O Tour dos ” velhotes”

Já falta pouco para a Volta a França. Inevitavelmente, as atenções vão-se concentrando na prova francesa. Por vezes, pode até nem ser a mais interessante, mas é sem dúvida a mais mediática e aquela em que todos querem estar.

Curiosamente, quando tanto se fala de jovens no ciclismo, e sobre o que durarão na modalidade estes fenómenos, um dos pontos de interesse desta sempre existente visão especulativa do que será o próximo Tour, são alguns “veteranos”.

Os seus nomes, por serem incontornáveis no ciclismo moderno, ajudam à discussão. Mas por variantes diferentes. Mark Cavendish, parece ter ressurgido das cinzas, e até já o propõem, porventura com o exagero habitual das especulações, para bater o recorde de vitórias em etapas de Eddy Merckx. Para igualar o recorde, o britânico teria de vencer quatro etapas, portanto, para o bater, seriam cinco. Nesta Volta a França parece uma tarefa hercúlea, mas, nunca se sabe com o passar do tempo e uma carreira que ainda pode durar uns tempos. Evidentemente, sem a mesma frescura física, mas com a mesma vontade e sabedoria, embora deva considerar isso algo difícil de realizar. Neste Tour, vencer uma etapa, ou duas, já seria um marco assinalável.

Ao invés do crescimento de Cavendish, surge outro britânico. Chris Froome já assinalou que não se sente com capacidade física para tentar a vitória neste Tour. Deixa contudo a porta aberta a um quinto sucesso no futuro, o que lhe permitia juntar-se a um muito restrito clube de ciclistas. Talvez um sucesso já difícil de alcançar.
Froome, já está no panteão da modalidade. Não é o que ele faça neste Tour, ou nos próximos a que se proponha ir, que lhe retirará esse lugar na história. Mas, para quem gosta da modalidade e destes símbolos, deverá sempre confessar alguma desmotivação com o crepúsculo de grandes ciclistas. Temos no entanto de perceber que sempre foi assim. Pelo menos com alguns e isso nunca lhes retirou os verdadeiros méritos. Ninguém tem coragem de discutir a carreira de Miguel Indurain ou de Greg Lemond, este último, com as célebres imagens no carro vassoura.

Temos ainda Greipel, também na Israel. Podemos sempre também esperar algo deste ciclista. Pode sair em branco do Tour? Pode, e até será o mais certo. Mas, quem sabe ganhar, tem-lhe sempre o jeito. E Valverde. Que fará Valverde?

A Volta a França tem sido de jovens. Terão os “velhotes” (na vida desportiva, naturalmente!), ainda, uma palavra a dizer? Talvez Geraint Thomas nos dê a resposta mais esclarecedora.
Luís Gonçalves