Volta a Portugal: Fixação da ficção plebeia9 Comentários

admin
04 Ago 2010 11:02am

Texto e Fotos: Henrique Gomes

Claro que esta crónica não tem a pretensão de ser uma antevisão da corrida: Não tenho dotes de adivinho, embora não seja complicado dizer que esta Volta tem um fundo blanco, nítido. Amarelo mais Blanco não há.

O que me leva a denominar esta crónica como Volta a Portugal “Fixação da ficção plebeia” tem muito a ver com o facto de a nossa Volta ter tido como cognome Rainha. A prova Rainha do nosso ciclismo.

Claro, em Agosto se fixam, se agarram, se apoiam, se centram, todas as atenções mediáticas do nosso Ciclismo. Tudo o que se fez no decorrer da época, é deixado para trás: Nada conta mais do que  estes 11 dias de Agosto. Os ciclistas sabem que neste mês se lança a próxima época. O povão, também só gosta de ciclismo em Agosto. Vão ser ondas gigantes de pessoas que vão chegar às marginais das estradas e, por vezes, inundar mesmo as faixas de rodagem. Tipo Maré viva, algo que só funciona em determinada altura do ano.

Os Media, claro, arrastados, obrigados a vir, também se vão fazer notar, e teremos cobertura, exagerada, muitas vezes, da corrida.

Por vezes, acho que determinados órgãos

informativos, quando acompanham a Volta, o fazem arrastando um enorme fardo moral. Ou seja, silenciam o ciclismo durante a época toda, e depois chegam à Volta, com ganas de mostrar  serviço.
Claro que toda esta agitação da Volta não retrata o verdadeiro ciclismo nacional. É pura Ficção.

O nosso ciclismo, durante parte da época, é anónimo. Ninguém na estrada, ninguém a acompanhar, ninguém a partilhar informação, nenhum órgão informativo.

Honra seja feita a estes dois senhores:

Sempre presentes.

Ou seja a Volta a Portugal era a prova rainha do ciclismo nacional. Era.
Mas é uma competição plebeia. Esperem, não tem nada a haver com o facto de o povo correr para as ruas nem com o facto dos grandes banhos de multidão, sobretudo no norte, nem com o facto de termos corredores com salários de miséria nem com o facto de a organização não conseguir trazer um pelotão ao nível da Volta ao Algarve nem com o facto do organizador pagar prémios mais baixos do que há 10 anos atrás nem com o facto do senhor Lagos preferir ambientes mais finos, com mais classe lá para os lados do estádio nacional, ou de Vilamoura. Não tem nada haver com nenhum destes factores: Tem a ver com todos.

A ficção, também, tem a  ver com o facto de existirem alguns factores, que são verdadeiros durante 10 dias, e depois, qual génio cinematográfico, tudo o que pensávamos que era verdade deixa de o ser.

Sem óculos tridimensionais, sem grandes monitores, nem sistemas sonoros.

Senão reparem, em Agosto do ano passado,

este senhor de amarelo era o vencedor da Volta 2009.

Em Setembro de 2009 o vencedor da Volta 2009,

É aquele senhor de branco, ou melhor de Blanco lá ao fundo.
Não acham fantástico? Tudo o que se  vê  no momento é pura ficção.

Outras histórias de ficção, que  são contadas na nossa Volta, é  a dos  grandes.  Os grandes lado a lado, nas estradas nacionais.

Por definição, os grandes em ciclismo são aqueles que, não competindo na modalidade, são mais falados do que os pequenos que andam na modalidade há muitos anos. Claro, esta ficção irá atravessar muitas entrevistas, muitas crónicas, muita deambulação será feita. Tudo Ficção. Só para confundir a plebe.

Claro que, para as crianças, é difícil perceber que tudo o que estão a ver não é bem verdade. Que os heróis de hoje vão ser vilões no mediato. Que mensagem passamos às crianças, quando lhes transmitimos o gosto pela modalidade?
Elas tem uma grande imaginação. Apelam à ficção.

Já agora alguém me ajuda a explicar aos pequenitos como funcionam as classificações no ciclismo?

Por exemplo, como explicar que, afinal, não ganha quem faz o total de quilómetros em menos tempo, mas sim quem tem as melhores análises sanguíneas. Complicado? Aborrecido? Seca? Tudo isto ajuda a adensar o ambiente. A ficção encontra o seu espaço preferido no ciclismo.

No ano passado, tivemos uma pedra no sapato, enorme, gigante, que, claro, como temos uma modalidade plebeia, somos plebeus, ainda não trocámos os sapatos, nem tirámos a pedra,continuamos a arrastar A pedra dentro do sapato.

Mas a organização pensou em nós e vai homenagear a nossa capacidade de sofrimento, dando a partida da etapa decisiva desta Volta em Pedrógão. Grande.

Brincadeiras à parte, até porque parece que as

palhaçadas, desta vez estão reservadas aos verdadeiros artistas, que a Volta, seja bem aproveitada e, como dizia alguém recentemente desaparecido, gozem o  momento, não deixem nada para trás, aproveitem enquanto é tempo.

Esta é a nossa Volta.
Abraço,
Henrique Gomes

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9 Comentários

  1. V.S

    O artigo tem nota positiva no geral, mas penso que a certa altura o Escritor concentrou-se mto no caso do costume e fez esquecer que o grande problema do ciclismo ser anónimo é msm da comunicação social.
    Os ciclistas abusaram no passado, o Cnad tudo está a fazer para resolver esse pesadelo, pena que não seja em todas as modalidades mas tb é pena que a luta n seja mais intensa.
    Logo se o Cnad é o interveniente que tem que se preocupar com esta luta, eu gostaria de pedir aos membros da comunicação social que lutem por nos trazerem até casa artigos sobre a vida dos ciclistas, paginas inteiras sobre um desporto que nunca deixará de ser belo e transmissões televisivas a horas decentes de grande parte das corridas nacionais.
    O ciclismo não é só a volta e a comunicação social não vive só do flagelo do Doping. Transmitam factos punitivos sobre os infractores mas ao mesmo tempo tentem dar valor e elevar o moral daqueles que lutam, vencem e são vencidos justamente.

  2. Diogo

    E dar tambem valor aqueles que perdem no alto da torre injustamente devido ao tal facto.

    Força Loulé-

  3. FMCY

    Não esquecer que no Futebol o Liedson havia suspeitas de Doping e abafou logo o Assunto.. O Nani veio embora do Mundial mas nao foi por causa do Ombro.. O Queiroz nao gostou do Control Anti Doping Supresa aparecer ao estagio, agora vai ser despedido e tudo.. Porque tambem nao investigam isso? Depois o Ciclismo é que é o desporto dos “drogados”

  4. FMCY

    Nao esquecer aquele futebolista que ensina , tem videos e tudo a dopar-se

  5. manel

    muito boa crónica. Algumas palavras duras mas verdadeiras. Fui ciclista,talvez um pouco amador, mas dei-me de caras com um realidade muito suja. Saí do ciclismo e vi que todos estão sujo e nenhum Blanco. Estão todos . Sempre existiu, são inumeros os casos perdidos que temos no ciclismo e mesmo nos outros desportos. é uma situação que nunca vai deixar de existir,pode ser controlada mas nunca vai deixar de existir

  6. Helder Marinho

    Concordo com tudo, mas acima de tudo com a parte em que a cobertura dos média pareça um pouco para de desculparem pela falta de interesse durante o resto do ano, mas valha-nos ao menos isso, o David Blanco disse que em Espanha é bem pior, que a TVE não faz metade daquilo que a RTP faz, e é bom que não esquecê-mos que a vuelta é bem mais conceituáda que a nossa volta, o que eu quero dizer é que, embora seja pouco ciclismo é melhor que nenhum.

  7. V.S

    Em espanha a tve não faz pk tem outros canais que o fazem.
    Quando existe uma volta a uma determinada região essa corrida tem cobertura em directo das etapas pelos proprios canais como acontece na volta as asturias por exemplo.
    A rtp até podia n fazer nada, caso pusesse a RTP2 a fazer ou até a sic ou a tvi.

  8. FMCY

    Por incrivel que pareca tenho visto reportagens da Volta a Portugal na SIC.. Nao é muito normal pois nao ?

  9. V.S

    O problema é que essa reportagens não mostram os ciclistas.
    Eu ontem estive a ver o jornal na sic e o que deu da volta a portugal foram as pessoas a comer num jardim.
    Se isso é ciclismo então eu ja n percebo nada disto.

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