A Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), na berlinda devido ao “caso Carlos Queiroz”, também avocou e alterou uma decisão tomada pelo Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), penalizando o veterano Salvador Pereira com dois anos de suspensão, um acrescento de dez meses face à pena decidida pelo órgão federativo.
O corredor acusou 19-norandrosterona durante a Volta a Portugal Master de 2009. O processo no órgão disciplinar da FPC ficou concluído em 22 de Fevereiro de 2010, sendo aplicada ao corredor uma suspensão de 14 meses, inferior ao período regulamentar, que vai de dois a oito anos de inibição de exercício da actividade. Para esta decisão, o Conselho Disciplinar levou em conta quatro atenuantes: Salvador Pereira confessou ter tomado suplementos nutricionais comprados na Internet, foi a primeira infracção deste ciclista, o corredor mostrou-se arrependido e não é ciclista profissional.
A ADoP avocou o prcesso em 8 de Julho, quatro meses e meio depois da sanção inicial. Analisando o acórdão do Conselho Disciplinar da FPC, a Autoridade Antidopagem de Portugal entendeu que o mesmo se baseava em legislação que já estava revogada por lei. Nesse sentido, decidiu aplicar a pena mínima prevista, dois anos, sem redução por atenuantes.
Tito Timóteo (Aluvia/Valongo/AC Sobrado), vencedor da Volta a Portugal Masters na categoria C e Salvador Pereira (UDAR-Quinchães), vencedor da 5.ª etapa disputada na Póvoa de Varzim e segundo classificado na geral na categoria Masters A, foram alvo de um controlo positivo na competição disputada entre 22 e 26 de Julho. Timóteo acusou no organismo a presença de nandrolona e efedrina, já Salvador Pereira foi dado como “positivo” pela presença de nandrolona no organismo.
As contra-análises já efectuadas confirmam os resultados, dando abertura a procedimento disciplinar da UVP-FPC cujas sanções prevêem um mínimo de dois anos de suspensão. Sendo reincidente – controlo positivo nos campeonatos nacionais de veteranos 2007 – Tito Timóteo poderá ser castigado com uma suspensão mais pesada.
“Estou inocente. Não me dopei. Fui três vezes controlado e só uma é que deu positivo. É tudo muito estranho. Por isso não fui à contra-análise. Assunto irá ser tratado pelos meus advogados que irão provar que tenho razão”, avalia Timóteo.