Volta Feminina, um êxito desportivo

A 1ª edição da Volta a Portugal Feminina que ontem terminou em Lisboa decorreu com grande sucesso. Um pelotão à partida de 85 ciclistas, com a presença de duas equipa inglesas e quatro espanholas, num total de nove nacionalidades diferentes.

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Do ponto de vista organizativo , foi um evento bem pensado e melhor executado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, com muito apoio de entidades oficiais e privadas, ao qual as ciclistas responderam de forma duplamente positiva: deixando tudo o que tinham na estrada – o que sempre se espera de todos os ciclistas – mas também pela alegria contagiante que sempre brindaram a organização e o público e que era bem patente no final da festa em Lisboa.

Alguns pontos de melhoria claro, mas a principal mudança necessária é, ainda, o de alguma mentalidade. Por exemplo no final da 1ª etapa com chegada a Setubal, alguém da organização comentava que a etapa vinha toda partida e que isso se devia a que “elas não andam nada”. Ora na Volta a Portugal masculina realizada em Agosto, precisamente na chegada a Setúbal o pelotão chegou todo partido e ninguém irá comentar que eles não andam nada… Bem pelo contrário, se uma corrida masculina chega toda partida é porque eles deixaram tudo na estrada e a corrida vinha louca. Ora se é assim para os homens, também é assim para as mulheres! Se chega tudo partido é porque ELAS deixaram tudo na estrada.

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E se a Federação apostou forte nesta prova, a verdade é que lhe saiu o “1º prémio e a terminação”. Como já referido , as ciclistas presentes na prova deram tudo o que tinham e ao mesmo tempo transmitiram uma alegria contagiante, mas também do ponto de vista desportivo não podia ter corrido melhor: ganhou Raquel Queirós, a jovem olímpica portuguesa de 21 anos, e em segundo lugar ficou outra jovem portuguesa, a ainda Júnior Sofia Gomes de apenas 18 anos e que se apresenta desde já como mais uma das grandes esperanças do ciclismo português. E a diferença final entre as duas foi de apenas 35 segundos.

Aliás , se olharmos para o top ten da Volta a Portugal, vemos que para além da Raquel e da Sofia, se classificaram mais duas ciclistas portuguesas juniores, Beatriz Pereira de 18 anos que ficou em 5º e a Mariana Líbano de apenas 17 anos que fechou o top ten, e a Vera Vilaça que faz 4º lugar é também uma ciclista com futuro promissor com os seus 23 anos.

Mas para que estas jovens possam progredir de forma consistente e motivadas, é necessário que a Federação lhes permita o acesso a competições internacionais, incluindo a participação nos campeonatos europeus e mundiais. A estas e a outras, sempre na disponibilidade máxima de participação. Quando a Federação pode levar 6 ou 8 ciclistas a um Campeonato, não é compreensível que se limite a levar 2 ou 3. A mensagem subliminar que se passa às jovens adolescentes, que sonham com o ciclismo, é que muito dificilmente terão acesso a uma internacionalização. E o sonho não pode morrer, uma vez que ele é o alimento da nossa motivação.

Quando as estrelas se alinham temos de ter a capacidade de nos alinharmos a elas e viver o sonho há muito desejado e pelo qual muitos já trabalharam. Em prol das ciclistas, em prol do ciclismo.

Paulo Coelho Vaz