O suor de André Domingues, o erro de Fábio Costa e o rebanho

Teremos de entender que todas as vitórias são suadas. E, nem só as vitórias são suadas. Às vezes, chegar dentro do controlo de tempo numa etapa não faz suar menos. Claro que o suor não é só daquele dia. É de muitos dias.

Podem existir algumas semelhanças entre o mais recente sucesso de André Domingues, na Volta a Portugal do Futuro, e a sua vitória na Volta a Portugal de Juniores. Enfim, em ambos os casos, acabou por ser um triunfo quase isolado, muito do mérito próprio do ciclista que sempre se colocou e defendeu bem.

O percurso do ciclista começa no btt, em Marrazes, onde já o víamos e conhecíamos e onde já tinha resultados de destaque. Depois, a Escola de Ciclismo Bruno Neves, onde há-de ter tido algumas das maiores bases para competir em estrada. Segue-se a U.D. Oliveirense, onde definitivamente aprendeu o que seria competir entre os profissionais. São as suas escolas.

Pode-se dizer que após este seu maior sucesso até ao momento, será a qualquer um fácil elogiar e dizer “eu sabia!”. É sempre assim. Por isso, e para que não restem grandes dúvidas, fui buscar um texto meu, de 2019, publicado aqui, onde mencionava o jovem leiriense. Ei-lo: “(…) André Domingues, venceu a Volta a Portugal de Juniores. Só o futuro nos dirá, como de todos os outros, o que podemos esperar dele. Mas uma coisa é certa. Não é apenas por esta vitória, suada, que tem aqui destaque. Toda a época foi boa e já a época anterior dava boas indicações. Como se disse, a vitória foi suada, mas para ganhar é preciso suar e ele, com sagacidade, soube-o fazer nos momentos certos (…)”.

À margem do André Domingues e já que tanto se falou do colega Fábio Costa e da sua “placagem”, sempre direi que ele será o primeiro a reconhecer que, evidentemente, fez mal. É este o primeiro passo da aprendizagem e, para bom entendedor, é apenas isso que se pretende. Pedagogia sobre um jovem promissor.

Em breve, e final nota de rodapé, confesso que já me fartam as medidas sanitárias criadas por burocratas (alguns deles empregados e impregnados na estrutura federativa). Sobretudo na formação onde 90 % das pessoas (ou mais) não vivem do ciclismo. Vivem para o ciclismo e fazem um favor ao ciclismo. Estão cegos nas medidas que podem ser altamente lesivas da vida profissional e pessoal própria. Aquela que nos dá o sustento, a nós, e aos filhos. Estaremos por um fio.
E a UCI também não ajuda nada. Estamos um rebanho de carneiros, cada vez mais carneiros, “trilhando o mesmo trilho e balindo o mesmo balido”. Grande Eça de Queiroz.
Luís Gonçalves