“Ainda há muitas pessoas no ciclismo que têm enraizados hábitos de dopagem e que estão a afundar a modalidade. É preciso começar com uma nova geração com outra mentalidade”. Quem o diz é o presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), Luís Horta, em entrevista ao Diário de Notícias.
O médico nega que o ciclismo seja uma modalidade mais controlada do que outras em Portugal, explicando que as estratégias de combate à dopagem são diferentes, consoante os desportos e o tipo de substâncias mais usadas. “No ciclismo faz-se determinadas coisas que não se fazem no futebol porque um programa antidopagem inteligente tem estratégias diferentes para situações diferentes. As substâncias que se utilizam e os momentos em que se usam são diferentes. Fazemos despiste de EPO no futebol e iremos fazer muitas mais, mas nunca tivemos um caso de EPO nesta modalidade e por isso e não tem muito sentido implementarmos o passaporte biológico também para o futebol. O problema do ciclismo é grave, tal como em outras modalidades que terão passaporte biológico, nomeadamente o atletismo, nas disciplinas de fundo, cuja situação não está controlada como gostaríamos”, afirma.
Luís Horta diz-se preocupado com a crise que assola o ciclismo luso. “A situação no ciclismo preocupa-me muito, por o número de equipas estar a diminuir, por existirem ciclistas sem equipa e por haver cada vez menos patrocinadores. Infelizmente tivemos de chegar a este ponto, ao qual poderíamos não ter chegado”, lamenta, recordando o processo movido pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais e que impediu o sistema de localização dos corredores, há três anos.
O presidente da ADoP confessa que ficou surpreendido com a absolvição de Manuel Zeferino e Marcos Maynar no chamado “processo LA-MSS”, mas aguarda com expectativa o desfecho do recurso apresentado pelo Ministério Público.
O presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), Luís Horta, admite que há no mercado diversos suplementos nutricionais contaminados com metilhexaneamina, mas lembra que, face aos regulamentos, as eventuais atenuantes a aplicar “não podem ser superiores a metade do período de suspensão prevista para um caso positivo com essa substância”. Ou seja, no caso de Rui Costa e de Mário Costa, mesmo que se prove que não tiveram intenção de dopar-se, as sanções nunca poderão ser inferiores a um ano, uma vez que a pena mínima aplicável é de dois anos.
Rui Costa e Mário Costa garantem ter mandado analisar um suplemento alimentar que ingeriram num laboratório acreditado e que o resultado desse teste aponta para a contaminação com a substância proibida metilhexaneamina. O procedimento dos dois corredores, segundo explicação de Luís Horta ao Jornal Ciclismo, foi o correcto para tentarem provar a inocência. Qualquer desportista que pretenda provar a origem de determinado produto num suplemento contaminado deve “solicitar a laboratórios especializados que analisem os suplementos”, refere o presidente da ADoP.
Questionado sobre se a ADoP admite avocar os processos, tendo em conta a demora na decisão por parte da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Luís Horta não fecha a porta a essa possibilidade, dizendo apenas que “a ADoP aguarda por enquanto a decisão dos casos pelo Conselho de Disciplina da FPC”.
Dois corredores acusaram a presença do estimulante metilhexaneamina no controlo antidopagem realizado após o campeonato nacional de contra-relógio, disputado em Junho, em Santa Maria da Feira. A revelação coube ao presidente da Autoridade Antidipagem de Portugal, Luís Horta, em declarações ao jornal Record. “O que posso apenas dizer é que há dois positivos no contrarrelógio de elites. Por norma não costumamos divulgar os nomes”, afirmou o médico ao diário desportivo.
O caso deu-se na prova de elite, ganha por Rui Costa, que teve a seu lado no pódio Sérgio Sousa (Madeinox-Boavista), segundo classificado, e o irmão, Mário Costa (Barbot-Siper), terceiro.
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Artur Lopes, diz haver vários casos de eventual dopagem no ciclismo que permanecem em estudo. São “casos complexos, comparáveis ao de Liedson”. O jogador de futebol do Sporting acusou a presença de resíduos de uma substância proibida que não foi confirmada pela contra-análise.
A substância detectada nos dois ciclistas na prova de contra-relógio esteve mais recentemente em foco, pois foi utilizada por dois velocistas de atletismo nos Jogos da Commonwealth.
A introdução do passaporte biológico, em 2008, fez cair o recurso à dopagem sanguínea no ciclismo. Esta é a principal conclusão que se pode retirar da comunicação apresentada na noite de ontem por Mario Zorzoli, conselheiro científico da União Ciclista Internacional (UCI), no colóquio “Onda Azul Antidopagem”, que se realizou em Viseu.
Intervindo sobre a experiência de aplicação do passaporte biológico ao ciclismo, o médico explicou que as análises feitas ao longo dos anos aos corredores das equipas de todo revelam diferentes perfis de reticulócitos, que são glóbulos vermelhos jovens, cuja presença excessiva indicia recurso a transfusões sanguíneas e/ou administração de EPO.
O italiano afirmou que, antes da criação dos testes de detecção de EPO, as análises aos ciclistas revelavam valores elevados de reticulócitos, sobretudo nos testes feitos em competição. Quando passou a ser possível detectar EPO, os reticulócitos começaram a cair nos testes feitos em competição, mas subiram exponencialmente quando as amostras eram recolhidas fora de competição, o que indiciava recurso a novas técnicas de dopagem, durante os períodos de preparação e não em competição. A introdução do passaporte biológico voltou a modificar os dados: diminuiu drasticamente a quantidade de casos de reticulócitos em excesso, tanto em competição como fora de competição.
Enquanto método indirecto de detecção de violações dos regulamentos, porque não detecta substâncias mas recolhe indícios, que têm de ser validados por peritos para darem lugar as sanções, o passaporte biológico tem mostrado, na opinião de Zorzoli, ter múltiplas valências. Torna-se dissuasor do recurso à dopagem, permite encontrar infractores através dos perfis criados e, nos casos em que os perfis não são conclusivos, coloca alguns corredores sob suspeita, passando a incidir sobre eles controlos mais apertados que já têm permitido encontrar alguns positivos.
O colóquio “Onda Azul Antidopagem” contou ainda com as intervenções do presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), Luís Horta, e da responsável da UCI pelo combate à dopagem, Francesca Rossi. A transalpina lembrou que os batoteiros continuam um passo à frente: “Enquanto o antidoping está na superfície, o doping já está num nível mais profundo”.
Para mudar essa situação, Luís Horta defendeu, antes de mais, a necessidade de “mudar a cultura segundo a qual não é possível fazer ciclismo de estrada ao mais alto nível sem dopagem”. Enquanto as mentalidades não mudam, o dirigente da ADoP pugna pela compressão de alguns direitos dos desportistas, como o direito à privacidade. Na opinião do especialista, é necessário o cruzamento de dados de desportistas entre as diversas instituições internacionais que combatem a dopagem, além de ser essencial o controlo da localização dos desportistas. Tudo isto são “imensas invasões da privacidade dos desportistas”, pelo que estes métodos devem ser utilizados segundo o “princípio da proporcionalidade”, algo que Luís Horta entende que tem sido cumprido.
Para o futuro próximo, o presidente da ADoP promete uma novidade, acordada em reunião com os ciclistas profissionais portugueses. Os corredores vão poder fazer por sms alterações à localização, sempre que se afastem do local indicado no respectivo formulário.
O colóquio “Onda Azul Antidopagem” atraiu mais de uma centena de pessoas, que acorreram ao Solar do Vinho do Dão para participarem na jornada de reflexão.
A cidade de Viseu vai receber, no dia 3 de Agosto, o “Colóquio Onda Azul Antidoping”, que vai juntar três especialistas internacionais, na noite que antecede o arranque da Volta a Portugal. A sessão realiza-se no Solar do Vinho do Dão, estando o início marcado para as 21h00.
O painel de conferencistas conta com o português Luís Horta e com os italianos Mario Zorzoli e Francesca Rossi. O presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal fará uma comunicação sobre “A Luta Contra a Dopagem no Desporto e a Protecção da Privacidade”. O médico e conselheiro da União Ciclista Internacional (UCI), Zorzoli, vai expor a a experiência da UCI com a implementação do passaporte biológico.
A recentemente empossada responsável antidopagem da UCI, Francesca Rossi, apresenta uma comunicação com um título curioso: “Antidoping… em comprimidos”.
A iniciativa insere-se na parceria estabelecida entre a Liberty Seguros e a Federação Portuguesa de Ciclismo, entidades promotoras do colóquio.
João Cabreira e Luís Horta foram, nesta manhã, os ausentes mais presentes na segunda sessão do julgamento em que Manuel Zeferino e Marcos Maynar são arguidos, acusados de 16 crimes de dopagem e de manipulação e corrupção de substâncias alimentares e medicamentosas no seio da extinta equipa LA-MSS. O corredor foi chamado à colação devido à condenação de que foi alvo pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), ao passo que o médico foi insistentemente referido pelos advogados de defesa, cuja estratégia passa por conseguir que tribunal não ouça o perito, alegando que Horta teve um papel determinante na investigação e na acusação.
Os advogados foram confrontados com a junção ao processo, por parte do Ministério Público, de uma cópia da decisão do TAD que condenou João Cabreira por manipulação de amostra antidopagem com recurso a protease. A defesa dos dois arguidos pediu que o referido documento não fosse aceite neste processo até que se cumprissem duas condições: que estivesse traduzido e não na língua original (francês) e que houvesse indicação clara de qual a proveniência do documento. Perante os requerimentos, o colectivo de juízes tomou uma decisão que satisfará todas as partes. Decidiu que a sentença do TAD é importante para o processo e decidiu pedir uma certidão da mesma ao TAD, solicitando que a indique se a condenação de João Cabreira é ou não passível de recurso.
As questões colocadas às testemunhas pelas defesas dos dois arguidos, nomeadamente ao chefe de brigada da Polícia Judiciária (PJ) que investigou o caso e um dos inspectores da PJ, foram no sentido de perceber o papel de Luís Horta no desenrolar das investigações. Várias perguntas, sobretudo feitas pelo advogado de Marcos Maynar, coloram ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal o rótulo de “investigador”, dando, assim, força à tese desenvolvida na sessão anterior, através de requerimento, que pretende que o tribunal não aceite o depoimento de Luís Horta enquanto perito, por considerá-lo parte da acusação.
O defensor do médico Marcos Maynar, ainda na fase em que se discutia a junção ao processo da cópia da sentença do TAD, acusou Luís Hora de perseguição. “O arguido Marcos Maynar não esconde nem nunca escondeu a firme convicção de que a actuação do IDP/CNAD/Doutor Luís Horta que desencadeou o presente procedimento, tal como outros já arquivados, constitui uma actuação persecutória ao arguido, talvez por o ciclismo português querer impressionar um responsável político no âmbito do desporto nacional e por aquela instituição/pessoa não apreciar o ciclismo português”, frisou Caldeira Fernandes.
A este respeito, os investigadores policiais esclareceram que o papel de Luís Horta foi central, por ausência de alternativa. Enquanto responsável máximo pelo combate ao doping em Portugal teria de ser consultado em casos destes. Sobre o facto de a investigação ter radicado numa denúncia apresentada por Luís Horta, o chefe de brigada, Sacramento Monteiro, foi taxativo: “Faz parte das suas funções, se não denunciasse cometia um crime”. Ficou-se ainda a saber hoje que as autoridades portuguesas de luta contra a dopagem receberam uma denúncia anónima, redigida em castelhano por alguém que se disse corredor espanhol a exercer a profissão em Portugal, que lamentava aquilo que considerava ser a dopagem generalizada na LA-MSS.
A ideia da dopagem “generalizada, sistemática e integrada no treino” foi a conclusão a que chegaram os investigadores da Polícia Judiciária, frisou o chefe da brigada. O inspector revelou ter concluído dessa forma pela conjugação das diversas provas recolhidas. Pela tese da acusação, Marcos Maynar estabeleceu os planos de treino e dopagem, passando-os a Manuel Zeferino, que deveria comunicá-los aos corredores, para que estes os pusessem em prática. Para defender esta ideia, o investigador refere a existência no computador do médico de planos individuais de treino e dopagem, semelhantes a um que foi encontrado na pasta pessoal do director-desportivo. As drogas apreendidas na casa de alguns corredores corresponderiam ao plano elaborado e a centrifugadora que estava no camião da equipa serviria para medir e ajustar os níveis.
“A combinação encontrada no camião – centrifugadora e substâncias mascarantes – permite ir medindo os valores do sangue e corrigindo com os mascarantes se os níveis ultrapassarem os legais”, explicou Sacramento Monteiro. Na sessão anterior, Maynar disse que os planos de dopagem que tinha no computador tinham-lhe sido enviados pelos corredores e haviam sido prescritos pelo médico anterior, que Maynar identificou como Jesús Losa, clínico ligado a escândalos de dopagem na Europa mas que os ciclistas interrogados afirmaram desconhecer.
Outra testemunha foi o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Artur Lopes. O dirigente federativo não soube responder às perguntas concretas da advogada de Manuel Zeferino. Marina Albino pretendia que Artur Lopes especificasse quais os corredores da LA-MSS que acusaram doping em competição. A questão surgiu porque consta do processo um ofício da FPC que indica ter havido duas infracções ao regulamento antidopagem, em competição, no seio da extinta equipa poveira. Como não soube esclarecer os casos concretos, Artur Lopes, ficou de enviar por escrito um relatório completo, no prazo de cinco dias.
Testemunhas abonatórias
A sessão da tarde foi quase toda preenchida com a audição de testemunhas abonatórias de Manuel Zeferino, que foram unânimes no reconhecimento das qualidades humanas e profissionais do técnico, frisando nunca terem ouvido dizer que o director-desportivo dopasse ou incentivasse os seus corredores à dopagem. Depuseram o agente de corredores Juan Campos, o adjunto de Zeferino na Maia e na Póvoa, Casimiro Antunes, o mecânico da equipa, Manuel Neves, o ex-presidente da União Ciclista da Maia, Aires Azevedo, o dirigente do ciclismo do Boavista Tavares Rijo e o antigo corredor e actual comentador televisivo Marco Chagas. Vítor Zeferino, filho do arguido, depôs para dizer que lhe pertenciam os medicamentos encontrados em casa do pai, aquando da busca.
Três testemunhas arroladas pela defesa de Manuel Zeferino puseram em xeque o depoimento prestado na sessão anterior por Luís Almeida, patrocinador principal da equipa e presidente do clube. Manuel Neves e Casimiro Antunes garantiram que Manuel Zeferino nada tinha a ver com a negociação dos contratos e com os pagamentos das despesas e dos ordenados, cabendo essa função a Luís Almeida. Este assegurara que apenas financiava o projecto e que toda a gestão era da conta do director-desportivo. Aires Azevedo, que presidia a União Ciclista da Maia quando Zeferino treinava a equipa, declarou que também nesse projecto os pagamentos cabiam ao presidente e não ao técnico.
Pedro Cardoso foi chamado de novo a tribunal para identificar o saco onde armazenava, na garagem, grandes quantidades de substâncias dopantes. O ex-corredor insistiu na versão de que o saco lhe fora entregue pelo médico Marcos Maynar e que não lhe mexeu durante os quase seis meses que o teve em casa. Cardoso testemunhou que os inspectores da PJ abriram o saco na sua presença.
Uma reunião de trabalho inédita decorreu na tarde de segunda-feira, no Porto: de um lado os ciclistas, e, de um outro, a Alta Autoridade Anti-dopagem de Portugal (ADOP), representada por Luís Horta. O encontro teve lugar nas instalações do Instituto de Desporto e pretendeu esclarecer algumas dúvidas essencialmente relacionadas com a notificação dos controlos anti-doping surpresa.
“Foi uma reunião de trabalho durante a qual os ciclistas colocaram algumas questões que foram esclarecidas pelo Dr. Luís Horta. Considero este encontro, que serviu essencialmente para tirar dúvidas sobre o sistema de localização e da regra dos 60 minutos, foi muito positivo. Também foi abordada a futura aplicação do Passaporte Biológico”, resumiu Paulo Couto, presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP) e, ainda, da CPA, a Associação Internacional de Ciclistas Profissionais. No encontro estiveram presentes 32 ciclistas profissionais.
O ciclismo continuou em 2009 a liderar os números, com dez casos, quatro em competições internacionais, mais um do que no ano anterior. Estes quatro incluem os positivos de três ciclistas da Liberty Seguros, durante a Volta a Portugal: Nuno Ribeiro, o vencedor da prova, Isidro Nozal e Hector Guerra.
O encontro decorreu uma semana após a divulgação do relatório anual da actividade do LAD que debruçou-se na análise de 3830 amostras. No total, em Portugal foram detectados 51 casos de dopagem, abrangendo 23 modalidades. O ciclismo voltou a figurar no relatório do LAD: Os positivos por CERA de Nuno Ribeiro, Hector Guerra e Isidro Nozal – todos ciclistas da Liberty Seguros – e ainda um caso no ciclismo amador constituíram quatro infracções anti-dopagem.
O presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), Luís Horta, explica que o cadete João Pinto e o júnior Daniel Freitas podem, de facto, ter acusado morfina sem que tenham usado aquela substância. Em declarações ao Jornal Ciclismo, o rosto da luta antidopagem em Portugal afirma que “a codeína pode ser metabolizada em morfina. São dois analgésicos narcóticos, isto é, substâncias que aumentam o limiar da dor e que, por isso, são utilizadas quando se requer uma analgesia rápida e potente. A morfina, assim como uma série de outros analgésicos narcóticos constam da Secção S.7 Narcóticos da Lista de Substâncias e Métodos Proibidos. A codeína, por ser um narcótico menos potente, não integra essa secção”, frisa o médico.
Apesar de ser menos forte, a utilização da codeína acarreta riscos graves para a saúde e até para a vida dos atletas, pelo que não pode ser administrada sem acompanhamento médico. “A codeína só pode ser adquirida através de prescrição médica e, por isso, obedecendo a critérios clínicos muito bem definidos. A sua utilização não terapêutica ou em doses supra-terapêuticas pode representar um risco para a saúde dos praticantes desportivos devido ao facto de mascarar as sensações de fadiga e os sinais anunciadores de desidratação, fazendo com que o praticante desportivo ultrapasse os seus limites fisiológicos, podendo inclusivamente pôr a sua vida em risco”, alerta o presidente da ADoP.
Os estudos que revelam a possibilidade de a codeína ser transformada organicamente em morfina vão mais longe, oferecendo outros dados que, em caso de dúvida, ajudam as autoridades competentes a desvendarem possíveis casos de falsos positivos. “Estes estudos demonstram que nas primeiras horas de excreção urinária após a administração de codeína, os valores de codeína são sempre superiores aos valores de morfina, levando a que a razão morfina/codeína seja inferior a 1. A decisão de cada caso deve, assim, levar em consideração não só os valores de codeína e morfina detectados, mas também os valores da referida razão e a sua conjugação com a dose de codeína que eventualmente foi administrada. Para a interpretação correcta dos resultados torna-se fundamental que o praticante desportivo tenha declarado, no momento do controlo de dopagem, a administração de codeína e, preferencialmente, a respectiva dose”, sublinha o responsável.
As declarações de Luís Horta ao Jornal Ciclismo ajudam a compreender a situação de João Pinto e Daniel Freitas em termos teóricos, uma vez que o médico nunca se refere ao caso específico destes dois ciclistas, que acusaram morfina nas Voltas a Portugal de cadetes e de juniores. Tendo em conta que João Pinto foi ilibado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Ciclismo, presume-se que o corredor tenha revelado que ingeriu codeína e em que dosagem, de modo a que a decisão final tenha contemplado esse facto no estudo da relação codeína/morfina encontrada na urina do corredor.
Apesar de João Pinto ter já sido ilibado, Daniel Freitas aguarda uma decisão final acerca do seu caso pessoal.
Luís Horta, director do Laboratório de Análises de Dopagem, afiança que o Ministério Público está já acompanhar o Caso Liberty e os três casos de dopagem por CERA. Nuno Ribeiro, duplo vencedor da Volta a Portugal, e os espanhóis Hector Guerra e Isidro Nozal acusaram a mesma substância proibida no mesmo controlo algo que surpreendeu o responsável do LAD. “Os nossos médicos tiveram dificuldade em realizar esse controlo”, explica o médico na edição impressa do Jornal Record. “É pouco comum que uma equipa acuse tantos casos. Mais estranho ainda é que um médico tenha sido demitido por uma equipa espanhola quando se soube dos casos da Liberty”, acrescentou, sem deixar de ressalvar a estranheza provocada por três resultados positivos em cinco amostras recolhidas.
“Para já não podemos dizer que existe uma rede organizada, mas o Ministério Público está a investigar”, adianta.”A autoridade anti-doping vai apurar estes casos o mais longe possível, escudada na nova lei. Os responsáveis, sejam eles quais forem, poderão apanhar entre seis meses e três anos de prisão”, avalia o responsável. Já sobre o caso ADRAP e os dois ciclistas que acusaram morfina, Horta relembra que a “pena de prisão poderá ser aumentada para o dobro”.
A Volta a Portugal Masters também não escapou ilesa aos casos de dopagem que varreram todas as Voltas a Portugal, à excepção da Volta a Portugal do Futuro. “Houve um caso de Nandrolona e outro que acusou o uso associado de Nandrolona com efedrina”, adiantou Luís Horta.
Regime Jurídico de Luta Contra Dopagem
O director do Laboratório de Análises e Dopagem (LAD), Luís Horta, anunciou que não dá por encerrado o caso Cabreira, estando a preparar o envio do acórdão que iliba o corredor para a União Ciclista Internacional (UCI) e para a Agência Mundial Antidopagem (AMA). O objectivo é facultar àquelas entidades elementos para um possível recurso junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS). “Estamos a estudar o acórdão, que vai ser traduzido para inglês e vamos enviá-lo à UCI e à AMA, que são as entidades que podem interpor recurso no TAS”, revelou o especialista, citado pela Agência Lusa.
Luís Horta garante que foram cumpridos todos os procedimentos estipulados no Código Mundial Antidopagem no processo movido ao ciclista João Cabreira e que motivou a suspensão deste por dois anos, decisão revogada por acórdão do Conselho Jurisdicional da Federação Portuguesa de Ciclismo. “Não quero entrar em detalhes, mas, como é lógico, se não houvesse apoio do departamento jurídico e de ciência da AMA, não tínhamos seguido para a frente. Portanto, o caso não está encerrado”, adianta o director do LAD.