A Milram apresentou-se esta manhã com ambição renovada e com o desejo de apagar a má imagem deixada em 2009, quando não foi além de sete triunfos. “Um vencedor tem plano, um perdedor tem uma desculpa. Já não temos tempo para mais desculpas”, disse o director-geral da formação germânica, Gerry van Gerwen.
O responsável tem a fasquia bem definida: “Com uma equipa como estas e com estes jovens talentos é possível alcançar 25 vitórias. Só aceitarei menos, umas 15, se entre elas estiverem uma clássica e uma etapa nas três grandes voltas por etapas”. No último ano com patrocínio da empresa de lacticínios Milram, o grupo desportivo parte com a pressão de obter resultados para conseguir um novo patrocinador para 2011.
A Milram enfrenta 2010 com um efectivo de 24 corredores, dos quais 19 transitam da época passada. Dois terços do plantel têm a mesma nacionalidade da equipa.
Continuam: Gerald Ciolek, Markus Eichler, Robert Förster, Markus Fothen, Thomas Fothen, Johannes Fröhlinger, Artur Gajek, Linus Gerdemann, Servais Knaven, Christian Knees, Dominik Roels, Thomas Rohregger, Matthias Russ, Björn Schröder, Wim Stroetinga, Niki Terpstra, Paul Voss, Fabian Wegmann e Peter Wrolich.
Reforços: Wim De Vocht (Silence-Lotto), Roger Kluge (LKT), Dominik Nerz (amador), Luke Roberts (Kuota) e Roy Sentjens (Silence-Lotto).
Há alguns anos – creio que foi em 1995 – fiz uma entrevista a Adriano Baffi que me marcou positivamente. O cotado “sprinter”, que infelizmente ficou mais conhecido por ter provocado uma queda tremenda ao então companheiro de equipa Cipollini numa chegada, estava em final de carreira e veio à Volta a Portugal.
Com a tranquilidade que só os anos dão e respaldado por um palmarés respeitável, Baffi mostrou-me um lado filosófico que vi em muito poucos ciclistas e atrevo-me mesmo a dizer em, muito poucos desportistas profissionais. Talvez à excepção de Pedro Horrillo, mas isso é outra conversa.
Disse-me na altura o italiano, traduzindo em palavras aquilo que certamente muitos pensam mas temem ou não conseguem expressar, que o ciclista é um grande humanista. E porquê? Porque além dos valores ecológicos facilmente associáveis à bicicleta, é alguém com enorme espírito de sacrífício e isso ensina a dar valor às coisas que realmente importam.
Neste ponto é legítimo perguntarem-se se não seria o facto de já ter uma conta bancária bem recheada que lhe permitia ter esta atitude relaxada e contemplativa. Talvez sim, mas prefiro acreditar que há características positivas que nascem e se desenvolvem com as pessoas, independentemente das condições materiais.
Vem esta recordação do Adriano Baffi a propósito da recente notícia de que a Milram vai usar bidões biodegradáveis de forma a contribuir para a preservação ambiental. Numa perspectiva de golpe publicitário, não podia vir mais a propósito, tendo coincidido praticamente com a badalada cimeira de Copenhaga, onde se discutem emissões de gases em vez de se pensar como encher os estômagos dos milhões que morrem de fome por esse planeta fora…
Caso não se tenha tratado de um mero golpe publicitário, penso que a Milram resolveu aquele que, para mim, sempre foi um dos grandes enigmas do ciclismo e, ao mesmo tempo, provavelmente a sua maior contradição: como pode o ciclismo representar os valores da ecologia e o ciclista ser um profundo humanista, logo amigo do ambiente, se cada temporada de corridas significa deixarem-se centenas, milhares, milhões de bidões de plástico pelas bermas das estradas, por montes e vales, alguns dos quais quase imaculados pela privilegiada localização, em altitude ou em zonas de difícil acesso?
É evidente que há também o aspecto dos gases de escape, de carros de apoio, veículos das caravanas publicitárias ou motas que acompanham as corridas, mas é melhor deixar isso para depois… Para já, parece-me que esta atitude da Milram, além de excelente promoção para a equipa, está a dar razão a Adriano Baffi e às suas palavras sábias de há mais de uma década: o ciclismo e os ciclistas são profundos humanistas.
João Araújo é jornalista do Jornal OJOGO e colaborador desde a primeira edição do Jornal Ciclismo.
A equipa alemã Milram juntou-se àqueles que se preocupam com o Ambiente e anunciou que, em 2010, os seus corredores irão utilizar bidons cem por cento biodegradáveis. O que isto quer dizer é que, sempre que um corredor da Milram atire um bidon para a berma da estrada não estará a poluir o planeta, pois o material de que o acessório é feito tem propriedades para se ir transformando até desaparecer, não sendo um resíduo que se acumula.
A Milram irá dispor de cerca de 25 mil bidons biodegradáveis, fabricados pela Tacx. A medida ecológica da formação germânica foi tornada pública no dia em que começa em Copenhaga a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima.
Foto: Team Milram
A equipa alemã Milram escolheu para a Volta ao Algarve uma equipa em que os sprinters terão a palavra principal, na luta pelo triunfo em etapas. Gerald Ciolek, que recentemente venceu uma tirada no Challenge de Maiorca, e Robert Förster, que ganhou duas etapas na Algarvia de 2008 e que este ano apurou a forma na Volta ao Qatar serão os elementos em destaque. A formação germânica revelou hoje quais os seis ciclistas que acompanharão Ciolek e Förster nas estradas portuguesas: Markus Fothen, Thomas Fothen, Artur Gajek, Björn Schröder, Niki Terpstra e Peter Wrolich.
“A Volta ao Algarve é uma corrida por etapas feita para os ciclistas rápidos”, considera Ciolek.”Vamos para a corrida com uma equipa forte para discutir os sprints. O Challenge de Maiorca foi um bom começo de temporada, permitindo-nos recuperar o espírito de grupo depois de um longo defeso. Quando podemos trabalhar em equipa, como faremos em Portugal, certamente temos uma palavra a dizer na corrida”, acrescentou o chefe-de-fila da Milram para o Algarve.
A formação alemã Milram operou uma profunda reforma do seu efectivo após o fim de carreira de Erik Zabel e o despedimento do italiano Alessandro Petacchi para apostar, doravante, nas duas grandes esperanças do ciclismo alemão, Gerald Ciolek e Linus Gerdemann. Aquando da apresentação oficial da equipa em Dortmund (oeste), Ciolek, campeão do mundo 2006 de sub-23, e Gerdemann, camisola amarela da Volta da França 2007, com respectivamente 22 e 26 anos, assumiram os seus primeiros passos como líderes de uma equipa profissional. Os dois corredores, sob contrato em 2008 com a Columbia (ex-T-Mobile), encarnam “o novo rosto do ciclismo alemão” , insistiu Gerry Van Gerwen, o director desportivo que confirmou o novo credo da sua equipa: “Tudo será diferente”.
Após um ano 2008 marcado por uma nova série de escândalos (controlo positivo Stefan Schumacher, anulação da Volta Alemanha 2009) e pelo desmantelamento da equipa Gerolsteiner, por falta de patrocinador, a Milram é a última formação alemã do pelotão profissional. Com Ciolek e Gerdemann, e assegurados do apoio do grupo lácteo Nordmilch pelo menos para 2009, a formação deu um forte impulso ao ciclismo alemão (17 de 25 corredores) numa equipa durante muito tempo dominada por corredores italianos. A Milram virou ainda a página da sua especialização nas chegadas ao sprint”. A equipa está muito mais completa que nos últimos anos, com especialistas nas Clássicas, sprinters e corredores que podem visar a geral e a classificação da montanha nalgumas corridas” , avaliou Gerry Van Gerwen.
Fonte: AFP
A empresa leiteira Nordmilch, principal patrocinador do Team Milram, anunciou hoje a continuidade do acordo de sponsorização por mais um ano, colocando um ponto final quanto a uma eventual quebra de contrato com a única equipa ProTour do ciclismo germânico. “É uma muito boa notícia, apesar de estar confiante que a equipa seguiria”, adiantou Linus Gerdemann, novo chefe-de-fila da Milram. O acordo de sponsorização refere somente a temporada 2009 e valerá oito milhões de euros.
A 35ª edição da Volta ao Algarve, que será disputada entre 18 e 22 de Fevereiro, terá de novo um pelotão de luxo. A três meses do tiro de partida, está já confirmada a participação de seis blocos estrangeiros, destacando-se entre eles quatro do escalão ProTour: Columbia, Milram, Quick Step e Silence-Lotto. As outras duas formações garantidas são a Topsport Vlaanderen e a Vacansoleil, que deverá apresentar-se com o recente vencedor da Volta a França do Futuro, o belga Jan Bakelants.
A definição do traçado está mais atrasada, pois depende das negociações com as autarquias da região. Nenhuma possibilidade está fechada, mas é improvável a realização de uma chegada em montanha. Maiores probabilidades existem para que uma das tiradas seja em sistema de contra-relógio, mas nem isso é garantido. A Volta ao Algarve tem vindo a definir-se como a prova portuguesa com pelotão mais valioso. Para isso contribui o clima da região na altura do ano em que a corrida se disputa, assim como as características dos percursos, que permitem dar rodagem aos ciclistas que preparam com afinco as clássicas europeias da Primavera.