Torrres Vedras: Terra de tradições ciclísticas com forte pedalada

Texto e fotos: José Morais

Torres Vedras, terra de grandes tradições ciclistas, com figuras de renome no ciclismo nacional, uma delas, o inesquecível Joaquim Agostinho, a figura mais importante do ciclismo português até à data, foi palco este domingo 10 de outubro de fortes pedaladas.

E foi por aquele concelho do oeste, que se realizou mais uma passeio de cicloturismo do calendário oficial da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), foi mais propriamente até Santa Cruz, também uma grande e bem conhecida estância balnear, que fomos num evento que juntou 159 participantes, divididos por 21 equipas, numa organização do Clube de Campismo e Caravanismo de Torres Vedras.

Santa Cruz acordou carregada de nuvens, o Parque de Campismo de Torres Vedras foi o local da concentração, bem cedo se começou a ver movimentação de bicicletas, e os preparativos para mais um domingo de boas e fortes pedaladas, muitos estavam receosos pelo tempo, a chuva prometia, mas os amantes da modalidade não desanimaram, e pelas 9,30 era dado inicio às pedaladas.

Com um trajecto de cerca de 60 quilómetros, a caravana saiu de Santa Cruz, seguindo por Coutada, Ponte do Rol, Sarreira, Torres Vedras, Ramalhal, Vila Facaia, Á-dos-Cunhados, Casal Porto Rio, Fonte de Santa Isabel, Fonte dos Frades, Póvoa de Penafirme, Brejendas, e Santa Cruz, onde a caravana chegou ao local da partida o Parque de Campismo, pouco passava das 12 horas, com o percurso cumprido de dificuldade baixa/média.

Foi um passeio com alguns locais sem dúvida bem bonitos e agradáveis, o tempo, esse não ajudou muito em algumas partes do trajecto, já a forte chuva que caiu dificultou um pouco as pedaladas, as quais foram sem dúvida superadas com vontade, e onde apesar da chuva que se fez sentir, o dia não estava frio, e a ausência do vento foi muito positivo.

Com dois anos de existência o Clube de Cicloturismo Campismo e Caravanismo de Torres Vedras, já começa a mexer na modalidade, e possui já um número de adeptos dos seus passeios, no final falamos com um dos responsáveis da organização Manuel Lourenço, que à nossa reportagem nos dizia; “Este passeio era para ser realizado em Agosto, mas por motivos de não termos as respectivas autorizações das autoridades, teve de ser alterado, foi feito hoje, felizmente correu bem, maravilhosamente bem, estamos contentes com a presença de todos, a comunicação social foi uma surpresa para mim, não sabia que vinham, e é sempre bom e positivo ter a comunicação social presente, o que demonstra o interesse pelo cicloturismo e na divulgação deste tipo de eventos que movimenta muitas pessoas”.

Perguntamos a Manuel Lourenço quais os objectivos? O qual o mesmo dizia; “Os objectivos é a participação, é criarmos amizades, fazer com que cada vez existam mais, a prática do desporto que é importante, e como habitualmente no campismo, cada vez mais companheiros a praticar, e felizmente já vem muita gente sem serem companheiros, possuímos uma secção de cicloturismo que abrimos em 2009, começamos à um ano, e já possuímos mais de 80 sócios e muitos praticantes, poucos são os que não praticam, e alem do cicloturismo, já possuímos o btt também e já temos feitos também alguns eventos no mesmo”.

A pergunta seguinte foi o tempo? Ao qual respondia o responsável pelo evento; “O tempo foi o nosso grande problema, ontem tivemos aqui um dia maravilhoso, estávamos todos esperançados, hoje foi o que foi, o que fez com que tivéssemos aqui menos participantes que aquilo que esperávamos, tínhamos cerca de 200 pessoas inscritas, o que foi reduzido para pouco mais de centena e meia, existiu alguma chuva intensa, foi pena poderia ter sido um passeio maravilhoso por locais esplêndidos, mas foi positivo tendo tudo correndo bem, sem grandes atrasos e acidentes, que é sempre positivo”.

A última pergunta era feita, e pedimos um balanço e a mensagem final? E Manuel Lourenço dizia; “O balanço foi sem duvida positivo e espero que para o ano melhor, e começamos já hoje a trabalhar nisso, sobre a mensagem final, que as pessoas voltem, venham novamente, e que se não for melhor, pelo menos igual a este ano, e que todos nós possamos novamente juntar-nos para o ano neste local”.

O comentário final:

Nesta segunda edição do passeio do Clube Cicloturismo C. C. de Torre Vedras, a mesma foi sem dúvida muito positiva, foi um pelotão bonito de se ver apesar de não ser muito grande, os locais de passagem foram excelentes, o trajecto acessível a todos com uma dificuldade propícia para todos, paisagens e locais bonitos de ver, mas onde a chuva mais uma vez não proporcionou que os cicloturistas a pudessem deslumbrar, a equipa da casa soube manter o andamento, conseguiu que todos rolassem juntos, o que no final a satisfação era notória entre os presentes. No final, e após um delicioso e apetitoso banho, foi tempo de um suculento almoço, onde todos puderam confraternizar tarde dentro.

Pouco mais para dizer, apenas ficam os parabéns, com os votos de bons passeios, boas pedaladas, e até um destes dias num dos muitos eventos realizados por esse belo Portugal, e até lá, aqui fica uma sugestão de conhecer um pouco melhor os locais das pedaladas desta semana.

Torres Vedras, é uma cidade portuguesa no Distrito de Lisboa, região Centro e sub-região do Oeste, com cerca de 22 600 habitantes.

É sede do maior município do Distrito de Lisboa com 405,89 km² de área e 77 556 habitantes (2008), subdividido em 20 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Lourinhã, a nordeste pelo Cadaval, a leste por Alenquer, a sul por Sobral de Monte Agraço e Mafra e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. Torres Vedras foi elevada à categoria de cidade a 2 de Março de 1979.

Santa Cruz, Passamos junto de alguns pinhais, e chegamos a Santa Cruz, lugar formado por algumas casas antigas, e bastantes modernas. É a praia balnear de Torres Vedras. Pessoas abastadas da vila e de lugares próximos aqui mandaram construir vivendas, nas arribas de ar lavado pela brisa do Atlântico. A praia é bonita; uma fita de areia branca, de brando declive, abrigada pelas escarpas não muito altas, de aspecto severo, formadas pelas rochas de colorido variado.
Um grande rochedo alteroso destaca na praia. Foi acessível em tempo, porque ainda se observa a certa altura um lanço de escada talhado na rocha; mas as vagas esboroam a base». Assim descrevia Gabriel Pereira a aldeia e a praia de Santa Cruz num passeio que aí fizera, no dia 27 de Setembro de 1905.

Mas já, em 1843, a aldeia de Santa Cruz registava cerca de três dezenas e meia de habitantes, se ao povoado juntarmos os dois fogos existentes no Pisão (de Penafirme). O número mantinha-se sensivelmente o mesmo em 1862, com a soma das sete “almas” que viviam no Casal d’Azenha, e os vinte e sete habitantes de Santa Cruz e Pisão.

Com pouco mais de meia dúzia de casas espalhadas pelo areal, a praia de Santa Cruz manteve um aspecto pitoresco ao longo da segunda metade do século XIX, somando, já em 1911, sessenta e duas pessoas, tendo-se elevado a dez o número das habitações.
Desde então, Santa Cruz desenvolveu-se enquanto estância balnear, tendo aumentado para 157 pessoas/168 fogos, em 1940. Um número de habitações aproximado ao das pessoas, o que se explica pelo facto da maioria daquelas funcionarem como segundas moradias, como refere Gabriel Pereira, tendo por proprietários membros das elites torrienses de finais do século XIX e inícios do século XX.

Para o seu desenvolvimento turístico contribuiu, a partir dos anos vinte do século passado, a Comissão de Iniciativa das Termas dos Cucos e Praia de Santa Cruz, tendo apoiado o «alargamento da ponte dos Caixeiros, na estrada da Praia de Santa Cruz», com duzentos escudos, cuja necessidade se explica devido ao aumento do tráfego, sobretudo nos meses de Julho a Setembro. A mesma Comissão levou a efeito um concurso de embelezamento da Riba Amarela (junto à Praia Formosa), em 1931, tendo vencido o Eng.º Teófilo Leal de Faria. Concurso este que esteve na origem da construção da balaustrada e respectivos varandins, assim como a escada da Riba Amarela para a Praia Formosa, nos anos de 1931-32 e, no ano seguinte, o alargamento do pequeno porto de desembarque em Santa Cruz, na Praia Formosa.

É nesta altura que assistimos ao primeiro grande crescimento da aldeia e do número de veraneantes, tendo a Comissão de Iniciativa tabelado os preços dos automóveis (de praça), na viagem entre a vila de Torres Vedras e Santa Cruz: «de três lugares, vinte e cinco escudos; de quatro lugares, trinta e cinco escudos; de seis lugares, quarenta e cinco escudos». Ao mesmo tempo, e desde 1928, as «carreiras de camionagem» asseguravam também as ligações. Em 1931, ainda, iniciava-se a construção da ligação telefónica com a vila de Torres Vedras.

7 thoughts on “Torrres Vedras: Terra de tradições ciclísticas com forte pedalada”

  1. Bem, eu faço uma leitura diferente, mas como também não me posso queixar sobre a publicação de informação que envio… Zé Carlos, se o problema é a falta de informação a DOISW disponibiliza-vos gratuitamente um motociclo para vos transportar e fazerem a recolha de informação na zona de influência da ACN.

  2. Já foi pedido mais de uma vez à ACN que, tendo condições para isso, enviasse textos e imagens de passeios para publicação.

  3. semdo assim enalteço o trabalho do sr jose morais, e deixo aqui a sugestao de uma parceria com a ACN para um trabalho desse genero, visto ser uma das maiores associassoes de cicloturismo do pais.

  4. Boa noite meus amigos, já vi por aqui várias vezes alguns comentários, a criticar este espaço, o Jornal de Ciclismo, por só publicar artigos de cicloturismo do sul, porem como o leitor Sr. Figueiredo diz e em resposta ao Sr. Silva, se existir alguém que faça o trabalho que o Sr. José Morais faz noutros pontos do país, seja ele do norte ou do sul, o Jornal de Ciclismo terá sem dúvida para publicar os mesmos, porque se os leitores tem tido atenção, tem existido alguns artigos apesar de poucos, de outros locais.
    Porem, é de enaltecer aos responsáveis deste espaço, a parceria que tem com os Sr. José Morais e o Notícias do Pedal, porque só tem vindo a valorizar este espaço nos últimos meses, e eu como muitos, semanalmente é um espaço que felizmente consultamos e encontramos a nossa modalidade a ser divulgada, onde não se vê em mais lado nenhum.
    Conheço o Sr. José Morais há muito, e apesar de ser da zona de Lisboa, se tiveram um pouco de atenção, também tem divulgado vários pontos do país, porem para uma única pessoa é difícil estar em todos os lados, e ele nestes últimos anos tem sido incansável, ainda este domingo passado em Torres ele lá esteve, na sua mota, e mesmo com chuva tentou mostrar-nos os melhores momentos, é de louvar, e tem sido nos últimos anos a pessoa que mais luta em prol da divulgação da modalidade, nos diversos órgãos de comunicação social por onde já passou, só lhe temos a agradecer.

  5. Sr. Silva

    Pelo que percebo existe um acordo entre o Jornal Ciclismo e o Sr. José Morais (Noticias do Pedal) o qual desloca-se a estes passeios e faz as reportagens, como reside na zona de Lisboa é normal que só se publiquem maioritariamente estes…
    Penso que se alguém do Norte fizer as reportagens e enviar para o Jornal Ciclismo serão publicadas de igual modo.
    Acho que não se trata aqui de qualquer tipo de discriminação, apenas não há quem faça as referidas reportagens…

  6. muito bom saber que a minha terra natal está a desenvolver o ciclismo! parabens ao jornal ciclismo pela publicação.

  7. axo bem as reportagens sobre ccloturismo, e pena que só haja cicloturismo no sul , enfim

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