Tirreno e Paris-Nice: Para quê duas crónicas

Duas grandes provas em simultâneo, rivalizando entre si em nomes de prestígio, cada uma com as suas estrelas, e um denominador comum: ambas as competições estão a ser disputadas ao mais alto nível, e hoje, ironia das ironias quase foram copiadas a papel quimico.

Haverá necessidade de duas crónicas para relatar os factos quer do Paris-Nice quer do Tirreno- Adriático ?

Na verdade foram algumas as coincidências. Primeiro ambas tiveram os cabeças de cartaz de ambas as provas. Segundo, ambas foram ganhas praticamente da mesma forma : com autoridade, em cima do risco de meta, por nomes que não sprinter, mas pelos mais “puncheurs” de ambas as provas. No Paris-Nice, Primoz Roglic confirmou o que já se sabia : a sua superioridade para um pelotão, menos recheado de estrelas, mas o seu triunfo de hoje foi de uma classe super, tal, como o de Van der Poel. Até neste ponto houve coincidência.

Roglic desmoralizou a concorrência, numa chegada só acessível a ciclistas potentes, que deixou alguns ciclistas surpreendidos , como Sam Bennett, por exemplo, que terminou em ziguezague, com as pernas inflamadas de ácido lático. Roglic teve forças para contrariar o forte ataque de Guillaume Martin da Cofidis , a preparar a chegada para Laporte, e resistir ao ataque deste último que, diga-se em abono da verdade, está a fazer também, um início de temporada brilhante. Melhor que as palavras serão as imagens finais da tirada.

Já no Tirreno-Adriático, Van der Poel teve a vida um pouco facilitada, quando nos últimos quinhentos metros respondeu a um forte ataque de Stybar, com Van der Poel na roda. Stybar tinha como objetivo preparar o sprint para Ballerini, mas sem querer acabou por lançar o holandês da Alpecin que, por sua vez, só teve que passar van Aert em cima do risco.

Naquilo que parece vir a ser um dos pontos altos da temporada, os mano a mano, entre os dois Van, qualquer pequeno erro, cometido por um deles, em momentos como o de hoje, significa o insucesso. Talvez Van Aert possa ter aprendido a lição de hoje . Mais frio, talvez até mais refinado do ponto de vista tático, Van der Poel já provou ser mais matreiro, que o seu rival.

Em ambas as corridas os leaders permaneceram nas suas posições, esperando-se por melhores dias.

Também am ambas duas desistências de peso. Mcnulty no Paris-Nice, era terceiro na geral e Caleb Ewan no Tirreno-Adriático. O primeiro por queda o segundo por problemas intestinais, nada que ponha em risco a sua participação no Milão-S.remo.

Se atentarmos nas classificações com atenção, de ambas as provas, em peça à parte, poderemos facilmente descortinar a qualidade dos intervenientes, numa e noutra prova. Também, aqui a rivalidade é grande e, se no computo geral a ASO leva a liderança sobre a RCS, no Tirreno, os italianos deram 5-0 aos franceses.

João Almeida manteve o seu sétimo lugar, com Van der Poel agora segundos a quatro segundos e um perigo para a liderança do chefe de fila da Jumbo-Visma.

One thought on “Tirreno e Paris-Nice: Para quê duas crónicas”

  1. Com o final da etapa de amanha, com montanha de categoria especial, parece-me que nenhuma das 3 coqueluches do pelotão mundial (Van der Poel, Van Aert e Alaphilippe) irá conseguir lutar pela classificação geral final. Prevejo que Pogacar possa ganhar mais uma corrida apos o bom inicio de ano que teve no UAE Tour. Para o João Almeida, com a quantidade de estelas na luta (Pogacar, Bardet, Landa, Nibali, Quintana, Fuglsang…etc), ficar no top-3 seria (mais) um resultado soberbo, embora acredite que o top-10 seja bem mais “razoável” e totalmente alcançável pelo nosso menino d’oiro.
    Por ultimo uma nota para a Ineos, que com a postura atacante que tem mostrado neste inicio de época e apos todos os chefes de fila (Bernal, Thomas e Sivakov) terem perdido segundos importantes na etapa de hoje, poderão lançar ataques à vez, a começar ainda na penúltima contagem de montanha também de categoria especial, o que tornaria a etapa deste sábado ainda mais espetacular de assistir.

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