Coelima

CASIMIRO COELHO LIMA HOMENAGEADO PELA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE CICLISMO -  Mais Guimarães
Casimiro Coelho Lima, falecido em 2005, foi um destacado empresário e um dos primeiros mecenas do ciclismo nacional, com uma obra social em Pevidém modelo a nível nacional.

Coelima é um nome que tem andado pelas bocas do mundo. Recentemente, não pelas melhores razões, uma vez que esta empresa, do sector têxtil, quase centenária, se apresentou recentemente a insolvência. Pode não significar isto o fim, porque, provavelmente, poderá existir um plano de recuperação da empresa, porém, é sempre uma ferida aberta.

Na base da decisão, estarão perdas significativas, ampliadas pelo actual contexto pandémico. Não sabemos. O Covid também servirá para muita coisa. Até para justificar estados de emergência e isolamentos profiláticos sem cumprimento de direitos básicos. O que sabemos, por simpatia e agradecimento, é que é com alguma mágoa que assistimos às dificuldades desta empresa.

Ciclismo Portugal
As cores laranja e azul da Coelima, marcaram um período importante do ciclismo nacional e o embrião para o surgimento dos patrocinadores no ciclismo.

Para além da empresa e da inegável função social e económica que sempre teve na região e no país, por aqui, há memória da equipa de ciclismo da Coelima que entre finais de 60 e meados de oitenta do século passado marcou o ciclismo nacional.

Se há coisa pela qual o ciclismo tem de ser grato é aos seus patrocinadores, sobretudo aos mais fiéis. Mas a Coelima era mais do que um patrocinador e uma equipa de ciclismo. Era um alfobre da região, e não só, no que ao ciclismo diz respeito.

Não venceu a Volta a Portugal, andou lá perto, nomeadamente pelo espanhol José Luis Galdamez, que ainda hoje, com frequência, vemos nas provas do Minho, com sincera disposição a colaborar. Ganhou a classificação dos pontos com a Alexandre Ruas, em 1979, e a montanha com Luís Teixeira, em 1976. Para mim, o Teixeira, veterano comissário do mais prático que podemos ter, com uma visão do ciclismo anos luz à frente de boa parte dos comissários internacionais.

Mas, talvez mais importante do que estes resultados, tenha sido o segundo condutor (sucedendo ao pai) da empresa, relembre-se das primeiras no país a ter serviços sociais. Se os ciclistas marcam páginas, a verdadeira página, mesmo no ciclismo, tem de ser a de Casimiro Coelho Lima, impulsionador económico e social, mecenas do desporto, presidente do Vitória Sport Clube, fundador da Associação de Ciclismo do Minho e, não me falhando a memória, o seu primeiro presidente. Genuíno amante da nossa modalidade. Como poucos. Como cada vez mais poucos.
Luís Gonçalves

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