Nacionais: as belas e os senãos

Braga, o epicentro do Minho, recebeu os Campeonatos Nacionais, com um cenário emblemático, que atraiu milhares de espetadores, para assistir aos três dias de competição.

Três dias e quatro competições, tempo demasiado apertado para o elevado numero de provas : dois C/RI e duas provas em linha. Os Sub-23 foram os mais prejudicados, pois tiveram apenas um período de 24 horas para recuperar da prova C/RI para a prova de estrada, isto naturalmente para quem participou nas duas comptições. Uma situação que era importante rever no futuro, pois é muito dificil uma recuperação completa em tão curto espaço de tempo.

O percurso é duro, já se sabia, e contrasta com os Nacionais que durante anos se fizeram na Marinha Grande. Se a dureza é muita, a quilometragem torna-seneves excessiva, em especial para os sub-23, que deveriam ter feito entre sete ou oito voltas, e mesmo assim o grau de dificuldade era elevado, para um pelotão que se apresenta heterógeneo, e com poucas possibilidades de ser discutido por um grupo alargado, nem que esse grupo seja composta por 10 a 12 ciclistas. Com esta rudeza, ficou evidente que a qualidade pode deixar a desejar, muito embora muitos dos atuais ciclistas do pelotão sub-23 sejam de primeiro e de segundo ano, portanto, há que dar tempo para estarem preparados para estas dificuldades.

Pelo contrário, o percurso dos C/RI era excelente, a rolar com uma das partes com uma uma falsa subida que dificultou muito a ação dos ciclistas. José Neves ( Anicolor), ciclista franzino, mas excecionalmente dotado para este tipo de provas venceu folgadamente, causando logo sensação, ao ultrapassar Ruben Guerreiro, que bem se deve ter arrependido de ter alinhado . Quem esteve muito bem, revelando-se um ciclista completo foi Gaspar Gonçalves, de quem já se conheciam boas aptidões a subir, ficou agora a saber-se ser um bom c/relogista . Contudo, não há bela sem senão, e na prova em linha, o esforço deste dia ficou bem vincado no final da prova.

bicoresJá na prova de estrada, Nuno Bico revelou uma supremacia evidente , pois não é fácil partir logo na primeira volta e terminar isolado com perto de cinco minutos de vantagem sobre o segundo classificado. É certo que Bico é profissional, o mesmo se passando em relação a Ruben Guerreiro, mas este pelotão de sub-23 praticamente goza do mesmo estatuto, pelo menos do mesmo calendário de provas, e a idade é um fator de igualdade entre todos os participantes.

Aliás Bico venceu um pouco de forma semelhante como Joaquim Silva, o tinha feito o ano passado, no Sabugal, só que, desta feita, o ciclista da RP-Boavista foi ainda mais convincente.

Nos profissionais, notou-se uma preparação muito semelhante entre os ciclistas ditos estrangeiros, os que militam em equipas internacionais, e os que correm em Portugal. Não nos esqueçamos que Rui Costa, Nelson Oliveira, José Mendes e Tiago Machado estão a uma semana de iniciar o seu maior compromisso da temporada, portanto estão no seu máximo, enquanto os Nacionais têm o seu maior  compromisso  para daqui a um mês, o que é bem diferente. Postas as coisas nesta angulo, não foi grande a diferença, o que contraria a lógica de que só podem ser selecionáveis os ciclistas internacionais. Se algum condão este Nacional teve, foi precisamente demonstrar que as diferenças não são muitas, apesar da dureza e das dificuldades da prova.

Rui Costa venceu bem ? Venceu por uma simples razão, porque teve a seu lado Mário Costa e Nelson Oliveira, quando não muito dificilmente o conseguiria . A corrida não foi fortemente atacada, apenas um grupo de quatro corredores conseguiu um tempo razoável  sobre o pelotão, mas curiosamente, foi a Efapel que contribuiu imenso para o seu insucesso prematuro, o que deu descanso aos ciclistas da Lampre, num período que poderia ser perigoso para o final da corrida.

Na ultima volta, apesar dos ataques de André Cardoso, quase nem se deu por ele durante a corrida, de Ricardo Vilela e de Tiago Machado, bem como de João Benta, Rui Costa esteve ao seu nível, respondeu pronto e, acreditando na sua melhor ponta final que os seus principais adversários levou a corrida para o risco onde bateu um inconsolável Joni Brandão.

Durante os três dias de prova, algumas situações merecerão um reparo e todos eles sem que os ciclistas sejam os principais intervenientes. O primeiro, já aqui o dissemos é prazo diminuto para recuperção de uma prova para outra, no escalão sub-23.

Outro, foi a constituição das séries do C/RI quando um dos favoritos foi colocado na 1ª serie e os restantes na segunda. Foi um erro crasso, que pensamos involuntário, mas que teve influência nos tempos finais.

Uma outra situação com alguma influência tem a ver com as barragens e com o desconhecimento da sua aplicação por parte dos comissários, e quando não se sabe os critérios é dificil acertar. Ou as barragens são implacáveis, ficando um comissário atrás de um grupo que já desistiu da corrida e vai em passo de passeio, subida acima, como não controla quem deveria controlar. Uma coisa que os comissários devem ser conhecedores é que as barragens têm critérios, objetivos e uma função. Por exemplo, quando uma equipa vai a controlar e perde um ciclista, aí sim deve ser feita uma barragem, o que não aconteceu na entrada para a ultima volta, destes Nacionais, o que teve reflexos na corrida.

Um facto que merece relevo foi o público, reconfortante para a modalidade , como a justificar uma maior atenção da Comunicação Social. E quando nos lembramos que a RTP consegue dar mais espaço nos seus telejornais aos Torneios de Ténis internacionais, que ao infimo resumo do triunfo de Rui Costa, ficamos a compreender que a importância informativa do canal publico, tem mais a ver com os lobbys dos amigos, que a importância da noticia e do acontecimento. Não é desta forma que  RTP valoriza  e promove um produto que detém em exclusivo, o Tour e a Volta.