La Madonna del Ghisalo

A Lombardia traz-nos uma das subidas mais conhecidas e mais míticas do ciclismo. Não tem as pendentes extraordinárias que estão agora na moda, mas tem a tradição das grandes subidas. Na Lombardia, a subida onde todos querem passar é a Madonna del Ghisalo.

Serão incontáveis as estórias de sucessos e insucessos na Madonna del Ghisalo, em especial na Il Lombardia, mas também no Giro, ou em muitas outras competições que se fazem nesta região de Itália. Mas a Madonna del Ghisalo é muito mais que uma subida mítica. É, também, desde meados do século passado, no papado de Pio XII, padroeira dos ciclistas. Não é a única. Também as há em França e em Espanha, mas a del Ghisalo, talvez porque também associada a grandes competições velocipédicas seja a mais conhecida.

No cimo de um monte que se ergue a pouco mais de quinhentos metros de altitude, mas com uma fantástica vista sobre o lago Como, para além do santuário, logo ao lado, existe um já moderno museu de ciclismo (que começou dentro da Igreja).

Como essência dedicado ao ciclismo italiano e ao Giro di Lombardia. Bicicletas de grandes campeões, mais de cinquenta camisolas rosas, mais de dois mil objectos ligados ao ciclismo e uma chama eterna aos ciclistas já falecidos.

Exposições temáticas, em que o ciclismo de competição é a bandeira, mas sem esquecer que a Madonna del Ghisalo é a padroeira de todos os ciclistas, até, dos que vão à praia de bicicleta, apenas três ou quatro vezes por ano.
Em ano de centenário do nascimento de Fausto Coppi, no decurso deste ano especiais actividades dedicadas ao grande campeão italiano, recordista de vitórias na Lombardia.

Como já foi dito, a visão do museu é essencialmente italiana. Mas, falar sobre ciclismo italiano, é falar sobre uma parte fundamental do ciclismo mundial. Porventura, o mais rico ciclismo do mundo, em história. Com uma velocidade determinante, mais do que qualquer outra nação, nos vêm à cabeça de forma abundante nomes de ciclistas, competições e equipas. Só isso, sem ser sequer preciso falar na importância social de Gino Bartali na II Guerra Mundial.

E se o ciclismo é hoje um desporto comercial, muito o devemos aos italianos. Não fossem o estilo e as multas de Pantani e, sobretudo, do Cipollini e ainda hoje só podíamos usar meias brancas e, às tantas, aqueles óculos de início de século.
Talvez se possa oferecer um bilhete do museu ao senhor David Lappartient.
Luís Gonçalves