Scarponi e Basso ou o “regresso” de dois arrependidos da Operação Puerto

O italiano Michele Scarponi (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli) ganhou hoje a sexta etapa do Tirreno-Adriatico, conquistando também a liderança da classificação geral individual, quando falta apenas um dia para o final da competição. Numa longa tirada de 235 quilómetros entre Civitanova Marche e Camerino, destacaram-se dois dos poucos ciclistas implicados na Operação Puerto que confessaram alguma ligação à rede de dopagem e que cumpriram castigo: Ivan Basso (Liquigas) trabalhou em intensidade e em qualidade, Michele Scarponi colheu os louros da glória, dando mais um contributo para o estatuto de equipa mais vencedora do ano que está colado ao bloco dirigido por Gianni Savio.

Numa jornada marcada por dificuldades orográficas, a corrida começou a definir-se quando um quarteto de italianos escapou ao restrito grupo do camisola azul, Andreas Klöden. Esses ciclistas eram Ivan Basso e Vincenzo Nibali (Liquigas), Michele Scarponi e Stefano Garzelli (Acqua & Sapone-Caffè Mokambo) . À frente ainda rodavam outros homens, como Egoi Martinez (Euskaltel-Euskadi) ou Matteo Carrara (Vacansoleil), mas era o quarteto que preocupava o alemão da Astana.

A situação de corrida favorecia Scarponi, que era virtual líder, mas a Liquigas, com superioridade numérica na fuga e ainda com aspirações não dormiu em serviço. Depois de muito trabalhar, Ivan Basso cedeu o protagonismo a Nibali, o mais bem classificado da equipa. A pouco mais de 15 quilómetros da chegada, Nibali escapou aos companheiros de aventura e lançou-se no encalço de Egoi Martinez – Carrara já estava para trás. Basso, logicamente, deixou de trabalhar e Garzelli também optou por usar a cabeça, passando a Scarponi as despesas da perseguição a Nibali. O esforço do corredor da Liquigas revelou-se infrutífero e o quarteto voltou a reconstituir-se já com Egoi Martinez à vista e com a meta cada vez mais perto. A ousadia de Nibali teve uma factura elevada e o ciclista não conseguiu seguir com os restantes corredores da frente de corrida, a seis quilómetros da meta.

Ivan Basso acelerou a pedalada na última subida, levando consigo Garzelli e Scarponi. Depois de várias tentativas, Basso acabou por pagar o esforço, cedendo na derradeira rampa. Ficou aberto o caminho para o sprint entre Garzelli e Scarponi, com este a levar a melhor.

Classificação Etapa
1º Michele Scarponi (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli), 6h36m12s (35.436 km/h)
2º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone-Caffè Mokambo), a 1s
3º Ivan Basso (Liquigas), a 3s
4º Danilo Di Luca (LPR Brakes-Farnese Vini), a 1m09s
5º Joaquím Rodríguez (Caisse d’Epargne), a 1m11s
6º Julien El Farès (Cofidis), a 1m15s
7º Davide Rebellin (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli), mt
8º Luca Mazzanti (Katusha), mt
9º Thomas Lövkvist (Columbia-High Road), mt
10º Daniele Pietropolli (LPR Brakes-Farnese Vini), mt
150º Rui Costa (Caisse d’Epargne), a 30m54s

Classificação Geral

1º Michele Scarponi (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli), 23h27m36s
2º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone-Caffè Mokambo), a 25s
3º Andreas Klöden (Astana), a 1m07s
4º Thomas Lövkvist (Columbia-High Road), a 1m10s
5º Ivan Basso (Liquigas), a 1m13s
6º Davide Rebellin (Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli), a 2m06s
7º Linus Gerdemann (Milram), a 2m32s
8º Ryder Hesjedal (Garmin-Slipstream), a 2m33s
9º Kanstantsin Siutsou (Columbia-High Road), a 2m41s
10º Vincenzo Nibali (Liquigas), a 2m54s
153º Rui Costa (Caisse d’Epargne), a 1h03m53s