As equipas nacionais, afinal, fazem falta à Volta ao Algarve

Terminou a Volta ao Algarve sem grande brilho. A ausência de público tornou a subida final árida, e até algo incompreensiva essa ausência, num momento em que tudo começa a desconfinar. Ficou-se sem saber, quem ordenou ou aconselhou a que não fosse permitida a presença dos adeptos da modalidade. Seja quem foi o responsável por tal determinação não deixa de ser uma medida incompreensível.

Mas público à parte, e já ontem o referimos, de salientar a excelente prestação dos nossos ciclistas que, este ano, apostaram mais a sério numa participação em que, apesar de tudo, chegam em situação de desvantagem em relação aos ciclistas das grandes equipas. Apesar de ser disputada em maio, os ciclistas nacionais tiveram apenas três dias de competição até o início da algarvia, portanto sem o ritmo competitivo das equipas internacionais, o que de alguma forma, ainda mais valoriza os resultados alcançados.

—————-

O ciclismo internacional é algo irracional, de pedalar para a frente, sem grandes táticas, esperando-se que a força suplante o engenho , a imaginação, a matreirice e a lógica. Por força de correrem muitas vezes juntos, com as mesmas equipas e os mesmos ciclistas, os diretores desportivos nacionais são mais racionais, mais matreiros. Na chegada ao Malhão os homens do W52 foram praticamente irrepreensíveis taticamente. Souberam esperar pelo momento certo, sabendo que o adversário estava tocado, abrigaram-se da sobranceria de alguns, como Kasper Asgreen e chegaram ao Malhão com a sua equipa fresca e mais folgada que a Ineos e a Deceuninck, que se desgastaram muito cedo. Os primeiros porque deixaram partir uma fuga com 12 ciclistas, demasiados que obrigou a um controlo mais pesado durante toda a etapa, e que deixou as suas marcas, e os belgas porque endureceram demasiado cedo a parte final da corrida, facilitando o trabalho do FC Porto. Depois, em plena subida, uma formação como a Ineos teria de ter sempre ao lado do camisola amarela um dos seus homens. Henao estava distante e nunca foi a ajuda que, por exemplo, João Rodrigues teve por parte de Amaro Antunes.

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé, a andar de bicicleta, bicicleta e estrada

Os erros, numa equipa que é guiada pelos pequenos pormenores pagam-se caro, por isso, não será de admirar o triunfo dos portugueses, sob a forte armada estrangeira. Dir-se-á que não há vencedor sem sorte, e nesse capítulo João Rodrigues teve-a do seu lado. Primeiro, quando Asgreen caiu na 1ª etapa e perdeu 39 segundos, fazendo no dia seguinte a subida para a Fóia de uma forma algo irracional, depois quando o camisola amarela da Ineos também caiu no C/R, onde perdeu os segundos que lhe faltaram na parte final do Malhão. Mas tudo isto faz parte do ciclismo.

O que é importante realçar é que o ciclismo nacional, afinal, faz falta à Volta ao Algarve .