ASO retira provas do circuito World Tour, a partir de 2017

Quando duas potências se confrontam, a parte mais forte leva normalmente a sua ” avante”, e foi o que aconteceu quando a UCI teimou em aprovar a reforma do ciclismo, uma reforma que ia contra as intenções dos Organizadores internacionais de corrida.

Com a UCI a aprovar esta reforma em Barcelona, há cerca de duas semanas, a resposta só agora chegou, muito embora já antes, o mundo do ciclismo se tenha interrogado do silêncio da ASO, o maior organizador de corridas do mundo.

Pois bem, a empresa francesa pronunciou-se hoje, e não esteve com meias medidas ;  a partir de 2017, todas as suas corridas, as principais do circuito World Tour, serão reconvertidas para o escalão HC da UCI, permitindo assim, ao organizador, a  livre escolha das equipas que poderão participar nas suas provas, colocando em causa o calendário World Tour, e a estabilidade do sistema inventado pela UCI.

A UCI pretende com a sua reforma um circuito fechado, composto por 18 equipas com licença para três anos, sem possibilidades de descida ou subida de divisão, e um calendário com 180 dias , o que, na pratica, inviabilizava que as principais equipas e ciclistas do mundo, participassem noutras provas sem ser do World Tour, impondo, por poutro lado, todas estas equipas aos respetivos organizadores, que assim se viam impedidos de convidar quem achassem ter melhor valor desportivo.

Por seu turno a ASO, advoga que nas provas devem estar as melhores equipas e os melhores ciclistas, independentemente destes pertencerem ao World Tour. Uma visão mais europeista e conservadora e mais de cordo com uma filosofia desportiva.

Com a entrada de Cookson,  uma nova era foi iniciada, com o despedimento dos maiores estrategas da modalidade durante anos, substituidos , na maioria dos casos por pessoas com pouca experiência da modalidade, dando-se início a uma revolução no seio da UCI. Apoiada pelo homem forte da Katusha, que ofereceu uma série de regalias  e apoios a Federações para não votarem em Pat Macquaid (preconizava  medidas diferentes das adotadas por Cookson, menos dias de corrida no World Tour e um sistema mais berto e desportivo ), o britânico foi o vencedor de umas eleições, apesar de tudo renhidas, e uma nova estratégia  começou a ser delineada pela UCI.

Uma estratégia que tem como ponto principal, o reforço do circuito World Tour, num circuito fechado em que 18 equipas teriam o privilégio de disputar todas e principais provas mundiais, deixando para segundo plano as restantes competições.

A guerra ainda agora começou, isto se pensarmos que, pelo meio, estão as equipas que constituem o movimento Velon que, com a Sky por trás poderão minar o campo, para a criação de uma quarta grande volta de três semanas, muito próximo às datas do Tour. Com tudo isto, as indefinições e garantias para os patrocinadores começam a criar receios de alguma instabilidade nas equipas e sponsors.