A Maia-Bike Team, o novo projecto de topo da União Ciclista da Maia, reforça o seu elenco tendo por vista o regresso à competição em 2010. Flávio Gomes (ex-Bretescar-Sporting), Fábio Palma (ex-Crédito Agrícola), Sandro Pinto (ex-Mortágua/DR Seguros) e Vitor Machado (ex-SM Feira-E.Leclerc) foram os primeiros ciclistas sob contrato, passando agora o plantel orientado por Paulo Couto a contar com os préstimos de Casimiro Oliveira (ex-Mortágua), Pedro Fernandes (Ex-EC Carlos Carvalho), Sandro Barros (Ex-Adrap) e Tiago Familiar (Ex-SM Feira-E.Leclerc).
Outra entrada notada é de Carlos Rocha, o novo mecânico da equipa, que regressa ao Norte após uma época no Cartaxo – Capital do Vinho.
A nova equipa aguarda ainda a confirmação de estatuto para 2010. O projecto de equipa de clube (sub-23) é a base, mas as condições para um regresso ao pelotão profissional permanecem em estudo, sendo para tal determinante o resultado de um encontro entre a direcção da equipa e o autarquia a ter lugar no próximo fim-de-semana.
Os oito ciclistas já confirmados foram, entretanto, à Loja Bike Team, no Porto, onde tiraram as medidas das novas bicicletas Specialized tendo sido recebidos por César Pinto, ex-ciclista profissional.
Um dos melhores ciclistas portugueses de todos os tempos, Venceslau Fernandes, colocou um ponto final na sua frutuosa e profícua carreira de mais de duas décadas em 1991. Fê-lo ao serviço da equipa Quintanilha-Moda Jovem-Paços de Ferreira.
Esse conjunto do Norte do País foi mais do que a última equipa do “Velho Lau”. Foi também a primeira pedalada para uma nova era do ciclismo português. Depois da Quintanilha-Moda Jovem-Paços de Ferreira, surgiu, logo no ano seguinte, a W52-Quintanilha-Felgueiras, que se manteria na modalidade também em 1993.
Em 1994, a equipa patrocinada por Adriano Sousa não esteve no pelotão, mas é bom recordar que parte da estrutura de ciclistas do colectivo do Vale do Ave esteve na génese da primeira equipa da União Ciclista da Maia.
O regresso da W52 ao pelotão deu-se em 1995. Mais uma vez fazendo-se história. É nessa época, com o apoio da W52, que o Clube de Ciclismo de Paredes ingressa no pelotão principal português e logo com outro dado de realce: foi ao serviço dos paredenses, nesse ano de 1995, que Cândido Barbosa se estreou como profissional.
Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/
O Sangalhos Desportos Clube é uma das instituições com mais história no ciclismo português. Poucas agremiações poderão gabar-se de ter permanecido na modalidade durante cerca de quatro décadas. Mas foi isso que sucedeu com os sangalhenses.
A entrada do clube no ciclismo deu-se em 1946, no regresso da Volta a Portugal, depois do interregno que aconteceu por alturas da Segunda Guerra Mundial. Em 1949, os azuis do concelho da Anadia, estiveram fora do pelotão, tendo regressado em 1950. Logo no ano seguinte, conseguiram a sua primeira Volta a Portugal, através de Alves Barbosa, que se sagrou o mais novo vencedor da Volta de sempre, chegando ao triunfo com apenas 19 anos e depois de andar de “amarelo” do primeiro ao último dia.
O campeoníssimo, natural da Figueira da Foz e radicado em Montemor-o-Velho, conquistou ainda mais duas voltas para a equipa do Sangalhos, em 1956 e em 1958. Poderia ter somado mais um triunfo, em 1955, não tivesse sido agredido, por adeptos contrários, na última etapa da corrida, na zona dos Carvalhos, quando seguia na frente da classificação geral. O seu principal rival, Ribeiro da Silva, haveria de ser o beneficiado com o incidente.
Alves Barbosa logrou ainda o feito de ser o primeiro português a terminar o “Tour” entre os dez melhores, alcançando o décimo lugar na edição de 1956 da corrida francesa, na qual participou integrando o colectivo do Luxemburgo.
Muitos outros grandes corredores passaram pelo Sangalhos Desportos Clube, destacando-se Joaquim Andrade, que, ao serviço da equipa, foi o vencedor da Volta a Portugal de 1969. Andrade, temível trepador, acabou por conquistar a camisola amarela final depois da desclassificação, por dopagem, de Joaquim Agostinho.
Depois da vitória na Volta de 1969, não mais o Sangalhos levou um dos seus homens ao topo do pódio final na principal competição portuguesa. Ainda assim, manteve-se na modalidade até 1981. Depois de um interregno, voltou ao pelotão em 1986, permanecendo na velocipedia, com o apoio da Recer, até 1989.
Com quatro vitórias na Volta a Portugal, o Sangalhos apenas é suplantado pelos três “grandes” do desporto nacional e é igualado pela União Ciclista da Maia.
Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/