Nacionais a meio gás

Campeonatos Nacionais de Pista disputaram-se pela primeira vez no Velódromo de Sangalhos. Categorias de Cadetes e Júniores foram as únicas que responderam ao desafio.

João Santos

A inauguração foi pomposa e ultimada a contra-relógio. Equipas de limpeza aceleraram o ritmo tirando o pó aos corredores e os plásticos dos colchões dos quartos-modelo, enquanto engenheiros cruzavam-se no edifício com assessores do secretário de estado, eletricistas, seguranças e técnicos camarários. Quase três meses depois da inauguração – a 11 de Setembro – o Velódromo Nacional funciona a tempo parcial e apenas mobilizado por eventos de ciclismo na ausência de  actividade das outras federações. À vista desarmada a obra está concluída, mas faltam os pormenores – pequenas reparações e outros detalhes – que impedem que a Câmara assuma a obra como concluída. Ora, desse atraso resulta a ausência de decisão de um modelo de gestão  – coordenado pela Câmara Municipal de Sangalhos com o apoio do Instituto do Desporto de Portugal – e, sem essa definição prévia, o velódromo não serve ninguém ganhando o pó próprio do “elefante branco” que ameaçou ser. O terreno está lá, falta o cultivo.

A excepção ao deserto são as provas de ciclismo. Depois da Taça Ibérica, íncluida no programa da inauguração, os cadetes e júniores foram a força motriz que correspondeu ao relançamento de uma Taça de Portugal de pista em três provas e, em seguida, aproveitando a rodagem conseguida à disputa do primeiro campeonato nacional sobre o tecto dos sonhos do ciclismo português. As condições são priveligiadas para os participantes, ao competirem num pista de excelência naquela que é, por norma, a disciplina escola do ciclismo. De estranhar, por isso, a ausência de representação nos Sub-23 e nas Equipas Elites. Em trânsito burocrático de renovações e inscrições de corredores a casa-mãe foi ignorada pelas Equipas de Clube e pelas formações Elites deixando o cultivo do espectáculo às gerações mais novas. Críticas sobre o calendário, para justificar eventuais ausências, apresentam a fragilidade óbvia de quem não aproveita a oportunidade de disputar um campeonato nacional. No mínimo ficará bem a qualquer currículo.

Entre os que foram a Sangalhos, do Velódromo a maior falha permanece no tom negro da ausência de informação nos “painéis” electrónicos. Os mesmo que funcionaram com suporte técnico na inauguração para, poucas horas, se desligarem de forma permanente. Disputar provas em pista, contando apenas com a informação sonora, é como ver um filme de uma língua estrangeira sem legendas. Mais do nunca, sem cultura de pista, o ciclismo no velódromo carece deste tipo de informação: identificar a disciplina, os atletas, os seus registos ou pontos são meio caminho andado para um bom espectáculo.

Os primeiros campeões
Sem cronometragem electrónica, os primeiros campeões nacionais do Velódromo Nacional foram conhecidos na disputa de oito títulos entre cadetes e júniores. Entre os mais novos, Luís Sousa (PatoCycles-Jaba-Arca de Noé) foi quem mais se destacou conquistando o título na perseguição individual e no critério por pontos, as provas de maior resistência. Na velocidade, contrariando a hegemonia do vencedor da Taça de Portugal de Cadetes, Adriano Cruz (ACD Milharado) levou a melhor no desempate da final suplantado o mesmo Luís Sousa e revelando o desiquílibrio entre os mais fortes. Na perseguição colectiva, o ACD Milharado/Intermarché/Mafra impôs-se diante do Matocheirinhos/Caixissol/Talho do João e do Sport Clube de Mirandela colhendo os frutos do trabalho de casa na pista da Malveira.

No escalão júnior, a competição foi mais intensa saudando Leonel Coutinho – o seu primeiro título nacional – com a vitória na perseguição individual. O corredor da ASC-Vila do Conde bateu a surpresa Pedro Santos (SM Feira-E.Leclerc), ao passo que Bruno Borges (LA Sistemas-Trevomar) se contentou com o terceiro posto.  Já na perseguição colectiva, o “comboio” Milharado bateu por décimas o registo do ASC-Vila do Conde, cabendo ao SM Feira-E.Leclerc o terceiro lugar.

Na velocidade, Vítor Lopes (ACD Milharado) foi o mais forte na final batendo Rui Rodrigues – duplo medalha de prata -e Leonel Coutinho, ambos do ASC-Vila do Conde.

Na última competição do programa, a corrida por pontos encerrou de forma condigna os Nacionais de Pista. Renato Avelar e Bruno Borges protagonizaram um duelo interessante nas 60 voltas do percurso tendo a vantagem pontual de quatro pontos permitido o sucesso do primeiro.

A festa acabou depois da cerimónia protocolar e a saida apenas com a “luz” da noite a alumiar caminho – pela rampa de acesso da ambulância – relembrou a relação de dependência do velódromo nacional e do ténue renascimento do ciclismo de pista: ambos precisam de melhorias.

Fotos

Foto I: [Esq. para a dir.] Pódio Perseguição Equipas: ASC Vila do Conde, ACD Milharado, SM Feira-E.Leclerc

Foto II: Pódio Critério Júniores: Renato Avelar

Foto III: Pódio Perseguição Individual Juniores: Pedro Santos, Leonel Coutinho, Bruno Borges

Foto IV: Pódio Velocidade Juniores: Rui Rodrigues, Antonio Barbio, Leonel Coutinho

Foto V: Pódio Perseguição Equipas: Matocheirinhos/Caixissol, ACD Milharado, Sport Clube Mirandela

Foto VI: Pódio Critério Cadetes: Adriano Cruz, Luís Sousa, Hugo Brito

Foto VII: Pódio perseguição individual Cadetes: Antonio Barbio, Luís Sousa, João Santos

Foto VIII:  Pódio Velocidade Cadetes: Luís Sousa, Adriano Cruz, Hugo Brito

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2 thoughts on “Nacionais a meio gás”

  1. “pomposa” à boa maneira portuguesa onde só as aparências interessam!
    valha-nos a qualidade dos nossos atletas portugueses que nestas difíceis condições fazem autenticos milagres nas sua conquistas!
    PARABÉNS a TODOS!!

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