de corrida e o italiamo Damiano Cunego (Lampre-NGC) perseguia-o a menos de um minuto. Mas foi no que sobrava do pelotão que as mexidas foram mais importantes. Como vem sendo hábito neste Giro do Centenário sempre que a estrada empina, os homens da Liquigas endureceram o ritmo, o que reduziu ainda mais o grupo e pôs os mais débeis com a língua de fora. Nova aceleração, desta feita de Kevin Pauwels (Cervélo) colocou mais lenha numa fogueira que Ivan Basso incendiaria (Liquigas), quase sem querer.

O italiano pedalou de forma mais viva durante escassos metros para alcançar a roda de Pauwels  quando deu por ela já eram poucos os homens que estavam com ele. Por esta altura, Carlos Sastre sofria por não perder o contacto com o primeiro pelotão, não conseguindo estar com Basso, Danilo di Luca e Menchov quando estes homens escaparam. Valeu a Sastre uma iniciativa inexplicável de Lance Armstrong. Com o chefe-de-fila da Astana, Levi Leipheimer, a passar por dificuldades, o texano deixou-se sem qualquer apoio e foi para diante em busca do trio de favoritos. Consigo acabou por levar Carlos Sastre, que agradeceu a boleia para se poscionar junto dos melhores, de onde pouco depois abalaria em busca de Cunego e de Popovych. Depois do esforço, Armstrong não resistiu aos esticões neste grupo de eleitos e acabou perdido na subida, à espera de Leipheimer, a quem acabaria por rebocar até à meta.

Denis Menchov fez uma corrida tacticamente perfeita. Não se preocupou com a ofensiva de Sastre, do mesmo modo que permitiu a saída de Ivan Basso. O russo só não autorizou a partida de di Luca, o único dos três que punha verdadeiramente em perigo a camisola rosa. Popovych e Cunego acabaram alcançados pelos homens mais fortes desta Volta e não tiveram sequer opções de lutar pela vitória na tirada. Carlos Sastre ganhou em solitário e instalou-se no pódio da geral individual, a 2m19s de Menchov, que, sabiamente e numa demonstração de força, atacou di Luca para conseguir a segunda posição na etapa e a respectiva bonificação.

Esta 16ª etapa do Giro, longa nos seus 237 quilómetros muito exigentes, veio confirmar que a Volta a Itália, com o traçado muito peculiar da edição de 2009, é uma prova de resistência. A cada dia que passa são menos os corredores que se mantêm com justificadas expectativas de chegarem ao pódio. Depois desta jornada, Leipheimer saiu da primeira linha de favoritismo, onde agora apenas estão Denis Menchov e Danilo di Luca, separados por 39 segundos. Carlos Sastre chegou-se à frente e começa a assumir-se como um adversário perigoso. Franco Pellizotti (Liquigas), Ivan Basso e Levi Leipheimer, que ocupam, por esta ordem, as posições seguintes, ainda não são cartas fora do baralho, mas já não lhes será fácil acercar-se do primeiro lugar, pois têm a camisola rosa a mais de três minutos.

Amanhã cumpre-se o segundo e último dia de descaso da Volta a Itália. Na quarta-feira corre-se mais uma das etapas sui generis desta edição do Giro. Os corredores irão percorrer apenas 79 quilómetros, com partida em Chieti e meta instalada na subida de Blockhaus, uma escalada encurtada em alguns quilómetros por razões de logística.

CLASSIFICAÇÕES
16ª Etapa: Pérgola – Monte Petrano, 237 km
1º Carlos Sastre (Cervélo Test Team), 7h11m54s
2º Denis Menchov (Rabobank), a 25s
3º Danilo Di Luca (LPR Brakes – Farnese Vini), a 26s
4º Ivan Basso (Liquigas), a 29s
5º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone – Caffe Mokambo), a 1m19s
6º Francesco Masciarelli (Acqua & Sapone – Caffe Mokambo), a 1m21s
7º Franco Pellizotti (Liquigas), mt
8º Tadej Valjavec (AG2R La Mondiale), a  2m11s
9º José Serpa (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli), a 2m35s
10º Lance Armstrong (Astana), a 2m51s
11º Levi Leipheimer (Astana), mt

Geral Individual1º Denis Menchov (Rabobank), 70h06m30s
2º Danilo Di Luca (LPR Brakes – Farnese Vini), a 39s
3º Carlos Sastre (Cervélo Test Team), a 2m19s
4º Franco Pellizotti (Liquigas), a 3m08s
5º Ivan Basso (Liquigas), a 3m19s
6º Levi Leipheimer (Astana), a 3m21s
7º Michael Rogers (Team Columbia – High Road), a 5m54s
8º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone – Caffe Mokambo), a 8m21s
9º David Arroyo (Caisse D’Epargne), a 8m39s
10º Tadej Valjavec (Ag2R La Mondiale), a 8m47s