Algarve: o dia esperado

Por duas formas de ver, hoje, na Volta a Algarve, foi o dia esperado. Por um lado, porque se aguardava com alguma ansiedade a partida desta prova para a estrada. Ansiedade sobretudo para o ciclismo nacional, mas ansiedade já ultrapassada com distinção. Portimão também está de parabéns. Em tempos que continuam difíceis para este município, soube ser assertivo. O sol algarvio também foi o esperado e a melhor propaganda que a região pode ter.

Depois, foi o dia esperado porque, de certa forma, a etapa que em forma inversa à do ano passado, ligou Lagos a Portimão teve o desenho desportivo esperado. A partida, a fuga do dia, o controlo do pelotão e um sprint nervoso, onde também venceu o sprinter mais credenciado.

Interessante no dia foi a fuga, dos quatro homens que se aguentaram mais tempo, ser de constituição ibérica. Três espanhóis e o português Hugo Nunes, em representação de duas equipas espanholas e duas portuguesas (Atum General-Tavira e RP-Boavista). Pelo caminho foram dividindo colheita de metas volantes, que penderam para Hugo Nunes, e do prémio de montanha, com a camisola a ser envergada por Jon Irisarri, da Caja Rural.

Uma fuga sempre controlada pelo pelotão que terminou a poucos quilómetros do fim da etapa, altura que se tornou um pouco confusa, com algumas quedas (e até uma mota onde nunca devia estar), propondo-se uma chegada rápida, com o favorito Sam Bennet a impor-se, envergando a primeira camisola amarela e dos pontos, esta última, mais habitual para o irlandês. No sprint, destaque para Iúri Leitão (Tavfer-Mortágua), colocando-se num honroso quinto lugar e na posição de melhor português.

O dia teve o seu foco na fuga e no sprint. Mas uma boa parte do pelotão olhava já para a Fóia, essa sim, etapa que nos vai começar a definir quem pode vencer esta 47ª Volta ao Algarve e suceder a Evenepoel. Há favoritos é certo, porém, com equipas Worldtour com constituições com as quais acabamos por não estar muito familiarizados, com bastante gente jovem, podemos amanhã ter, ao contrário de hoje, um resultado pouco esperado. Veremos.
Luís Gonçalves