Quando dois mais dois não são quatro

Um espectáculo desportivo com alguns dos melhores praticantes do mundo pode não atrair muito público. Mas por vezes a qualidade dos intervenientes e o interesse dos espectadores andam de mãos dadas. Foi o que sucedeu mais uma vez – sublinhe-se o “mais uma vez”, porque tem sido regra e não excepção – com a recente Volta ao Algarve. O luxuoso pelotão chamou às estradas algarvias milhares de pessoas, com especial incidência nas chegadas a Albufeira, Tavira e Portimão.

Se prevalecesse a lógica, um acontecimento como a Volta ao Algarve, que tem qualidade e que tem público, teria suscitaria o interesse de mais do que um canal de televisão. Só que temos visto o contrário. Um dos principais eventos desportivos do país fica quase na clandestinidade televisiva. Ano após ano vemos, ouvimos e lemos o director da corrida, Rogério Teixeira, lamentar a falta de apoios para juntar os 250 mil euros necessários para um directo televisivo das cinco etapas. Compreende-se e aplaude-se o voluntarismo do presidente da Associação de Ciclismo do Algarve. Mas este comportamento desesperado só surge porque há algo que não faz sentido no negócio das transmissões.

Se alguém tem a ganhar com a transmissão de um espectáculo de qualidade com público garantido é o canal que garantir os direitos. Que sentido faz ser o organizador da corrida a angariar o dinheiro necessário para a produção televisiva? Em qualquer área, as cadeias de televisão compram direitos de transmissão e depois tratam de financiar a compra e garantir a margem de lucro. Por que raio no ciclismo há-de ser diferente? Por que carga de água a organização da corrida deve oferecer os direitos e ainda pagar os custos da produção?

É bem verdade que o Turismo de Portugal só teria a ganhar com a difusão internacional da Volta ao Algarve e que, por isso, está a falhar. Mas também estão em falta os operadores de televisão, que fecham os olhos ao potencial desta corrida enquanto espectáculo televisivo. E a principal falha é destes.

Enquanto não mudarem mentalidades, dois e dois parece que nunca mais somam quatro. E uma corrida que poderia ser de massas, acaba por ser seguida apenas pelos adeptos mais indefectíveis da modalidade, aqueles que têm paciência para esperar pelo resumo que há-de dar um dia destes na RTP2, os que descobriram os compactos da Digital Mais TV e os que foram seguindo as incidências da prova pelo Jornal Ciclismo.

Orgulhamo-nos de ter muitos leitores ao longo do ano e de batermos recordes a cada Volta ao Algarve que passa. Neste ano, o Jornal Ciclismo recebeu 57.264 visitas e somou 157.108 páginas vistas ao longo dos cinco dias da corrida. Mas preferíamos que parte desta audiência só nos visitasse para complementar a informação recebida em directo via TV. Só que, enquanto dois e dois não somarem quatro, isso não vai suceder.

37 thoughts on “Quando dois mais dois não são quatro”

  1. João tens razão, mas talvez uma equipa que runisse Tiago Machado e Rui Costa, com os restantes portugueses de valor que existem em portugal, podia estar no protour.

  2. e quem diz que nao temos o carlos lopes do ciclismo, tivemos um jose azevedo na once a discutir um giro de italia onde acaba à porta do podium, de seguinda dois tour´s no dez, de seguida um sergio paulinho a ganhar um medalha de prata nos jogos olimpicos atras do colosso que foi bettini. entao, aqui nao houve oportunidades? claro que houve. simplesmente o ciclismo em portugal e levado como publicidade barata e que chega a todo o lado. vejam o exemplo da team sky? algume nos ultimos anos ouviu falar numa equipa inglesa, nao, mas quando fazem fazem em grande, a equipa com melhores condiçoes para os seus ciclistas no mundo. a mentalidade, fazemos, mas fazemos bem feito e em grande, e mostramos porque somo ingleses. em portugal os apoios onde estao, nao aparecem por isso mesmo, e a mentalidade do esperto, (dou aqui uns trocos e queiram ou nao vao-me dar retorno, vao andar o ano todo na estrada, publicidade ta feita). essa é a mentalidade, nao ha orgulho, prestigio e ate mesmo vaidosidade, em mostrar que aqui tambem se fazem coisas grandes e boas. outra coisa claro é, a mania de fazer mas fazer so com portugueses. sou portugues mas tenho muita pena, uma equipa grande a fazer em portugal tinha que ter um ou dois cabeças de cartaz estrangeiros, de topo, so assim se conseguia. nao temos o universo de quantidade/qualidade que os nossos vizinhos espanhois, isso nao temos, mas começando assim, dava-se impacto e mostrava-se o nosso, quem sabe num curto medio prazo a cabeça dessa hipotetica equipa de topo nao fosse um portugues?

  3. O Tomé Gomes tem razão um Carlos Lopes no Ciclismo podia-lhe dar outra visivilidade. Mas no ciclismo para fazer o mesmo que o Carlos Lopes fez nos Jogos Los Angeles, teriamos de ter um ciclista capaz de ganhar o Tour. O que parece dificil de alcançar, mas acredito que depois do primeiro Carlos Lopes do ciclismo seguiram-se as Rosas Motas do ciclismo, as Fernandas Ribeiro do Ciclismo os Nelson Évora do ciclismo.

    Pois reparem bem que actualmente temos muito boas pertações internacionais no atletismo e antes de Carlos Lopes, o atletismo estava igual ao ciclismo actual. Por isso vamos olhar em frente pois aninda há ESPERANÇA.

  4. O artigo tem dois problemas : não diz nada de especial, apenas um “temos pena” e, pior ainda, vem daqueles que mais andam a vilipendiar o nome do ciclismo, com histórias, folclores, rumores, boatos e mentiras de doping, doping, doping. Um site de farmácia como este a falar de ciclismo é deveras curioso.

  5. Só mais uma coisa que ficou por dizer, a RTP perfere passar um jogo entre o Lyon – Real Madrid, eu pergunto que serviço publico é este, qual é a divulgação ou promoção que um jogo destes oferece para Portugal. Claro que os gastos de transmissão de um jogo destes não tem comparação com uma transmissão ciclistica, mas para Portugal era bem mais benefico o ciclismo, pois tenho a certeza que no Eurosport daria, e isso tem projecção Europeia.

  6. Aquela assossiação comercial algarvia que tem um nome pró inglêsado, o “All-garve”, só quer eventos onde se gaste fortunas em infrastruturas, e depois de se usar uma unica vez se deitem ao abandono, que é o caso de estádio do algarve, e em parte do autodromo de Portimão, no ciclismo, como não há necessidade desse tipo de investimentos, não interessa, o que me leva a pensar, será que alguem lucra com esses investimentos do estado? Certamente enche os bolsos a alguem, o que não acontece com o ciclismo, enfim, a vergonha do costume.
    Mas quero deixar claro que não me importo que investam em futebol ou automobilismo, só queria era que tambem investissem no ciclismo, e não o contrário, que por não investirem no ciclismo não investam em mais nada, atenção que não quero que pensem que sou invejoso, apenas quero igualdade e nada mais.
    Se nem com um cartaz destes, com os melhores nomes da actualidade ciclistica, acham que vale a pena uma transmissão, então nunca ha-de ser.
    Mas o que mais me revolta é a televisão estatal, que recebe de todos nós, faz concorrencia ás TV´s privadas, rouba-lhes publicidade, e julgam que serviço publico é programas de entertenimento do genero dança comigo ou canta comigo, ou coisas desse genero. Triste país este…

  7. Quando sai de Portugal em 2006 já o ciclismo português vivia na beira do precipício,parece que agora caiu definitivamente.
    Se não vejamos,nesse tempo em que eu ainda trabalhava na PAD,como fotografo,as corridas se arrastavam para serem realizadas,os jornalistas presentes eram sempre os mesmos quatro ou cinco,nessa altura os jornais davam meia pagina ou mesmo menos de espaço para esses jornalistas trabalharem,dinheiro para fazer mais não havia nessa altura e pelo que se vê continua a não haver.
    Apesar do prestigio a Volta ao Algarve é apenas uma corrida que no parecer dos patrocinadores não tem o mesmo nivel de uma volta a Portugal,erradamente a meu ver,mas também temos o problema de no ciclismo não termos um verdadeiro campeão internacional português,se houvesse uma estrela dessa grandeza com toda a certeza que,mesmo com dificuldades,a historia seria outra,basta lembrar que o cross de Albufeira,Amendoeiras em Flor, passou a ser transmitido na tv desde que o Carlos Lopes começou a vencer,o mesmo se passava com o próprio atletismo,antes de Carlos Lopes ninguém via corridas de atletismo na tv que se realizassem em Portugal.
    Com o ciclismo o mesmo se passa,quando o Sergio Paulino ganhou a medalha de prata nos jogos olimpicos as coisas poderiam ter mudado,mas a carreira dele no estrangeiro não atingiu o nivel desejado e a oportunidade se perdeu.
    Como diz o Madeira,o ciclismo não é um desporto que interesse a ricos,logo,os patrocinadores não se interessam,sempre assim foi e sempre assim será,ninguém com juízo investe em algo que não dá o mínimo de retorno,o que fazer então ?
    Acredito que sem sensibilizar o poder publico não será possível conseguir a necessária atenção para a competição,as instituições privadas não apóiam ,o turismo do Algarve também não…então tem de começar a procurar para os lado do Terreiro do Paço,lobby,é algo que aprendi aqui no Brasil e funciona,tem de se jogar com as mesmas armas que os outros jogam,a rtp transmite o que o governo mandar transmitir,então tem de chegar ao ministro correspondente e a transmissão sai com toda a certeza.
    Parece absurdo todo isto ,mas na realidade é assim que funciona,mesmo que achem que não,aliás,se continuarem a pensar que assim não é ,o ciclismo vai continuar a ser aquela corrida que realiza em agosto e que dá pelo nome de volta a Portugal e que é uma feira de vaidades onde os ciclistas estão geralmente a mais.

  8. NA MINHA CASA NAO ENTRA NEM TV CABO, MEO EU NAO SUSTENTO CHULOS Eu vivo 40km da fronteira de Espanha praticamente em directo na TVE- TELEDEPORTE sao todas desde.( vuelta Andaluzia, Castilla e Leon ,Estramadora ,Murcia,PAIS Basco e mais uma ou duas).Tour France e Giro Italia e as classicas . E por isso que o ciclismo Espanhol esta considerado como o melhore do mundo.Em Portugal e uma tristeza assim nao vale pena investir no ciclismo. Quando e que aparece um ciclista como Joaquim Agostinho deu muitas alegrias. Tiago Machado??????????????????????

  9. O assunto é simples de analisar, e só faço uma pergunta aos responsáveis das principais cadeias de televisão; 
    Como é possível ignorar um evento destes?
    Cumprimentos 
        Rui Silva

  10. Pedi ideias e elas apareceram, acho que estamos de parabéns.

    Acho a ideia do Felipe A. interessante, não sei é se não levaria a que perdêssemos também a Volta a Portugal.

    O que penso que não é nada boa ideia é criar um canal subcrito tipo sport tv, isso vai contra o principal ideal do ciclismo que é o facto de ser para todos, de ser do povo, isto levaria a que se tornasse num desporto ainda mais fechado, por alguns que não se importavam de gastar dinheiro a subcrever esse canal. No entanto acho que o aparecimento de um canal tipo eurosport, ou seja, que é subcrito com o pacote base da tv por cabo seria o mais recomendado.

    Para mim o que falta mesmo é vermos o ciclismo por exemplo a aparecer nos telejornais, nos jornais em geral.

    Não sei como é que se consegue convençer os média a dar o destaque merecido à modalidade.

    Caimos num cicli vicioso, que não parece ter rotura. Pois por um lado as pessoas não se interessam por ciclismo, e por isso os média não lhe dão destaque, ao não lhe dár destaque as pessoas não podem passar a interessar-se e assim por diante.

    É necessári a peça nesta engrenagem que faça esta máquina emverter o percurso.

  11. Eu estou de acordo com o canal temático e até estou pronto a investir nele, desde que os assuntos sejam Ciclismo e Hóquei em Patins, modalidades que os Portugueses adoram e teem grandes níveis de audiência … quem arrisca, pode ser um bom negócio desde que seja bem gerido. Vamos em frente.

  12. Caro Henrique Gomes, receio ter sido mal interpretado, ou me ter explicado mal, o que é sempre possível. A comparação entre os proveitos financeiros da hotelaria algarvia, pondo num dos pratos da balança o adepto do Ciclismo – e do atletismo, como muito bem acrescentou – e no outro o poder de compra de quem acompanha a F1 ou o golfe NÃO era argumento para justificar a não cobertura televisiva da Volta ao Algarve que é, de todo, injustificável. Não correu uma petição a favor da sua transmissão? Foi uma iniciativa deste blog e eu assinei-a. Claro que todos sabemos o destino das petições (o que não me impede de ser recorrente em asiná-las sempre que concordo com a justeza ou pertinência de cada uma delas. Cumpro o meu papel de cidadão).
    Agora, e este tema dá pano para mangas e prometo que o abordarei um dia destes no meu blog, o mais importante, porque falta menos de um ano para a próxima edição da prova, é tentar, em conjunto, nós, os adeptos, a CS interessada e a Organização deslindarmos qualquer cenário que prometa poder vir a ser solução. Como está, é que a coisa não funciona e levanto já um pouco o véu em relação ao momento em que todas as hipóteses de vincular a televisão estatal – ou outra – à cobertura das corridas de Ciclismo: foi quando, oportunistas, saídos (ao princípio nem saíram, metiam férias) da própria RTP se ‘ofereceram’ prometendo o que sabiam de antemão jamais poderiam cumprir. Criaram empresas ‘fantasma’ que sacavam o dinheiro (e continuam a sacar) às Organizações que se deixaram levar… Há alternativas? Há.Podem ser mais baratas? Podem. Chegam ao mesmo público alvo? Chegam. Podem ser rentabilizadas a favor das Organizações? Podem. Eu sei como? Sei. Como sei que todos os ‘vampiros’ que têm vindo a alimentar-se desta farsa me cairão em cima. Mas não termino sem sublinhar que o Turismo do Algarve NÃO PODE continuar a alhear-se deste acontecimento importantíssimo para a Região, ainda por cima que decorre numa altura em que as pessoas ainda estão a decidir onde irão passar as férias de verão! Chama-se a isto falta de visão, comodismo ou, em bom alentejano, com o seu ‘tachinho’ feito estão-se nas tintas… laranjas ou cor-de-rosa são boys e girls que sabem que estão provisoriamente na antecâmara, então sim, do ‘tacho’ que estão à espera.

  13. Zé Carlos Gomes parece que fiz bem em espevitar a coisa ontem, por esta hora vejo que temos gente, há que considerar a oportunidade e lançar o projecto alguém o agarrará com certeza, pode não ser da forma mais conveniente, mas também pode ser salvaguardada a situação através de cláusulas directas e não muito extensas.

  14. Volto a repetir: Quem quer pagar para ter um canal temático abordando ciclismo?
    Ninguem?

  15. até que enfim!!!!!!! vejo gente intelegente,e que gosta de ciclismo.fazer os seu comentarios,quer se esteja de acordo ou nao? emociona-me ver realmente gente como esta falar de ciclismo…bem hajam… viva o ciclismo

  16. Filipe, ninguém aqui cai no ridículo sobretudo quando apenas pretende emitir a sua opinião com base no conhecimento que tem das situações. Várias vezes num forum já extinto me insurgi outra algumas mentalidades que, pelo facto de terem a sorte de viverem o ciclismo mais por dentro do que a maioria, se arrogam no direito de abespinhar e desvalorizar as opiniões daqueles que, infelizmente no meu conceito, apenas o podem acompanhar sentados no sofá. Existem aqui duas situações distintas; aqueles que apesar do desconhecimento que têm dos factos persistem em argumentos preconcebidos e imutáveis e aqueles que, como eu, procuram aqui e noutros locais a informação que necessitam para acompanhar minimamente esta modalidade.
    Rejeito, por isso, a ideia elitista de que esta modalidade é para os entendidos, reservando-se aos outros apenas o direito/dever de compor as estradas e apertar as mãos aos ciclistas.
    Quanto às transmissões por parte da RTP, prestando esta um serviço público e ser, segundo os responsáveis, líderes de audiência em grande parte do horário de Verão durante a Volta a Portugal tenho sérias dúvidas de que tal não seja altamente rentável, mas são isso apenas…dúvidas!

  17. É bem verdade que a comunicação social nacional, refém de um novo tipo de censura, poderia ter feito muito melhor, mesmo muito melhor. Mentes tacanhas destes e também no próprio ciclismo, que continua a sobreviver da carolice gratuita e desinteressada de poucos. Mas quanto à Volta ao Algarve, apesar de tudo, deixem-me realçar e congratular-me (e não é só de agora) com a simplicidade e facilidade com que se circula no meio de tal pelotão de estrelas. Não há credenciais para tudo e mais alguma coisa, nem alguns seguranças que acham que estamos em estado de sítio; acedemos com facilidade ao contacto com os melhores, repito, melhores, ciclistas do mundo; há um permanente espírito de convívio; não há pretensos vip´s a gozar os prazeres de uma bebida grátis nas chegadas, gente que nem sabe o que é uma roda; os dirigentes federativos podem misturar-se com a populaça usando chapéu de cowboy e dispensando a comodidade do ar condicionado, de outras chegadas, de outras competições; até os membros do cnad são mais simpáticos! Também na Volta ao Alentejo podemos sentar-nos ao lado do Christophe Moreau antes da partida e desejar-lhe, simplesmente, boa sorte para a etapa. Obviamente, há menos gente nestas chegadas do que nas da Mini Volta a Portugal, logo, é mais fácil de controlar o povinho. Mas o ciclismo sempre foi e será um desporto popular e de terreno, só ganhando com isso, independentemente de qualquer transmissão televisiva (embora o tornem mais mediático). Pode ser um ponto de vista romântico, admito, mas o verdadeiro amante, sobretudo se também foi ou é praticante gosta desta simplicidade.

  18. É sempre complicado dar opinião ou falar sobre algo do qual não estamos inteiramente por dentro, mesmo que seja com a melhor das intenções, pois há sempre o risco que de parecermos ingénuos e de acabar por cair no ridículo!

    Mesmo assim, correndo esse risco, vou deixar a minha sugestão.
    Não me parece que haja em Portugal dois eventos (relacionados com o ciclismo) com tão grande mediatismo e potencial comercial como a Volta a Portugal e a Volta ao Algarve (sem qualquer tipo de regionalismo associado, mas sim, visando apenas a promoção do desporto e da modalidade entre nós e do turismo interno e externo), pelo que, uma solução das soluções possíveis, poderia passar por incluir os direitos de transmissão destes dois eventos apenas num “pacote”. A entidade que os assumisse teria o ónus da transmissão dos dois eventos e a necessidade (e oportunidade, porque não!) de rentabilizar esses “direitos”, por intermédio de protocolos com os Municípios, Agências de Turismo, subsídios do Estado igualmente associados à divulgação do Turismo, cedência de transmissões e direitos de transmissão para outros canais, publicidade, etc., etc..
    A quem coubesse a gestão desse “pacote” teria de se desembaraçar para o rentabilizar! É assim com a promoção de qualquer produto que se põe no mercado e do qual se espera obter lucro, desde que, obviamente, haja procura, o que, neste assunto em particular, parece ser o caso!

    Não sei se esta sugestão será viável no todo, ou mesmo sequer em parte, mas sei que a sê-lo, teria de estar também associado à força de vontade, para não acontecer como a preguiça, que morreu à sede, mesmo à beira da água… ….

  19. Em primeiro, parabéns Jornal de Ciclismo pelo trabalho, neste caso de mais uma Volta ao Algarve.
    Em segundo, alguém aqui dizia o que seria necessário aos mídias agarrarem no ciclismo, talvez mais trabalho, mais empenho, mais agressividade na bicicleta, porque enquanto não tivermos um federação que lute pela modalidade, a mesma vai morrendo cada vez mais.

  20. Muitos parabéns ao jojrnalciclismo pelo artigo. Está muito bem elaborado e pode abrir o olhos a quem não os abre, ou só os abre para o que querem. Mas em portugal é mesmo assim, só há olhos para o futebol. Continuem connosco nesta luta pelos direitos televisivos.

  21. Sou assinante da SportTV e estou farto de futebol. Irei ponderar a minha desvinculação da Sportv e de cidadão deste país ridículo, de tesos que vêm o desporto dos ricos.. Independencia para o Algarve. JÁ!

  22. Algumas notas bem interessantes no discurso do senhor Madeira.
    A grande verdade, é que o cliente, o utente do ciclismo, gasta pouco onde a corrida passa. Somos uns tesos. Mas os espectadores do atletismo serão diferentes? Temos as maratonas e meias maratonas em directo. Sobretudo as da capital. Claro. Tivemos o corta mato em directo. Ainda bem para o atletismo. O desafio já o lancei várias vezes: Somos tantos, gostamos tanto de ciclismo, somos sabedores, vamos subscrever um canal temático de ciclismo. Não teria sucesso!

  23. Excelente opinião, clara e sintetizadora do panorama nacional quanto ao ciclismo.
    Acrescento que o problema não está no produto, mas sim no embrulho! Esta situação resulta de fracas infra-estruturas associativas, que continua a funcionar com base no empenho voluntário e gratuito do seus dirigentes.
    Chegou o tempo de se profissionalizar, ganhando competências e qualidades.
    Não pretendo com esta ideia criticar ninguém, mas parece-me claro que apenas a boa vontade não chega.
    É hora de o ciclismo algarvio criar Lobby’s.

  24. Os medíocres e os boys que infestaram tudo e mandam em tudo, têm os dias contados , porque a geração À RASCA , vai gorvernar este país daqui a muito poucos anos e por isti tudo nos eixos. Primeiro papamos tudo o que vem de fora, não à qualquer respeito, pela nossa cultura desportiva que se baseia sobretudo naquilo que o nosso povo gosta realamente , o ciclismo de estrada e o hóquei em patins, são capazes de levar um dia inteiro a dar ténis e golpe desporto das tias e dos tios , desportos do gelo ( aqui só se forem praticados no frigorífico ) , segundo à futebol a mais e desporto a menos isto porque os medíocres, pouco inteligentes querem lavar o cerebro das pessoas utilizando técnicas da inquisição , só que os tempos são outros e as pessoas estão noutro patamar de educação e não são parvas , por isso qualquer dia dão um pontapé colectivo na bola ( estamos fartos ). Os medíocres hoje no poder ( por pouco tempo mais ) fazem uma persiguição feroz aos competentes e estes não têm remédio se não procurarem o seu sustento fora do país, daí tomarem decisões própria do único neorónio que têm no cérebro , própria de imbecis , tais como não investirem num acontecimento a nível mundial como é a Volta ao Algarve com a maior parte dos ciclistas que vão à Volta à França , Espanha e Itália e não proporcionando visibilidade mediática para ter um maior impacto do turismo da região que vuve essencialmente desta indústria e para satisfação do nosso povo que aderiu em massa , apesar de toda a censura e bloqueio e falata de publicidade e marketing deste acontecimento despotivo, assim pedímos para a geração À RASCA competente e labotar no estrangeiro que ganhe experiência rapidinho e tome o poder com urgência, para correr vergonhosamente com as mentes fraquinhas e medíocres que estão metidos em tudo e provocam prejuízos enormes a todos , na base dos compradios , dos boys e dos corruptos

  25. Boas a todos os amantes do ciclismo….

    Antes de mais quero dizer que é vergonhoso uma volta destas não ser transmitida em directo…e em vez disso, canais desportivos portugueses metem outros desportos tais como futebol, repetido de não sei à quantos anos já para não falar noutros programas de seca…..mas isto não interessa nada….o que realmente importa é tentar mudar….e para isso são precisos os tais 250 mil euros…..eis a questão…..como os arranjar….se os nossos dirigentes quer no governo quer nas autarquias fossem inteligentes, fariam como muitos outros países fazem, aproveitavam uma das poucas oportunidades de mostrar o Algarve ao mundo…visto estarem os melhores do mundo nesta prova….quem assiste a uma volta á França, Turquia, Espanha e Itália e vê as imagens de helicoptero, paisagens bonitas…..com que vontade é que se fica????????…….e respondo eu…..gostava muito de ir visitar aquela cidade, aquele monumento, aquela praia, aquela serra….etc….etc…etc…em suma…..sabem como promover o seu País, enquanto os portugueses sabem é papar moscas….ah….e falar da crise e do FMI…..pois assim não saímos do buraco….já agora e como ideia para arranjar os 250 mil euros para a transmissão, que façam como os programas fatelas tipo ” as tardes da Julia ou do Goucha”, enviar sms a 60 Centimos para angriar os ditos euros….pode ser que assim se arranje o dito dinheiro…….

    PS:eu ate enviava 2 ou 3 SMS para ver a volta ao Algarve….lol

  26. ja que estao a falar de transmissoes de ciclismo de ontem a duas semanas começa o Paris Nice na eurosport

  27. Ah! o engraçado texto que abre este assunto, entre blá-blás que não adiantam nem atrasam .- e ideias? e ideias? – acaba só para servir para destacar as 150 mil páginas do blog vistas nestes dias. Uso abusivo, ainda por cima lamechas, da figura da Volta ao Algarve para se porem em bicos de pés. Deram alguma coisa que tenha escapado a todos os outros? Pois não… .

  28. O artigo está muito bom, este foi sem duvida o grande tema da Volta Ao Algarve deste ano para nós aqui no Jornal.

    Agora que a Algarvia acabou, gostava de deixar uma pergunta no ar, o que é que será necessário para atrair os os média nacionais para esta modalidade.Gostava de ver comentários com sugestões.

    Quanto a mim acho que só se algum portugués ganha-se para ai 10 vezes consegutivas o Tour, mesmo assim não sei. Há mas se algum português acusar doping isso ai aparece em todos os noticiarios, isso sim é importante. Temos um português que se mostra como um dos melhores da modalidade, e ninguêm sabe quem é.

    Vamos lá pessoal toca a dar sugestões pode ser que alguém as aproveite.

  29. Oh santa ingenuidade, virginal pureza…
    Vocês coabitam com eles, estão, dia-a-dia, lado a lado e depois, anjinhos, aparecem a bater com a cabeça no ‘muro das lamentações’. Há anos que eu ando a dizer que o Ciclismo, na última década e meia se tornou autofágico. Uma dúzia de figurinhas despertou um dia com o ‘ovo de Colombo’ diante dos olhos. A partir desse dia estava traçado o destino do Ciclismo nacional. E só o não entende… quem não entende o Ciclismo.
    Eu direi o nome de cada um deles, um a um, os que um dia acordaram e, iluminados por Midas, ‘descobriram’ que não tinham que trabalhar para ajudar o Ciclismo, podiam, quais vampiros, sugá-lo. Ao princípio não foi fácil. É normal. Ouvi queixas… noites inteiras num barracão que servia de ‘estúdio’ a tentar montar peças para ‘produções independentes’ nas quais não havia ponta por onde se lhe pegar – sequências montadas em que os fugitivos corriam… de encontro a pelotão, por exemplo. Em relação à televisão pública… são parvos, ou querem fazer de todos os outros parvos? Quem é que ainda pretende esconder que as três últimas edições da Volta a Portugal, depois da falência da JLS foram pagas… pela RTP (que depois minimiza o investimento com publicidade, obviamente recolhida localmente – retirando grossa fatia dos investimentos das autarquias à própria Organização) e pela FPC que para segurar a Volta usa os dinheiros públicos, dos nossos impostos, que lhe são atribuídos? Dito isto, como pode sobrar dinheiro para apoiar outras organizações? Apontem o dedo, porque nisso têm razão, às Instituições com responsabilidade de promover o Algarve Testes de Fórmula 1 ou GP, em motos, motonáutica no Arade, golfe, golfe, golfe… Desportos de e para Gente Rica, que ficam nos Hotéis 5 estrelas, que gastam 300 euros por refeição tomada e ainda vão aos Casinos deixar minudências das fortunas que ganham. E o Ciclismo? Com muita pena minha, se os hotéis não oferecessem as dormidas e refeições as equipas não vinham, os acompanhantes (leia-se público) são locais e não gastam um euro e mesmo os jornalistas (domésticos) vão com ‘diárias’ de 22 euros, repartem quartos nos hotéis mais baratos e pedem três pratos para comerem quatro pessoas… Isto não é uma caricatura, é O retrato fiel. Claro que a Corrida merece mais, que a Organização merece muito mais… Mas é preciso mais do que uma vaga de fundo para inverter a tendência que tem vindo sempre a agravar-se nos últimos dez anos. Ideias. Precisam-se…. E isto aqui também.é um sítio onde se pode receber ideias.

  30. como é possivel uma prova que ultrapassa, em nomes e equipas, a volta a portugal, nao ter transmisao??? continuem a transmitir as viagens do mourinho e as festas do ronaldo que isso é que interessa…

  31. Sinceramente, não dá mesmo para perceber! Em alternativa, a RTP, cuja responsabilidade considero ser ainda maior, presenteia-nos com espectáculos deprimentes, de festinhas de outros para eles próprios!

    Perdeu-se, mais uma vez, a oportunidade de divulgação de um evento singular, de uma imagem privilegiada virada para as potencialidades do nosso turismo, da promoção dos patrocinadores e potenciais investidores na modalidade, da promoção do próprio país… …, enfim, é lamentável!

    É triste hoje em dia as oportunidades serem cada vez mais escassas, mas mais triste ainda é não saber aproveitá-las quando elas se nos apresentam…

    Parabéns ao JornalCiclismo pela pertinência do artigo e esperemos que faça eco em algumas das cabeças ocas que gerem os canais de televisão em Portugal…

  32. A triste realidade, pagam para transmitir jogos da champions entre duas equipas que nada nos dizem….

  33. Cabe ao JornalCiclismo assumir outro protagonismo? Tem visitantes, tem público, tem audiencia. Mas terá clientes? Assinantes?

  34. Por que carga de água o ciclismo de sala (vertente que nem practicantes portugueses tem) teve transmissão em directo na televisão pública no ano passado e a Volta ao Algarve não?

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