O ciclismo vai mexendo, mas pouco,

Com as grandes equipas a terem já iniciado os seus trabalhos para 2016, por cá, apenas a Radio Popular-Boavista concentrou os seus ciclistas, as apresentações têm sido feito a conta gotas, para uma temporada que se anuncia cada vez mais competitiva.

A IAM foi das poucas equipas World Tour que mudou a sua iamgem para a nova temporada.
A IAM foi das poucas equipas World Tour que mudou a sua iamgem para a nova temporada.

De todas as formações até agora apresentadas, a que apresentou um “new look” mais futurista, foi sem duvida a equipa russa da Katusha, com novos designs, mais atrativos e apelativos, enquanto a grande maioria das outras formações procederam a pequenas alterações, à exceção também da IAM .

Para não fugir à regra, um pouco desiludido, pela pouca adesão dos grandes nomes do ciclismo mundial às suas ideias, Oleg Tinkoff já informou que, depois de ter investido 60 milhões de euros em cinco anos, fechara a torneira no final do próximo ano, colocando à venda a equipa, que, por sua vez, ficará orfã de Alberto Contador, também na sua ultima temporada. Demasiado cedo dirão alguns, principalmente os amantes do ciclismo de ataque.

Mas o ciclismo continua, cada vez mais inovador, especialista, competitivo e pressionante.

As opções dos grandes nomes da modalidade tornam-se cada vez mais especializadas, depois da subdivisão dos classicomanos, entre as clássicas do norte, caraterizadas pelos seus empedrados, ou as clássicas das Ardenas,mais suaves em termos de piso, mas mais seletivas em termos de acumulados, é agora a vez dos homens das grandes provas por etapas, acentuarem as suas diferenças, entre aqueles que estarão mais preparados para discutirem provas por etapas até uma semana de duração, e aqueles destinados a discutirem as três grandes provas de três semanas.

Digamos que o ciclismo acompanha um pouco a evolução tecnológica das grandes empresas, em que a especialização dos seus funcionários é a melhor forma de se obterem resultados cada vez mais positivos.

Mas a transformação do ciclismo vai lentamente sendo feita, pela UCI, que normalmente quando mexe muito na legislação não traz nada de positivo. O que está previsto a partir de 2017, será a efetiva diminuiçaõ dos planteis das equipas nas diversas provas do calendário UCI, com as três grandes Voltas ao que parece condenadas a terem equipas de oito ciclistas e as restantes provas catalogadas como HC e 1.1. e 2.1. a verem reduzido o numero máximo de ciclistas por equipa para sete elementos e as restantes provas para seis elementos.

Em 2016, teremos pois uma Volta com oito elementos, já o deveria ter sido em 2015, para em 2017 poder ser reduzida cada equipa a sete ciclistas.  O que poderá ser bom para o ciclismo nacional, numa altura em que as equipas nacionais existentes se vêm a braços com a composição dos seus plantéis, face aos poucos ciclistas existentes na nossa praça.

Mas se a redução do numero de ciclistas por equipa parece ser já um facto consumado, não será de excluir que, em 2019 ou 2020, o mais tardar, tirando as três grandes provas ( Giro, Tour e Vuelta), todas as restantes não deverão ter mais de oito dias e um prólogo eventual, ou um dia de descanso. Isto quer dizer  que a Volta a Portugal, a quarta grande prova europeia, em dias de corrida, e porque não dizê-lo também , em termos de organização, poderá perder dias de corrida, o que é mau, num país onde a Volta é a unica prova televisionada e verdadeiramente mediatizada.

O ciclismo vai mexendo, pouco, em comparação com anos anteriores.