Com um escasso mas suficiente avanço sobre os perseguidores, Thomas Voeckler (BBox Bouygues Telecom) impôs-se na quinta etapa da Volta a França, uma ligação teoricamente destinada a um pelotão compacto mas que o espiríto ofensivo de alguns ciclistas aliada às vicissitudes de uma perseguição mal calculada soube contrariar num final com alguma surpresa e que, de certo modo, premeia o ciclismo de ataque. A história da etapa, que não trouxe alterações à geral liderada por centésimas do suíço Fabian Cancellara, iniciou-se com uma fuga de um sextexto consolidada ao quilómetro 50 com uma vantagem máxima de quase dez minutos.
Anthony Geslin (Francia), Yauheni Hutarovich (Française des Jeux), Marcin Sapa (Lampre), Thomas Voeckler (Bouygues Telecom), Mikhail Ignatiev (Katusha) e Albert Timmer (Skil SHimano) foram os homens que dez quilómetros após a saída de Le Cap d’Agde composeram o enredo clássico dos fugazes protagonistas que, mediante a aproximação em Perpignan, perderiam a sua vantagem, na capitulação prevista perante os sprinters. E quase que foi assim. A vantagem do sextexto, composto por bons roladores, desceu aos três minutos quando restavam 100 quilómetros a percorrer. O golpe de sorte dos mais audazes, porém, ocorreu graças às “bordures” que seccionaram o pelotão, a cerca de 50 quilómetros para o risco, repetindo o filme da terceira etapa, desta feita com um grupo dianteiro mais numeroso e no qual os principais favoritos se mostraram atentos, à excepção de Denis Menchov.
Na frente, a Astana puxou arduamente pelo grupo, ao que correspondia a perseguição da Caisse D’Epargne e da Quick-Step – nesse grupo atrasado ficou o belga Tom Boonen.
A situação de corrida mantinha-se instável, com a boa coloboração entre os escapados a conhecer os primeiros sinais de desentendimento que estranhamente mantinham-se em perda controlada. Os esforços da Astana para seccionar o pelotão revelaram-se, por fim, infrutíferos a 42 quilómetros de Perpingnan, com a junção dos principais grupos.
Se a perseguição se estruturava, os ataques na cabeça surgiram com maior vigor já nos últimos dez quilómetros que os sobrivententes da fuga inicial enfrentaram com 1m10s de vantagem. Primeiro foi Mikhail Ignatiev a tentar a sua sorte, faltavam seis quilómetros. A sua ofensiva nada deu, e após a nova insistência do corredor russo, foi a vez de Thomas Voeckler tentar a sua sorte. O seu ataque resultou, em esforço, aplaudido na berma pelos adeptos franceses, o combativo gaulês levou a melhor sobre os perseguidores, apesar da perda acelerada da sua vantagem: 57 segundos, a dois quilómetros do risco, 40 segundos nos últimos mil metros. Foi o suficiente para a vitória de Voeckler que regressa a ribalta cinco anos após a imprevista liderança da prova. Nas posições imediatas, com mais sete segundos, Mikhail Ignatiev e o pelotão liderado por Mark Cavendish (Columbia).
9 de Julho – 6ª Etapa: Girona – Barcelona, 181,5 km

A Costa Brava recebe o pelotão do Tour para uma etapa de sobe-e-desce que deve deixar os homens de ataca a esfregar as mãos. A meta está situada na subida a Montjuic, exigindo mais potência do que velocidade. Se houvesse bonificações, a luta poderia ser maior entre os principais protagonistas da geral individual, mas a existência de cortes é uma possibilidade forte, pelo que é de crer que a emoção seja muita para os espectadores.
Girona nunca acolheu uma partida do Tour e Barcelona experimenta pela primeira vez a sensação de acolher a meta.
CLASSIFICAÇÕES
5ª etapa: Le Cap d’Agde – Perpignan, 196,5 km
1º Thomas Voeckler (BBox Bouygues Telecom), 4h28m35s
2º Mikhail Ignatiev (Katusha), a 7s
3º Marl Cavendish (Columbia), mt
4º Tyler Farrar (Garmin), mt
5º Gerald Ciolek (Team Milram), mt
6º Danilo Napolitano (Katusha), mt
7º Jose J. Rojas (C.Epargne), mt
8º Lolyd Mondory (Ag2R), mt
9º Oscar Freire (Rabobank), mt
10º Thor Hushovd (Cervélo), mt
11º Angelo Furlan (Lampre), mt
12º Leonardo Duque (Cofidis), mt
13º Romain Feillu (Agritubel), mt
14º Kenny Van Hummel (Skil-Shimano), mt
15º Albert Timmer (Skil-Shimano), mt
67º Rui Costa (C.Epargne), mt
150º Sérgio Paulinho (Astana), mt
Geral Individual
1º Fabian Cancellara (Saxo Bank), 15h07m49s
2º Lance Armstrong (Astana), mt
3º Alberto Contador (Astana), a 19s
4º Andreas Klöden (Astana), a 23s
5º Levi Leipheimer (Astana), a 31s
6º Bradley Wiggins (Garmin-Slipstream), a 38s
7º Haimar Zubeldia (Astana), a 51s
8º Tony Martin (Team Columbia-HTC), a 52s
9º David Zabriskie (Garmin-Slipstream), a 1m06s
10º David Millar (Garmin-Slipstream), a 1m07s
11º Sérgio Paulinho (Astana), a 1m16s
12º Christian Vande Velde (Garmin-Slipstream), mt
15º Roman Kreuziger (Liquigas), a 1m31s
20º Andy Schleck (Saxo Bank), a 1m41s
24º Kim Kirchen (Team Columbia-HTC), a 2m16s
25º Frank Schleck (Saxo Bank), a 2m17s
27º Vladimir Karpets (Katusha), a 2m31s
29º Carlos Sastre (Cervélo Test Team), a 2m44s
35º Cadel Evans (Silence-Lotto), a 2m59s
42º Rui Costa (Caisse D’Epargne), a 3m06s
71º Denis Menchov (Rabobank), a 3m52s
Adoro quando isto acontece, quando um ciclista sozinho consegue aguentar o monstro do pelotão atrás de si. Merecido para a sobranceria das equipas dos sprinters que a 20 km do fim desacelararam pensando que a fuga estava condenada e merecido também para o Voeckler que já merecia uma vitória destas.