Análise: Um Tour de eliminação e não de ataque

Favoritos preferem jogar à defesa e marcar-se de perto
Favoritos preferem jogar à defesa e marcar-se de perto

A primeira semana de Volta a França confirmou que o ciclismo actual é cada vez menos de ataque e cada vez mais de eliminação. Os principais candidatos, com excepção do irrequieto Andy Shcleck (Saxo Bank), que se gaba de estar na melhor forma da carreira, têm optado por uma postura passiva, deixando-se estar no pelotão, esperando que os rivais passem por dificuldades e que percam tempo por fragilidade pessoal e não por serem confrontados com ofensivas alheias.

Esta forma de abordar a corrida fez com que, após a tão temida passagem pelo “pavé” e com duas etapas alpinas deixadas para trás, só Lance Armstrong (RadioShack), por manifesta falta de força, Frank Schleck (Saxo Bank) e Christian Vande Velde (Garmin-Transitions), devido a quedas, tenham deixado de poder sonhar com a consagração nos Campos Elísios. Bradley Wiggins (Sky) e Alexandre Vinokourov (Astana) aparentam estar em condição precária, mas ainda podem aspirar ao pódio, embora o cazaque tenha como principal missão apoiar Alberto Contador, cuja inércia dá que falar e suscita dúvidas: será calculismo táctico ou incapacidade física para fazer a diferença?

Ultrapassadas duas tiradas nos Alpes e a temida jornada de empedrado, as diferenças são mínimas e foram estabelecidas, essencialmente, nos “pavés” da terceira etapa, pois na entrada em território alpino nenhum candidato perdeu ou ganhou terreno e na primeira chegada em altitude Andy Schleck e Samuel Sánchez (Euskaltel-Euskadi) esperaram pelo quilómetro final para atacarem e para conquistarem dez raquíticos segundos ao grupo dos favoritos, onde só não conseguiram permanecer Armstrong, Wiggins e Vinokourov.

Esta forma de correr que privilegia a regularidade em detrimento da audácia ajusta-se na perfeição às características do campeão mundial, Cadel Evans. Não é por acaso que o australiano está de amarelo vestido e assume-se como um sério candidato à vitória final, o que seria o corolário de uma excelente temporada de Evans, apesar de representar uma equipa que pouco o tem apoiado por falta de qualidade colectiva.

Olhando aos dez primeiros da geral, só há dois corredores cuja presença pode ser vista como surpreendente, a do belga Jurgen van den Broeck (Omega Pharma-Lotto), 27 anos, e a do canadense Ryder Hesjedal (Garmin-Transitions), 29 anos.  O belga pedala para a afirmação como corredor de grandes voltas, depois do sétimo lugar no Giro de 2008 e do 15.º no Tour do ano seguinte. Hesjedal tem um currículo inexpressivo em corridas por etapas de tão longa duração, contando com um triunfo de etapa na Vuelta de 2009 e como um 49.º posto na geral do Tour do mesmo ano e um 47.º lugar na tabela do ano anterior.

O escalonamento classificativo até ao momento permite antecipar corredores com vantagem táctica, já que há equipas que apresentam duas armas para a batalha pela camisola amarela. Enquanto Cadel Evans e Andy Schleck não têm nas respectivas equipas homens com capacidade para lutarem pelos postos cimeiros e atrapalharem as contas aos rivais, Alberto Contador dispõe do sempre imprevisível Alexandre Vinokourov. A Rabobank pode jogar com Menchov e com Gesink e a Liquigas-Doimo conta com Ivan Basso e Roman Kreuziger, o que lhes confere alguma superioridade teórica que carece de ser confirmada na estrada já a partir de amanhã.

CLASSIFICAÇÃO DOS FAVORITOS
1º Cadel Evans (BMC), 37h57m09s
2º Andy Schleck (Saxo Bank), a 20s
3º Alberto Contador (Astana), a 1m01s
4º Jurgen van den Broeck (Omega Pharma-Lotto), a 1m03s
5º Denis Menchov (Rabobank), a 1m10s
6º Ryder Hesjedal (Garmin-Transitions), a 1m11s
7º Roman Kreuziger (Liquigas-Doimo), a 1m45s
8º Levi Leipheimer (RadioShack), a 2m15s
9º Samuel Sánchez (Eusaltel-Euskadi), a 2m15s
10º Michael Rogers (Team HTC-COlumbia), a 2m31s
11º Robert Gesink (Rabobank), a 2m37s
12º Carlos Sastre (Cervélo), a 2m40s
13º Ivan Basso (LIquigas-Doimo), a 2m41s
14º Bradley Wiggins (Sky), a 2m45s
15º Alexandre Vinokourov (Astana), a 3m05s
39º Lance Armstrong (RadioShack), a 13m26s

Foto: ASO

26 thoughts on “Análise: Um Tour de eliminação e não de ataque”

  1. “figo1234”, concordo com a tua opinião, mas acho que não deves generalizar as quedas! Olha a queda do M. Cardoso, para ele o Tour terminou com a queda.

    Se foi falta de pernas ou se foi o resultado das quedas, penso que apenas o próprio L. Armstrong o poderia confirmar … mas claro, nós que estamos de fora, podemos sempre continuar a especular …

  2. ESTES COMENTARISTAS TÊM AS SUAS OPINIÕES, RESPEITO-AS. No entanto já verificaram o perfil e extensão das próximas etapas. Agora sim quem se vai rir sou eu ah! ah! ah!, e depois digam que não avisei que a juventude não tem ….ou ainda duvidavam, podem começar a mandar talhar a estátua. Apenas me sinto recioso não é normal tanta queda, felizmente já foi talhado o enguiço e espero ter sido a tempo!

  3. Estão sempre a criticar os jornalistas deste site. Se não gostam não se informem por aqui. A análise ciclística feita aqui é de grande qualidade. Ninguém retira o valor ao Armstrong por este ter perdido o Tour. Ele é um senhor do ciclismo e sempre o será. Mas já não é o terrível texano que ganhava a amarela logo na 1ª montanha ou 1º Crono. Agora queixarem-se da Sky, da Astana, ou de outra equipa pelo azar do americano é que não. Isto é desporto de alta competição. Palhaçada quanto muito a etapa da 1ª vitória do Chavannel, mas eu até compreendo a atitude tomada. O Armstrong de outros tempos chegava, colava e ganhava a etapa. Ele desistiu durante a subida e aí o trabalho de equipa não é tão importante como no plano. Para mim foi falta de força e o muito calor. Podem-me falar das quedas, mas eu vi um Ricco fazer uma etapa inteira todo ligado para garantir a vitória na Áustria. Isto só prova que quem fez esse tipo de comentários não percebe nada de ciclismo.
    Mais uma vez Parabéns ao Jornal Ciclismo

  4. Aqui o que me deicha revoltado foi a palhacada que fizeram na etapa que foi neutralizada,neutralizar e ridiculo,esperar ou ajudar ciclistas de outras equipas sempre aconteceu.Se nao esperassem por o Sheleck talvez ele nao estivesse no lugar que esta.Se nao fosse toda a palhacada do Sheleck nem tinha muito que dizer a cerca da etapa onde o Lance caiu tres vezes,em fim teve ma sorte e e claro que com aquela idade a coisa complicasse,nao ha espaco para tanto azar em etapas tao importantes.Tambem acho que andam la muitos ciclistas de muito pouca experiencia que causaram muitos acidentes.Quase paracido com a Volta a Portugal de masters 2009:)

  5. Eu quando falo em argumentos ridiculos estou a falar quando dizem que a Astana e a Sky foram puxar para a frente do pelotão Mas voces queriam o quê? Neutralizar a etapa porque o Armstrong caíu? Obviamente que quando começou a montanha alguém tinha de forçar o ritmo quer o Armstrong tivesse caído ou não…

  6. Carlos, só tenho uma coisa a dizer. Os outros também não são controlados? O Contador não caiu? O Andy Schleck não caiu? O Gesink não caiu?

    Por amor de Deus…

  7. tou certo que estes herois todos que estão aqui a falar já cairam a 60km/h e voltaram a montar nas suas bikes em 30seg para escalarem uma subida de 10% com o ritmo do pro tour…. vejam o video da queda e não o do eurosport, porque ai já ele está parado

  8. Armstrong já não é um grande ciclista !!!!!!!!!!!!!!!!
    Gostaria de ver quantos ciclistas conseguem aos 37 anos ( ou qualquer idade para esse efeito ) fazer terceiro no Tour.
    E são argumentos ridiculos cair 3 vezes numa etapa e outras tantas recuperações numa etapa com perto de 40 graus !!!!!!!
    E não foi só a Astana foi a SKY ( gostava de saber o que eles estavam lá a fazer senão para dificultar a recuperação de Armstrong) e a Saxo Bank

  9. Boas Em primeiro lugar quero dizer que sempre admirei o Lance, mas quando ele pensou em regressar depois de 3 anos de fora estava a arriscar em arranjar uma mancha negra na sua brilhante carreira, para mim o que aconteceu nao teve so a ver com as quedas, por mal que o Lance estivesse ele tinha de lutar ate ao fim e ele limitou-se a atirar a toalha ao chao limitando-se a chegar a meta, muito calmamente, acho que se tivesse lutado poderia no massimo perder 4/5 minutos e estar a lutar por um lugar no top 10.
    Quanto a vitoria final do tour concordo com a analise, vai ser um tour de eliminaçao, estao todos muito justos, aquele que melhor recuperar e que se souber resguardar e fizer pequenos ataques como o do Andy ontem que so ganhou 10 segundos mas ganhou e quem ganha pelo menos tem a moral em alta, e a moral pode fazer esquecer a dor das pernas.
    Amanha a mais.

  10. Devo ter visto uma etapa bem diferente… O Lance caíu mas conseguiu recolar ao pelotão. Ninguém foi para a frente puxar ainda mais para ele não recolar. Claro que no inicio da subida a Astana fez o que tinha de ser feito, ou seja testar o Armstrong e os restantes adversários. O Lance foi um excelente ciclista agora já não o é. O que é perfeitmente normal. As pessoas não se devem esquecer das grandes vitórias que obteve mas também já chega de criticarem as novas gerações ou de desculparem as más prestações(perfeitamente normais tendo em conta a idade do Lance) com argumentos ridiculos.

  11. primeiro muitos falam em 3 km … foram 12 km para reentrar no pelotao e ele abdicou da recuperaçao a certa altura quando estava a 1 min

  12. Lance Armstrong voltou ao ciclismo depois de bastante tempo parado e fez terceiro lugar o ano passado depois de ser atacado pelo seu proprio colega de equipa o Contador.O Lance Armstrong nao presisa de ser ciclista profissional para ganhar a vida…ele voltou ao ciclismo com a finalidade de coseguir ajudar o mais possivel a luta contra o cancro. O ano passado quando a Astana esteve com problemas financeiros os ordenados seguiram a ser pagos…fasso ideia quem pagou…Para mim o homem e um heroi !! Era muito bem capaz de ganhar a volta mais uma vez.Na minha opiniao pessoal os senhores grandes do plutao 2010 sao animais sujos sem qualqer tipo de classe. Sera que estou enganado ou o Sheleck
    estava alguns minutos para tras quando todos esperaram por ele ? O Cancelara conseguio neutralizar a etapa por completo,nem sprint houve para a meta, Porque ????? Quando o Lance caiu foi totalmente o contrario,era a ver quem puchava mais. Traicao ganhou a volta a Franca este ano.

  13. o Armstrong apenas quebrou como muita boa gente quebra…como Indurain quebrou em 1996 e muitos outros quebraram ao longo dos anos…não se pode ser sempre jovem nem estar sempre na máxima força…

    Se numa volta à suiça ou assim ainda se escapa, num tour é normal que quem está mal fique mal…

    É sem dúvida uma referência do ciclismo mas não devia ter chegado a este tour com ambição de voltar a ganhar…por isso e independentemente das quedas é que a radioshack já só tem o leiphemer pra lutar pela geral…

  14. o senhor que escreveu isto tem como lema: deitar lance abaixo….mas porque? se juntamente com Merckx é o melhor de sempre…se depois de 3 anos fora veio para ajudar o ciclismo e o cancro….se formou uma equipa…se traz mais gente à estrada…se essa equipa dá emprego a 4 pessoas portuguesas….é uma in justiça de todo o tamanho…posso nao gostar dele como pessoa, mas nada nega as suas atitudes, estas falam por si…Força Lance PARA SEMPRE….

  15. LANCE ARMSTRONG voltou por amor ao ciclismo, nao porque necessita de dinheiro ! É um SENHOR das estradas , Graças a ele há muitas mais pessoas a ver as etapas .. Com 37 anos faz 3 e este ano poderia ficar nos 5 outra vez …. É UM HEROI para quem pratica ciclismo. Um homem que vence o cancro e torna-se o MELHOR CICLISTA é de louvar .. Quando falarem dele , olhem para voçes primeiro

  16. Gostava de ver alguem a cair duas vezes e ter de fazer recuperações há morte para colar ao grupo , pois na 2 queda quando ele caíu a ASTANA E GARMIN passaram logo para a frente a acelarar … Uma das quedas foi a mais de 65 klm / hora nao deve ter ficado bem tratado , mal cola ao pelotao começa nova subida ….
    Amigos ganhou 7 vezes seguidas , é o REI do ciclismo quer queiram quer nao .. Ganhou na estrada e na vida ! É um SENHOR !

  17. Ah mais uma coisa… Estão a ver a classificação… Ainda vai ficar a frente de muita boa gente que ali está (ou não)… :)… e digo-vos mais… acredito que ainda faça top 10… podem estar a chamar.me de louco… mas pá… eu acredito no homem se algo de anormal não acontecer claro( quedas, furos)

    Abraço pessoal 🙂

  18. Lance é Lance é único… Até agora não vi nenhum desportista( que eu saiba atenção… não quero ferir susceptibilidades) a fazer o que ele fez…. Os problemas que teve que toda a gente conhece, e depois fez o que fez…. é algo muito fora do normal… e eu não o julgo por este regresso, quero ver também quem é que consegue logo no primeiro ano que regressa faz 3º no tour… contam-se pelos dedos… os desportistas que regressaram e fizeram grandes resultados…

    FORÇA RADIOSHACK 🙂
    Abraço…

  19. Gostei de ver a Sky a puxar á morte no inicio da subida para dificultar a recuperação de Armstrong , para de seguida Bradley Wiggins (Sky) descolar , grande cambada de palhaços !!!!!!!!!!!!!!!

  20. Aquando da queda do Lance, na frente aceleraram para o deixar deliberadamente para trás, não têm o Cancellara para parar o pelotão.
    O Lance deixou a sua reforma dourada para trazer de novo o ciclismo aos seus melhores dias. Só por isso merece o meu respeito. É uma lenda viva o Homem.

  21. Excelente análise, João Carlos.
    Armstrong, é uma referencia: muitos adoram, outros despeitam.
    Será sempre um marcador temporal do ciclismo.
    Como foram Coppi, Anquetil, Merckx, Hinault.
    Estamos na era Armstrong. Ponto final.
    Esta era não será sempre expressa por vitórias do americano.
    As derrotas irão pesar tanto como as vitórias.
    Ninguém lhe irá perdoar este regresso. Há muita gente na estrada para ver o americano perder.
    È muito simples a equação de Armstrong: Cada ano que passa o torna mais débil.

    Abraço a todos

  22. pois no tour de 2003 o senhor armstrong tambem caiu ….e o ulrich esperou por ele …o k armstrong fez foi chegar e atacar de seguida…nem tem po de reaçao deu ao alemao ..portanto ele só teve agora aquilo que merece..

  23. carlos acho que falas mal, a recuperação do armstrong foi de apenas uns 2km, e se lhe perguntarem ele nao ira dizer que foi da queda.

  24. que palhaçada…o lance ta com falta de força? acorado as 7 da manha para ser controlado…2 quedas…ultima das quais teve que fazer um esforço enorme para reentrar, porque o fair-play é uma treta ( aquando da sua queda o grupo acelerou).. quando reentra começa a subida…. isto que acontecesse ao andy ou ao contador por exemplo que eu queria ver se eles também nao ficavam igual….um jornalista deve ser imparcial e nao escrever com base em preferencias pessoais…logo no prologo demonstrou ser o melhor dos favoritos…arrisco-me a dizer que nao tivesse sido a queda e era o grande candidato a vitoria final, juntamente com o andy, evans e contador, talvez tambem o menchov…a falta de força é boa…é falta de cerebro de alguns

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