O colombiano Nairo Quintana terminou em beleza a Volta a França do Futuro ao levar de vencida a sétima e última etapa da prova, um contra-relógio individual de 13,5 quilómetros na subida de primeira categoria entre Guillestre e Risoul. Quintana suplantou, na geral individual, o norte-americano Andrew Talansky (a 1m44) e o compatriota Jarlison Gomez (3º, a 1m55s). O português Nélson Oliveira terminou a sua prestação da Volta a França do Futuro conseguindo o 11º lugar no contra-relógio. Numa prova pouco favorável às suas características de contra-relogista, Oliveira gastou mais 2m28s do que o vencedor terminando a corrida na 16ª posição (a 7m25s) subindo um lugar na última etapa. Já Guilherme Lourenço terminou a corrida na 37ª posição, a 41m46s depois de ter sido 64º no contra-relógio individual.
Foto: ASO/P. Perreve
O colombiano Nairo Quintana venceu hoje a sexta e penúltima etapa da Volta a França do Futuro e ascendeu ao comando da geral individual, desapossando o belga Yannick Eijssen, 21,º na tirada, da camisola amarela. A viagem de 204 quilómetros, entre Saillans e Risoul, terminou numa subida de primeira categoria, depois de ter atravessado outra montanha de primeira, uma de segunda e três de terceira. Foi o cenário ideal para a demonstração de força da armada colombiana, que não perdoa quando as estradas empinam e que nesta jornada colocou três representantes nos nove primeiros da etapa e um trio no top 5 da geral.
A etapa foi demolidora para as aspirações portuguesas, já que nenhum ciclista luso ficou nos 20 primeiros. O melhor voltou a ser Nelson Oliveira, 22.º classificado, a 3m58s do vencedor, uma prestação que lhe valeu a manutenção do 17.º posto da geral individual, agora a 4m57s de Quintana. Amaro Antunes não resistiu às mazelas adquiridas nas quedas dos dias anteriores e desistiu. Guilherme Lourenço é o único elemento que acompanha Nelson Oliveira, estando na 35.ª posição.
A Volta a França do Futuro termina neste domingo com uma crono-escalada de 13,5 quilómetros, entre Guillestre e Risoul, terminando no mesmo local onde finalizou a tirada de hoje, em plenos Alpes.
CLASSIFICAÇÕES
6.ª Etapa: Saillans – Risoul, 204 km
1º Nairo Quintana (Colômbia), 5h44m31s
2º Andrew Talansky (EUA), a 39s
3º Mikel Landa (Espanha), mt
4º Darwin Atapuma (Colômbia), a 41s
5º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 43s
6º Michael Matthews (Austrália), a 1m34s
7º Wilco Kelderman (Holanda), a 1m38s
8º Higinio Fernández (Espanha), mt
9º Jarlinson Pantano (Colômbia), mt
10º Dmitriy Ignatyev (Rússia), mt
22º Nelson Oliveira (Portugal), a 3m58s
41º Guilherme Lourenço (Portugal), a 15m10s
Geral Individual
1º Nairo Quintana (Colômbia), 26h15m46s
2º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 20s
3º Jarlinson Pantano (Colômbia), a 38s
4º Mikel Landa (Espanha), a 41s
5º Darwin Atapuma (Colômbia), a 49s
6º Andrew Talansky (EUA), a 57s
7º Romain Bardet (França B), a 1m07s
8º David Rosch (Alemanha), a 1m16ss
9º Thomas Bonnin (França A), a 1m35s
10º Higinio Fernández (Espanha), a 1m54s
17º Nelson Oliveira (Portugal), a 4m57s
35º Guilherme Lourenço (Portugal), a 35m54s
Foto: ASO/P. Perreve
O português Nelson Oliveira foi hoje o terceiro classificado na quinta etapa da Volta a França do Futuro, ganha pelo alemão John Degenkolb, um dos companheiros de escapada do corredor luso. O belga Yannick Eijssen conserva a camisola amarela.
Se o dia correu bem a Nelson Oliveira, foi mais uma jornada de pesadelo para Amaro Antunes. O algarvio sofreu duas quedas durante a viagem, somando muitas escoriações às marcas que já trazia no corpo desde a terceira etapa. O trepador luso caiu antes do quilómetro 40 e voltou a arrastar o corpo pelo asfalto perto da entrada nos derradeiros dez quilómetros. Depois do banho no hotel, Amaro Antunes regressa ao hospital, pois há feridas que podem necessitar de sutura, especialmente um golpe no queixo. Joni Brandão e Domingos Gonçalves também não têm motivos de satisfação, uma vez que desistiram.
Em declarações ao Jornal Ciclismo, o seleccionador nacional, José Poeira, adiantara, no final da terceira etapa, que Nelson Oliveira iria tentar recuperar numa fuga algum do tempo perdido na montanha. O chefe-de-fila português não desiludiu os planos do técnico e hoje conseguiu cortar a meta, em Loriol-sur-Drôme, com 38 segundos de vantagem sobre o grupo principal, o que lhe permitiu ascender à 17.ª posição da geral, a 2m16s do primeiro e apenas a 51 segundos do décimo, o que deixa em aberto a entrada nos dez melhores, que é o objectivo nacional.
A corrida começou a tomar forma pouco depois da saída de Vals-les-Bains. Ainda não estavam percorridos 30 dos 153 quilómetros da jornada quando Nelson Oliveira partiu do pelotão na companhia de John Degenkolb (Alemanha), Yoann Barbas (França B), Jesús Herrada (Espanha), Benjamin King (Austrália), Jan Tratnik (Eslovénia) e Arkimedes Arguelyes (Rússia). A entreajuda dos fugitivos contou com a oposição do pelotão, onde se deu uma conjugação de esforços de três selecções. “Os belgas defendiam a camisola amarela de Yannick Eijssen, os holandeses tentavam anular a iniciativa devido à presença de um esloveno, rival directo na classificação da Taça das Nações, e os britânicos não se percebeu o que procuravam”, explica José Poeira.
O labor do pelotão esteve prestes a acabar com a fuga, mas os homens mais fortes da frente da corrida insistiram na subida de terceira categoria, instalada a 12,5 quilómetros da meta, e lograram recuperar vantagem, batendo os perseguidores. Na disputa da tirada, John Degenkolb foi o mais veloz, bisando na corrida, pois já vencera a primeira etapa. Jesús Herrada foi segundo e Nelson Oliveira terceiro, com o português a um segundo do alemão. O grupo dos favoritos chegou 39 segundos após o primeiro.
Na geral, Yannick Eijssen continua à frente, com 17 segundos sobre os adversários mais directos, o francês Romain Bardet e o colombiano Jarlisson Pantano.
“Foi pena mais estas azares do Amaro Antunes, que só não está a lutar pelos primeiros lugares por causa das quedas. Quanto ao Nelson Oliveira fez uma excelente corrida, numa etapa demolidora, porque foi atacada desde o quilómetro inicial e porque atravessou subidas duras e descidas muito perigosas”, avalia José Poeira, que assistiu, tal como toda a caravana, a uma situação insólita. Sensivelmente a meio do percurso, uma árvore tombou sobre a estrada. Os fugitivos ainda conseguiram contornar o obstáculo, mas o pelotão ficou retido. Por via disso, a corrida esteve interrompida. Quando foi retomada, os escapados partiram 1m20s antes do pelotão, vantagem que detinham no momento da interrupção.
As duas etapas que faltam para o final da Volta a França do Futuro são duríssimas. Amanhã corre-se a sexta tirada, 204 quilómetros entre Saillans e Risoul. A meta coincide com um prémio de montanha de primeira categoria, mas toda a viagem é ondulada, contando com mais uma subida de primeira, uma de segunda e três de terceira. Tudo isto na véspera de uma crono-escalada de 13,5 quilómetros que irá decidir a competição.
CLASSIFICAÇÕES
5.ª Etapa: Vals-les-Bains – Loriol sur Drôme, 153 km
1º John Degenkolb (Alemanha), 4h01m13s
2º Jesús Herrada (Espanha), mt
3º Nelson Oliveira (Portugal), a 1s
4º Benjamin King (Austrália), mt
5º Jan Tratnik (Eslovénia), mt
6º Michael Matthews (Austrália), a 38s8
7º Luke Rowe (Grã-Bretanha), a 39s
8º Sylvester Jansewski (Polónia), mt
9º Blaz Furdi (Eslovénia), mt
10º Vicente García de Mateos (Espanha), mt
48º Amaro Antunes (Portugal), a 1m57s
49º Guilherme Lourenço (Portugal), mt
Geral Individual
1º Yannick Eijssen (Bélgica), 20h29m58s
2º Romain Bardet (França B), 17s
3º Jarlinson Pantano (Colômbia), mt
4º David Rosch (Alemanha), a 45s
5º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 54s
6º John Degenkolb (Alemanha), a 1m05s
7º Thomas Bonnin (França A), a 1m14s
8º Nairo Quintana (Colômbia), a 1m17s
9º Mikel Landa (Espanha), a 1m19s
10º Darwin Atapuma (Colômbia), a 1m25s
17º Nelson Oliveira (Portugal), a 2m16s
21º Amaro Antunes (Portugal), a 6m16s
42º Guilherme Lourenço (Portugal), a 22m01s
Foto: ASO/P. Perreve
O francês Romain Hardy venceu a quarta etapa da Volta a França do Futuro, graças a uma fuga consentida pelo pelotão, onde chegou integrado o belga Yannick Eijssen, que manteve a camisola amarela. Nelson Oliveira voltou a ser o melhor português na tirada, chegando também no pelotão principal, em 20.º, a 2m06s do vencedor, e subiu um posto na geral, ocupando a vigésima posição, a 2m54s do comandante.
Após a dura montanha da véspera, o pelotão abordou os 183 quilómetros entre Ambert e Vals-les-Bains dando permissão a corredores atrasados para conquistarem o seu quinhão de protagonismo. Os franceses Romain Hardy e Romain Bardet e o alemão David Rosch não se fizeram rogados. Atacaram, consolidaram a iniciativa atacante e discutira entre si o triunfo na etapa. Os dois gauleses foram mais rápidos e ocuparam os dois lugares cimeiros. O pelotão chegou 2m06s mais tarde do que os homens do dia.
O mais beneficiado com a fuga foi Romain Bardet, que subiu do 17.º ao segundo lugar na geral individual, colocando-se a 17 segundos de Yannick Eijssen. Também a 17 segundos, na terceira posição, encontra-se o colombiano Jarlinson Pantano.
A selecção portuguesa, décima classificada entre as vinte participantes, perdeu hoje um elemento. Bruno Silva, muito massacrado pelas quedas das duas primeiras tiradas em linha, abandonou. Em contrapartida, Amaro Antunes continua em prova, tendo mesmo subido a 21.º da geral, apesar da queda de ontem, que o obrigou a ir ao hospital fazer exames.
A quinta etapa, 153 quilómetros entre Vals-les-Bains e Loriol-sur-Drôme, não apresenta grande dificuldade orográfica, mas conta com uma subida de terceira categoria, a 12,5 quilómetros da meta, que poderá ser o obstáculo ideal para montar uma emboscada.
CLASSIFICAÇÕES
4.ª Etapa: Ambert – Vals-les-Bains, 183 km
1º Romain Hardy (França A), 4h33m53s
2º Romain Bardet (França B), mt
3º David Rosch (Alemanha), mt
4º Jean Lou Paiani (França B), a 2m00s
5º Michaek Matthews (Austrália), a 2m06s
6º John Degenkolb (Alemanha), mt
7º Luke Rowe (Grã-Bretanha), mt
8º Sylvester Jansewski (Polónia), mt
9º Alexei Tsatchev (Rússia), mt
10º Marko Kump Eslovénia), mt
20º Nelson Oliveira (Portugal), mt
48º Amaro Antunes (Portugal), a 2m32s
52º Guilherme Lourenço (Portugal), a 4m09s
99º Joni Brandão (Portugal), a 30m28s
104º Domingos Gonçalves (Portugal), mt
Geral Individual
1º Yannick Eijssen (Bélgica), 15h28m06s
2º Romain Bardet (França B), 17s
3º Jarlinson Pantano (Colômbia), mt
4º David Rosch (Alemanha), a 45s
5º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 54s
6º Thomas Bonnin (França A), a 1m14s
7º Nairo Quintana (Colômbia), a 1m17s
8º Mikel Landa (Espanha), a 1m19s
9º Darwin Atapuma (Colômbia), a 1m25s
10º Higino Fernández (Espanha), a 1m33s
20º Nelson Oliveira (Portugal), a 2m54s
21º Amaro Antunes (Portugal), a 4m58s
52º Guilherme Lourenço (Portugal), a 20m43s
103º Joni Brandão (Portugal), a 52m55s
104º Domingos Gonçalves (Portugal), a 54m26s
Foto: ASO
O belga Yannick Eijssen ganhou isolado a terceira etapa da Volta a França do Futuro e assumiu o comando da geral individual, depois de percorridos os 157 quilómetros que hoje ligaram Saint-Pourçain-sur-Sioule à contagem de montanha de primeira categoria instalada no Col du Béal. Os portugueses não resistiram às dificuldades, tendo Nelson Oliveira caído da quinta para a 21.ª posição, estando agora a 2m54s da camisola amarela.
Os últimos 40 quilómetros da tirada foram demolidores, primeiro com a subida de segunda categoria para o Col du Chansert, a que se seguiu uma sinuosa descida que levou os corredores à base do Col du Béal, uma subida de 13,5 quilómetros até à meta. Neste terreno, Yannick Eijssen, reforço da BMC para 2011, mostrou por que é considerado um dos mais prometedores trepadores do pelotão sub-23 europeu, superiorizando-se a todos os adversários, incluindo aos colombianos, que colocaram três homens nos nove melhores da etapa.
Yannick Eijssen venceu com 21 segundos de vantagem sobre o colombiano Darwin Atapuma, segundo, e com 26 segundos para o estadunidense Andrew Talansky. O melhor português nesta viagem voltou a ser Nelson Oliveira, que não foi além do 22.º posto, a 3m17s. A montanha revolucionou a classificação, estando Eijssen na frente. O colombiano Jarlinson Pantano, a 17 segundos, e o holandês Tom Jelte Slagter, a 54 segundos, ocupam as posições seguintes. O melhor luso é Nelson Oliveira, 21.º, a 2m54s.
As quedas continuam a perseguir a selecção portuguesa. Hoje foi a vez do algarvio Amaro Antunes ir ao solo, ainda antes de percorridos os primeiros dez quilómetros, numa fase em que se formavam “bordures”. O trepador luso ficou muito dorido, com várias escoriações. Antes do jantar, Amaro Antunes será transportado ao hospital para fazer uma radiografia à mão esquerda, da qual o corredor está muito queixoso.
Se o desempenho de Amaro Antunes ficou prejudicado pelo acidente, a prestação de Nelson Oliveira também não correspondeu às expectativas. Apesar disso, o seleccionador nacional, José Poeira, mantém a esperança de colocar o vice-campeão mundial de contra-relógio no top-10. “As diferenças já são significativas, mas acreditamos que é possível melhorar a classificação e chegar aos dez primeiros. É possível que o Nelson consiga entrar numa fuga e ganhar algum tempo e não é de excluir que na outra chegada em alto esteja num dia bom, ao contrário do que aconteceu hoje. E no final ainda tem o contra-relógio”, afirma o técnico.
O pelotão vai percorrer amanhã 183 quilómetros, pedalando desde Ambert até Vals-les-Bains. Cinco contagens de montanha de terceira categoria e uma de quarta polvilham o percurso de dificuldades.
CLASSIFICAÇÕES
3.ª Etapa: Saint-Pourçain-sur-Sioule – Col du Béal, 157 km
1º Yannick Eijssen (Bélgica), 4h11m48s
2º Darwin Atapuma (Colômbia), a 21s
3º Andrew Talansky (EUA), a 26s
4º Jarlinson Pantano (Colômbia), a 33s
5º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 56s
6º Mikel Landa (Espanha), a 1m04s
7º Thomas Bonnin (França A), a 1m08s
8º Timothy Roe (Austrália), a 1m16s
9º Nairo Quintana (Colômbia), a 1m34s
10º Higino Fernández (Espanha), a 1m34s
22º Nelson Oliveira (Portugal), a 3m17s
24º Amaro Antunes (Portugal), a 4m21s
56º Bruno Silva (Portugal), a 17m14s
58º Guilherme Lourenço (Portugal), mt
75º Joni Brandão (Portugal), a 21m36s
93º Domingos Gonçalves (Portugal), a 23m36s
Geral Individual
1º Yannick Eijssen (Bélgica), 11h52m07s
2º Jarlinson Pantano (Colômbia), a 17s
3º Tom Jelte Slagter (Holanda), a 54s
4º Timothy Roe (Austrália), a 1m10s
5º Thomas Bonnin (França A), a 1m14s
6º Nairo Quintana (Colômbia), a 1m17s
7º Mikel Landa (Espanha), a 1m19s
8º Darwin Atapuma (Colômbia), a 1m25s
9º Higino Fernández (Espanha), a 1m33s
10º Andrew Talansky (EUA), a 1m35s
21º Nelson Oliveira (Portugal), a 2m54s
24º Amaro Antunes (Portugal), a 4m32s
62º Bruno Silva (Portugal), a 18m20s
66º Guilherme Lourenço (Portugal), a 18m40s
88º Joni Brandão (Portugal), a 24m33s
90º Domingos Gonçalves (Portugal), a 26m04s
Foto: ASO
O português Nelson Oliveira aproveitou a segunda etapa da Volta a França do Futuro para subir à quinta posição da geral individual, a 21 segundos do britânico Alex Dowsett, que é o novo camisola amarela. Oliveira foi o 29.º na tirada, ganha pelo francês Anthony Delaplace, ao cabo dos 150,5 quilómetros, percorridos entre Saint-Amand-Montrond e Cusset. Queda atira Taylor Phinney (EUA) da primeira para a última posição da geral.
A tirada ficou marcada pela chuva e por uma fuga madrugadora que deu frutos. Com apenas dez quilómetros percorridos, três corredores abalaram do pelotão. Anthony Delaplace (França A), Bert-jan Lindeman (Holanda) e Jorgensen (Dinamarca) arriscaram e lutaram contra o mau tempo, as dificuldades da estrada e a perseguição movida pelas selecções dos Estados Unidos e da Austrália.
Com cinco prémios de montanha – todos de terceira e de quarta categoria – nos últimos 45 quilómetros, previa-se vida difícil para os fugitivos, que chegaram a ter 2m45s. O dinamarquês acabou mesmo por não ter pernas para seguir com Delaplace e com Lindeman, devido a uma queda. Mas o francês e o holandês conseguiram manter uma ligeira vantagem que lhes permitiu adiantados, com destaque para o homem da casa, que se impôs com cinco segundos de vantagem sobre o companheiro de aventura.
O sucesso da fuga esteve intimamente ligado às muitas quedas que se sucederam nas estreitas e sujas estradas de montanha dos últimos quilómetros. A estrada molhada e as folhas tombadas fizeram do asfalto uma armadilha. O mais prejudicado foi o camisola amarela à partida. Taylor Phinney caiu, foi o último na tirada, cedendo 19m10s, e desceu de primeiro para lanterna vermelha da competição. O português Bruno Silva, que já ontem batera com o corpo no chão, também tombou. Mais sorte teve Amaro Antunes, que furou já dentro dos derradeiros três quilómetros, sendo-lhe atribuído o tempo do grupo principal.
“Esta etapa teve muitas quedas. Além da colocação e da capacidade física, estar na frente dependeu da sorte. Em estradas estreitas, se alguém vai ao chão, os que estão próximos não conseguem desviar-se e acabam também por sofrer acidentes ou, no mínimo, por ficar presos nos ‘cortes’. O Bruno Silva está num bom momento, mas o azar persegue-o. Caiu ontem e hoje também. O Amaro Antunes está bem colocado e o Nelson Oliveira tem correspondido às expectativas, conseguindo manter-se na frente nos momentos decisivos”, avalia o seleccionador nacional, José Poeira.
Amanhã corre-se a terceira etapa, primeira com final em alto. A caravana vai deslocar-se de Saint-Pourçain-sur-Sioule para o Col du Béal, numa estirada de 157 quilómetros. Duas contagens de montanha de terceira categoria sensivelmente a meio da jornada não deverão fazer mossa, ao contrário das duas subidas finais. As escaladas decisivas são o Col du Chansert (2.ª categoria, km 129), que está separado por uma sinuosa descida du Col du Béal, primeira categoria, coincidente com a chegada.
“Vai ser um dia muito duro, até porque a chuva voltará a marcar presença, prevendo-se até que com maior intensidade do que hoje e ontem. A fase final vai estabelecer as primeiras diferenças significativas. Os nossos corredores estão bem. Acredito que sairemos desta jornada na luta pelos postos cimeiros. A selecção colombiana aparenta ter ambições e amanhã é de crer que ataque a corrida. Para nós seria bom que chegassem à camisola amarela. Desse modo queimariam energia nos dias seguintes, defendendo a liderança, acabando por ficar mais fragilizados para as duas últimas etapas”, afirma José Poeira.
CLASSIFICAÇÕES
2.ª Etapa: Saint-Amand-Montrond – Cusset, 150,5 km
1º Anthony Delaplace (França A), 3h53m21s
2º Bert-jan Lindeman (Holanda), a 5s
3º Romain Hardy (França A), a 8s
4º John Degenkolb (Alemanha), mt
5º Vicente García de Mateos (Espanha), mt
6º Pieter Serry (Bélgica), mt
7º Jonathan Fumeaux (Suíça), mt
8º Sebastian Lander (Dinamarca), mt
9º Michal Kwiatkowski (Polónia), mt
10º Yoann Barbas (França B), mt
29º Nelson Oliveira (Portugal), mt
69º Guilherme Lourenço (Portugal), a 1m09s
70º Bruno Silva (Portugal), a 1m14s
71º Amaro Antunes (Portugal), a 8s
84º Domingos Gonçalves (Portugal), a 2m24s
91º Joni Brandão (Portugal), a 3m06s
Geral Individual
1º Alex Dowsett (Grã-Bretanha), 7h39m35s
2º Miachel Matthews (Austrália), a 1s
3º Anthony Delaplace (França A), a 14s
4º John Degenkolb (Alemanha), a 15s
5º Nelson Oliveira (Portugal), a 21s
6º Jesús Herrada (Espanha), a 22s
7º Blaz Jarc (Eslovénia), a 24s
8º Geoffrey Soupe (França A), mt
9º Loic Desriac (França B), a 26s
10º Nairo Quintana (Colômbia), a 27s
53º Amaro Antunes (Portugal), a 55s
73º Bruno Silva (Portugal), a 1m50s
77º Guilherme Lourenço (Portugal), a 2m10s
82º Domingos Gonçalves (Portugal), a 3m12s
85º Joni Brandão (Portugal), a 3m41s
Foto: ASO/P. Perreve
O alemão John Degenkolb venceu hoje a primeira etapa em linha da Volta a França do Futuro, uma ligação de 144,5 quilómetros entre Vierzon e Saint-Armand-Montrond. A tirada decidiu-se ao sprint, tendo o germânico, reforço da HTC-Columbia para 2011, batido o australiano Michael Matthews e o polaco Michael Kwiatkowski, segundo e terceiro, respectivamente. A inexistência de bonificações permitiu ao estadunidense Taylor Phinney a manutenção da camisola amarela, que teria transitado para Michael Matthews no caso de os tempos serem bonificados.
Todos os corredores portugueses chegaram integrados no pelotão, com o mesmo tempo do vencedor. Bruno Silva, 19.º, foi o melhor luso nesta jornada. Nelson Oliveira mantém-se na oitava posição da geral individual, a 27 segundos da camisola amarela.
Taylor Phinney vai partir para a segunda etapa com a camisola amarela no corpo, presa por seis segundos face ao britânico Alex Dowsett e por sete relativamente a Michael Matthews, que ocupam os postos seguintes.
A segunda tirada leva a caravana de Saint-Armand-Montrond até Cusset, através de um percurso de 150,5 quilómetros. Os últimos 45 quilómetros são pontuados por três contagens de montanha de quarta categoria e por duas de terceira, que deverão provocar alguma selecção de valores na véspera da primeira chegada em alto.
CLASSIFICAÇÃO
1.ª Etapa: Vierzon – Saint-Armand-Montrond, 144,5 km
1º John Degenkolb (Alemanha), 3h37m05s
2º Miachel Matthews (Austrália), mt
3º Michal Kwiatkowski (Polónia), mt
4º Alexei Tsatevich (Rússia), mt
5º Taylor Phinney (EUA), mt
6º Marko Kump (Eslovénia), mt
7º Vicente García de Mateos (Espanha), mt
8º Kuanysh Kylybayev (Cazaquistão), mt
9º Alex Dowsett (Grã-Bretanha), mt
10º Chang Jae Jang (Equipa mista), mt
19º Bruno Silva (Portugal), mt
28º Amaro Antunes (Portugal), mt
38º Nelson Oliveira (Portugal), mt
43º Domingos Gonçalves (Portugal), mt
55º Guilherme Lourenço (Portugal), mt
91º Joni Brandão (Portugal), mt
Geral Individual
1º Taylor Phinney (EUA), 3h46m00s
2º Alex Dowsett (Grã-Bretanha), a 6s
3º Miachel Matthews (Austrália), a 7s
4º Loic Desriac (França B), a 19s
5º John Degenkolb (Alemanha), a 21s
6º Andrew Talansky (EUA), a 24s
7º Tom Dumoulin (Holanda), a 26s
8º Nelson Oliveira (Portugal), a 27s
9º Jesús Herrada (Espanha), a 28s
10º Anthony Delaplace (França A), a 28s
50º Joni Brandão (Portugal), a 49s
52º Bruno Silva (Portugal), a 50s
72º Amaro Antunes (Portugal), 1m01s
77º Domingos Gonçalves (Portugal), a 1m02s
98º Guilherme Lourenço (Portugal), a 1m15s
Foto: ASO/P. Perreve
O português Nelson Oliveira conseguiu o oitavo tempo no prólogo da Volta a França do Futuro, um contra-relógio individual de 7,8 quilómetros, em redor de Vierzon, ganho pelo estadunidense Taylor Phinney. O vencedor foi o único ciclista a baixar dos nove minutos, cumprindo o percurso em 8m55s. Nelson Oliveira, mais dado a “cronos” longos do que a prólogos, gastou mais 27 segundos.
O segundo classificado foi o campeão europeu de contra-relógio, o britânico Alex Dowsett, que ficou a 6 segundos do vencedor e companheiro de equipa na Trek-Livestrong. O terceiro foi o australiano Michael Matthews, a 7 segundos.
O seleccionador nacional, José Poeira, mostrou-se satisfeito com a prestação lusa. “Colocar um corredor entre os dez primeiros numa prova que tem um pelotão com a qualidade deste é sempre muito bom. Ainda mais quando o Nelson Oliveira conseguiu este resultado num prólogo, e ele precisa de contra-relógios mais longos para desenvolver na plenitude as suas qualidades. Os restantes elementos também atingiram resultados dentro do esperado”, salienta o técnico.
Os ciclistas portugueses deverão tentar resguardar-se nas duas próximas etapas, uma vez que a tão esperada como temida montanha surgirá na terceira etapa. O seleccionador está confiante. “De um modo geral, a equipa está bem. Os corredores atravessam um bom momento e temos elementos que são bons trepadores. Estou expectante para perceber com se comportam com o passar dos dias, perante adversários de elevadíssimo nível, num percurso muito duro. Acredito que consigamos discutir os postos cimeiros”, afirma José Poeira.
A primeira etapa em linha disputa-se nesta segunda-feira, entre Vierzon e Saint-Armand-Montrond, ao longo de 144,5 quilómetros.
Classificação
1º Taylor Phinney (EUA), 8m55s
2º Alex Dowsett (Grã-Bretanha), a 6s
3º Michael Matthews (Austrália), a 7s
4º Loic Desriac (França B), a 19s
5º John Degenkolb (Alemanha), a 21s
6º Andrew Talansky (EUA), a 24s
7º Tom Dumoulin (Holanda), a 26s
8º Nelson Oliveira (Portugal), a 27s
9º Jesús Herrada (Espanha), a 28s
10º Martijn Keizer (Holanda), a 29s
50º Joni Brandão (Portugal), a 49s
53º Bruno Silva (Portugal), a 50s
74º Amaro Antunes (Portugal), a 1m01s
80º Domingos Gonçalves (Portugal), a 1m02s
105º Guilherme Lourenço (Portugal), a 1m15s
Nelson Oliveira será o chefe-de-fila da Selecção Nacional/Liberty Seguros na Volta a França do Futuro, que se disputa entre 5 e 12 de Setembro. O jovem da Xacobeo Galicia será acompanhado por cinco corredores, num bloco de trepadores, adaptado às dificuldades do percurso da 47.ª edição da corrida gaulesa de sub-23.
O seleccionador nacional, José Poeira, chamou para este compromisso Nelson Oliveira, Bruno Silva (Aluvia/Valongo), Guilherme Lourenço (Mortágua/Basi), Amaro Antunes, Joni Brandão e Domingos Gonçalves (Liberty Seguros/SM Feira).
“A Volta a França deste ano é diferente da edição transacta, pois tem muita montanha, havendo uma chegada em alto numa etapa muito extensa e mesmo o contra-relógio do último dia é uma crono-escalada. Mas temos corredores com condições para disputarem os lugares cimeiros, o que é a nossa intenção”, afirma José Poeira.
O técnico confia nas capacidades de Nelson Oliveira, apesar de o vice-campeão mundial de contra-relógio e vice-campeão europeu de fundo não ser um trepador. “Acreditamos no Nelson Oliveira. Uma coisa é ter de subir montanhas num pelotão profissional, outra é competir com os sub-23. Neste pelotão cremos que irá subir bem e que terá uma palavra a dizer no contra-relógio, mesmo sendo uma crono-escalada”, frisa José Poeira.
A Volta a França do Futuro abre com um prólogo de 7,8 quilómetros e fecha com uma crono-escalada de 13,5 quilómetros, contando ainda com seis etapas em linha, duas das quais com final em alto. As duas tiradas que terminam em subidas de primeira categoria são a terceira e a sexta.
Etapas
Prólogo: Vierzon – Vierzon, 7,8 km (C/R)
1.ª Etapa: Vierzon – Saint-Armand-Montrond, 144,5 km
2.ª Etapa: Saint-Armand-Montrond – Cusset, 150,5 km
3.ª Etapa: Saint-Pourçain-sur-Sioule – Col du Béal, 157 km
4.ª Etapa: Ambert – Vals-les-Bains, 183 km
5.ª Etapa: Vals-les-Bains – Loriol-sur-Drôme, 153 km
6.ª Etapa: Saillans – Rissoul, 204 km
7.ª Etapa: Guillestre – Rissoul, 13,5 km (C/R)
O caso ocorreu por ocasião da Volta a França do Futuro e tornou-se público com a detenção de três jovens ucranianos directamente ligados a uma operação que resultou da apreensão de substâncias dopantes – “uma pequena farmácia” -, perto da fronteira suíça. Na lista de produtos dopantes, Actovegin, Eritropoetina (EPO), Somatropina (Hormona de Crescimento) foram algumas das substâncias apreendidas na posse de um massagista e de um pai de um ciclista em prova na Volta a França do Futuro.
Os ciclistas, todos nascidos em 1987, reconheceram práticas dopantes. O diário francês Le Monde chegou mesmo à fala com um dos ucranianos, residente em Espanha.
O corredor não identificado, que confirma ter comprado Actovegin a um farmacêutico na Ucrânia, explica que devia servir-se das seringas para utilizar com a Hormona de Crescimento, injectando-se no quarto de hotel. “Servia para favorecer a recuperação. Comprava os produtos por aquilo que ouvia e com o dinheiro dos meus pais”, confessa.
“Dopava-me porque queria obter os melhores resultados e integrar uma equipa profissional e ganhar dinheiro”, acrescenta, afirmando ter começado a dopar-se no ano anterior, com “somatropina, GMH e EPO Recombinante”. “Sabia que não dava positivo a EPO se tomasse dez dias antes da prova.”, acrescenta.