Algarve: Cair de pé

Kasper Asgreen vence contra-relógio na Volta ao Algarve, Ethan Hayter continua líder apesar de grave acidente
O leader caiu, levantou-se, e seguiu caminho. No meio do azar, acabou por ter sorte. O pior será amanhã, quando as dores apertarem e a noite mal dormida surtir alguns efeitos.

O contra relógio é quase uma luta corpo a corpo. À distância, é certo, mas não deixa de ser o debate entre os ciclistas na sua forma individual, uns mais especialistas, outros menos.

As montanhas proporcionam grandes momentos, mas muitas das maiores memórias do ciclismo mundial não deixam, também, de estar no contra relógio. Para quem tem algum objectivo, designadamente, ou a vitória na etapa ou um lugar na geral, é um dia de tensão. Inusitadamente, porque normalmente é um esforço que vemos curto, até acaba por ser dos dias que mais tempo absorve a alguns ciclistas e em que mais tempo têm o equipamento vestido.
Rafael Reis (Efapel) quase tinha o seu momento de glória, mas Kasper Asgreen puxou pelos galões e bateu o português arrebatando a vitória na etapa e colocando-se em boa posição na luta pela geral.

Mas na tal espécie de luta corpo a corpo, só podemos realçar o empenho de João Rodrigues (W52-FCPorto) que mantém bem viva a hipótese de vencer esta Volta ao Algarve, mas, aqui, sobretudo a garra de Ethan Hayter. Sem desconsiderar Lastras, seriam, à entrada da etapa, os principais contendores pela geral e não desleixaram. A queda do inglês foi feia, deixou marcas bem visíveis, mas é nestes momentos que se vê o que vale um ciclista, e o que valem os ciclistas. Cair, levantar, pedalar. E mesmo caindo no resultado desportivo, cair de pé.

E se o resultado desportivo hoje foi visível, porque Hayter ficou de pé e não deixou cair a sua camisola amarela, não se sabe que verdadeiras marcas deixou a queda e que possam impor alguns obstáculos físicos, amanhã, na etapa do Malhão, que se adivinha bastante animada.
Luís Gonçalves