Campeonato da Europa em rescaldo

O recente Campeonato da Europa foi arduamente disputado e interessante , evidenciando que é uma prova que veio para ficar. As equipas podem contestar, podem até tentar que os seus ciclistas não participem, mas a adesão do público e dos fans mostra que esta competição tem o seu lugar no calendário velocipédico mundial.

Os países foram representados pelos ciclistas disponíveis, mas Portugal teve a sorte de se ver representado com os melhores ciclistas em especial na categoria de elite. Os resultados globalmente foram positivos e, portanto, os parabéns à Federação Portuguesa de Ciclismo. No entanto ficou também e em paralelo um “sabor a pouco”. Vejamos.

Na corrida de Elites disputada no domingo apesar de uma primeira parte em que Portugal se posicionou bem com Nelson Oliveira, a segunda parte da corrida foi dramática para quem viu a corrida na Tv. Os ciclistas portugueses apareceram sempre mal colocados no grupo principal e não tiveram capacidade de se envolverem na decisão da corrida e aquele “contra relógio” final do João Almeida que não serviu para “grande coisa”. Aliás ver os ciclistas portugueses, quando correm pela seleção, quase sempre mal posicionados no pelotão é já um lugar-comum, com exceção dos melhores anos do Rui Costa. Foi um sabor de muito pouco, considerando que se a seleção tivesse corrido de outra forma uma medalha poderia ter estado ao alcance da seleção.

Também nos Sub 23 Masculinos e Femininas houve participações um pouco abaixo das expectativas ou até dececionantes como foi o caso do Campeão Nacional de Contra Relógio Masculino Fábio Fernandes e da Olímpica Maria Martins.

Nas provas de Juniores Masculinos talvez se pudesse esperar um pouco mais de António Morgado. É que apesar de o António é Júnior de 1º ano, houve por aí algum “endeusamento” promovido por algumas pessoas. O Morgado fez 2 excelentes Top 20, na prova de Contra Relógio e na prova de fundo, sendo que, em conjunto com Gonçalo Tavares, também Júnior de 1º ano, mostraram que estão no bom caminho para uma prestação a subir no próximo ano em provas internacionais e nos campeonatos .

Salvou-nos uma boa prestação do João Almeida e do Rafael Reis no Contra Relógio de Elites e em particular da Júnior portuguesa Sofia Gomes, que consegui um Top 20 na sua 1ª participação num Campeonato Europeu e foi ainda a melhor ibérica, aliás tal como Morgado. Estes ciclistas, Sofia Gomes, António Morgado e Gonçalo Tavares, quase sem experiência internacional, mostram que o ciclismo português tem matéria-prima para um futuro promissor.

É preciso que os selecionadores nacionais tenham possibilidade de realizar por mais estágios, mais participações no estrageiro e colocar no terreno seleções nacionais com vontade de tudo ganhar.

Paulo Coelho Vaz