Ainda Rui Costa e a sua desclassificação

Um pouco tarde, mas ainda o caso Rui Costa e a sua desclassificação na Volta à Suíça.

Defendi e defendo que o ciclismo de estrada tem de prosseguir a sua caminhada para sprints “limpos”, isto é, sem empurrões, sem cabeçadas, sem obstruções e outras tropelias que ainda há poucos anos se via nas provas de maior destaque do mundo velocipédico, como a Volta à França.

Tendo em conta, não a minha opinião claro, mas uma certa visão global sobre esta necessidade, passou a existir, e em particular após o caso Fabio Jakobsen e Dylan Groenewegen, um maior rigor por parte dos comissários presentes nas provas, na apreciação dos sprints e subsequentes penalizações de infratores. E deste modo saiu a fava ao nosso Rui Costa na 6ª etapa da Volta à Suíça.

Acontece que ao rever e rever novamente as imagens televisivas frontais e também superiores do sprint ficamos com muitas dúvidas da intencionalidade do Rui Costa na obstrução do seu adversário. É certo que Rui Costa movimentou-se da sua direita para a esquerda, mas voltou a guinar para a sua direita, permitindo a passagem de Andreas Kron. Fica até a ideia de que Andreas Kron não teve pernas e que ainda antes da linha de meta iniciou a sua reclamação.

Respeitando a decisão do colégio de comissários, compete agora à UCI e às federações nacionais garantir a uniformidade de critérios sob pena de se assistir a uma “futebolização” do ciclismo.

Ciclismo sem contacto nos sprints, ciclismo sem agressões, mas que o ciclismo não deixe de ser ciclismo.

Paulo Coelho Vaz