Artigos com a tag ‘Joaquim Gomes’

Mentor de Joaquim Gomes sepultado hoje em Lisboa

14 Jan 2010 11:28am

“Foi a primeira pessoa a incentivar-me a abraçar uma carreira no ciclismo português”. É desta forma que o actual director da Volta a Portugal e antigo corredor, Joaquim Gomes, se refere a José Manuel Silva, 75 anos, que vai hoje a enterrar em Lisboa. Conhecido no meio velocipédico como “Zé Manuel”, o popular dirigente do Clube de Ciclismo de Carnide, faleceu anteontem, vítima de acidente vascular cerebral. O funeral sai esta tarde da Igreja da Luz, às 16h00, para o cemitério dos Olivais, Lisboa.

“Foi o senhor Zé Manel que um dia, quando eu queria desistir do ciclismo, aos 18 anos, foi a minha casa convencer-me do contrário. Entre os vários argumentos lembro-me perfeitamente de afirmar que um dia iria ganhar Voltas a Portugal. Era um dirigente à antiga! Completamente desinteressado do protagonismo e com duas preocupações apenas: fazer bem o seu trabalho e proporcionar as melhores condições à sua equipa”, recorda Joaquim Gomes.

Joaquim Gomes: “Não é difícil entender a minha desilusão”

18 Set 2009 10:24am

“O meu estado de espírito é estranho. Estou triste, porque depois de ter andado largos meses a lutar, num contexto económico complicado para organizar a Volta – sem dúvida a grande bandeira da modalidade em Portugal -, não é difícil de entender a minha desilusão. Resta-me o regozijo de que a luta anti-doping está, finalmente, a levar vantagem sobre os infractores”, afirmou Joaquim Gomes, director da Volta a Portugal, competição que venceu em 1989 e 1993, citado pela agência Lusa.
“É óbvio que vai ter efeitos sobre a classificação da Volta, mediante os resultados da contra-análise, se for requerida”, acrescentou não negando “a preocupação pela saída de um potencial patrocinador e investidor na modalidade”.

GP Rota dos Móveis para trepadores foi hoje apresentado

28 Abr 2009 2:00pm

A quarta edição do GP Paredes Rota dos Móveis/RTP foi hoje apresentada e promete espectáculo nas estradas galegas e do Norte de Portugal. Correndo-se de 14 a 17 de Maio, é nos dois últimos dias que estão concentradas as grandes dificuldades. O pelotão de 18 equipas vai enfrentar 603,7 quilómetros e duas chegadas em alto. Com a descida ao escalão 2.2 da UCI, a prova acolhe este ano sete equipas de clube portuguesas e duas galegas, que se juntam às seis profissionais portuguesas e às espanholas Andalucía-Cajasur, Contentpolia-Ampo e Xacobeo Galicia.

A corrida vai começar de forma mais ou menos suave, com uma ligação de 163,9 quilómetros em território galego, unindo Lugo a Verín. Os velocistas devem ter aqui uma palavra a dizer, tal como acontecerá na segunda jornada, que contempla 166,5 quilómetros com partida de Verín e chegada a Paredes.

As dificuldades chegam nos dois derradeiros dias. A terceira etapa conta 144,5 quilómetros com partida de Valongo e chegada na íngreme rampa junto ao campo de futebol de Rebordosa. Mas as dificuldades não se resumem à escalada final, estão, essencialmente, nas cinco passagens na rampa de Rebordosa para Vandoma, que em 2008 foi o epicentro da disputa do campeonato nacional e também do GP Rota dos Móveis.

A prova termina com uma ligação de 128,8 quilómetros com partida de Penafiel e meta no Alto de Cruzeiro, Lordelo. A inclinada subida final vai ser escalada quatro vezes, terminando a prova à quarta passagem.

A presença de um numeroso contingente sub-23 à partida não deverá ter correspondência no final da prova, pois a maior parte dos ciclistas deste escalão não terão possibilidades de acompanhar o ritmo dos melhores nas duas tiradas finais. O director da corrida, Joaquim Gomes, admite que “a fruta mais madura, cairá mais rapidamente”, ou seja, que os menos bem preparados não terão possibilidades. No entanto, Gomes defende a opção de baixar a corrida de escalão e de ter convidado formações jovens.

“Eu tive a sorte de me permitirem correr a Volta a Portugal com 19 anos. Se não fosse isso, se calhar teria deixado o ciclismo, porque as corridas em que participava, de um dia, não tinham dureza suficiente para mostrar o meu valor”, explica o director da prova, antevendo que o GP Paredes Rota dos Móveis pode ser uma montra importante para os jovens com maior valor.

Equipas participantes: Fercase-Paredes Rota dos Móveis, Madeinox-Boavista, CC Loulé-Louletano-Aquashow, Palmeiras Resort-Prio-Tavira, Liberty Seguros, Andalucía-Cajasur, Contentpolis-Ampo, Xacobeo Galicia, Gessical/Fonotel/Ventosa, Crédito Agrícola, Cartaxo Capital do Vinho/CC José Maria Nicolau, Bretescar/Sporting Clube de Portugal, SM Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados, Aluvia/Valongo, Mortágua/DR Seguros, CC Lugo/Artesania de Galicia, CC Spol Caixanova.

Etapas
1ª Etapa: Lugo – Verín, 163,9 km

Km 0: Praça Maior, 11h00 (hora espanhola)
Km 89,2: Meta Volante Ourense 13h07
Km 109: P. Montanha 3ª Taboadela 13h35
Km 113: Meta Volante 13h41
Km 120: P. Montanha 3ª Sandias 13h51
Km 132: Meta Volante 14h08
Km 149: P. Montanha 3ª Estibadas 14h33
Km 163,9: Meta Avenida Sousas 14h54

2ª Etapa: Verín – Paredes, 166,5 km
Km 0: Avenida Sousas 11h00 (hora portuguesa)
Km 50,2: Meta Volante Pedras Salgadas 12h11
Km 60,2: P. Montanha 3ª Paradas Alvão 12h26
Km 97,8: Meta Volante Arco de Baúlhe 13h19
Km 139,1: P. Montanha 3ª Alto da Lixa 14h18
Km 157,6: Meta Volante Santa Marta 14h45
Km 166,5: Meta Parque José Guilherme 14h57

3ª Etapa: Valongo – Rebordosa, 144,5 km
Km 0: Avenida Emídio Navarro 11h25
Km 9,7: P. Montanha 2ª Vandoma 11h44
Km 36,9: P. Montanha 2ª Vandoma 12h25
Km 59,4: Meta Volante Astromil 12h59
Km 64,1: P. Montanha 2ª Vandoma 13h06
Km 86,6: Meta Volante Astromil 13h39
Km 91,3: P. Montanha 2ª Vandoma 13h46
Km 113,8: Meta Volante Astromil 14h20
Km 118,5: P. Montanha 2ª Vandoma 14h27
Km 144,5: Meta e P. Montanha 3ª Camp. Fut. Rebordosa 15h06

4ª Etapa: Penafiel – Lordelo (Alto Cruzeiro), 128,8 km
Km 0: Largo Conde Terras Novas 11h25
Km 20,3: Meta Volante Castelo de Paiva 11h59
Km 39,1: P. Montanha 3ª Labercos 12h25
Km 46,3: Meta Volante Canedo 12h36
Km 88,2: Meta Volante Sobrado 13h36
km 94,6: P. Montanha 2ª Alto Cruzeiro 13h45
Km 106: P. Montanha 2ª Alto Cruzeiro 14h01
Km 117,4: P. Montanha 2ª Alto Cruzeiro 14h17
Km 128,8: Meta e P. Montanha 2ª Alto Cruzeiro 14h34

Volta ao Distrito de Santarém e GP Rota dos Móveis já mudaram de categoria

14 Jan 2009 1:15pm

A Volta ao Distrito de Santarém (12 a 15 de Março) e o Grande Prémio Rota dos Móveis (14 a 17 de Maio) já mudaram o seu estatuto. A corrida ribatejana deixa o calendário da União Ciclista Internacional (UCI), passando a ser uma corrida nacional do escalão 2.12. Já a competição nortenha desce da categoria internacional 2.1 à categoria imediatamente a seguir, a 2.2, aquela em que está também inscrito o Grande Prémio de Torres Vedras/Troféu Joaquim Agostinho. Esta medida, acordada entre o organizador, a empresa Produção de Actividades Desportivas (PAD), e a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), visa reduzir os custos organizativos, ao mesmo tempo que permite alargar o calendário das Equipas de Clube (vulgo sub-23), que podem a partir deste ano participar nas duas corridas.

“Tivemos de fazer um ajuste à realidade do ciclismo português. A FPC compreendeu a nossa decisão, num momento de grande dificuldade de angariar apoios. Acaba por ser uma medida que vai de encontro à realidade das nossas equipas. Se as continentais têm dificuldades para encontrar patrocinadores, os problemas são ainda maiores para as equipas de sub-23. Com a mudança de categoria das duas provas, estas equipas passam a ter um calendário mais preenchido e atractivo, o que pode ajudá-las”, disse Joaquim Gomes, director das corridas da PAD, ao Jornal Ciclismo.


Ricardo Scheidecker da PAD para a UCI

13 Nov 2008 4:13pm

O homem de confiança de Joaquim Gomes na estrutura da PAD, Ricardo Scheidecker, vai transferir-se para a União Ciclista Internacional (UCI). Ricardo Scheidecker assume funções a 1 de Dezembro, tendo em mãos uma tarefa de grande responsabilidade: irá trabalhar com Alain Rumpf, responsável máximo pelo ProTour. A saída da PAD será colmatada pela entrada de outro Ricardo, o ex-campeão nacional de contra-relógio, Ricardo Martins, obrigado a uma paragem de duas temporadas devido a problemas coronários resultados de uma mononucleose.

Sem querer assumir protagonismos e apresentando a mesma postura de discrição que sempre lhe conhecemos, Ricardo Scheidecker recusa fazer qualquer catalogação hierárquica das suas funções na UCI. “Não me vejo como número dois nem pensei em qualquer posição hierárquica. O meu objectivo é fazer na UCI o mesmo que fiz na PAD: integrar um projecto e ajudar a desenvolvê-lo”, afirma em declarações ao Jornal Ciclismo.

Em jeito de balanço das três temporadas velocipédicas que passou na estrutura organizadora das principais corridas portuguesas, Ricardo Scheidecker recorda tempos de trabalho “executado com gosto e com paixão”, mas escusa-se a assumir protagonismos pessoais: “Todos os elos da corrente da bicicleta sofrem a mesma tensão na pedalada e eu fui apenas mais um elo de uma corrente que, aliás, já estava montada quando aqui iniciei funções”, compara o futuro operacional da UCI para o ProTour.

Ricardo Martins será o substituto e está a trabalhar há cerca de três semanas em conjunto com Joaquim Gomes e com Ricardo Scheidecker para melhor se inteirar dos dossiês que irá encontrar pela frente nas novas funções. “Vou aplicar-me o mais possível, tal como sempre fiz enquanto ciclista. Foi-me dada esta oportunidade de trabalhar com o Joaquim Gomes, que sempre foi uma das minhas referências e é nisso que estou concentrado neste momento”, contou Ricardo Martins ao Jornal Ciclismo.

Numa altura em que foi forçado a parar a carreira por razões de saúde, Ricardo Martins não pensa ainda na possibilidade de regresso. “Ainda é prematuro dizer se dou a carreira de ciclista por terminada ou não”, confidencia, tendo em mente “o contexto actual da modalidade, não só em Portugal como no estrangeiro, que torna difícil a vida mesmo para os ciclistas que apresentam resultados, quanto mais para aqueles que se vêem obrigados a parar”.


José Santos: “Gosto mais de ciclismo do que de vitórias”

31 Out 2008 9:41pm

Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Santos, o director-desportivo há mais anos em actividade no ciclismo profissional luso fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pelo Boavista ao ciclismo português. Sem medo de criticar a dopagem, José Santos apela a uma mudança de mentalidades.
Como se dá a sua chegada ao ciclismo?
Foi em 1969, já lá vão quase 40 anos. Estive ligado a várias iniciativas: o ciclismo juvenil na Direcção-Geral dos Desportos, a fundação da Associação de Cicloturismo do Norte, também tive uma acção intensa no ciclismo popular. Mais tarde, fundei o Jornal Ciclismo e, durante sete anos, impulsionei o ciclocrosse em Portugal, organizando quase 20 provas por ano. Por contingências várias, não continuei e o ciclocrosse acabou em Portugal. Este ano ainda estudei a hipótese de retomar essa modalidade, mas desisti da ideia, porque não havia equipas nem atletas interessados.
Entretanto, também foi ciclista.
Sim, representei alguns clubes importantes: Coelima, Benfica, FC Porto. Fiz duas voltas a Portugal e concluí-as. Fui campeão nacional de pista, mas foi uma carreira um bocado em diagonal.
Como se dá a sua chegada ao Boavista?
O meu pai era o treinador e eu escrevia n’O Comércio do Porto. Acabou por proporcionar-se a minha entrada para o clube e cá estou há 25 anos.
Fez todo um percurso que fez de si o director-desportivo há mais tempo em actividade no ciclismo profissional português. Que balanço faz e que mudanças se observaram?
É verdade. Já tenho quase 30 voltas a Portugal no currículo. As mudanças não foram muitas. Os problemas que havia mantêm-se. Cheguei a ser seleccionador e director-técnico nacional. As reformas que então foram ensaiadas não tiveram grande repercussão, havendo pouca evolução da modalidade. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização em Portugal.
Isso não evitou que o ciclismo tenha perdido parte substancial da importância pública.
A causa foi a passagem das principais corridas da Empresa do Jornal de Notícias (JN) para uma entidade que não era credível e que não tinha capacidade para suportar o caderno de encargos proposto pela Federação. Além disso, era uma empresa sem capacidade, dentro da sua estrutura, para trabalhar a comunicação, coisa que o Jornal de Notícias fazia. Começou com força, através de transmissões em directo de muitas provas, mas o que é certo é que a maioria dessas corridas já não se realiza. A organização em Portugal dos Campeonatos do Mundo também afastou os média do ciclismo, porque se criou uma situação de descrédito: o país que organizava os Mundiais não os transmitiu pela televisão
Neste período deu-se também uma maior internacionalização das provas portuguesas. Foi positivo?
Não temos capacidade económica para tantas provas internacionais. Eu gostava que as nossas corridas fossem todas internacionais, mas não há suporte para isso e quase todas elas dão prejuízo. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
A ausência de um grande ídolo nacional e a saída de cena dos principais clubes não terão contribuído para a quebra de impacto da modalidade?
Penso que não. A saída do JN é que reduziu o ciclismo a uma actividade como as outras e até com menos importância. O ciclismo tem público, mas o afastamento desse grupo mediático provocou o afastamento de outros órgãos de comunicação social. Acresce que os jornais desportivos são produtos comerciais. A excessiva comercialização do jornalismo também é prejudicial.
Uma discussão cíclica respeita aos alegados benefícios dos clubes tradicionais para o ciclismo. Estando num, o Boavista, sente-se beneficiado ou prejudicado por isso?
Se houvesse mais clubes tradicionais, haveria mais público. Veja-se o caso recente do Benfica que atraiu mais público. No entanto, o inverso também é verdade e este desporto resistiu muitos anos sem os clubes. Toda a modalidade que não tenha Benfica, FC Porto e Sporting sofre com dificuldades de público e de exposição mediática.
As dificuldades financeiras do Boavista têm-se reflectido na equipa de ciclismo?
Para já, não, embora tenha alguma apreensão relativamente ao futuro. Fruto de uma gestão bastante equilibrada, temos os vencimentos todos em dia e toda a estrutura controlada. Isto foi conseguido com grande sacrifício e rigor. Mas o clube não estando bem, a secção pode vir a sofrer. A angariação de patrocinadores pode ser dificultada, porque a percepção pública da credibilidade da instituição não é a melhor.
A gestão equilibrada de que falava fez com que a equipa de ciclismo tenha mudado de objectivos constantemente, da equipa vencedora do início da década de 1990 até a desempenhos recentes mais comedidos. É fácil fazer essa transição de ambições?
Para quem gosta de ciclismo é natural. Eu gosto mais de ciclismo do que de vitórias. Somos das equipas mais antigas, porque sabemos o orçamento que temos e é com essas verbas que temos de viver, melhor nuns anos do que noutros. Quando temos ciclistas cujo vencimento ultrapassa as nossas possibilidades deixamo-los sair. Fomos a equipa portuguesa que maiores valores lançou no ciclismo nacional e internacional: José Azevedo, Jose Luis Rebollo, Josep Jufre, David Bernabeu, Adrian Palomares, Manuel Cardoso, por exemplo. Todos eles se iniciaram como profissionais no Boavista.
Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: o Cássio Freitas e o Joaquim Gomes. Ultimamente, o Tiago Machado, o José Azevedo ou o Pedro Silva também deixaram a sua marca. O Azevedo não fez aqui grande história, embora tenha cá passado os dois anos que considero mais importantes na carreira dele, porque as duas primeiras épocas como profissional são fundamentais.
Apesar das oscilações orçamentais, o palmarés é bastante preenchido.
Vencemos todas as provas nacionais. A dada altura só nos faltava o Porto-Lisboa e a Volta ao Alentejo, mas até essas corridas ganhámos. A nível internacional, estivemos presentes em algumas das principais competições: Volta a Espanha, Critério Internacional, Dauphiné Libèrè, Volta a França do Futuro, que vencemos por equipas…
Uma série de corredores que passaram pelo clube têm hoje tarefas de gestão de equipas de sub-23. Há no Boavista o cuidado de formar os atletas para que, finda a carreira, possam continuar na modalidade?
Sempre tivemos uma política de debate com os ciclistas. Não é por acaso que o Delmino Pereira é presidente-adjunto da Federação, que o Paulo Couto dirige a APCP e uma equipa, o Fernando Mota e o Pedro Silva estão à frente de equipas… Incentivamos a colocarem de pé alguns projectos. É importante o técnico dialogar com os corredores, espicaçando-os para a discussão. Provoco o debate e isso é importante como formação para que quem ganhou dinheiro com o ciclismo possa servir depois da modalidade com novos projectos.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

Foto Descodificada

31 Out 2008 6:42pm

O melhor português e o melhor de todos, durante a Volta a Espanha de 1994. Joaquim Gomes, ao serviço da Recer-Boavista, conquistou um honroso 17º lugar na Vuelta de 1994, que foi conquistada, pelo terceiro ano consecutivo por Tony Rominger (Mapei-Clas). Os dois posam para uma foto em que se vê a diferença de condições entre os pelotões luso e internacional da altura. Na bicicleta do português persistem as manetes de mudanças no quadro, enquanto a máquina do helvético já está equipada com mudanças accionáveis a partir das manetes dos travões.

Camisola com História – Orima-Cantanhede

31 Out 2008 6:26pm

O recordista de vitórias na Volta a Portugal, Marco Chagas, deu por terminada a sua carreira em 1990. Depois de ter representado colectivos com o prestígio do FC Porto ou do Sporting, colocou um ponto final na sua vida de ciclista ao serviço de um colectivo mais modesto, mas de uma região onde a modalidade está fortemente enraizada e onde, ainda hoje, a bicicleta é muito utilizada como meio de transporte quotidiano. Foi com as cores azul e amarelo do Orima-Cantanhede que Marco Chagas se despediu das estradas. A equipa era dirigida por Vítor Oliveira e Marco Chagas tinha, entre outros, como companheiro de equipa Jacinto Paulinho, pai do vice-campeão olímpico Sérgio Paulinho. Marco Chagas soube deixar o ciclismo na altura certa, quando ainda se mantinha muito competitivo. Prova disso é o quinto lugar final alcançado na Volta a Portugal desse ano, ganha de forma emocionante, no último dia, por Fernando Carvalho, que aproveitou um contra-relógio com final no estádio da Maia para roubar a camisola amarela a Joaquim Gomes. A equipa publicitando os electrodomésticos Orima esteve nas estradas entre 1988 e 1991, tendo Cantanhede regressado anos mais tarde ao pelotão principal sob a designação de Cantanhede-Marquês de Marialva. Nas camadas jovens, o clube ainda hoje continua a dar cartas.

Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/

Camisola com História – Louletano-Vale do Lobo

31 Out 2008 6:17pm

Numa região em que o ciclismo é uma ardente paixão de milhares de pessoas, é natural que desde cedo esta modalidade se praticasse, tanto no seio de agremiações ecléticas como em colectividades criadas propositadamente para a prática do ciclismo. Um clube que apostou neste desporto como mais um dentro da sua panóplia de actividades foi o Louletano.
A entrada desta instituição no pelotão nacional deu-se ainda na década de 1930, sendo as aparições dos corredores do clube vermelho e branco algo habitual no calendário português, especialmente na Volta a Portugal. Ainda assim, não se pode falar em actividade ininterrupta ao mais alto nível, porque os anos com ciclismo alternaram com outros em que o Louletano não competia no escalão mais elevado da modalidade.
Entre altos e baixos, o clube algarvio alcançou a década de 1980, aquela em que mais se destacou e na qual conseguiu a única vitória na Volta a Portugal da sua história. Esse feito foi alcançado em 1988, quando a equipa profissional assumia a designação de Louletano-Vale do Lobo. O ciclista que subiu ao mais alto lugar do pódio dessa volta foi o britânico Cayn Theakston, corredor de grande valia, mas muitas vezes perseguido pelo azar das quedas.
No ano em que Theakston foi laureado na grande prova do mês de Agosto, o director-desportivo era Orlando Alexandre, que tinha ao seu serviço, entre outros, homens como Marco Chagas e Joaquim Gomes.
O Louletano é a prova de que a glória e o esquecimento podem andar de mãos dadas. No ano a seguir a vencer a mais importante corrida do país, a equipa algarvia esteve de novo na discussão da prova. O brasileiro Cássio Freitas fez uma grande exibição e bateu todos os adversários, excepto um, Joaquim Gomes, que se transferira para a Sicasal-Torreense. Em 1990, o Louletano já não regressou às estradas.
Na actualidade, compete no pelotão profissional, assim como nos escalões jovens, um outro clube do mesmo concelho, o Centro de Ciclismo de Loulé.

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Camisola com História – Recer-Boavista

31 Out 2008 6:04pm

A presença do Boavista no pelotão português tem já mais de 20 anos, sempre sob a batuta do professor José Santos. A história começou em 1986 com uma equipa designada Boavista-Zanussi. De então para cá foram muitas as designações e os patrocinadores. A ligação mais duradoura e mais frutuosa foi aquela que uniu os axadrezados à Recer. Tendo herdado o patrocinador que fora do histórico Sangalhos, a equipa do Bessa correu pelas estradas portuguesas e internacionais com o nome de Recer-Boavista entre 1989 e 1999. Foram 11 temporadas seguidas, durante as quais se destacam as vitórias na Volta a Portugal de 1992 (Cássio Freitas) e de 1993 (Joaquim Gomes). Durante este período, os axadrezados conquistaram dezenas de triunfos dentro de portas e conseguiram muitos sucessos além-fronteiras, incluindo meritórias participações na Volta a Espanha e no .

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