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Colombiano Henao trepou para a vitória no GP Portugal, Vilela foi segundo

29 Mar 2009 3:33pm

Depois de Vítor Rodrigues, duplo vencedor da prova, foi a vez do colombiano Sergio Henao inscrever o seu nome no palmarés do GP Portugal após a disputa da terceira e última etapa, a mais selectiva do programa da corrida que teve o nortenho Vale do Sousa e sua Rota Românica como cenário.  Henao, 21 anos, corredor Elite da equipa continental Colombia Es Passion, tomou a acção decisiva da corrida a 26 quilómetros do termo, ao saltar para a fuga no alto do Outeiro, contagem de montanha de 2ª categoria e principal dificuldade de toda a corrida, colhendo os louros de uma estratégia que o fez aproveitar as ofensivas portuguesas e lançar a sua cartada na subida final.
“Estou muito feliz. É a minha primeira corrida do ano, após uma época quase todo parado por uma lesão no joelho. É muito bom ganhar em Portugal. Tinhamos aaspirações à geral individual, e o meu colega Pantano sacrificou-se por mim nas últimas subidas. Foi sensacional”, avaliou Henao que confirmou a aposta colombiana na Taça das Nações “Vamos correr na Europa com mais regularidade”.

Tal como em anos anteriores, foi o Outeiro que primeiramente seleccionou os candidatos à vitória, não passando na selectiva malha o camisola amarela Dasmus Guldhammer, sensacional vencedor das duas etapas anteriores. Na base da subida de segunda categoria, Henao atacou quando seguia já um grupo alargado de corredores na dianteira na qual se incluiam, entre outros Ricardo Vilela, Domingos Gonçalves, Vasco Pereira e Carlos Baltazar numa ofensiva que tinha, para já, colocado em xeque a liderança do dinamarquês. A chegada de Henao ao grupo da frente foi simultânea da aceleração do seu colega de equipa Jarlisson Pantano em plena subida, que isolou um grupo de quatro corredores que se apresentou com confortável avanço no alto da subida, ultrapassada primeiramente  por Henao, com Vilela na sua roda. Para o final, já com a corrida dinamarquesa definitavemente hipotecada, as decisões deram-se entre os fugitivos na subida à Santa Quitéria, onde Henao não conheceu adversário à altura.

Com uma pedalada forte e segura distanciou Ricardo Vilela – tanto Pantano como o francês Yoann Bichot, vítima de queda na descida, tinham sido afastados – para o seu primeiro sucesso do ano, curiosamente na primeira competição que fez em 2009. Ricardo Vilela cruzou o risco com 25 segundos de atraso, na segunda posição, igualando a ascensão de Vitor Rodrigues em 2007, mas que, desta feita, não lhe valeu a vitória à geral, mas o segundo posto da geral.

“O Henao já se tinha evidenciado na primeira etapa, trata-se de um bom corredor. Fiz o que me era possível e embora satisfeito com o segundo lugar, naturalmente que gostava de ganhar e dedicar esta vitória. Agradeço aos meus colegas o esforço para me colocarem nas melhores condições. Perdi tempo na segunda etapa e a vantagem sobre Henao e por isso fui obrigado a correr atrás do prejuízo”, avaliou Vilela, que deverá liderar a selecção nacional nas próximas provas da Taça das Nações. A fechar o pódio, repetindo igualmente o lugar na chegada a Santa Quitéria terminou o dinamarquês Rasmus Guldhammer.

Classificações

3ª Etapa: Lousada – Alto de Santa Quitéria (Felgueiras), 136,1 km
Média: 38,677 km/h
1º Sergio Henao (Colômbia), 3h31m08s
2º Ricardo Vilela (Portugal A), a 25s
3º Rasmus Guldhammer (Dinamarca), a 1m41s
4º Pedro Merino (Espanha), mt
5º Nicolas Edet (França), a 1m44s
6º Romain Hardy, a 1m48s
7º Sander Maasing (UCI), a 1m52s
8º Jaco Venter (UCI), mt
9º Sergiu Cioban (UCI), mt
10º Siarhei Papok (Bielorrússia), mt
11º Bruno Silva (Portugal B), mt
24º Domingos Gonçalves (Portugal B), a 3m16s
35º Amaro Antunes (Portugal A), a 6m16s
41º Carlos Baltazar (Portugal A), a 7m18s
42º Guilherme Lourenço (Portugal B), mt
43º Nelson Oliveira (Portugal A), mt
51º Marco Cunha (Portugal A), a 8m48s
52º Marco Coelho (Portugal B), mt
53º João Pereira (Portugal A), mt
54º Alcides Almeida (Portugal B), mt
55º Vasco Pereira (Portugal B), mt

Geral Individual
1º Sergio Henao (Colômbia), 9h06m23s
2º Ricardo Vilela (Portugal A), a 48s
3º Rasmus Guldhammer (Dinamarca), a 1m23s
4º Pedro Merino (Espanha), a 1m52s
5º Jaco Venter (UCI), a 2m06s
6º Romain Hardy, a 2m09s
7º Sander Maasing (UCI), a 2m10s
8º Sergiu Cioban (UCI), a 2m13s
9º Bruno Silva (Portugal B), mt
10º Jan Tratnik (Eslovénia), a 2m15s
23º Domingos Gonçalves (Portugal B), a 3m49s
39º Carlos Baltazar (Portugal A), a 8m03s
40º Guilherme Lourenço (Portugal B), a 8m22s
42º Nelson Oliveira (Portugal A), a 8m33s
43º Marco Cunha (Portugal A), a 9m09s
44º Marco Coelho (Portugal B), mt
45º Vasco Pereira (Portugal B), a 9m49s
54º Amaro Antunes (Portugal A), a 15m19s
64º João Pereira (Portugal A), a 19m09s
67º Alcides Almeida (Portugal B), a 19m59s

Geral Equipas
1ª UCI, 27h25m42s
2ª França, a 1m07s
3ª Eslovénia, a 1m32s
8ª Portugal B, a 7m10s
9ª Portugal A, a 9m05s

Geral Pontos
1º Rasmus Guldhammer (Dinamarca), 66 pontos
2º Sergio Henao (Colômbia), 36
3º Pedro Merino (Espanha), 34

Geral Montanha
1º Sergio Henao (Colômbia), 15 pontos
2º Ricardo Vilela (Portugal A), 11
3º Gabor Kasa (UCI), 9

Geral Juventude
1º Rasmus Guldhammer (Dinamarca)
2º Jan Tratnik (Eslovénia)
3º Andrei Krasilnikau (Bielorrússia)

Foto: PAD/JLS

Volta às Terras de Santa Maria disputa-se no próximo fim-de-semana

17 Mar 2009 2:16pm

A 18ª edição da Volta às Terras de Santa Maria – Troféu Fernando Mendes corre-se no próximo fim-de-semana, prometendo dois dias de emoção, numa região amante da modalidade. A prova é composta por três etapas, começando com uma tirada em linha, seguindo-se com um contra-relógio colectivo e terminando com um selectivo circuito urbano. Vão participar oito equipas de clube portuguesas e duas formações galegas. A uma semana do GP de Portugal, a corrida feirense é um ensaio importante para que os ciclistas lusos afinem a forma.

As hostilidades serão abertas na tarde de sábado, com uma etapa de 131 quilómetros, entre São João de Ver – localidade de onde é originária a equipa organizadora, SM Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados – e Santa maria da Feira (junto ao hipermercado E. Leclerc). Num traçado que contempla quatro prémios de montanha, é de esperar ataques e movimentações que produzirão espectáculo.

No domingo há jornada dupla. O contra-relógio colectivo inicia-se às 10h30, levando cada equipa a percorrer 16,8 quilómetros, com partida e chegada ao Europarque. Pela tarde, a partir das 15h00, disputa-se o tradicional Circuito do Castelo, no qual os curtos 65 quilómetros são enganosos, pois não se trata de uma etapa fácil, já que a rampa do Castelo da Feira, que será escalada dez vezes, irá certamente fazer mossa.

Esta será a primeira corrida por etapas do ano para as equipas de clube, tendo o aliciante de permitir a participação dos ciclistas de elite inscritos nesses colectivos. Até ao momento, a formação Mortágua/DR Seguros tem dominado a época, pois conquistou três da quatro competições já disputadas. O SM Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados ganhou a outra prova e lidera a Taça de Portugal, através de Marco Coelho. A estas equipas, juntam-se na corrida feirense outros blocos interessados em saborear a primeira vitória de 2009, pelo que é de esperar competitividade oferecida pelas formações portuguesas Cartaxo-Capital do Vinho/CC JM Nicolau, Tavira/Palmeiras Resort, Crédito Agrícola, Gessical/Fonotel/Ventosa, Aluvia/Valongo, Bretescar/Sporting e pelas galegas Artesania de Galicia/CC Cidade de Lugo e CC Spol Caixanova.

Selecções Nacionais de Juniores e Sub-23 preparam Taças das Nações

09 Mar 2009 8:10pm

Um total de 26 atletas tomam parte, a partir de amanhã, no estágio de preparação das selecções nacionais de Juniores e sub-23, no Vimeiro. Diante da coordenação de José Poeira, 14 atletas sub-23 e 12 ciclistas júniores efectuarão testes de avaliação na pista da Malveira seguido de um treino de estrada. O principal objectivo da Selecção Nacional Sub-23 reside na Taça das Nações, competição pela primeira vez conquistada por Portugal em 2008. O sucesso da equipa portuguesa marcará, este temporada, a reedição de um êxito no qual Rui Costa e Vítor Rodrigues foram os elementos mais visíveis mas que se apoiou noutros atletas, alguns dos quais repetem a sua presença nos quadros da equipa de Portugal. Quanto aos júniores, a calendarização de objectivos pressupõe o apuramento para os Jogos Olímpicos da Juventude, a realizar em Singapura, em 2010, além de uma maior presença na Taça das Nações da categoria, com oito competições previstas, entre as quais o Campeonato do Mundo.

Atletas convocados
Sub-23 (14)
Amaro Antunes Crédito Agricola
Fernando Carvalho Artesania de Galicia / C.C. Cidade Lugo
Nelson Oliveira Artesania de Galicia / C.C. Cidade Lugo
João Pereira Tavira / Palmeiras Resort
Alcides Almeida Stª Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados
Domingos Gonçalves Stª Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados
Jóni Brandão Stª Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados
Marco Coelho Stª Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados
João Costa Stª Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados
Ricardo Vilela Liberty Seguros
Bruno Silva Aluvia / Valongo
Carlos Baltazar Aluvia / Valongo
Vasco Pereira Mortágua – DR Seguros
Guilherme Lourenço Mortágua – DR Seguros

Juniores (12)
Alexandre Cruz Crédito Agricola/Alcobaça C.C
Rafael Reis Crédito Agricola/Alcobaça C.C.
Daniel Freitas Silva & Vinha / ADR Ases de Penafiel
Renato Avelar ACD Milharado/Intermarché/Mafra
Gonçalo Rodrigues ACD Milharado/Intermarché/Mafra
Vitor Lopes ACD Milharado/Intermarché/Mafra
Hélder Ferreira C.C. Barcelos/AFF Electrodomésticos
Victor Valinho  Clube de Ciclismo José Maria Nicolau
Leonel Coutinho Sprint Bike/Ciclomotores Campeã/CCVR ASC/Vila do Conde
Bruno Borges LA Sistemas / Trevomar

Sporting apresenta-se mas apenas dá a sua “marca”

19 Fev 2009 10:23pm

O Sporting assinalou hoje, oficialmente, o regresso ao ciclismo de estrada 22 anos depois da sua última equipa, tendo por fito a formação, num projecto com um orçamento anual de cerca de 150 mil euros.O ciclismo dispõe uma longa tradição no clube lisboeta, tendo a modalidade sido adoptada cinco anos depois da fundação do emblema (1911).

Fernando Machado, Joel Lucas, Ivo Fernandes, Rafael Silva, Fábio Cunha, Paulo Costa, Flávio Gomes, Nilton Lopes, André Mourato e Hugo Rodrigues e Joaquim Gregório foram apresentados como os ciclistas de uma equipa cujo “principal objectivo é cumprir o lema do Sporting e dignificar estas camisolas”, afirmou Alexandre Gonçalves, director-desportivo à agência Lusa, apontando a discussão do Troféu RTP, na Taça de Portugal e na Volta Portugal do Futuro como as “metas” estipuladas.

O projecto do ciclismo no Sporting, que contribui apenas com a sua “marca” para o projecto, é apoiado por vários patrocinadores, em parceria com o Clube Recreativo de Cabeço de Montachique (Torres Vedras).

Casactiva deixa o ciclismo

19 Nov 2008 6:31pm

O projecto mais vitorioso do escalão sub-23 em 2008 vai sofrer grandes alterações na próxima temporada. A maior de todas diz respeito à saída do principal patrocinador, a Casactiva. Apesar disso, a União Ciclista de Sobrado está de pedra e cal entre as Equipas de Clube e a planificação da temporada está a avançar. Registam-se já três contratações: Bruno Faria e Cristiano Teixeira (CC Barcelos/AFF Electrodomésticos) e Luís Afonso (Silva & Vinha/ADRAP). No campo oposto, foram dispensados Carlos Sabido e José Martins, devido à impossibilidade de participação de corredores elite nas principais corridas do escalão.

Outra equipa com a temporada já planificada é o Mortágua/DR Seguros/ERA. O conjunto liderado por Pedro Silva prescindiu dos serviços de Daniel Marques e Nuno Oliveira e promete ter um efectivo totalmente sub-23 em 2009. O plantel contará com nove elementos, entre os quais se encontram os cinco já contratados: Bernardo Carvalho e Rui Carvalho (ex-Crédito Agrícola/Alcobaça), Pedro Morgado (ex-Vulcal/Implenitus/CC Centro Crédito Agrícola), Pedro Paulinho (ex-Manuquímica/Ferrindal/Lousa) e Vasco Pereira (ex-LA Sistemas/SSS/Trevomar).

Duelo verde-rubro?

A temporada que aí vem pode ainda ser marcada por outro motivo de interesse: um duelo Sporting-Benfica nas estradas. Os encarnados, pela mão de Justino Curto e de Gonçalo Amorim, trabalham para se manterem no pelotão das Equipas de Clube, gorada que está a permanência entre a elite. Já o Sporting tem um projecto em marcha para regressar ao ciclismo. Ainda falta limar algumas arestas, mas tudo aponta para que seja possível o retorno dos leões.

A direcção desportiva leonina estará a cargo de Alexandre Gonçalves, que dirigiu os juniores do Lousa na última época. Os ciclistas já apalavrados são Fernando Machado e Joel Lucas (Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia), André Mourato (ex-Manuquímica/Ferrindal/Lousa), Flávio Gomes (ex-Maia/SEC/ABB), Paulo Costa (ex-LA/Sistemas/SSS/Trevomar), Rafael SIlva (ex-SM Feira/E. Lelcerc/Moreira Congelados) (RM Eventos/Vila Verde) e Sandro Pinto (Mortágua/DR Seguros/ERA).

Foto: PAD/JLS

Calendário de sub-23 para 2009

09 Nov 2008 11:11am

A Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo aprovou ontem os novos regulamentos e o calendário de estrada para o escalão sub-23. Relativamente aos regulamentos, a nota de maior saliência vai para a nova regulamentação de acesso aos corredores de elite às provas do escalão imediatamente anterior. Após alguns anos em que a categoria cresceu para um patamar competitivo bastante profissionalizado, em que os resultados se tornaram fundamentais, recorrendo-se para os obter a corredores mais experientes, está dar-se uma configuração mais de formação aos sub-23 nacionais. No ano passado foram abolidos os rádios, em 2009 dá-se predomínio aos mais jovens.

Nesse sentido, por um lado, consumou-se a proibição de participação dos maiores de 23 anos na Volta a Portugal do Futuro e nas corridas da Taça de Portugal. Além disso, ficou estabelecido que os colectivos de sub-23 não poderão inscrever ciclistas de equipas continentais para algumas provas, mesmo que esses corredores tenham menos de 23 anos. Por outro lado, deixa de haver limitação de idades nas restantes corridas. Ou seja, o racio existente anteriormente, que impunha que cada bloco para fazer alinhar dois cilistas elite teria de participar com seis de sub-23.

Calendário sub-23 2009

Fevereiro
14 – Prova de Abertura
22 – Taça de Portugal – 1ª prova

Março
1 – Taça de Portugal – 2ª prova
15 – Taça de Portugal – 3ª prova
20 a 22 – Volta às Terras de Santa Maria
27 a 29 – GP Portugal *

Abril
5 – Taça de Portugal – 4ª prova
11 – Volta a Flandres *
15 – La Côte Picarde *
18 – ZLM Tour *
26 a 1 de Maio – Giro delle Regioni *

Maio
9 – Taça de Portugal – 5ª prova
17 – Troféu RTP – 1ª prova

Junho
14 – Troféu RTP – 2ª prova
25 a 28 – Campeonatos Nacionais

Julho
11 – Troféu RTP – 3ª prova
12 – Troféu RTP – 4ª prova
21 a 26 – Volta a Portugal do Futuro

Agosto
7 a 9 – Prémio UVP-FPC
15 – Troféu RTP – 5ª prova
20 – Circuito São Bernardo

Setembro
4 a 13 – Volta a França do Futuro *
18 a 20 – Prémio UVP-FPC
18 a 20 – Taça das Nações *
24 a 27 – Campeonatos Mundiais
27 – Troféu RTP – 6ª prova

Outubro
3 a 10 – Volta à Madeira e Porto Santo

* Provas da Taça das Nações a disputar pela selecção nacional

Foto: PAD/JLS

José Santos: “Gosto mais de ciclismo do que de vitórias”

31 Out 2008 9:41pm

Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Santos, o director-desportivo há mais anos em actividade no ciclismo profissional luso fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pelo Boavista ao ciclismo português. Sem medo de criticar a dopagem, José Santos apela a uma mudança de mentalidades.
Como se dá a sua chegada ao ciclismo?
Foi em 1969, já lá vão quase 40 anos. Estive ligado a várias iniciativas: o ciclismo juvenil na Direcção-Geral dos Desportos, a fundação da Associação de Cicloturismo do Norte, também tive uma acção intensa no ciclismo popular. Mais tarde, fundei o Jornal Ciclismo e, durante sete anos, impulsionei o ciclocrosse em Portugal, organizando quase 20 provas por ano. Por contingências várias, não continuei e o ciclocrosse acabou em Portugal. Este ano ainda estudei a hipótese de retomar essa modalidade, mas desisti da ideia, porque não havia equipas nem atletas interessados.
Entretanto, também foi ciclista.
Sim, representei alguns clubes importantes: Coelima, Benfica, FC Porto. Fiz duas voltas a Portugal e concluí-as. Fui campeão nacional de pista, mas foi uma carreira um bocado em diagonal.
Como se dá a sua chegada ao Boavista?
O meu pai era o treinador e eu escrevia n’O Comércio do Porto. Acabou por proporcionar-se a minha entrada para o clube e cá estou há 25 anos.
Fez todo um percurso que fez de si o director-desportivo há mais tempo em actividade no ciclismo profissional português. Que balanço faz e que mudanças se observaram?
É verdade. Já tenho quase 30 voltas a Portugal no currículo. As mudanças não foram muitas. Os problemas que havia mantêm-se. Cheguei a ser seleccionador e director-técnico nacional. As reformas que então foram ensaiadas não tiveram grande repercussão, havendo pouca evolução da modalidade. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização em Portugal.
Isso não evitou que o ciclismo tenha perdido parte substancial da importância pública.
A causa foi a passagem das principais corridas da Empresa do Jornal de Notícias (JN) para uma entidade que não era credível e que não tinha capacidade para suportar o caderno de encargos proposto pela Federação. Além disso, era uma empresa sem capacidade, dentro da sua estrutura, para trabalhar a comunicação, coisa que o Jornal de Notícias fazia. Começou com força, através de transmissões em directo de muitas provas, mas o que é certo é que a maioria dessas corridas já não se realiza. A organização em Portugal dos Campeonatos do Mundo também afastou os média do ciclismo, porque se criou uma situação de descrédito: o país que organizava os Mundiais não os transmitiu pela televisão
Neste período deu-se também uma maior internacionalização das provas portuguesas. Foi positivo?
Não temos capacidade económica para tantas provas internacionais. Eu gostava que as nossas corridas fossem todas internacionais, mas não há suporte para isso e quase todas elas dão prejuízo. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
A ausência de um grande ídolo nacional e a saída de cena dos principais clubes não terão contribuído para a quebra de impacto da modalidade?
Penso que não. A saída do JN é que reduziu o ciclismo a uma actividade como as outras e até com menos importância. O ciclismo tem público, mas o afastamento desse grupo mediático provocou o afastamento de outros órgãos de comunicação social. Acresce que os jornais desportivos são produtos comerciais. A excessiva comercialização do jornalismo também é prejudicial.
Uma discussão cíclica respeita aos alegados benefícios dos clubes tradicionais para o ciclismo. Estando num, o Boavista, sente-se beneficiado ou prejudicado por isso?
Se houvesse mais clubes tradicionais, haveria mais público. Veja-se o caso recente do Benfica que atraiu mais público. No entanto, o inverso também é verdade e este desporto resistiu muitos anos sem os clubes. Toda a modalidade que não tenha Benfica, FC Porto e Sporting sofre com dificuldades de público e de exposição mediática.
As dificuldades financeiras do Boavista têm-se reflectido na equipa de ciclismo?
Para já, não, embora tenha alguma apreensão relativamente ao futuro. Fruto de uma gestão bastante equilibrada, temos os vencimentos todos em dia e toda a estrutura controlada. Isto foi conseguido com grande sacrifício e rigor. Mas o clube não estando bem, a secção pode vir a sofrer. A angariação de patrocinadores pode ser dificultada, porque a percepção pública da credibilidade da instituição não é a melhor.
A gestão equilibrada de que falava fez com que a equipa de ciclismo tenha mudado de objectivos constantemente, da equipa vencedora do início da década de 1990 até a desempenhos recentes mais comedidos. É fácil fazer essa transição de ambições?
Para quem gosta de ciclismo é natural. Eu gosto mais de ciclismo do que de vitórias. Somos das equipas mais antigas, porque sabemos o orçamento que temos e é com essas verbas que temos de viver, melhor nuns anos do que noutros. Quando temos ciclistas cujo vencimento ultrapassa as nossas possibilidades deixamo-los sair. Fomos a equipa portuguesa que maiores valores lançou no ciclismo nacional e internacional: José Azevedo, Jose Luis Rebollo, Josep Jufre, David Bernabeu, Adrian Palomares, Manuel Cardoso, por exemplo. Todos eles se iniciaram como profissionais no Boavista.
Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: o Cássio Freitas e o Joaquim Gomes. Ultimamente, o Tiago Machado, o José Azevedo ou o Pedro Silva também deixaram a sua marca. O Azevedo não fez aqui grande história, embora tenha cá passado os dois anos que considero mais importantes na carreira dele, porque as duas primeiras épocas como profissional são fundamentais.
Apesar das oscilações orçamentais, o palmarés é bastante preenchido.
Vencemos todas as provas nacionais. A dada altura só nos faltava o Porto-Lisboa e a Volta ao Alentejo, mas até essas corridas ganhámos. A nível internacional, estivemos presentes em algumas das principais competições: Volta a Espanha, Critério Internacional, Dauphiné Libèrè, Volta a França do Futuro, que vencemos por equipas…
Uma série de corredores que passaram pelo clube têm hoje tarefas de gestão de equipas de sub-23. Há no Boavista o cuidado de formar os atletas para que, finda a carreira, possam continuar na modalidade?
Sempre tivemos uma política de debate com os ciclistas. Não é por acaso que o Delmino Pereira é presidente-adjunto da Federação, que o Paulo Couto dirige a APCP e uma equipa, o Fernando Mota e o Pedro Silva estão à frente de equipas… Incentivamos a colocarem de pé alguns projectos. É importante o técnico dialogar com os corredores, espicaçando-os para a discussão. Provoco o debate e isso é importante como formação para que quem ganhou dinheiro com o ciclismo possa servir depois da modalidade com novos projectos.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

José Santos: “Artur Lopes é um elemento forte numa Direcção fraca”

31 Out 2008 9:30pm

Mesmo que tenha divergido de Artur Lopes no passado, José Santos elogia o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, considerando que o líder federativo prestigia o ciclismo português. Mais dúvidas merece a equipa de trabalho que acompanha Lopes, com duas excepções, também alvo de palavras de apoio: Delmino Pereira e Francisco Manuel Fernandes. José Santos propõe a substituição das associações por delegações federativas, dotadas de meios humanos capazes de colocarem em prática as políticas definidas a nível central.
O actual presidente da Federação está há 16 anos no cargo e foi eleito para mais um mandato. Pode fazer-se um balanço linear destes anos todos?
Não há alguma alternativa ao actual presidente. Ele é um elemento muito forte dentro de uma direcção muito fraca. Tem um bom presidente-adjunto, Delmino Pereira, e uma pasta financeira, Francisco Manuel Fernandes, bem gerida. Mas só o poder do presidente nem sempre é suficiente, só o seu valor prestigia a equipa directiva. Embora eu lhe aponte alguns erros e críticas, como a retirada da Volta ao JN.
O panorama a nível associativo é menos risonho?
As associações têm um papel altamente secundário. Acho até que seria mais proveitoso para a modalidade que as associações fossem substituídas por delegações da Federação Portuguesa de Ciclismo. Passava a haver uma política nacional aplicada em cada local. Um erro da actual Federação é ter muitos técnicos em Lisboa, não os distribuindo pelas associações regionais. Há um que conheço, o Luís Teixeira no Minho e é por isso que essa associação funciona melhor do que quase todas as outras juntas. A associação do Algarve, fruto essencialmente do trabalho de dois dirigentes, também é muito boa. De resto…
O ciclismo jovem tem estado a ser bem gerido?
Havia muito mais praticantes quando tínhamos o Movimento Juvenil de Ciclismo do Norte, mas os tempos eram outros.
Um dos problemas da modalidade é haver poucos novos praticantes e, grande parte, vir já de famílias ligadas ao ciclismo.
Há poucos praticantes novos porque não há equipas. No Boavista recebemos uma média de meia dúzia de telefonemas por mês de familiares de jovens que querem iniciar a prática de ciclismo e não sabem onde fazê-lo. Não havendo clubes não pode haver ciclistas. Por isso há muitos praticantes de BTT, porque a burocracia é menor e não existe a necessidade do clube. Na estrada, há demasiada burocracia. Por exemplo, era importante que a determinada altura da época os juniores de segundo ano pudessem competir com os sub-23, da mesma forma que estes competem com os profissionais. Irrita-me quando me dizem: “A UCI diz que é assim”. E rio-me quando vejo as multas das provas nacionais em francos suíços. É um exemplo que demonstra a total dependência em relação à UCI.
A escassez de clubes tem a ver com os custos elevados do ciclismo face a outras modalidades?
Também. Mas um aspecto a ter em conta é a falta de massa crítica para se desenvolverem projectos de raiz. Talvez a actual geração de corredores venha a ter essa capacidade, mas entretanto o que fomos assistindo foi a antigos corredores que terminam a carreira e querem logo implementar projectos megalómanos. Isso não pode ser. O caso do Benfica é um desses. Não está de acordo com a realidade nacional.
Em que medida?
Inflacionou o mercado de sub-23, destruindo o trabalho feito pelas equipas desse escalão. Também inflacionou o mercado profissional. E agora abandona ou reformula-se, não tendo uma política de continuidade.
Mesmo assim valeu a pena este regresso?
Penso que não. Criou expectativas que saíram goradas e inflacionou o mercado para valores que as outras equipas não estavam preparadas.
O ciclismo vive acima das suas possibilidades?
Sim, mas nem é tanto a nível das equipas. É mais ao nível da organização das provas. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
O futuro do ciclismo passa pelo BTT ou a estrada ainda tem muito que dar?
A estrada tem futuro, mas é preciso inovar. Não é uma tarefa fácil, mas é preciso dar a volta. Não podemos, por exemplo, continuar presos aos ditames da UCI. A média das edições todas da Volta a Portugal é de 16 dias. Não podemos fazer uma Volta só com 11 dias. Se baixarmos de escalão podemos ter 15 dias. Cada dia ganho é mais importante, porque permite levar a prova a mais localidades e cada dia a mais significa maior rentabilização do investimento dos patrocinadores. Num país com a dimensão do nosso, 11 dias é escasso. Isto não é a Bélgica ou o Luxemburgo.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

José Martins: “Foi a vitória mais importante da minha carreira”

31 Out 2008 9:14pm

José Martins chegou à Volta a Portugal do Futuro com aspirações de lutar pelo triunfo, mas com um receio: ter um mau desempenho no prólogo. A vitória no contra-relógio de abertura acabou por moralizá-lo e, com a ajuda do forte bloco da Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia, chegou à “vitória mais importante” da carreira. Para quem já passou três temporadas entre a elite, esta época entre os sub-23 é tida como um relançamento da carreira para chegar de novo ao patamar de topo.
Qual a importância da conquista da Volta a Portugal do Futuro?
Foi a vitória mais importante que alcancei nos anos que levo de ciclismo, tendo-a conseguido na minha terceira participação na Volta do Futuro. Nas anteriores participações tive de trabalhar para outros colegas, como o Bruno Pires, o Bruno Neves ou o Gilberto Sampaio, pelo que as classificações foram um 19º e um 22º lugar.
Já chegou à corrida como chefe-de-fila ou foram os desempenhos durante a prova que determinaram que seria o líder?
Já se sabia que eu era um dos corredores da Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia que dava mais garantias, até por ser dos mais experientes. No entanto, tinha uma grande dificuldade para ultrapassar, o contra-relógio. Apesar de estar algo receoso sobre o que conseguiria fazer no prólogo, acabei por conseguir ganhá-lo. A partir daí senti que o director-desportivo, José Barros, cada vez confiava mais em mim.
Quem olhar apenas para as tabelas de resultados é levado a pensar que foi um triunfo fácil, tal o domínio da sua equipa. Mas, na realidade, foi preciso muito esforço.
Não há vitórias fáceis. Esta é a principal corrida do escalão sub-23 e entrámos nela com uma única ideia em mente: vencer. Temos uma equipa muito boa, repleta de ciclistas que sabem trabalhar para a equipa e que levaram a corrida no ritmo que nos interessava. Além disso, os meus companheiros ainda me conseguiram lançar para eu poder estar bem nos momentos decisivos.
Houve algum momento em que sentisse que tinha a vitória na mão?
Só depois de cortar a meta no último dia. Os adversários bateram-se sempre bem, especialmente as equipas do Santa Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados, do Benfica e do Tavira/Palmeiras Resort. Deram luta até final.
Este tem sido um ano de extremos: começou a época como desempregado e agora alcança a sua vitória mais importante. Chegou a pensar deixar o ciclismo?
Nunca pensei que o Vitória-ASC desaparecesse no final da temporada transacta. Aliás, só nos foi comunicado o fim da equipa no dia em que fechavam as inscrições. Nessas circunstâncias vi-me sem equipa e sem grandes perspectivas de encontrar colocação. Foram momentos muito duros. Quando já tinha perdido quase completamente a esperança, recebi o convite do José Barros para integrar a Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia.
O que sente um corredor que, após três épocas como profissional, tem de regressar ao escalão inferior?
Custa bastante tomar essa opção, mas acho que foi uma boa decisão. Quem gosta de ciclismo tem de fazer alguns sacrifícios e este foi um deles. Felizmente tive apoio de muitas pessoas que sempre me disseram que para aproveitar a oportunidade, uma vez que pode ser uma forma de relançar a carreira e de voltar ao profissionalismo. Esse regresso ao escalão principal é a minha grande meta.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 8 de Agosto de 2008

Foto Descodificada

31 Out 2008 6:19pm

Desporto essencialmente de ar livre, o ciclismo tem nos elementos da natureza potenciais adversários. A chuva é sempre matreira, porque além de molhar e de gelar os corpos, aumenta a insegurança das estradas. No entanto, como sabemos, os ciclistas são corajosos atletas que enfrentam as condições climatéricas mais adversas para cumprir os seus objectivos: chegar ao fim das corridas e lutar pela melhor classificação. Acontece que essa luta desigual do homem contra a natureza nem sempre tem o melhor dos desfechos. A Clássica de Sobrado de 2004 (na foto) é um exemplo dos malefícios do mau tempo. A chuva foi tão copiosa e as estradas ficaram tão alagadas que esta corrida de sub-23 teve de ser anulada.