É ponto assente a organização da Vuelta , de cuja sociedade a ASO faz parte decidiu-se pela participação da Cofidis e Skil – Shimano, bem como as espanholas da Geox e Andaluzia, deixando de fora a Caja Rural.
Foi um duro golpe para a equipa espanhola, na estrada desde 1992, embora nos escalões de formação, que mereceu dos responsáveis da equipa o seguinte comentário: “ recebemos a decisão, não a compreendemos, muito menos a aceitamos “
A Caja Rural, equipa espanhola de grande tradição na modalidade no país vizinho acaba de saber que não estará presente na próxima edição da Volta a Espanha e, que, em seu lugar, estará presente a Skill – Shimano ou a Française des Jeux, equipas próximas da Sociedade da Volta à França (ASO), a principal accionista da Unipublic. Na Vuelta 2011 têm lugar as 18 equipas Proteam, mais a Andalucia, Cofidis e Geox.
Os franceses da ASO provaram, deste forma, que mandam no ciclismo do seu país, bem como no de “nuestros hermanos”. Na verdade, em França a ASO conseguiu impor a participação de quatro equipas continentais de bandeira francesa, utilizando a mesma política em Espanha.
Um dos administradores da Unipublic alegou que pretendia na Vuelta equipas mais sólidas e com permanência na modalidade, pergaminhos que a equipa Caja Rural, mais do que ninguém possui, atendendo ao seu passado de permanência na modalidade. Recorde-se, no passado, as fraquíssimas participações da Française des Jeux, que terminou a maioria das suas participações no limite para ser considerada como equipa, isto é com apenas três ciclistas.
Com esta decisão, ficou provado que os “tentáculos” poderosos do sistema que comandam os destinos do ciclismo, não olham a meios para atingir os seus fins. Quem manda pode e, nesta caso a ASO manda mesmo em tudo.
A 65ª edição da Volta a Espanha, na estrada entre 28 de Agosto e 19 de Setembro de 2010, promete espectáculo nas montanhas. Ao longo dos 3352,6 quilómetros, distribuídos por 21 etapas, o pelotão vai encontrar seis chegadas em alto, metade das quais de categoria especial. Os contra-relogistas ficam em desvantagem, pois apenas dipõem de uma etapa de luta individual contra o cronómetro, a 17ª, que vai disputar-se em torno de Peñafiel, ao largo de 46 quilómetros. O outro contra-relógio é o colectivo, que abre a competição, durante a noite, nas ruas de Sevilha na distância de 16,5 quilómetros.
A segunda e a terceira semanas de corrida serão decisivas. As principais decisões deverão ocorrer entre a 14ª e a 17ª etapas. São três dias seguidos com chegada em alto, aos quais se segue uma jornada de repouso e, logo após o descanso, o contra-relógio individual.
Os sprinters não terão a vida nada facilitada, sobretudo aqueles que têm mais dificuldades em passar as subidas. Se a abertura se faz com um “crono” por equipas, a segunda etapa favorece os velocistas. Mas seguem-se duas jornadas em que a meta dista poucos quilómetros de contagens de montanha, o que irá deixar a nu as dificuldades de alguns homens com fibras musculares mais rápidas. No entanto, a primeira semana encerra com três ligações em que os finalizadores poderão ditar leis.
A oitava etapa é de média montanha, estando a meta colocada em Xorret de Catí, 3,2 quilómetros após uma contagem de montanha de primeira categoria. A nona etapa mantém um perfil ondulado, mas sem montanhas de grande dimensão. Após o primeiro dia de repouso, corre-se a décima etapa que também não se espera que fala mossa. O contrário poderá suceder na 11º tirada. Apesar de quase toda ela plana, é uma ligação com final em altitude, numa contagem de categoria especial, no Principado de Andorra.
As duas jornadas que se seguem são de transição para a fase determinante da Vuelta. A 14ª etapa finaliza na curta mas dura (10% de inclinação média) ascensão de primeira categoria para Peña Cabarga. Um dia depois os corredores vão concluir a jornada na mítica subida de categoria especial para os Lagos de Covadonga, onde irão encontrar rampas que chegam aos 13% de inclinação. Este ciclo de dificuldades montanhosas encerra com uma das etapas mais duras da Volta a Espanha, aquela que tem chegada em Cotobello, terceira contagem de primeira categoria do dia. Primeiro há a passagem por San Lorenzo, que tem rampas de 14% e 15%. Segue-se La Cobertoria, com pendente média de 8,6% e a subida final, com troços de 12% e média de 8,1%.
É a vez de um merecido descanso de um dia, antes do contra-relógio totalmente plano de 46 quilómetros, que antecede duas jornadas de transição, que podem ser aproveitadas por fugitivos ou pelos sprinters. Os acertos finais estão guardados para a penúltima tirada, com final inédito na Bola do Mundo, a duríssima continuação da subida para Navacerrada. Depois de alcançado o alto de Navacerrada, os ciclistas vão ainda pedalar por mais 3 quilómetros, durante os quais encontrarão rampas de 12,5%. Além da dificuldade intrínseca e de aparecer ao fim de três semanas de esforço, esta montanha não está sozinha na etapa, pois é a terceira de primeira categoria do dia.
Para o encerramento espera-se uma jornada de consagração do camisola vermelha, novo símbolo de liderança da Vuelta, no ano em que a ronda espanhola cumpre o 75º aniversário.
Etapas
1ª 28.08 Sevilha-Sevilha (CRE) 16,5 km
2ª 29.08 Alcalá de Guadaíra-Marbella 173 km
3ª 30.08 Marbella-Málaga 156 km
4ª 31.08 Málaga-Valdepeñas de Jaén 177 km
5ª 01.09 Guadix-Lorca 194 km
6ª 02.09 Caravaca de la Cruz-Múrcia 144 km
7ª 03.09 Murcia-Orihuela 170 km
8ª 04.09 Villena-Xorret del Catí 188,8 km
9ª 05.09 Calpe-Alcoy 187 km
06.09 Descanso
10ª 07.09 Tarragona-Vilanova i la Geltrú 173,7 km
11ª 08.09 Vilanova i la Geltrú-Andorra (Vallnord/Pal) 208 km
12ª 09.09 Andorra la Vella-Lleida 175 km
13ª 10.09 Rincón de Soto-Burgos 193,7 km
14ª 11.09 Burgos-Peña Cabarga 178,8 km
15ª 12.09 Solares-Lagos de Covadonga 170 km
16ª 13.09 Gijón-Cotobello 179,3 km
14.09 Descanso
17ª 15.09 Peñafiel-Peñafiel (CRI) 46 km
18ª 16.09 Valladolid-Salamanca 153 km
19ª 17.09 Piedrahita-Toledo 200 km
20ª 18.09 San Martín de Valdeiglesias-Bola del Mundo 168,8 km
21ª 19.09 San Sebastián de los Reyes-Madrid 100 km
(em actualização)
A Unipublic, entidade organizador da Volta a Espanha, está a estudar a possibilidade alterar a cor da camisola de líder da Vuelta, noticia esta semana, o semanário espanhol de ciclismo, Meta2Mil. Segundo aquela publicação, a nova camisola de líder poderá ser uma de três opções: a camisola dourada, a camisola vermelha ou, em alternativa, a camisola laranja.
A camisola dourada, usada nos últimos anos, tem a seu favor ser uma escolha de continuidade num contexto no qual é importante vincular símbolos facilmente identificativos e no qual as mudanças são por vezes contestadas e alvo de confusão pelo público.
Já a camisola vermelha, apoia a sua base de escolha no simbolismo que a liga à selecção espanhola e ao futebol, na evocação de uma febre “roja” (vermelha) que varreu o país no último Europeu de Futebol.
Por sua vez, a camisola laranja, recupera a cor da liderança usada na primeira edição da Vuelta, em 1935.
O início de um novo ano é a altura ideal para perspectivar aquilo que a nova época velocipédica tem para nos oferecer. Nesse aspecto, nada melhor do que olharmos para o traçado das três grandes voltas – Giro, Tour e Vuelta -, comparando as opções de cada uma das entidades organizadoras e prevendo os potenciais efeitos que essas escolhas poderão ter no desenrolar das competições. É esse o exercício que o Jornal Ciclismo lhe apresenta para que possa ir sonhando com os grandes duelos de que as estradas europeias serão testemunhas a partir de 9 de Maio, data de arranque da Volta a Itália, aquela que, de acordo com a nossa análise, se apresenta como a mais opulenta das três principais corridas por etapas do globo.
No ano em que comemora os 100 anos desde a fundação, embora a edição a disputar seja apenas a 92ª, devido às interrupções por motivos bélicos, a Volta a itália apresenta-se sob o signo do faustoso. Os nomes de participantes anunciados – Lance Armstrong, Carlos Sastre, Ivan Basso, Denis Menchov, Damiano Cunego, Danilo di Luca, Thor Hushovd, Alessandro Petacchi e Mark Cavendish – apontam para um dos melhores pelotões de sempre. O trabalho de imagem e divulgação está ao nível dos eventos mais mediatizados do mundo, através da junção da marca Giro a outras marcas de prestígio, como é o caso da Dolce & Gabbana (criadores da camisola rosa do centenário) e da Cervélo (desenhou a bicicleta do Giro do centenário). Com todo este envolvimento flamejante de mediatismo, só falta mesmo que a corrida seja grandiosa. O percurso para isso aponta.
Numa comparação de vários itens entre as três grandes corridas internacionais, constata-se que a Volta a Itália 2009 ganha em todos esses aspectos. Será a volta com mais chegadas em alto – embora em igualdade com a Vuelta, ambas com 5 -, vai ser a corrida com o maior contra-relógio individual (61,7 km), aquela em que mais quilómetros se somarão de luta em solitário e também em equipa contra o tempo, é ainda a prova com maior quilometragem total e a volta com mais etapas a contabilizarem 200 ou mais quilómetros. Se tudo isto será suficiente para transformar o Giro de 2009 na melhor das três competições primordiais do ciclismo só a estrada o dirá, até porque interessa ver em que condição se apresentarão alguns dos grandes ciclistas que alinharão à partida. Se é certo que os italianos irão correr para ganhar, não é líquido que as estrelas internacionais não estejam apenas a pensar na soma de quilómetros com vista ao grande objectivo que o calendário coloca a seguir… a Volta a França.
O estatuto de maior corrida do mundo está em posse do Tour e nem os sucessivos escândalos de dopagem têm conseguido abalar esse título informal a que ninguém fica indiferente. Muitas vezes acusada de potenciar o recurso a métodos fraudulentos, devido à excessiva dureza das etapas, a organização da Volta a França de 2009, na estrada de 4 a 26 de Julho, resolveu inovar nesse aspecto. Assim, as chegadas em alto serão apenas três e as etapas com 200 ou mais quilómetros resumem-se a quatro (metade do Giro). Mas esta alteração corre o risco de ser apenas cosmética, dado que as características essenciais da corrida irão manter-se. Mesmo com apenas três chegadas em altitude, somar-se-ão outras tiradas repletas de dureza. Se as ligações que atingem os 200 quilómetros são só quatro, devemos acrescentar-lhes seis cuja quilometragem se situa entre os 190 e os 200. Ou seja, há montanha e há etapas longas e desgastantes no cardápio. E que mais haverá?
Desde logo importa destacar uma grande inovação que diz respeito aos contra-relógios. Tradicionalmente o Tour decidia-se na luta do homem contra o tempo, num “crono” colocado na penúltima etapa. Em 2009 isso não irá suceder. O último contra-relógio, de 40 quilómetros, disputa-se a três etapas do final. O que decidirá o vencedor será a chegada ao Mont Ventoux, na véspera da consagração nos Campos Elíseos. No fundo, a organização inova na forma, tentando mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Merece ainda realce o regresso do prólogo, em 2009 mais extenso do que é hábito (15 quilómetros), e do contra-relógio por equipas, 38 quilómetros ao quarto dia de prova.
Se o Tour tem sabido preservar a aura de melhor corrida do mundo, mesmo fustigado pelas mais variadas vicissitudes, a Volta a Espanha tem vindo a perder peso externo e interno, sendo claramente, das três grandes, aquela que menos entusiasmo gera nos adeptos, provocando tantas vezes a desolação de quem vê os corredores a acercarem-se da meta perante ruas desertas de público. A 64ª edição da corrida espanhola, agendada para o período de 29 de Agosto a 20 de Setembro, quer mudar o clima de desinteresse e, para isso, aposta na inovação.
Para ganhar “mercado” exterior, a Vuelta parte de fora de Espanha pela segunda vez na história da corrida, pois a primeira foi em 1997, quando arrancou de Lisboa, numa etapa com final no autódromo do Estoril. Em 2009 será também numa pista de altas velocidades que a prova começa, desta feita no circuito de motociclismo de Assen, Holanda, onde se disputará um curto contra-relógio de 4,5 quilómetros. Seguem-se mais três tiradas fora da Península Ibérica. Serão três dias propícios para um tipo de corredores que, cada vez mais, marca presença nas semanas iniciais da Volta a Espanha: os ciclistas que visam a preparação dos mundiais.
A primeira jornada de descanso surge ao quinto dia e, a partir de então, é altura de seduzir o público interno. Sabendo que o traçado de uma prova de ciclismo funciona como o guião de uma telenovela, sendo a base para que toda a trama se desenrole, captando a atenção do público. Por isso, nada melhor do que criar um guião novo para eliminar os potenciais focos de rotina, causadores de cansaço dos adeptos e, por arrasto, das audiências e dos patrocinadores. E é assim que a organização da Vuelta conseguiu criar um percurso bem durinho sem recorrer às subidas mil vezes vistas dos Pirenéus e das Astúrias. As chegadas em alto serão cinco, o que prova a imensa versatilidade do território espanhol para a promoção do ciclismo. Não haverá contra-relógio colectivo e os individuais, incluindo o prólogo, somam 60,5 quilómetros, menos do que um simples “crono” do Giro. Acresce que as etapas com 200 ou mais quilómetros são apenas três, pelo que se trata de uma edição mesmo ao jeito dos trepadores mais puros.
Ficha Técnica
Giro
Data: 9 a 31 de Maio
Edição: 92ª
Quilometragem total: 3495,5 km
Chegadas em alto: 5
Contra-relógios individuais: 61,7 km + 15,3 km
Contra-relógio colectivo: 20,5 km
Etapas com 200 ou mais quilómetros: 8 (44% das etapas em linha)
Tour
Data: 4 a 26 de Julho
Edição: 96ª
Quilometragem total: 3445 km
Chegadas em alto: 3
Contra-relógios individuais: 15 km + 40 km
Contra-relógio colectivo: 38 km
Etapas com 200 ou mais quilómetros: 4 (22% das etapas em linha)
Vuelta
Data: 29 de Agosto a 20 de Setembro
Edição: 64ª
Quilometragem total: 3266,5 km
Chegadas em alto: 5
Contra-relógios individuais: 4,5 km + 30 km + 15,3 km
Contra-relógio colectivo: 0
Etapas com 200 ou mais quilómetros: 3 (17% das etapas em linha)
Fotos: Unipublic
A 64ª edição da Volta a Espanha, que se disputa entre 29 de Agosto e 20 de Setembro de 2009, foi hoje apresentada. O traçado aponta para uma edição em que os trepadores terão terreno fértil para fazer medrar a sua superioridade, uma vez que abundam as jornadas montanhosas -cinco delas com chegadas em alto – ao passo que os três contra-relógios estão reduzidos a um total de 60,5 quilómetros, menos do que apenas um dos “cronos” do próximo Giro. A Vuelta 2009 tem a particularidade de não contemplar parte das montanhas normalmente ultrapassadas pelo pelotão, já que passa ao largo das dificuldades asturianas e pirenaicas. Ao todo, haverá 3266,5 quilómetros de pedaladas.
A prova arranca na Holanda, no circuito de motociclismo de Assen, com um prólogo de 4,5 quilómetros. Seguem-se mais duas etapas pelas planícies holandesas, antes de uma chegada a Liège, Bélgica, com a parte final a assemelhar-se ao percurso da clássica Liège-Bastogne-Liège. Este começo da Vuelta no Centro da Europa permite que os ciclistas que demandam a corrida espanhola para preparar os mundiais encontrem um terreno à medida dos seus interesses, na altura da competição que mais lhes convém, logo de início, antes da dureza montanhosa.
O ingresso em terras espanholas faz-se após um dia descanso. Correm-se então duas etapas ligeiramente onduladas, ainda ao gosto de quem queira preparar um mundial que também se prevê acidentado, antes de chegarem os dias decisivos. O primeiro acontece na sétima etapa com um contra-relógio de 30 quilómetros com partida e chegada a Valência. O exercício individual é a entrada para uma refeição velocipédica de alto nível que tem logo no dia seguinte o prato principal, uma etapa de 206 quilómetros com quatro contagens de montanha de terceira categoria, duas de segunda e uma especial, esta coincidente com a meta, no Alto de Atavia. A sobremsesa serve-se na jornada posterior, com duas contagens de terceira, quatro de segunda e uma de primeira, na meta, em Xoret de Cati. Os favoritos poderão descansar durante três dias, duas etapas em que as fugas poderão ter alguma preponderância, e o segundo dia de repouso.
A segunda metada de Vuelta começa a matar, contemplando três tiradas com final em alto. A etapa-rainha é aquela que leva os ciclistas de Almería ao Alto de Velefique (1ª categoria), ao longo de 174 quilómetros e duas contagens de primeira e uma de terceira mais aquela que marca o final da jornada. No dia seguinte há nova aventura de altos e baixos, estando o risco colocado na Sierra Nevada, uma contagem de categoria especial. A trilogia montanhosa termina logo na etapa que se segue, cujo final está colocado na Sierra de La Pandera (categoria especial).
A classificação, por esta altura, deve estar mais ou menos definida com um lote muito reduzido de competidores em condições de ambicionarem a camisola dourada final. As armas dos melhores devem voltar a ser esgrimidas na 19ª etapa, entre Ávila e La Granja, que inclui quatro prémios de montanha, o último dos quais, na Navacerrada (1ª categoria), antes da descida para a meta. Os acertos finais irão dar-se no contra-relógio de 26 quilómetros, em Toledo, na véspera da jornada de consagração, que levará os ciclistas para uma viagem até à capital espanhola.
Dia/Etapa/Percurso/Distância
29.08 Etapa 1: Assen-Assen (cri) 4,5 km
30.08 Etapa 2: Assen-Emmen 202 km
31.08 Etapa 3: Zutphen-Venlo 185 km
01.09 Etapa 4: Venlo-Liège 224 km
02.09 Descanso
03.09 Etapa 5: Tarragona-Vinarós 174 km
04.09 Etapa 6: Xátiva-Xátiva 186 km
05.09 Etapa 7: Valência-Valência (cri) 30 km
06.09 Etapa 8: Alzira-Alto de Aitana 206 km
07.09 Etapa 9: Alcoy-Xorret de Cati 186 km
08.09 Etapa 10: Alicante-Múrcia 162 km
09.09 Etapa 11: Múrcia-Caravaca de la Cruz 191 km
10.09 Descanso
11.09 Etapa 12: Almería-Alto de Velefique 174 km
12.09 Etapa 13: Béjar-Sierra Nevada 175 km
13.09 Etapa 14: Granada-La Pandera 157 km
14.09 Etapa 15: Jaén-Córdoba 168 km
15.09 Etapa 16: Córdoba-Puertollano 179 km
16.09 Etapa 17: Ciudad Real-Talavera de la Reina 175 km
17.09 Etapa 18: Talavera de la Reina-Ávila 187 km
18.09 Etapa 19: Ávila-La Granja 174 km
19.09 Etapa 20: Toledo-Toledo (cri) 26 km
O percurso da Volta a Espanha de 2009, nas estradas de 29 de Agosto a 20 de Setembro, foi parcialmente desvendado pelo semanário espanhol Meta 2Mil, na sua edição desta semana. De acordo com aquela publicação, a organização da corrida tem o traçado praticamente definido, estando a trabalhar em duas alternativas possíveis, com graus de selectividade semelhantes.
Certo é que a corrida vai arrancar na Holanda, na pista de motociclismo de Assen. É a segunda vez que a Vuelta começa fora de portas, tendo a estreia forasteira acontecido no autódromo do Estoril, em 1997. Com o início de corrida no centro da Europa, a aproximação a Espanha far-se-á em competição, fora do território castelhano. O Meta 2Mil adianta que se disputarão três jornadas centro-europeias e que, após um dia de descanso, faz-se uma rápida aproximação às dificuldades pirenaicas.
Caso a Unipublic consiga levar avante a sua escolha inicial, os corredores irão enfrentar três tiradas de montanha seguidas, entre a quinta e a sétima etapas. O rosário de dificuldades começará com uma chegada a La Molina, seguindo-se uma jornada com final também em alto em Ordino, concluindo-se a primeira fase de dificuldades com uma crono-escalada até La Rabassa. O jornal espanhol adianta que o crono de montanha e a etapa para La Molina estão garantidas e que apenas a jornada com término em Ordino poderá ser apagada do mapa pela organização.
Após três dias ao jeito de roladores e, provavelmente de sprinters, a Vuelta tem previsto um final de etapa, em subida, para Valdelinares, ainda antes da segunda jornada de repouso. Esta etapa é, contudo, daquelas que ainda não estão seguras, podendo ser trocada por outra com uma ponta final menos exigente. O plano principal da organização, ainda segundo o periódico espanhol, passa por colocar o último contra-relógio da prova, em Albacete, à 14ª etapa. Se tal vier a suceder, a Vuelta acaba por assumir uma configuração semelhante à da próxima Volta a França, que antecipou o tradicional contra-relógio do penúltimo dia, reservando a etapa antes da consagração para uma chegada em alto.
Atendendo ao exercício de antecipação do Meta 2Mil, após o contra-relógio da 14ª etapa, os trepadores terão direito a mais duas chegadas em prémios de montanha. Uma na 16ª tirada, em La Covatilla, e outra na 19ª jornada, na Navacerrada.
A segunda hipótese em estudo, transforma completamente a segunda metade da prova. Desde logo, prevê uma etapa com a meta em altitude, em Aitana, logo na tirada a seguir ao dia de descanso. Seguir-se-iam duas ligações de transição e nova chegada de montanha, na Serra Nevada. Após mais três etapas apareceria a derradeira jornada com final em alto, na Navacerrada, na véspera de um contra-relógio que iria disputar-se em Collado Villalba, antes da etapa de consagração, que está garantida para Madrid.
As certezas existentes apontam para uma Vuelta selectiva, na qual os trepadores terão várias oportunidades para desenvolverem as suas capacidades. Entretanto, resta-nos esperar pela divulgação oficial do traçado, algo que está por semanas.
Foto: Unipublic
Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Santos, o director-desportivo há mais anos em actividade no ciclismo profissional luso fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pelo Boavista ao ciclismo português. Sem medo de criticar a dopagem, José Santos apela a uma mudança de mentalidades.
Como se dá a sua chegada ao ciclismo?
Foi em 1969, já lá vão quase 40 anos. Estive ligado a várias iniciativas: o ciclismo juvenil na Direcção-Geral dos Desportos, a fundação da Associação de Cicloturismo do Norte, também tive uma acção intensa no ciclismo popular. Mais tarde, fundei o Jornal Ciclismo e, durante sete anos, impulsionei o ciclocrosse em Portugal, organizando quase 20 provas por ano. Por contingências várias, não continuei e o ciclocrosse acabou em Portugal. Este ano ainda estudei a hipótese de retomar essa modalidade, mas desisti da ideia, porque não havia equipas nem atletas interessados.
Entretanto, também foi ciclista.
Sim, representei alguns clubes importantes: Coelima, Benfica, FC Porto. Fiz duas voltas a Portugal e concluí-as. Fui campeão nacional de pista, mas foi uma carreira um bocado em diagonal.
Como se dá a sua chegada ao Boavista?
O meu pai era o treinador e eu escrevia n’O Comércio do Porto. Acabou por proporcionar-se a minha entrada para o clube e cá estou há 25 anos.
Fez todo um percurso que fez de si o director-desportivo há mais tempo em actividade no ciclismo profissional português. Que balanço faz e que mudanças se observaram?
É verdade. Já tenho quase 30 voltas a Portugal no currículo. As mudanças não foram muitas. Os problemas que havia mantêm-se. Cheguei a ser seleccionador e director-técnico nacional. As reformas que então foram ensaiadas não tiveram grande repercussão, havendo pouca evolução da modalidade. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização em Portugal.
Isso não evitou que o ciclismo tenha perdido parte substancial da importância pública.
A causa foi a passagem das principais corridas da Empresa do Jornal de Notícias (JN) para uma entidade que não era credível e que não tinha capacidade para suportar o caderno de encargos proposto pela Federação. Além disso, era uma empresa sem capacidade, dentro da sua estrutura, para trabalhar a comunicação, coisa que o Jornal de Notícias fazia. Começou com força, através de transmissões em directo de muitas provas, mas o que é certo é que a maioria dessas corridas já não se realiza. A organização em Portugal dos Campeonatos do Mundo também afastou os média do ciclismo, porque se criou uma situação de descrédito: o país que organizava os Mundiais não os transmitiu pela televisão
Neste período deu-se também uma maior internacionalização das provas portuguesas. Foi positivo?
Não temos capacidade económica para tantas provas internacionais. Eu gostava que as nossas corridas fossem todas internacionais, mas não há suporte para isso e quase todas elas dão prejuízo. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
A ausência de um grande ídolo nacional e a saída de cena dos principais clubes não terão contribuído para a quebra de impacto da modalidade?
Penso que não. A saída do JN é que reduziu o ciclismo a uma actividade como as outras e até com menos importância. O ciclismo tem público, mas o afastamento desse grupo mediático provocou o afastamento de outros órgãos de comunicação social. Acresce que os jornais desportivos são produtos comerciais. A excessiva comercialização do jornalismo também é prejudicial.
Uma discussão cíclica respeita aos alegados benefícios dos clubes tradicionais para o ciclismo. Estando num, o Boavista, sente-se beneficiado ou prejudicado por isso?
Se houvesse mais clubes tradicionais, haveria mais público. Veja-se o caso recente do Benfica que atraiu mais público. No entanto, o inverso também é verdade e este desporto resistiu muitos anos sem os clubes. Toda a modalidade que não tenha Benfica, FC Porto e Sporting sofre com dificuldades de público e de exposição mediática.
As dificuldades financeiras do Boavista têm-se reflectido na equipa de ciclismo?
Para já, não, embora tenha alguma apreensão relativamente ao futuro. Fruto de uma gestão bastante equilibrada, temos os vencimentos todos em dia e toda a estrutura controlada. Isto foi conseguido com grande sacrifício e rigor. Mas o clube não estando bem, a secção pode vir a sofrer. A angariação de patrocinadores pode ser dificultada, porque a percepção pública da credibilidade da instituição não é a melhor.
A gestão equilibrada de que falava fez com que a equipa de ciclismo tenha mudado de objectivos constantemente, da equipa vencedora do início da década de 1990 até a desempenhos recentes mais comedidos. É fácil fazer essa transição de ambições?
Para quem gosta de ciclismo é natural. Eu gosto mais de ciclismo do que de vitórias. Somos das equipas mais antigas, porque sabemos o orçamento que temos e é com essas verbas que temos de viver, melhor nuns anos do que noutros. Quando temos ciclistas cujo vencimento ultrapassa as nossas possibilidades deixamo-los sair. Fomos a equipa portuguesa que maiores valores lançou no ciclismo nacional e internacional: José Azevedo, Jose Luis Rebollo, Josep Jufre, David Bernabeu, Adrian Palomares, Manuel Cardoso, por exemplo. Todos eles se iniciaram como profissionais no Boavista.
Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: o Cássio Freitas e o Joaquim Gomes. Ultimamente, o Tiago Machado, o José Azevedo ou o Pedro Silva também deixaram a sua marca. O Azevedo não fez aqui grande história, embora tenha cá passado os dois anos que considero mais importantes na carreira dele, porque as duas primeiras épocas como profissional são fundamentais.
Apesar das oscilações orçamentais, o palmarés é bastante preenchido.
Vencemos todas as provas nacionais. A dada altura só nos faltava o Porto-Lisboa e a Volta ao Alentejo, mas até essas corridas ganhámos. A nível internacional, estivemos presentes em algumas das principais competições: Volta a Espanha, Critério Internacional, Dauphiné Libèrè, Volta a França do Futuro, que vencemos por equipas…
Uma série de corredores que passaram pelo clube têm hoje tarefas de gestão de equipas de sub-23. Há no Boavista o cuidado de formar os atletas para que, finda a carreira, possam continuar na modalidade?
Sempre tivemos uma política de debate com os ciclistas. Não é por acaso que o Delmino Pereira é presidente-adjunto da Federação, que o Paulo Couto dirige a APCP e uma equipa, o Fernando Mota e o Pedro Silva estão à frente de equipas… Incentivamos a colocarem de pé alguns projectos. É importante o técnico dialogar com os corredores, espicaçando-os para a discussão. Provoco o debate e isso é importante como formação para que quem ganhou dinheiro com o ciclismo possa servir depois da modalidade com novos projectos.
Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008
Héctor Guerra conquistou a Volta ao Alentejo de forma exemplar, mostando-se mais forte do que os adversários mais directos nas duas etapas decisivas, o contra-relógio e a jornada de montanha. Para o futuro imediato, planeia preparar-se com afinco para atacar a Volta a Portugal. Em termos de carreira, lutará para um dia disputar a Volta a Espanha, ambição natural num corredor nascido do lado de lá da fronteira.
Depois do excelente desempenho no contra-relógio, confirmou a vitória na Volta ao Alentejo na etapa do dia seguinte. Como correu esse dia?
A etapa foi muito rápida. O final do percurso era muito duro. Na subida para o Cabeço de Mouro a LA-MSS acelerou muito o ritmo. No final, conseguimos manter a camisola amarela. O Koldo Gil fez uma óptimo trabalho na última subida e eu vinha a controlar o esforço e os tempos da fuga.
Não se preocupou com o avanço que o Bruno Pires conseguiu a dada altura?
O Bruno Pires chegou a ter minuto e meio de vantagem, mas eu tinha as referências de tempo. Era uma questão de arrancar mais tarde ou mais cedo. O Américo Silva comunicou-me que, a faltar um quilómetro, a diferença era de apenas um minuto e então esperei pelos 200 metros finais para atacar.
Esta vitória tem dedicatória especial?
É para a minha família e para a equipa que fez um trabalho impressionante.
Após bons desempenhos no Algarve, em Santarém e da vitória em Llodio, o triunfo no Alentejo.
É uma vitória muito importante. Já vem com uns anos de atraso, porque na altura não me deixaram vencer . Agora todos vêem os “cronos” que tenho feito, durante vários anos e ao longo da toda a época. Não guardo ressentimentos, são coisas que acontecem. Há que esquecer isso e saborear a vitória de 2008.
A Volta ao Alentejo será um prenúncio do que poderemos ver na Volta a Portugal?
A Volta é só em Agosto, ainda falta muito. Vou tirar uns dias de férias e depois voltarei a trabalhar intensamente para tentar conquistar a Volta a Portugal, que é a única corrida que tenho de ganhar este ano.
A responsabilidade de ter ganho no Alentejo é sua, porque a equipa queria que já tivesse parado depois da Volta ao Distrito de Santarém.
É a minha forma de estar no ciclismo. Quero tentar ganhar o máximo de corridas que consiga e é para isso que trabalho. Sentia-me bem e fiz questão de estar no Alentejo.
A preparação de pré-temporada, muito baseada no BTT e no ciclocrosse foi determinante para o bom arranque de época?
O início de época foi muito complicada. O meu pai teve um acidente bastante grave e passou um mês internado no hospital. Estive com ele, sempre a acompanhá-lo, e não pude treinar muito. Mal ele recuperou, dediquei-me intensamente ao trabalho. Fiz BTT e ciclocrosse, mais porque gosto dessas variantes do ciclismo. Acabou por ser muito bom para o meu desempenho na estrada e os resultados estão aí a prová-lo.
No imediato, pretende lutar pela Volta a Portugal já este ano. A nível de carreira, quais os grandes desejos que transporta?
Depois de ganhar a Volta a Portugal, queria muito correr a Volta a Espanha. Não podemos esquecer que sou espanhol e a Vuelta é a principal prova do meu país. Como está o ciclismo na actualidade, é pena que a Liberty Seguros não possa ser convidada para a Volta a Espanha. Fico-me, para já, com a Volta a Portugal, de que gosto muito.
Como vê o actual estado do ciclismo espanhol?
Está a passar por momentos muito complicados. Acho que em pouco tempo terá de mudar. De outra forma, o ciclismo profissional acaba por morrer no meu país. Estou convencido de que ficará melhor, porque é um desporto espectacular e tem muitos adeptos. Só pode melhorar.
Podemos dizer que o ciclismo português conseguiu melhorar muito relativamente ao espanhol?
Sim, o ciclismo português está a viver dias muito bons e está a apanhar o ciclismo espanhol. Mas o que todos desejamos é que a modalidade melhore tanto de um lado como do outro da fronteira, igualando-se ao ciclismo do resto da Europa.
Tem a ambição de chegar a uma equipa ProTour?
A minha intenção é fazer o melhor possível na Liberty Seguros, que me trata de forma espectacular. De futuro, não sei o que será da minha carreira. Neste momento, estou apenas concentrado em preparar-me para ganhar a Volta a Portugal.
Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 18 de Abril de 2008
No hall do hotel escuta-se, vindo do restaurante, um grupo de vozes a cantar em inglês o tradicional “Parabéns a Você”. De seguida, cantam também em francês e há-de chegar a vez do basco, do castelhano e do português. A estrela do momento é Rubén Plaza, líder da Volta à Comunidade Valenciana, mas o coro de cantores – musicalmente muito frouxos, há que dizê-lo – não é formado apenas por ciclistas do Benfica, mas também por corredores da Slipstream e da Cofidis. As três equipas estão alojadas no mesmo hotel e depois da cena rendem o seu particular tributo ao camisola amarela, um ciclista que nesse dia cumpria 28 anos e que nesta altura, já se sabe, venceu a corrida da sua região.
O alicantino sai minutos mais tarde do restaurante do hotel para conversar placidamente sobre a Volta à Comunidade Valenciana, mas também sobre outras questões, especialmente sobre como está a correr a sua adaptação ao ciclismo português. A entrevista é acabada já depois do seu triunfo final, em Valência, mas a maior parte das reflexões de Plaza são dadas a conhecer antes de confirmar a vitória.
Como sub-23 e profissional só militaste en duas equipas: Banesto (ou Caisse d’Epargne) e Kelme (ou Comunitat Valenciana). Como te sentes no Benfica?
Não sou dado a ir mudando de equipa. Dos 18 aos 28 anos estive apenas em duas estruturas, a de Unzue e a de Belda. Mas no Benfica sinto-me muito bem desde o primeiro dia. Para mim foi importante o que ocorreu numa das concentrações da equipa.
A que te referes?
O dia de aniversário do manager, Justino Curto. Convidou os ciclistas e os seus amigos para comer. Prepararam um porco assado e viveu-se um dia harmonioso. Então compreendi que no Benfica ia sentir-me bem, porque sou uma pessoa que pode parecer tímida e reservada, mas que agradece esse tratamento humano e familiar.
O que mais te surpreendeu no Benfica?
Somos apenas 16 ciclistas e eu estava habituado a plantéis muito mais amplos, nos quais há corredores com quem coincides poucas vezes por ano. Aqui não sucede isso, mas o que mais me surpreendeu foi o nível que se encontra na estrada. Ao Azevedo e ao Barbosa todos conhecemos, mas há que realçar o grupo humano criado pelo Orlando Rodrigues e pelo Justino Curto: mecânicos, massagistas e todo o pessoal de apoio. Somo 16 ciclistas, mas temos meios técnicos (bicicletas, autocarros…) e, sobretudo, recursos humanos que não devem nada aos do ProTour.
Olhando para a vertente desportiva, esperavas vencer tão cedo?
Se aprendi algo foi a não fazer planos, aproveitar um dia de cada vez e não pensar no amanhã. O melhor exemplo é o que ocorreu esta temporada: contava ter uma grande actuação na Volta ao Algarve, até ganhá-la, mas afinal ganhei a Volta à Comunidade Valenciana, uma corrida que, em princípio, nem sequer sabia se iria correr. Para que serve fazer planos?
Mas o Orlando Rodrigues havia dito que o Rubén Plaza não começaria muito forte. Fez bluff?
(Plaza sorri antes de responder). Não, não… O que se passa é que fui operado a um joelho neste Inverno e, à partida, não conseguiria estar em forma em Fevereiro. No entanto, a recuperação foi muitíssimo melhor do que pensávamos e, além do mais, tenho alguma facilidade de ganhar a forma, pelo que já fomos para o Algarve pensando em disputar o contra-relógio e em ganhar a geral. Teria sido muito bonito, mas não aconteceu. Segui do Algarve para a volta à minha terra sabendo que estava boa forma, porque as minhas sensações eram muito boas, mas achava que sem um contra-relógio seria muito difícil ganhar. Afinal, encontrei-me com a vitória.
Na etapa de Ibi, a tua terra, houve uma confusão com o grupo do líder. Os fugitivos foram pela estrada correcta e os perseguidores por uma via paralela. Foi determinante?
Nesse dia passaram-se muitas coisas antes e depois desse cruzamento e não gostava que fossem esquecidas. Antes houve uma montanha de dez quilómetros em que havia bonificações. Ataquei duas vezes e acabei vendo-me isolado e bonificado. Passámos com pouco mais de seis segundos sobre o pelotão e no momento da confusão no cruzamento tínhamo 20. Além disso, nós e eles percorremos a mesma distância, mas nós tivemos de subir duas encostas muito duras que não existiam na auto-estrada. Por outro lado, cortámos a meta com 21 segundos de avanço quando o mais lógico era terem-nos alcançado e até ultrapassado. Por tudo isto não gostaria que só se falasse no engano de caminho. Eles podem pensar que nos apanhariam com facilidade e eu penso o contrário. O que me fica é a sensação de ganhar na minha terra ante a minha gente. Foi um dia inesquecível, daqueles com que sempre sonhei. O resto já esqueci.
E o que pensas que representa esta vitória para o Benfica?
Essa é outra diferença entre estar no Benfica ou numa equipa ProToir. Na Caisse d’Epargne, que ganhou o Tour mais de meia dezena de vezes, vences a Volta à Comunidade Valenciana e há alegria mas nunca euforia. É normal e compreensível. No Benfica vive-se de outra maneira. Vibrei com a alegria do Orlando e do Justino. Vês a importância que eles dão à vitória e isso faz-me mais feliz a mim. Além do mais, há 29 anos que um valenciano não ganhava esta volta.
E este ano tiveram de pedir autorização para havia excesso de equipas ProTour que podiam convidar. Participaram 10 ProTour e sete não ProTour.
Sim, o nível era altíssimo. Portanto, foi uma maneira de mostrar-me a mim mas também para mostrar a qualidade da equipa do Benfica. Na geral colectiva, ficámos em terceiro. E a minha vitória não foi um triunfo individual: os companheiros ajudaram-me de princípio ao fim. Deixámos um grande cartão de visita internacionalmente, espero que nos sirva para que nos convidem para a Volta a Espanha.
Quais os teus próximos objectivos?
Não sei. Tenho várias opções: Santarém, Castela e Leão e Alentejo. Em todas há contra-relógio e suponho que nos próximos dias falarei com o Orlando Rodrigues e decidiremos. Ele dá-me total liberdade de decidir o calendário, mas faz valer as suas ideias. E fá-lo tão racionalmente que não há discussão possível. Assim, irei onde disser o Orlando Rodrigues.
E qual o objectivo para 2008?
Tinha dois. O primeiro era ganhar uma volta no princípio da temporada. E, do meu ponto de vista, vencemos a melhor de todas: a da minha terra. O outro objectivo, logicamente, tem de ser a Volta a Portugal.
E a Volta a Espanha?
Quando assinei pelo Benfica fi-lo com todas as consequências e assumindo que para a equipa a Volta a Portugal é prioritária até sobre a Volta a Espanha. Outra coisa é que adoraria correr a Volta a Espanha, mas assumo que o objectivo é a Volta a Portugal.
Nessa corrida coincides com Cândido Barbosa e com José Azevedo. Três líderes são de mais?
Não haverá problemas. Nas equipas nunca se discute por excesso de qualidade. Discute-se por falta de inteligência. Podes ter três bons ciclistas ou até nove corredores muito bons que podem ganhar a mesma prova. É igual. O importante, quando as coisas correrem bem ou quando surgir algum problema não é que sejam bons ou maus, mas que sejam inteligentes ou tontos, generosos ou egoístas. Com Azevedo e com Barbosa de certeza não haverá problemas. Azevedo é um cavalheiro do ciclismo e a Barbosa conheço desde a Banesto e sempre fomos amigos, pelo que não haverá atrito entre nós.
Trabalho de Jorge Quintana, publicado em 7 de Março de 2008