Giro: Bernal que demonstração de força

RESULTADO ESTÁGIO 9 GIRO.  Egan Bernal mostra na primeira etapa de montanha que é o grande favorito, Remco Evenepoel segue em segundo, agora com 15 segundos
Impressionante imagem de força de Egan Bernal, num final espetacular, que deixou tudo e todos sentados. O colombiano mostrou que é o mais forte do Giro. Mas ainda faltam muitas etapas.
( Foto Reuters)

Egan Bernal quis hoje., mais do que nunca deixar uma mensagem à concorrência. Uma imagem de força, de querer, de determinação, mas também de algum respeito e receio do futuro.

Bernal cortou a meta parecia um foguete, só diminuindo a sua impressionável cadência de pedalada, num terreno difícil, depois de cortar a meta. O colombiano sabe que tem de colecionar segundos, muitos segundos, porque o perigo espreita nos C/R. Por isso, há que aproveitar tudo. Hoje foram vinte segundos, mas acima de tudo, a mensagem de que Remco Evenepoel também tem limitações, e que acima de tudo, não tem equipa. Não fosse João Almeida e o belga ficaria sozinho, num terreno dificil e à mercê dos seus adversários. Já deu para ver, que a Deceuninck, na alta montanha está um bocado desfalcada e que não tem ciclistas, para fazer o que a Ineos fez hoje, caso disso tenha necessidade um dia.

Tom Boonen viu Evenepoel dar mais um bom passo no Giro em Campo Felice.
Remco teve de se aplicar a fundo para não perder muito tempo na chegada. João Almeida, aqui na sua roda, foi um companheiro zeloso. ( Foto News)

Uma fuga de muitos ciclistas, normalmente resulta em desentendimentos, como o caso de hoje. Na frente Simon Carr e Gougeard separaram-se do resto do grupo. Depois ficou sozinho o homem da AG2R/Citroen, que veio ser alcançado a dois kms da meta por Koen Bouwman, que deixou para trás um pouco inteligente Mollema, que puxou sempre, mesmo sabendo que levava na roda o homem da Jumbo que, por mais de uma vez o tentou deixar para trás. Ficou e bem, Mollema que, pelos anos que por cá anda, bem podia ser mais conhecedor e repetimos … inteligente.

AFP
A Deceuninck, aqui toda em redor de Remco, não tem a força da Ineos nem de outras equipas, em especial nos momentos chaves do Giro.

O Giro é, na verdade, uma prova diferente de todas as outras. Inovadora, mais espetacular e a parte final da etapa foi mesmo competitiva e seletiva. O piso exigia força, muita força muscular, pedalar sentado e muita força nos pedais, e foi impressionante o ritmo de Bernal quando passou pelos dois homens da frente. Ainda falta muito Giro, mas os belgas que tinham dito ontem, que hoje Evenepoel finalmente se iria vestir de rosa, tiveram de adiar os textos já feitos. Afinal, Remco vai ter de pedalar muito, para levar de vencida Bernal.

Dos portugueses, Ruben Guerreiro tentou meter-se na fuga boa e partir para a frente. Não o conseguiu. João Almeida parece estar a transformar-se no braço direito de Remco, enquanto Nelson Oliveira descansou, pois este tipo de etapas não é para o seu perfil.