A Volta ao Algarve vista de outro prisma

O dia até não estava mau, quando por volta das 10.00 da manhã, o parque em terra reservado às equipas, começou a ficar cheio com os autocarros e as caravanas das equipas participantes na Volta ao Algarve. Estava sol, tivesse chovido nos dias anteriores e ia ser um problema. O vento, que na véspera, tinha soprado forte tinha amainado, o que era do agrado, em especial dos ciclistas portugueses, muito menos habituados às famosas bordures, que o vento obriga a formar no pelotão.

Na pequena zona da meta, reservada aos credenciados, as pessoas iam e vinham pelo mesmo caminho. Faltava energia para colocar a máquina de café em andamento. As equipas assinavam o livro de ponto alinhadas para  poucos repórteres fotógraficos tirarem fotos. O publico, esse não era muito numeroso . A partida ficava um pouco afastada do centro de Lagos .

A grande maioria dos jornais não estava presente na prova, sendo muito pouco os enviados especiais. ” Habitués ” do ciclismo, apenas se via o Fernando Emilio da Bola, a Ana Gonçalves da Lusa,  Marco Chagas e o Raleiras da  PGM, e o Márcio Santos, Teixeira Correia, Veiga Trigo, o antigo árbitro de futebol, que sempre nutriu forte carinho pelo ciclismo, e os nossos amigos da Rádio Gilão. Pedimos desculpa, se nos esquecemos de alguém.

Ao longo do percurso, para um pelotão tão numeroso,  ciclistas nacionais temiam alguns troços estreitos, pouco habituados às dificuldades que a grande maioria dos ciclistas estrangeiros, em especial os belgas, estão habituados a ultrapassar nas  “clássicas do norte “. Nada que não fosse normal e perigoso.

Na zona de abastecimento, a legião de adeptos que divide entre si, bidons e sacas de abastecimentos, deitados fora pelos ciclistas, poucos metros à frente, tem vindo a aumentar e de que maneira. Os colecionadores são muitos, o que torna a zona dos abastecimentos bem guarnecida de um publico conhecedor da modalidade.. Neste capítulo, a UCI pode ficar descansada que o local fica bem preservado, respeitando-se as leis ambientais.

A UCI, que  tem feito um esforço para tentar demover os ciclistas de deitarem fora bidons, e as embalagens que protegem os alimentos que levam nos bolsos. Por isso mesmo, aconselham, pelo menos por enquanto, que os bidons sejam devolvidos aos carros de apoio  e que as embalagens sejam guardadas nos bolsos da camisola em vez de serem deitados fora. Por enquanto, pelo menos são só recomendações, mas as multas poderão estar para breve, depois de devidamente regulamentada a questão.

A chegada não se pode dizer que estava composta. Não. Ao contrário da partida, o ambiente era muito animador para a modalidade. Um publico numeroso viu passar a primeira passagem pela meta e ainda mais numeroso estava na chegada final. O ciclismo, sem grandes publicidades, afinal, tem publico, mesmo que muito dele seja estrangeiro, em especial belgas. Mas afinal não estamos nós no Algarve ? Ao lado, a cerca de pouco menos de cem kms de distancia, um português brihava na Andaluzia, Fábio Silvestre era segundo na etapa, facto que o speaker da prova não perdia pitada para anunciar.