Giro: duelo Bernal – Remco adiado sine die

Terão as ilusões de poder vencer o Giro, ficado pelo caminho para Remco Evenepoel ? Por aquilo que foi dado ver hoje, o belga hipotecou as suas aspirações a um triunfo final, demonstrando uma fragilidade que já tinha dado mostras ,na nona etapa, em que Bernal venceu de forma autoritária.

O ciclismo tem evoluído muito nos últimos tempos, vendo-se um pouco de tudo, mas quando se atingem os limites máximos, vêm ao de cima insuficiências que a alta competição exige. Seria um milagre se Remco competisse de igual para igual com este pelotão, depois de uma ausência de quase um ano da competição, onde se atingem níveis físicos e de stress nunca atingidos em treino. Por isso, nos momentos chave, Remco não consegue aguentar o ritmo, não porque não tenha pernas para isso, mas porque lhe falta competição.

Evenepoel justo depois de perder minutos no Giro: “Estou grato à equipa e ao Almeida.  Não acaba até que esteja acabado ”
As dificuldades foram muitas, hoje, para Remco Evenepoel.

As dificuldades avolumam-se nas etapas futuras, onde o seu rival, Egan Bernal se sente mais à vontade, a alta montanha, o que pode ainda complicar mais a vida ao prodígio belga. Um belga que não tem equipa para estas andanças. Não chega ter João Almeida, feito bombeiro diariamente, é preciso uma equipa que a Deceuninck não dispõe, ao contrário da Ineos , o que desde logo é outro grande contratempo para Remco Evenepoel.

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A equipa da Ineos faz muita diferença para as restantes equipas.

Uma fuga de 11 ciclistas. que chegou a ter 14 minutos de vantagem,. e da qual saiu o vencedor da etapa, Mauro Schmid (Qhubeka Assos), em luta direta com o outro sobrevivente da fuga, Alessandro Covi (UAE Team Emirates), sem nenhuma influência na geral individual facilitou a vida à Ineos que pôde acelerar nos troços de macadame, colocando em stress os adversários de Bernal. Depois do primeiro troço veio o segundo e Remco não aguentou, ficou vazio, como ele disse o no final. valeu-lhe João Almeida, quando não a derrocada seria ainda maior.

A preocupação de Bernal não foi muita. Primeiro foram os seus colegas de equipa que aumentaram o ritmo e criaram a primeira diferença, depois foram os seus amigos que puxaram forte, sempre com Bernal na roda. Curiosa a atitude da Movistar, colocou Hélder Oliveira na frente do grupo a puxar, depois foi a E.First a colocar Ruben, a puxaram para os seus chefes de fila, uns e outros a fazerem uma figurinha triste. Na altura em que, Soler e Carthy deveriam lá estar, ficaram para trás, deixando Bernal e Buchamann na frente da corrida. O que nos leva a perguntar porque é que foram para a frente do grupo, com Bernal na roda ?Soler não é, nem nunca será um candidato a um triunfo numa prova de três semanas, o mesmo se passando com Carthy. São bons ciclistas, hipoteticamente para os dez primeiros, mas não mais que isso. Puxaram que se fartaram, para depois ficaram sentados a verem primeiro Buchamann e depois Bernal a irem-se embora. O ciclismo do World Tour é, estranhamente, complicado de se entender.

Quem entendeu bem esta estratégia de espanhóis e americanos foi Bernal:

O ritmo era muito alto quando Emmanuel Buchmann continuou. Perguntei ao diretor pelo rádio quão grande era a diferença com ele, foi então que entendi que tinha alguma margem de manobra . Quando Hugh Carthy foi, esperei um pouco e usei-o como um trampolim. ” Nem mais nem menos, usei-o , ou seja aproveitou o seu trabalho no seu benefício.

No final, na classificação geral, Bernal reforçou a sua liderança. Na etapa ganhou a Buchmann 3”, Vlasov (+23”), Yates et Carthy (+27”), Ciccone (+1’47”), Soler (+1’58”), Evenepoel et Bardet (+2’08”). Afastado de vez estão Dan Martin et Davide Formolo, este vitima de uma avaria.

Na geral, o colombiano alargou o seu avanço para Alexandr Vlasov (+45”), Damiano Caruso (+1’12”), Hugh Carthy (+1’17”) et Simon Yates (+1’22”). Remco Evenepoel está em sétimo a (+2’22”).

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