Os exageros da Direção Geral de Saúde

Já sabemos que agora ninguém pode criticar nada sem ser negacionista, ou esperar um ato de vingança, mas, por estes dias, vi-me confrontado com uma norma recente inventada pela Direção Geral de Saúde, que até profissionais de saúde com quem tenho mantido contacto consideram um exagero.

Ora, nos tempos mais recentes, somos todos contacto de alto risco, logo, temos todos de ficar em isolamento profilático, detidos em casa.

Bastará para tal estarmos num “espaço fechado”, deixando este conceito em aberto e ter contacto, em prazo definido, com alguém que esteja de facto positivo a Covid-19. Desvaloriza a norma a área do “espaço fechado”, o arejamento, o número de presentes no local e o distanciamento que tal “espaço fechado” permite.

Melhor. Desvaloriza a norma, expressamente, a utilização de máscara, a não ser que esteja a ser usada por pessoal treinado para o efeito (em resumo, os profissionais de saúde e pouco mais). Ou seja, a DGS, a não ser que sejamos treinados, entende que ninguém sabe usar máscara. E se, como ouço dizer os profissionais treinados, a má utilização da máscara é pior do que a não utilização, porque dá uma falsa sensação de segurança, afinal para que usamos máscara? É isso que a DGS quer fazer passar em mensagem? Não será. Mas parece.

A desproporcionalidade de aplicação que esta norma gera, é gritante. Lembre-se que o isolamento profilático é já uma medida extrema, existindo outras mais brandas, mas igualmente úteis no combate a pandemia. É óbvio que, proporcionalmente, não devemos olhar para um espaço arejado (e continuam a apelar para abrirmos janelas. Também já não sei para quê!), e com 80 m2, da mesma forma que para outro com 10 m2, ambos com a mesma taxa de ocupação. Mas a DGS parece cega ou imbuída de um espírito que se pensava já em desuso.

Leva-nos isto a pensar que, a manter-se esta extremidade da norma, uma equipa de ciclismo que partilhe sala de refeições durante 15 minutos ou mais (a indicação normativa) e existindo ali um corredor ou membro do staff positivo, todos os outros, automaticamente contactos de alto risco, têm de ir para casa em isolamento profilático, independentemente de teste negativo. Em rigor, acabou-se a prova para aquela equipa.
Bem, ou então, teremos de mudar de modalidade. Porque, se calhar, um balneário de uma equipa de futebol da primeira liga, não é “espaço fechado”…
Vejam a norma 15/2020 da DGS, actualizada em 11 de Fevereiro de 2021, em concreto, o Anexo II.
Luís Gonçalves