Eusébio Unzué sabe mais só com um olho fechado, do que alguns diretores desportivos com os dois e bem abertos

 

A partida da etapa de hoje partiu cinco minutos mais tarde, na linha de partida, alguns diretores desportivos esperavam por um milagre, isto é, que a UCI penalizasse Quintana .Rolland e Hesdjal em dois minutos, segundo eles, para repor a verdade desportiva.

A decisão estava tomada e, como é normal nestas situações, não era a UCI que se ia intrometer num assunto deste tipo, mas sim os comissários, em conjunto com a organização. De entre os diretores desportivos mais contestatários, Patrick Lefevere estava furioso, talvez por não gostar de ser ultrapassado . O problema, visto bem as coisas, demonstra que os diretores desportivos destas equipas do World Tour, pagos a peso de ouro, demonstraram que não estão preparados para lidar com este tipo de situações e foram, como é lógico, apanhados de surpresa por Eusébio Unzué, diretor da Movistar que, sempre com falinhas mansas, sabe mais com um olho fechado, do que alguns diretores desportivos com os dois e bem abertos, e que andam nestas coisas há anos.

Lefevere criticou a organização porque veio a uma corrida que só lhe deu 60.000 euros para despesas da equipa, esquecendo-se de dizer o resto, que esta mesma organização dá alojamento e refeições a todo o staff, que não fica por menos de 25 pessoas. Isto é, Lefevere e todos os diretores desportivos das grandes equipas World Tour, têm no Giro um autocarro, quatro carros de equipa, dois camiões, mais uma station, isto no minímo, perguntando-se porque raios é que uma equipa necessita de tanto aparato e de tanta gente.mas isso não disse nem explicou Lefevere, apenas disse o que lhe interessava, tendo mesmo a deselegância de afirmar que Eusébio Unzué não era muito honesto.

O que Lefevere não explicou é porque não mandou os seus homens para a frente, como mera precaução, deixando-se ” enrolar” na canção do bandido, ao ver que o seu principal adversário rolava sózinho na frente. Nestas coisas não há que prevenir, mas sim agir, e foi na falta de ação que ciclistas e diretores desportivos prevaricaram.

E quando se compara, como o fez o patrão da Omega Pharma, a F1 ao ciclismo, a questão é só uma : é que, enquanto na F1 esta situação está contemplada e devidamente regulamentada, no ciclismo não existe regulamentação sobre esta matéria. A bandeira vermelha é usada apenas para sinalizar uma barragem aos diretores desportivos e sinal de perigo aos ciclistas, ou na situação de partida simbólica, em que a partida é neutralizada até ao chamado km 0.