Centena e meia a pedalar nas “Terras do Regadio”

Texto e fotos: José Morais

Domingo, dia 25 de Abril, o Alentejo foi o local escolhido para o passeio desta semana. Fomos até Ferreira do Alentejo, e acompanhámos o evento organizado pela Câmara Municipal local, evento que fazia parte integral do calendário oficial da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicletas (FPCUB), e integrado na XIII Feira Nacional da Água e do Regadio, como ainda, nos Jogos Desportivos de 2010, juntando cerca de centena e meia de participantes

Ferreira, que acordou com um tempo propício para umas boas pedaladas, bem cedo começou a receber os participantes, oriundos diversas de zonas, pelas 9,30 era dada partida, pela frente existiam cerca de 60 quilómetros para percorrer, com passagem por Oripa, Figueira de Cavaleiros e Canestros, num trajecto sem dificuldades de maior, já que se trata de uma região na sua totalidade quase plana.

Pedalou-se a bom pedalar, o tempo, esse ajudou sem dúvida, onde quase se chegou aos 30º de temperatura, a organização, essa mais uma vez esteve de parabéns, pela forma como recebeu todos os participantes, e como dirigiu o passeio, os locais escolhidos foram bons, a planície alentejana esteve sempre como pano de fundo, também sem dúvida bastante agradável, planície essa que outrora estava repleta de trigo, hoje quase na sua totalidade, o mesmo deu origem a oliveiras, mas com um verdejante sem dúvida muito bonito.

O passeio terminou cerca das 12,30, junto ao pavilhão dos desportos, local onde se tinha dado a partida 3 horas antes, no final, foi tempo de arrumar as bicicletas, tomar um banho para descomprimir, e depois conviver mais um pouco, o que aconteceu tarde dentro no grande almoço final servido no salão do mercado municipal, onde as iguarias e os típicos pratos alentejanos não faltaram, para satisfazer todos os cicloturistas, acompanhantes e organização.

A nossa reportagem fez o ponto da situação do evento, e no final falava com o responsável do desporto da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo e do passeio, Henrique Cuiça que nos dizia quando lançamos a primeira pergunta. Doze anos de Raid Cicloturistico de Ferreira do Alentejo? Henrique Cuiça dizia; Doze anos representa muito para o município de Ferreira em termos de desporto de bicicleta, isto começou com a participação de algumas pessoas locais com interesse na mesma, foi crescendo, ao que temos aqui hoje o país representado, em especial o Sul, e vêem a Ferreira do Alentejo porque o Raid Cicloturista “Terras do Regadio” como se denomina, é um passeio que marca o calendário oficial e nacional da Federação Portuguesa de Cicloturismo (FPCUB) com que trabalhamos nestes anos todos.

E a segunda pergunta saia quando perguntamos a Henrique Cuiça, este ano a participação foi menor do esperado? E o mesmo nos dizia; Sim, por força de contingência fomos obrigados a alterar a data, e sabíamos que realizar o passeio no dia 25 de Abril, seria menos bom, até pelas actividades desportivas que existiam um pouco por todo o país, o que deu origem um número de presenças menor do habitual, mesmo assim, com esta data comemorativa do 25 de Abril, acabamos por ter aqui uma representação muito positiva, o que nos deixa orgulhosos, porque as pessoas conhecem a nossa organização, e fizeram questão de estarem presentes.

A pergunta seguinte seguia no contesto de calhar no dia 25 de Abril, e se foi positivo fazer no mesmo? O qual Henrique Cuiça dizia; Seja a 25 ou a 26 de Abril, fazer actividades desportivas são sempre importantes, marcar um momento histórico da história política de Portugal, penso que é a cereja em cima do bolo, e ainda por cima com o tempo que nos ajudou, tivemos uma temperatura a rondar os 27º aqui pela planície alentejana, foi óptimo, foi bom ver o colorido do pelotão, teve tudo reunido para termos um excelente passeio.

Antes de terminarmos, perguntamos ainda ao responsável do desporto do município, sendo Ferreira plano, muitos utilizadores de bicicleta, quais as vias, as condições, e os projectos de vias ciclaveis? E o mesmo respondia; De momento, a Câmara tem isso projectado, fazer uma ciclovia a circundar a vila, o município está atento, não só quem gosta da bicicleta regular, mas também no final do dia, a todos os que gostam de pedalar e caminhar um pouco, isso é uma lacuna, e faz parte da agenda da Câmara, fazer face à mesma.

A terminar, perguntamos a Henrique Cuiça o comentário e a mensagem final, ao qual o mesmo respondia; O comentário final, não posso deixar de agradecer a algumas entidades que são nossas colaboradoras e apoiantes desde a primeira hora, como os bombeiros, GNR, comercio local e algumas empresas, federação e comunicação social, a ainda a todos aqueles que nos escolheram para nos visitarem, para virem participar no Raid Cicloturista “Terras do Regadio”, e se não nos encontrarmos até lá, marcamos encontro aqui, em Ferreira do Alentejo, em 2011.

Como comentário final, resta-nos dar os parabéns a toda organização pelo excelente domingo desportivo que proporcionaram, a forma como a mesma nos recebeu, como a todos os participantes, e o interesse demonstrado por muitos, que são sem dúvida repetentes ao longo de vários anos, isso é positivo, e demonstra que a hospitalidade daquela região e a organização é sem dúvida muita boa, o que faz com que muitos possam vir a repetir anualmente este evento.

Da nossa parte, prometemos voltar com uma certeza de valer a pena, até lá ficam os votos de bons passeios, boas pedaladas, e um pouco da história de um concelho, de uma vila, sem dúvida com muita tradição.

E para conhecer um pouco mais esta zona de Portugal por onde se realizou este passeio, aqui fica a resenha histórica de Ferreira do Alentejo

A excelente qualidade do solo que circunda o actual concelho e vila de Ferreira do Alentejo bem como a proximidade de linhas de água determinaram, certamente, a fixação humana nesta zona há cerca de 43 séculos. Tal ocupação é confirmada pelo espólio arqueológico abundantemente encontrado na estação calcolítica que se estende ao longo das margens da ribeira do Vale D’Ouro.
A arqueologia revelou-nos e confirmou-nos ainda a presença, neste concelho, dos Romanos, do Visigodos e do Povo Islâmico. Presenças estas ainda confirmadas pelos próprios vestígios arquitectónicos como o sejam, no caso deste último povo, por exemplo, as construções de corpo cúbico com cobertura cupular – “Kubba” – que se podem encontrar em Villas Boas, S. Vicente ou ainda em S. Sebastião.
Quanto a fontes escritas propriamente ditas estas são muito escassas e até omissas quanto á data de fundação deste povoado. Deste modo apenas sabemos através dos documentos da chancelaria régia de D. Sancho II e de D. Afonso III que o território foi conquistado aos mouros em 1233 e foi doado, no ano seguinte, à Ordem de Santiago.
Dependente, espiritualmente, do bispado de Évora, só em época mais tardia se constituiu o seu alfoz pelo foral da Leitura Nova, concedido em Lisboa a 05 de Março de 1516, concelho que não incluía os curados de Vilas Boas, Peroguarda e Alfundão, dependentes das matrizes de Beja.
Ferreira teve castelo, situado ao pequeno cômoro do actual Cemitério Público, filial dos espatários de Alcácer do Sal, de que era alcaide em 1527, Francisco Mendes do Rio, e em 1708 Baltazar Pereira do Lago. Esta fortaleza desapareceu totalmente e, segundo informação de um particular, Francisco António Mattos, por volta de 1800, apesar de já estar arruinada, ainda ostentava algumas das famosas nove torres, o fosso e a barbacã. Por volta de 1839 deliberou a Junta de Paróquia de então, construir nesse terreno o Cemitério Público cujas obras para sempre esconderam a antiga fortaleza. Aliás a recordar a memória dessa exuberante fortaleza apenas restou o escudo da Ordem dos Espatários que ainda hoje encima a entrada principal do Cemitério Público de Ferreira do Alentejo.
No ano de 1627 foi criada a Comarca de Ferreira do Alentejo, em consequência da reforma da Ordem de Santiago e da aprovação régia Filipina dos novos Estatutos, comarca que abrangia as vilas de Torrão, Aljustrel e Alvalade, isto no domínio espiritual, porquanto no domínio temporal a vila era administrada por um juíz de fora, três vereadores, procurador do concelho, escrivão da Câmara, juiz de órfãos, com escrivão e oficiais, alcaide e capitão-mor, assistido por duas companhias, uma de ordenanças e outra de auxiliares.
Em 1762 Ferreira pertencia á Ouvidoria de Beja, e no ano de 1811, estava judicialmente anexada á Vila de Torrão. Nesta altura pertencia á Comarca e Provedoria de Ourique , Diocese de Beja e donatária da coroa.
Em 1821 Ferreira era concelho da divisão eleitoral de Beja e da comarca de Ourique.

Em 1842, Ferreira era um dos concelhos do distrito administrativo de Beja e compreendia cinco freguesias, a saber: Ferreira e Villas Boas, Figueira dos Cavaleiros, Alfundão, Peroguarda e Santa Margarida do Sadão. Só por volta de 1874 é que a freguesia de Odivelas, também ela pertence do concelho, ficou sob a tutela de Ferreira do Alentejo.
Com o advento da República a 5 de Outubro de 1910, Ferreira do Alentejo sofreu algumas alterações arquitectónicas que acabariam por empobrecer patrimonialmente a actual vila.
Apesar de ter sido habitada por algumas ilustres famílias transtaganas, como os Estaços, os Galvões, os Lanças, os Sousas, os Mouratos, os Miras, os Pereiras, os Ravascos Silvas, os Menas, os Vilhenas e os Passanhas, não conservou mansões apalaçadas do passado e somente a estes últimos se deveram a construção dos principais edifícios urbanos que, a partir do século XIX, enobreceram a vila. Entre esses edifícios podemos apontar, a título de exemplo, o da Quinta de São Vicente, pertencente á famílias Passanha , e a casa nobre que se ergue na Rua Conselheiro Júlio de Vilhena n.º 4 / 6, que pertenceu á casa agrícola Jorge Ribeiro de Sousa, herdeiro dos condes de Avilez e Boa Vista e da Morgada da Apariça.
Ferreira foi igualmente berço de importantes personagens que assumiram especial e relevante destaque no campo das letras e da religião, de entre os quais destacamos o conselheiro Júlio Marques de Vilhena, importante figura dos últimos tempos da  Monarquia Constitucional. (Fonte: Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo).

One thought on “Centena e meia a pedalar nas “Terras do Regadio””

  1. De cicloturismo se faz a volta do Portugal profundo, indo às localidades que não têm condições materiais para organizar e promover provas de elite e de sub-23. E a pretexto destes eventos também ficamos a conhecer através da ‘pena’ digital do Jornal de Ciclismo um pouco mais desse Portugal esquecido mas livre das ganâncias de projectos imobiliários e promotores turísticos que tantas vezes desaracterizam o nosso território, o último refúgio da natureza; este ó o Portugal dos nossos avós, para o bem e para o mal.

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