Artigos com a tag ‘Sporting’

Ciclistas da Bretescar- Sporting, cinco meses sem receber

11 Jul 2009 11:28pm

Os ciclistas da Bretescar-Sporting, equipa formada no final da época passada com o apoio da direcção leonina presidida por Soares Franco, permanecem em competição após cinco meses sem receber os apoios acordados – vulgo “ordenados” na ausência de qualquer contrato profissional. A carência económica tem sido experienciada pelos ciclistas da equipa, numa situação eventualmente partilhada com a equipa técnica. Num momento de crise, os ciclistas da formação leonina continuam a treinar e a integrar as competições com as cores sportinguistas, malgrado a ausência de uma resposta definitiva quanto às suas solicitações e reposição dos subsídios acordados em atraso.
Em prova no presente Troféu Joaquim Agostinho, que decorre no concelho sede do principal patrocionador da equipa, a Bretescar, empresa do ramo automóvel sedeada em Torres Vedras, as garantias tardam a chegar à totalidade do plantel.
“Os patrocinadores do Sporting são grandes empresas. Por vezes é processo demorado resolver certos problemas, mas em princípio na próxima semana poderá haver algumas novidades”, adiantou ao Jornal Ciclismo, Alexandre Gonçalves, director-desportivo da formação apresentada a 19 de Fevereiro aos sócios do clube.
“O regresso do Sporting motivou muitos adeptos da região. Estamos na estrada e ainda hoje – com a fuga do Joaquim Gregório – mostramos ser combativos. Temos competido e os atletas sabem que representam um clube com peso e significado, continuam a competir e a confiar no projecto”, acrescentou não negando a “existência de alguns problemas que serão solucionados em breve”.

Foto: João Fonseca

Sporting apresenta-se mas apenas dá a sua “marca”

19 Fev 2009 10:23pm

O Sporting assinalou hoje, oficialmente, o regresso ao ciclismo de estrada 22 anos depois da sua última equipa, tendo por fito a formação, num projecto com um orçamento anual de cerca de 150 mil euros.O ciclismo dispõe uma longa tradição no clube lisboeta, tendo a modalidade sido adoptada cinco anos depois da fundação do emblema (1911).

Fernando Machado, Joel Lucas, Ivo Fernandes, Rafael Silva, Fábio Cunha, Paulo Costa, Flávio Gomes, Nilton Lopes, André Mourato e Hugo Rodrigues e Joaquim Gregório foram apresentados como os ciclistas de uma equipa cujo “principal objectivo é cumprir o lema do Sporting e dignificar estas camisolas”, afirmou Alexandre Gonçalves, director-desportivo à agência Lusa, apontando a discussão do Troféu RTP, na Taça de Portugal e na Volta Portugal do Futuro como as “metas” estipuladas.

O projecto do ciclismo no Sporting, que contribui apenas com a sua “marca” para o projecto, é apoiado por vários patrocinadores, em parceria com o Clube Recreativo de Cabeço de Montachique (Torres Vedras).

Joaquim Gregório corre pelo Sporting em 2009

28 Jan 2009 2:17pm

Joaquim Gregório, profissional do CC Loulé nas últimas temporadas, vai correr pela equipa de clube (vulgo sub-23) do Sporting, sendo o elemento mais experiente do projecto que se estreia no pelotão nacional em 2009. O plantel dos “leões” já está fechado e contará com onze elementos, dirigidos por Alexandre Gonçalves. O mecânico da equipa é Gilberto Martins, que ainda em 2008 competiu pelo CC Loulé.

O irmão de Tiago Machado, Fernando Machado, e Joel Lucas trocam a Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia pelo novo projecto. Ivo Fernandes (ex-Benfica), Rafael Silva e Fábio Cunha (ex-RM Eventos), Paulo Costa (ex-LA Sistemas/SSS/Trevomar), Flávio Gomes e Nilton Lopes (ex-Maia/SEC/ABB) e Hugo Rodrigues (Ex-Viveiro Vítor Lourenço/Sintra) completam o grupo de trabalho. A primeira corrida da nova equipa será a Prova de Abertura, marcada para 14 de Fevereiro.

Fonte: A Bola

Francisco Araújo homenageado com Prémio Stromp

12 Dez 2008 12:27pm

Francisco Araújo foi ontem homenageado no jantar anual dos Prémios Stromp, uma distinção do Sporting Clube de Portugal que evoca a memória de um dos fundadores do clube, Francisco Stromp. O antigo mecânico de Joaquim Agostinho e do Sporting recebeu o prémio “Dedicação”. Na carreira de Francisco Araújo acumulam-se 42 Voltas a Portugal em Bicicleta, 23 Campeonatos do Mundo, seis Tours (Volta à França), quatro Vueltas (Volta à Espanha) e a participação nos Jogos Olímpicos (Atlanta).

A memória dos antigos nas pernas dos novos

25 Nov 2008 10:30am

Por João Araújo, jornalista

O ciclismo vive o seu defeso, altura em que se chora o fim de algumas equipas mas se saúda o crescimento ou nascimento de outras. Para os corredores, a pré-temporada é a altura em que se começa a trabalhar o corpo e a mente a pensar em futuras conquistas e para os amantes da modalidade é quando se renovam as esperanças numa época de corridas disputadas, empolgantes e que, se possível, permitam assistir ao nascimento de novos valores.
Nesse sentido, o ano de 2009 parece ter tudo para superar as expectativas. A nível internacional, um só factor garantidamente devolverá o ciclismo às primeiras páginas: o regresso de Lance Armstrong, para o bem ou para o mal, arrastará consigo a atenção dos meios de comunicação de todo o Mundo. Daí que a organização do Giro, que vai comemorar o centenário, tenha sido genial ao garantir a presença do heptavencedor do Tour, ainda de candeias às avessas com os franceses por causa das intermináveis (mas não provadas) suspeitas de doping…
A nível nacional, as coisas passam-se naturalmente num outro plano de mediatismo, mas não deixam de ser igualmente curiosas. Tal como em relação a Armstrong, está em perspectiva uma espécie de regresso ao passado: os dois maiores clubes de Lisboa, outrora protagonistas de  episódios épicos do ciclismo português e que também por causa disso se tornaram grandes a nível nacional, deverão reeditar essas batalhas das duas rodas, mas no escalão de sub-23.
Benfica e Sporting – é quase garantido – terão equipas do escalão de esperanças e em Portugal, está provado, não há melhor maneira de atrair público para seja qual for a modalidade do que o envolvimento dos grandes, ainda que os sponsors possam queixar-se de falta de visibilidade…
Para completar o quadro, acrescente-se que no Cartaxo vai surgir uma formação profissional como forma de homenagear a memória de Nicolau e Trindade, antigas glórias do ciclismo nacional e… do Benfica e do Sporting! Como se o destino desta modalidade tão nobre fosse um eterno regresso ao passado como forma de garantir o futuro.
Questões filosóficas à parte, é inegável que o escalão secundário arrisca-se a ter honras de protagonista na época que se avizinha. E talvez isso possa vir a servir de paliativo ao sentimento de injustiça que certamente percorre os integrantes da Selecção Nacional de sub-23 que este ano ganhou a Taça das Nações e nem sequer se encontrava entre os nomeados para equipa do ano da Confederação do Desporto. Pode ser que enquanto uns se preparavam para desfilar nas carpetes do Casino do Estoril, esses outros esquecidos treinavam para passear classe pelas estradas portuguesas.

* Texto originalmente publicado na edição nº 33 do Jornal Ciclismo

Casactiva deixa o ciclismo

19 Nov 2008 6:31pm

O projecto mais vitorioso do escalão sub-23 em 2008 vai sofrer grandes alterações na próxima temporada. A maior de todas diz respeito à saída do principal patrocinador, a Casactiva. Apesar disso, a União Ciclista de Sobrado está de pedra e cal entre as Equipas de Clube e a planificação da temporada está a avançar. Registam-se já três contratações: Bruno Faria e Cristiano Teixeira (CC Barcelos/AFF Electrodomésticos) e Luís Afonso (Silva & Vinha/ADRAP). No campo oposto, foram dispensados Carlos Sabido e José Martins, devido à impossibilidade de participação de corredores elite nas principais corridas do escalão.

Outra equipa com a temporada já planificada é o Mortágua/DR Seguros/ERA. O conjunto liderado por Pedro Silva prescindiu dos serviços de Daniel Marques e Nuno Oliveira e promete ter um efectivo totalmente sub-23 em 2009. O plantel contará com nove elementos, entre os quais se encontram os cinco já contratados: Bernardo Carvalho e Rui Carvalho (ex-Crédito Agrícola/Alcobaça), Pedro Morgado (ex-Vulcal/Implenitus/CC Centro Crédito Agrícola), Pedro Paulinho (ex-Manuquímica/Ferrindal/Lousa) e Vasco Pereira (ex-LA Sistemas/SSS/Trevomar).

Duelo verde-rubro?

A temporada que aí vem pode ainda ser marcada por outro motivo de interesse: um duelo Sporting-Benfica nas estradas. Os encarnados, pela mão de Justino Curto e de Gonçalo Amorim, trabalham para se manterem no pelotão das Equipas de Clube, gorada que está a permanência entre a elite. Já o Sporting tem um projecto em marcha para regressar ao ciclismo. Ainda falta limar algumas arestas, mas tudo aponta para que seja possível o retorno dos leões.

A direcção desportiva leonina estará a cargo de Alexandre Gonçalves, que dirigiu os juniores do Lousa na última época. Os ciclistas já apalavrados são Fernando Machado e Joel Lucas (Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia), André Mourato (ex-Manuquímica/Ferrindal/Lousa), Flávio Gomes (ex-Maia/SEC/ABB), Paulo Costa (ex-LA/Sistemas/SSS/Trevomar), Rafael SIlva (ex-SM Feira/E. Lelcerc/Moreira Congelados) (RM Eventos/Vila Verde) e Sandro Pinto (Mortágua/DR Seguros/ERA).

Foto: PAD/JLS

José Santos: “Gosto mais de ciclismo do que de vitórias”

31 Out 2008 9:41pm

Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Santos, o director-desportivo há mais anos em actividade no ciclismo profissional luso fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pelo Boavista ao ciclismo português. Sem medo de criticar a dopagem, José Santos apela a uma mudança de mentalidades.
Como se dá a sua chegada ao ciclismo?
Foi em 1969, já lá vão quase 40 anos. Estive ligado a várias iniciativas: o ciclismo juvenil na Direcção-Geral dos Desportos, a fundação da Associação de Cicloturismo do Norte, também tive uma acção intensa no ciclismo popular. Mais tarde, fundei o Jornal Ciclismo e, durante sete anos, impulsionei o ciclocrosse em Portugal, organizando quase 20 provas por ano. Por contingências várias, não continuei e o ciclocrosse acabou em Portugal. Este ano ainda estudei a hipótese de retomar essa modalidade, mas desisti da ideia, porque não havia equipas nem atletas interessados.
Entretanto, também foi ciclista.
Sim, representei alguns clubes importantes: Coelima, Benfica, FC Porto. Fiz duas voltas a Portugal e concluí-as. Fui campeão nacional de pista, mas foi uma carreira um bocado em diagonal.
Como se dá a sua chegada ao Boavista?
O meu pai era o treinador e eu escrevia n’O Comércio do Porto. Acabou por proporcionar-se a minha entrada para o clube e cá estou há 25 anos.
Fez todo um percurso que fez de si o director-desportivo há mais tempo em actividade no ciclismo profissional português. Que balanço faz e que mudanças se observaram?
É verdade. Já tenho quase 30 voltas a Portugal no currículo. As mudanças não foram muitas. Os problemas que havia mantêm-se. Cheguei a ser seleccionador e director-técnico nacional. As reformas que então foram ensaiadas não tiveram grande repercussão, havendo pouca evolução da modalidade. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização em Portugal.
Isso não evitou que o ciclismo tenha perdido parte substancial da importância pública.
A causa foi a passagem das principais corridas da Empresa do Jornal de Notícias (JN) para uma entidade que não era credível e que não tinha capacidade para suportar o caderno de encargos proposto pela Federação. Além disso, era uma empresa sem capacidade, dentro da sua estrutura, para trabalhar a comunicação, coisa que o Jornal de Notícias fazia. Começou com força, através de transmissões em directo de muitas provas, mas o que é certo é que a maioria dessas corridas já não se realiza. A organização em Portugal dos Campeonatos do Mundo também afastou os média do ciclismo, porque se criou uma situação de descrédito: o país que organizava os Mundiais não os transmitiu pela televisão
Neste período deu-se também uma maior internacionalização das provas portuguesas. Foi positivo?
Não temos capacidade económica para tantas provas internacionais. Eu gostava que as nossas corridas fossem todas internacionais, mas não há suporte para isso e quase todas elas dão prejuízo. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
A ausência de um grande ídolo nacional e a saída de cena dos principais clubes não terão contribuído para a quebra de impacto da modalidade?
Penso que não. A saída do JN é que reduziu o ciclismo a uma actividade como as outras e até com menos importância. O ciclismo tem público, mas o afastamento desse grupo mediático provocou o afastamento de outros órgãos de comunicação social. Acresce que os jornais desportivos são produtos comerciais. A excessiva comercialização do jornalismo também é prejudicial.
Uma discussão cíclica respeita aos alegados benefícios dos clubes tradicionais para o ciclismo. Estando num, o Boavista, sente-se beneficiado ou prejudicado por isso?
Se houvesse mais clubes tradicionais, haveria mais público. Veja-se o caso recente do Benfica que atraiu mais público. No entanto, o inverso também é verdade e este desporto resistiu muitos anos sem os clubes. Toda a modalidade que não tenha Benfica, FC Porto e Sporting sofre com dificuldades de público e de exposição mediática.
As dificuldades financeiras do Boavista têm-se reflectido na equipa de ciclismo?
Para já, não, embora tenha alguma apreensão relativamente ao futuro. Fruto de uma gestão bastante equilibrada, temos os vencimentos todos em dia e toda a estrutura controlada. Isto foi conseguido com grande sacrifício e rigor. Mas o clube não estando bem, a secção pode vir a sofrer. A angariação de patrocinadores pode ser dificultada, porque a percepção pública da credibilidade da instituição não é a melhor.
A gestão equilibrada de que falava fez com que a equipa de ciclismo tenha mudado de objectivos constantemente, da equipa vencedora do início da década de 1990 até a desempenhos recentes mais comedidos. É fácil fazer essa transição de ambições?
Para quem gosta de ciclismo é natural. Eu gosto mais de ciclismo do que de vitórias. Somos das equipas mais antigas, porque sabemos o orçamento que temos e é com essas verbas que temos de viver, melhor nuns anos do que noutros. Quando temos ciclistas cujo vencimento ultrapassa as nossas possibilidades deixamo-los sair. Fomos a equipa portuguesa que maiores valores lançou no ciclismo nacional e internacional: José Azevedo, Jose Luis Rebollo, Josep Jufre, David Bernabeu, Adrian Palomares, Manuel Cardoso, por exemplo. Todos eles se iniciaram como profissionais no Boavista.
Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: o Cássio Freitas e o Joaquim Gomes. Ultimamente, o Tiago Machado, o José Azevedo ou o Pedro Silva também deixaram a sua marca. O Azevedo não fez aqui grande história, embora tenha cá passado os dois anos que considero mais importantes na carreira dele, porque as duas primeiras épocas como profissional são fundamentais.
Apesar das oscilações orçamentais, o palmarés é bastante preenchido.
Vencemos todas as provas nacionais. A dada altura só nos faltava o Porto-Lisboa e a Volta ao Alentejo, mas até essas corridas ganhámos. A nível internacional, estivemos presentes em algumas das principais competições: Volta a Espanha, Critério Internacional, Dauphiné Libèrè, Volta a França do Futuro, que vencemos por equipas…
Uma série de corredores que passaram pelo clube têm hoje tarefas de gestão de equipas de sub-23. Há no Boavista o cuidado de formar os atletas para que, finda a carreira, possam continuar na modalidade?
Sempre tivemos uma política de debate com os ciclistas. Não é por acaso que o Delmino Pereira é presidente-adjunto da Federação, que o Paulo Couto dirige a APCP e uma equipa, o Fernando Mota e o Pedro Silva estão à frente de equipas… Incentivamos a colocarem de pé alguns projectos. É importante o técnico dialogar com os corredores, espicaçando-os para a discussão. Provoco o debate e isso é importante como formação para que quem ganhou dinheiro com o ciclismo possa servir depois da modalidade com novos projectos.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

Serafim Ferreira: “O ciclismo português é uma utopia”

31 Out 2008 7:57pm

Acha que há um problema de recursos humanos no ciclismo?
Sem dúvida. As pessoas são as mesmas há muitos anos. Veja há quantos anos está o presidente da federação nesse cargo. Os dirigentes são sempre os mesmos. Os técnicos das equipas, mesmo não sendo velhos, mantêm-se há anos. Os comissários são sempre os mesmos. Já eram maus no meu tempo, agora continuam na mesma – não aprendem!
Estaria disponível para voltar ao activo, com a sua equipa, para mudar o que entende estar mal?
Nenhum elemento que esteve comigo no JN está agora no activo no ciclismo. Vários foram convidados, com boas promessas de ordenados, e ninguém aceitou.
Se calhar, com um convite seu voltariam.
Uma pessoa só pode entrar num barco destes se tiver um suporte por detrás, era preciso ter o apoio de uma grande empresa jornalística, que garantisse apoio financeiro e visibilidade mediática. Com essas condições reunidas, brincava com a federação e com a UCI. O ciclismo português tem especificidades muito próprias: não tem dinheiro, não tem corredores, não tem nada. O ciclismo português é uma utopia. O pouco que existe é fruto do entusiasmo de poucas pessoas.
O regresso dos clubes grandes poderia dar novo impulso?
Houve uma época em que achei que não. Actualmente, tenho dúvidas. Não sei se um eventual regresso do FC Porto e do Sporting resolveria alguma coisa. É certo que trariam mais gente à estrada, mas criavam problemas decorrentes das rivalidades, que hoje se manifestam no futebol e que contribuiriam para uma descredibilização ainda maior do ciclismo.
Há falta de novas figuras por falta de matéria-prima ou até há bons ciclistas que têm pouco destaque porque a cobertura das provas é diminuta e os feitos são pouco projectados?
Também é verdade que as vitórias são quase clandestinas. Mas, por exemplo, o Nuno Ribeiro ganhou uma Volta e nunca mais fez nada. O José Azevedo podia ter uma carreira brilhante, mas preferiu ser aguadeiro… São opções. A verdade é que poucas vitórias teve. Falta-nos uma figura a sério, que se imponha. Isto com um Agostinho…
Como vê a vinda para Portugal de corredores citados na “Operação Puerto”?
Somos o estertor, apanhamos o lixo todo. Não sei se esses rapazes estavam envolvidos ou não. E venha o primeiro ciclista que me diga a mim que nunca tomou nada. Chamo-lhe mentiroso. No entanto, esses espanhóis, que ninguém quer em lado nenhum, vêm para cá porquê? Porque somos uma merda. O ciclismo tem voltar a crescer e não é com esses gajos, que vêm cá só para sacar o deles. Assim não vamos a lado nenhum.
O seu discurso é muito pessimista. Acha que o ciclismo ainda faz sentido e ainda é popular?
Nada que se compare com o passado. Sou do tempo em que milhares de pessoas iam para a porta do JN ler no painel quem passou primeiro na Vidigueira. Isso acabou. As rádios já não dão as reportagens em directo. Nas chegadas há pouco público. Até com o “zé pagode” correram.
Que grandes memórias guarda do ciclismo?
Lidei com “n” presidentes da federação. Com todos me dei bem e de todos fui grande amigo. Sou amigo do Artur Lopes, porque digo mal dele. Mas eu digo mal dele é como dirigente, não é como pessoa. Ele como presidente da federação é um bom cirurgião, porque é um atraso de vida para o ciclismo português. Isso acontece desde que foi para a UCI.
Tem um discurso pessimista, mas seria necessário encontrar uma solução para que daqui a dez anos pudéssemos falar na Volta a Portugal como o grande acontecimento desportivo do Verão.
A Volta a Portugal não tem mais de cinco anos de vida, se a modalidade continuar como está. Ou o João Lagos abre os olhos e impede os senhores da federação de mandar ou acaba a Volta a Portugal. Sei que o contrato para organização da Volta foi renovado até 2013. São os tais cinco anos de vida. O senhor João Lagos, que é um homem de prestígio, quantas vezes aparece na Volta a Portugal? Isso é significativo.

Trabalho de João Santos e José Carlos Gomes, publicado em 6 de Fevereiro de 2008

Camisola com História – Orima-Cantanhede

31 Out 2008 6:26pm

O recordista de vitórias na Volta a Portugal, Marco Chagas, deu por terminada a sua carreira em 1990. Depois de ter representado colectivos com o prestígio do FC Porto ou do Sporting, colocou um ponto final na sua vida de ciclista ao serviço de um colectivo mais modesto, mas de uma região onde a modalidade está fortemente enraizada e onde, ainda hoje, a bicicleta é muito utilizada como meio de transporte quotidiano. Foi com as cores azul e amarelo do Orima-Cantanhede que Marco Chagas se despediu das estradas. A equipa era dirigida por Vítor Oliveira e Marco Chagas tinha, entre outros, como companheiro de equipa Jacinto Paulinho, pai do vice-campeão olímpico Sérgio Paulinho. Marco Chagas soube deixar o ciclismo na altura certa, quando ainda se mantinha muito competitivo. Prova disso é o quinto lugar final alcançado na Volta a Portugal desse ano, ganha de forma emocionante, no último dia, por Fernando Carvalho, que aproveitou um contra-relógio com final no estádio da Maia para roubar a camisola amarela a Joaquim Gomes. A equipa publicitando os electrodomésticos Orima esteve nas estradas entre 1988 e 1991, tendo Cantanhede regressado anos mais tarde ao pelotão principal sob a designação de Cantanhede-Marquês de Marialva. Nas camadas jovens, o clube ainda hoje continua a dar cartas.

Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/