O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Ciclismo teve mão pesada no chamado “Caso LA-MSS”, castigando seis elementos da equipa, incluindo o director-desportivo, Manuel Zeferino, e o médico, Marcos Maynar. O clínico espanhol é o mais penalizado pela decisão, que lhe aplica uma pena de dez anos de afastamento do ciclismo, pois o órgão disciplinar deu como provado que Maynar prescreveu ou forneceu substâncias dopantes aos ciclistas. Manuel Zeferino foi multado em 2800 euros por não ter zelado pela saúde dos atletas. Estes dois responsáveis estão ainda sob alçada da justiça civil, pois o Ministério Público acusou-os da co-autoria de 16 crimes.
De entre os corredores, os mais penalizados foram Rogério Batista e Pedro Cardoso, ambos suspensos por dois anos, embora o “capitão” da equipa já tenha abandonado a modalidade. Batista é acusado de ter manipulado uma amostra antidopagem com recurso a uma protease que destrói os traços de EPO. Cardoso é castigado por posse de produtos dopantes, o mesmo delito que o Conselho de Disciplina dá como provado nos casos de Afonso Azevedo (um ano e oito meses de suspensão) e Cláudio Faria (um ano e dois meses).
Foram absolvidos os outros elementos envolvidos no processo: o presidente do clube, Luís Almeida, os massagistas Fernando Maia e Paulo Oliveira Silva, e os corredores Tiago Silva e João Cabreira. Este foi alvo de um processo à parte, por viciação de uma amostra antidopagem – caso similar ao de Rogério Batista – e foi condenado a dois anos de suspensão pelo Conselhos de Disciplina. Um recurso para o Conselho de Jurisdição ilibou o corredor, mas a Agência Mundial Antidopagem não se deu por convencida e recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto, instância onde ainda decorre o processo.
Às suspensões hoje anunciadas deve ser deduzido o ano de suspensão provisória a que estiveram sujeitos os visados e que terminou no passado mês de Junho. Os castigos do órgão disciplinar da federação são passíveis de recurso para o Conselho de Justiça, pelo que o caso ainda está longe de estar encerrado.
A etapa é um contra-relógio da Volta a Portugal, realizado em Mirandela, em 1993. O ciclista em destaque é Paulo Oliveira Silva, actual massagista da LA-MSS. Na altura ainda não era obrigatório usar capacete e o corredor aproveita para levar a cabeça ao vento, para refrescar do calor transmontano. A equipa de Paulo Silva era a mais modesta do pelotão: Portugal Telecom/Zequim/Carnide.
Corria o ano de 2000 quando o pelotão da Volta ao Alentejo teve uma chegada em alto na Serra de São Mamede, no mesmo ponto onde em 2008 a corrida ficou decidida. Há oito anos, o mais forte foi Claus Möller (Maia-MSS), cuja máscara de esforço não deixa dúvidas acerca da dureza deste prémio de montanha. O dinamarquês, que ingressava no ciclismo português depois de cumprida uma suspensão por dopagem, ganhou a etapa-rainha e a Volta ao Alentejo. Na imagem, vê-se ainda o massagista da equipa, Paulo Oliveira Silva – ainda hoje ao serviço do grupo liderado por Manuel Zeferino – a dar a primeira assistência e os parabéns ao herói da dura jornada.