“Inferno do Norte” volta a aquecer temperatura velocipédica

Há alcunhas que não despegam. Após a II Guerra Mundial, os jornalistas classificaram o Paris-Roubaix como o “Inferno do Norte”, porque a corrida atravessava zonas do Norte de França completamente arruinadas pelas batalhas bélicas. No entanto, a dureza da competição desportiva depressa fez com que a alcunha ficasse para sempre, associando-se ás dificuldades vividas pelos ciclistas. Assim, o pelotão que amanhã partir de Compiègne para chegar ao velódromo de Roubaix, 259 quilómetros depois, já sabe das dificuldades que tem pela frente.

Nesta 107ª edição da prova, como nas anteriores, será nos troços de “pavé” que se encontra o coração da corrida. É aí que se constroem feitos memoráveis e é também lá que se destroem sonhos. O prmeiro naco de terreno em paralelo surge ao quilómetros 98. Além de um desafio para os ciclistas, o Paris-Roubaix põe à prova a capacidade das equipas se organizarem, distribuindo apoios pelos troços mais complicados, mas, acima de tudo, é uma clássica em que os fabricantes também são testados: é necessário dotar as máquinas com tecnologia capaz de mitigar o impacto da irregularidade e rudeza do piso no esforço dos corredores.

Entre os 27 troços e 52,9 quilómetros de empedrado, o mais carismático está em Arenberg. Atravessando aquela floresta, os ciclistas têm pela frente 2400 metros de paralelos, quando faltam pouco menos 100 quilómetros para a meta. O cansaço acumulado por mais 160 quilómetros já nas pernas junta-se à dureza deste pedaço de estrada para fazer uma fina selecção entre os que poderão sonhar com a entrada triunfal no velódromo de Roubaix e os outros. A derradeira triagem poderá, contudo, esperar por Le Carrefour de l’Arbre, 2100 metros de “pavé”, a 15 quilómetros do risco final.

O certo é que esta é das corridas mais carismáticas do ciclismo mundial. Tendo nascido da iniciativa de dois empresários têxteis, Théo Vienne e Maurice Perez, o Paris-Roubaix correu-se pela primeira vez em 1896, sob a égide do jornal Velo. De então para cá mudaram algumas coisas, entre elas o local de partida. Até 1966, a saída era feita na capital francesa, mas nesse ano a partida começou a ter lugar em Chantilly, 50 quilómetros a norte de Paris. De 1977 para cá, o tiro inicial é disparado ainda mais a norte, em Compiègne. As alterações nunca mudaram a fisionomia do Paris-Roubaix, simbolizada no troféu atribuído ao vencedor: um paralelepípedo.

Portugal terá em 2009 um representante entre o pelotão que vai enfrentar o “Inferno do Norte”. Trata-se de Rui Costa (Caisse D’Epargne) que, em ano de estreia na alta roda internacional, tem a oportunidade de experimentar a mais carismática das clássicas. Não se espera do ciclista luso a ambição de vitória, algo que deverá estar a cargo dos “suspeitos do costume”. A Quick Step é o alvo a abater, pois conta nos seus quadros com Tom Boonen, já duplo vencedor da prova, e com Stijn Devolder, que há uma semana triunfou na Flandres. A maior oposição deverá surgir da Cervélo, que aposta na surpresa desta época, Heinrich Haussler, e em Thor Hushovd. A Team Columbia-High Road dispõe de homens como George Hincapie e Bernhard Eisel, ao passo que a Saxo Bank pode jogar para Stuart o’Grady e a Katusha quererá surpreender com Filippo Pozzato. A Rabobank, a Silence-Lotto e a Garmin-Slipstream são outros blocos que espreitam uma oportunidade para levar o paralelepípedo para casa.

Paris-Roubaix
Primeira edição: 1896
Primeiro Vencedor: Josef Fischer (GER)
Ciclista com mais vitórias: Roger de Vlaeminck (BEL), 4 triunfos
Ciclista no activo com mais vitórias: Tom Boonen, 2 vitórias
Vencedor em 2008: Tom Boonen (BEL)

2 thoughts on ““Inferno do Norte” volta a aquecer temperatura velocipédica”

  1. O’Grady não está na lista de inscritos. Creio que a Saxo Bank pode jogar ou com Matti Breschel ou Matthew Goss (terceiro no Gent-Wevelgem). Cancellara acho que está completamente fora de forma, mas nunca se sabe.

  2. Se o RUI COSTA terminar sera o primeiro ciclista portugues a classificar -se ja que nem o AGOSTINHO chegou a participar nesta importante classica, o ACACIO DA SILVA se calhar foi la mas nao tenho a certeza. O BENFICA participou em 1975 com 6 ciclistas mas so o VANCESLAU a que terminou a prova,e foi considerado eliminado porque chegou fora do controle.

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