ABIMOTA nem sempre ter quantidade é sinónimo de qualidade

o GP Abimota que se disputou no passado fim de semana, teve o condão de apresentar na linha de partida um grosso pelotão de 19 equipas, uma grande parte delas sem a qualidade suficiente, para uma prova deste tipo: dura e seletiva, com longas quilometragens .

O Abimota, uma das provas mais tradicionais do ciclismo nacional, teve ao longo da sua existência, o condão de nunca perpetuar uma zona geográfica, o que o prejudicou enormemente, para além de tecnicamente, apresentar em todos os anos, algumas lacunas que prejudicam a imagem da competição. Este ano, alguns pontos foram demasiado evidentes. Na verdade, uma prova de duas etapas com bonificações, apenas nas chegadas é caso único. É certo que a culpa não será só, da entidade organizadora, cabendo também à FPC, alguma dose de culpa, porque é a entidade que, em ultima instância aprova uma competição de ciclismo.

Um outro ponto, pensamos a rever no futuro, é a hora tardia de partida da ultima etapa, com as equipas obrigadas a regressar aos seus destinos bastante tarde, pormenor importante no descanso dos atletas. Um ponto que, pensamos, será corrigido no futuro, atendendo às reivindicações das equipas.

Com o speaker a anunciar o numero record de equipas e ciclistas participantes, nem por isso, esse facto contribuiu para o êxito da competição, bem antes pelo contrário. Este numero elevado de ciclistas, na sua maioria mal preparados, contribuiu para uma imagem negativa do ciclismo, para os muitos automobilistas que foram obrigados a ficar parados na estrada, por um largo período de tempo. Temos batido nesta tecla em algumas crónicas anteriores, e pensamos que será tempo da FPC resolver o assunto, antes que sejam as forças policiais a decidirem o que fazer nestas situações.

Incompreensível é o facto de se convidarem equipas de terceira linha espanhola, para aumentar o caos na traseira do pelotão. Das equipas espanholas presentes, apenas as Construções Paulino de Oviedo  e a equipa dos Alumínios Cortizo, da Galiza mostraram estar ao nível de uma competição deste tipo.

Quanto ao percurso, ficou longe da única etapa do ano transato, mas mesmo assim, proporcionou alguns momentos de boa competitividade. Na primeira etapa, as dificuldades surgiram na primeira metade da etapa, o que esfrangalhou o pelotão e, na segunda tirada, as dificuldades existentes não eram de molde a proporcionar uma reviravolta classificativa. Um factor que contribuiu para o endurecimento da corrida foi, sem duvida o calor.

Parabéns, contudo, à Associação Abimota, entidade que nutre um carinho muito especial pelo ciclismo, carinho esse retribuído pelas equipas nacionais presentes na prova, e esperemos que, em 2016, mais uma vez possa estar na estrada., relembrando muitos nomes, hoje em dia já desaparecidos, mas que fizeram a história da Abimota e do ciclismo na região.

A COMPETIÇÃO

Foram duas etapas bem disputadas, disso não se pode dizer o contrário. Na primeira tirada, depois de uma fuga de oito ciclistas, que ganharam um avanço importante, dois nomes sobressairam desse grupo: Amaro Antunes e David de La Fuente. Atacaram e conseguiram chegar à Figueira da Foz com algum avanço, com David de la Fuente a ganhar naturalmente ao sprint, perante um Amaro Antunes a atravessar um excelente momento de forma, mas a sair deste período sem conseguir ainda o triunfo tão perseguido.

Com Amaro Antunes incluído na fuga, a equipa da LA Aluminios ficou manietada, e com homens mais rápidos e fortes na linha de chegada no pelotão. Na segunda etapa, uma fuga de quatro homens, entre eles Rui Sousa, ganhou oito minutos, mas a fuga estaria condenada, dadas as dificuldades  da parte final da etapa. Os homens da Efapel mantinham-se na frente do pelotão, enquanto a fuga ia ganhando tempo. E foram os homens do Louletano que foram para a frente do pelotão e anularam a escapada na entrada do Caramulo, altura em que os homens do Paredes começaram os seus ataques, e bem sucedidos, diga-se de passagem. Um pequeno grupo de doze ciclistas foi formado na frente da corrida, enquanto a equipa da Efapel ficava dizimada e com David de La Fuente, mais uma vez a a despejar bidões de água nas suas pernas, num nítido sinal de algumas dificuldades. Mas quando se quer ganhar, tem de se levar a fuga até a fim e arriscar tudo, nos momentos decisivos, que foi o que faltou à equipa paredense, com poucos dos seus ciclistas a ficarem para trás, em sinal de insuficiência física.

COMISSÁRIOS

Alguns erros marcaram esta equipa , o primeiro na primeira etapa, quando alguns ciclistas cortaram caminho, ao entrarem por um gasolineira dentro e passando pelo meio de um jardim. Deveriam ter sido eliminados. Depois permitiu uma aproximação constante de motos entre o pelotão e grupos de fugitivos, em especial no arranque para a chegada da ultima etapa. Não se compreende como é possível uma moto da TV, rolar à frente do pelotão nos últimos mil metros, mesmo em cima dos ciclistas.

No computo geral, contudo, pensamos que a equipa esteve bem, denotando alguns elementos mais experiência, em relação aos restantes e , quando assim acontece, é difícil, para o Presidente dos Comissários, gerir situações complicadas que, felizmente não existiram.