AS TRAPALHADAS DA UCI COM A REGRA DAS IDADES

 

Já se percebeu que, para a UCI, a questão da regra das idades nas equipas continentais não tem grande relevância.

É uma situação badalada em Portugal e em mais alguns países onde, de facto, a composição dos pelotões nacionais é feita em exclusivo, ou quase, por equipas deste escalão, constituindo um profissionalismo condicionado.

Sabe-se que as intenções da UCI, na criação deste escalão, não eram as que se vieram a concretizar, mas, já que as circunstâncias actuais se verificam com o compadrio da UCI, convinha uma maior atenção e cautela.

Não pode a UCI, numa questão que acaba por ser sensível, legislar tão tardiamente e muito menos, alegadamente, deixar ao livre arbítrio das Federações nacionais a intenção de aplicação imediata ou não, de uma norma que para todos os efeitos, já na próxima época, estará revogada.

A ser assim tão permissiva, podemos vir a ter na mesma competição, equipas do mesmo escalão a competirem segundo regras diferentes que levaram à sua constituição. Até pode nem ser relevante competitivamente, mas não deixa de ser um mau pressuposto. Seria o mesmo que dizer ao Benfica que só poderia jogar, por exemplo, com cinco jogadores com 28 ou mais anos, e ao Nápoles, com toda a experiência que conseguisse entrar em campo.

Leva ainda a interessantes aplicações nacionais nos regulamentos. Das alterações efectuadas ao regulamento da UCI, escolhem-se, e transpõem-se algumas, e não se dá aplicação imediata a outras, apesar de ambas terem sido aprovadas na mesma altura e as normas “antigas” se considerarem revogadas a partir da mesma data.

Também não compreendo como é que, de futuro, se pretendem ter normas inferiores a sobreporem-se a normas superiores, sem qualquer notícia de disposição transitória.

Trocado por miúdos, a UCI deveria ter legislado mais cedo e impôr as normas alteradas na formação das equipas já para a época 2017.

Concorde-se ou não com a extinção da regra das idades, não deixava dúvidas, nem margem para aplicações diferenciadas e discricionárias. Fosse o alvo as equipas Worldtour, os seus interesses e o das provas em que participam e, com toda a certeza outro galo cantaria.

Ficamos também sem saber quais são as intenções da UCI em relação à eficácia da norma, ou seja, como é que pretendem que seja aplicada: com condicionamentos ou sem condicionamentos, nomeadamente no acesso a provas desportivas. E poderemos nunca vir a saber. Basta a direcção da UCI mudar, ou o Worltour não querer.
Luís Gonçalves

One thought on “AS TRAPALHADAS DA UCI COM A REGRA DAS IDADES”

  1. O regulamento que a UCI aparentemente revogou obrigava a uma maioria de menores de 28 anos. O novo regulamento deixa de ter essa obrigação, mas não impede que as Federações legislem pela maioria de jovens. O senhor Luís Gonçalves gosta de lançar a confusão com essa das equipas competirem em situação de desigualdade, porque já hoje o fazem. As portuguesas têm 60% de menores de 28 e as espanholas têm 75% de sub 26.

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