O verdadeiro sucesso de Cavendish

Doze anos separam estas duas fotos. Não parece mas é verdade.

Mark Cavendish, voltou às vitórias. Há uns anos atrás, não muitos, pouca relevância dávamos às vitórias do inglês na Turquia ou em outras competições da mesma espécie. O seu parâmetro de sucesso podia apenas ser medido pela quantidade de sucessos em grandes voltas, sobretudo no Tour.

E como isto do sucesso e da fama é algo cada vez mais volátil, já dou por mim a ver atletas mais jovens que já não sabem quem é o Cavendish, quando, no auge do seu sucesso, o sonho dos que tinham então a mesma idade era sprintar como o foguete da ilha de Man.

É assim a vida e são cada vez mais efémeros os momentos no desporto. Facilmente nos esquecemos que Cavendish tem trinta etapas ganhas no Tour e começamos a achar que o Marcel Kittel é que é o bom. E onde anda o Marcel Kittel?! Em boa verdade, esse então é que já poucos sabem quem é.

No momento actual, e olhando ao sprint, ciclistas como Cavendish, Greipel, ou até já mesmo Sagan, embora bem mais novo, sobretudo quando comparado com Greipel, deverão merecer cada vez mais respeito. É grande a catadupa de novos sprinters que todos os anos dão nas vistas. À semelhança de outras especialidades na modalidade, aparecem bastante jovens, têm poucos anos fogosos e depressa rumam à clandestinidade.

Cavendish venceu a sua primeira etapa no Tour em 2008. Curiosamente, num ano em que o primeiro camisola amarela foi Alejandro Valverde! Antes disso, já vencia em muitas outras competições dignas de registo. E continua a vencer. Como Cipollini, o eterno Rei Leão, que quase vinte anos após a sua primeira vitória profissional ainda conseguia cortar o risco de meta na frente.

Talvez seja cada vez mais difícil prever a longevidade, com sucesso, da carreira de um ciclista. Aliás, muito se tem discutido se este aparecimento de tão jovens talentos lhes renderá, de facto, carreiras longas e profícuas.

Por isso mesmo devemos ser cada vez mais prudentes e atentos na apreciação. De outra forma corremos o risco de, em comentário escrito ou televisivo, todos os anos lançar carreiras de longo sucesso e, de certa forma, quase desconsiderar quem tem de facto uma carreira dessas, algo, que é sempre o mais difícil de se fazer.

No contexto da longevidade, podemos ter em competição o terrível crepúsculo de grandes campeões. É certo, mas isso sempre aconteceu. Tão depressa nos lembramos das imagens de fulgor, como das de final de carreira de Miguel Indurain ou Greg Lemond. Algo a que Froome sériamente se arrisca. Mas lembramos, e isso tem um significado…

Cavendish pode já não ter a mesma disponibilidade física, destreza ou coragem, essenciais no sprint. É normal. Mas não é qualquer um destes sprinters novos, glorificados todos os anos, que chegará, sequer, aos calcanhares do inglês.
Luís Gonçalves