Joaquim Andrade já tem entre mãos o seu primeiro grande desafio enquanto presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, a tarefa de defesa de uma classe que corre o risco de perder uma dezena de membros com a desaparição do projecto da Liberty Seguros a escassos meses da nova temporada.
Contactado pelo Jornal Ciclismo, o ex-profissional salienta que a aposta da seguradora foi uma “lufada de ar fresco” mas agora revelou-se prejudicial à saúde da modalidade numa situação que torna-se ainda mais complicada para os ciclistas e respectivas famílias devido a “ausência de contratos assinados” após um acerto verbal com os responsáveis da seguradora. “Um volte-face destes, pelo que me apercebo, é descredibilizante para a Liberty Seguros que, antes de avançar com a formação deste projecto deveria reunir todas as garantias para por a equipa na estrada”, avalia Andrade que se recorda de uma situação semelhante aquando do final do ciclismo no Benfica quando a direcção de João Vale e Azevedo deu lugar ao projecto de Manuel Vilarinho. “Foi uma situação difícil. A equipa acabou em Dezembro e muitos ciclistas tiveram dificuldade em encontrar equipa e outros deixaram mesmo de competir. Espero que o mesmo não se suceda, mas não é uma situação fácil até porque a saída da Liberty Seguro pode provocar a saída de outros patrocinadores”, disse.
Foto: ARIC
A conquista da Volta a Portugal, em 2000, valeu a Vítor Gamito um prémio de 3.750 contos, o equivalente a 18.704,92 euros. O corredor que, no próximo dia 15, venha a ser consagrado em Lisboa como vencedor da Volta a Portugal irá embolsar 16.045 euros. Em dez anos, a vitória na Volta a Portugal vale menos.
A constatação estatística não é preocupação para os corredores que, no dia 4, iniciam a competição em Viseu. Pelo menos essa é a convicção do representante dos profissionais do pedal, o novo presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), Joaquim Andrade.
Depois de 21 anos consecutivos a participar e a concluir a Volta a Portugal, feito que lhe valeu a entrada no Livro de Recordes do Guiness, Andrade confessa “sentir falta da adrenalina prévia à competição”, mas passou a conhecer “o sabor de não estar preocupado” com o desempenho na estrada. As reflexões são agora sobre o futuro da modalidade e é aí que entra a desvalorização da quebra de receitas que os ciclistas terão com os prémios da Volta.
“É uma situação que vem na linha da crise global e das dificuldades por que está a passar o ciclismo português. É pena que os prémios não sejam maiores, mas as preocupações dos ciclistas são outras, querem que tudo corra bem para que este seja uma espécie de ano zero do ciclismo. Importante é criar bases para que possamos crescer daqui para diante”, frisa o dirigente da classe.
A comparação com a edição 62 da corrida revela a desvalorização dos prémios monetários, tanto maior se introduzirmos outros factores na equação, como a inflação ou a variação de poder de compra. A Volta de 2010 é mesmo um reflexo da crise generalizada. Ainda no ano passado, a maquia a distribuir era maior, tendo-se verificado uma quebra a rondar os 15 por cento, que acompanhou a descida da Volta da categoria HC para a 2.1.
O valor total dos prémios de 2009 ascendia a 147.115,5o euros, ao passo que em 2010 se fica pelos 124.954,50 euros. A descida de 15 por cento no bolo global tem igual variação na fatia destinada ao vencedor final – de 18.980 euros cai para 16.045 euros – e para quem ganhar uma etapa – resvala de 3615 euros para 3060. Iguais mantêm-se os valores para os vencedores das classificações secundárias, que continuam nos 1500 euros.
A classificação colectiva dá apenas direito a troféus, não envolvendo verbas. No entanto, os operários do pelotão não ficam de mãos a abanar em caso de sucesso das respectivas equipas, pois, nesses casos, os prémios individuais arrecadados costumam ser distribuídos por todo o colectivo, incluindo mecânicos e massagistas.
A questão dos prémios provocou alguma polémica, quando, em 2008, a Federação Portuguesa de Ciclismo resolveu tornar-se responsável pela distribuição das verbas de todas as corridas pelos ciclistas, retirando essa competência à APCP. De momento, não há negociações para reverter a decisão. “Temos feito vários contactos com a federação para que exista diálogo entre as partes. Queremos ser uma parte activa e ouvida nos assuntos mais importantes. A federação tem dado sinais de quem também nos quer escutar e de que pretende que a APCP seja uma associação forte. Sobre a questão dos prémios ainda não conversámos, o que não quer dizer que não venha a suceder”, afirma, diplomático, Joaquim Andrade.
Joaquim Andrade é, desde segunda-feira, o novo presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP) após eleição em lista única para o comando daquela instituição nos próximos dois anos. O ex-profissional que acompanhou a evolução do ciclismo das décadade de 80, 90 e cruzou a primeira década do novo século foi eleito pelos seus pares em Assembleia Geral realizada na Maia.
Numa carta aberta aos associados aquando da sua candidatura, Joaquim Andrade enalteceu a crença que “APCP possa alcançar uma posição de maior relevo no futuro da nossa modalidade” sendo para tal “precisa a participação e o empenho dos Ciclistas mas também da manutenção de um diálogo aberto com as Associações, Equipas, mas, acima de tudo, com a Federação Portuguesa de Ciclismo e também com a UCI”.
Joaquim Andrade, 40 anos, recordista de participação em Voltas a Portugal – efectuou 21 ao longo da sua carreira profissional – desde há muito perfilava-se como o sucessor de Paulo Couto, presidente da APCP desde 1996. A APCP teve entre os seus fundadores a intenção de defender os interesses do ciclismo e dos ciclistas profissionais seus associados e passou por diversos momentos acompanhando a evolução do ciclismo profissional nas duas últimas décadas.
A sua actividade na gestão e atribuição dos prémios dos ciclistas e na defesa das suas condições de trabalho e privacidade enquanto cidadãos foram pedras nucleares da sua actividade que também fica marcada por momentos de ruptura do qual o mais forte terá sido a saída em peso da antiga equipa de ciclismo do Benfica após as denúncias da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) e do Instituto do Desporto de Portugal (IDP) em Maio de 2008 sobre a alegada “falta de cooperação” da APCP no endurecimento da luta contra a dopagem.
Foto: PAD/JLS
Carta aberta de Joaquim Andrade aos ciclistas da APCP (Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais) aquando da sua eleição e disponibilizada ao Jornal Ciclismo.
Caros Colegas,
Como a maioria de vocês sabem vou-me candidatar no próximo dia 12 de Julho à Presidência da APCP. Este é um cargo de muito prestigio mas acima de tudo de muita responsabilidade, principalmente agora que a nossa modalidade vive um dos momentos mais difíceis da sua história.
Fui um dos fundadores desta Associação e estive sempre ligado a ela, procurando dar o meu contributo na defesa dos direitos dos Ciclistas.
A APCP tem feito um trabalho importante na resolução de vários problemas e é hoje respeitada, quer a nível nacional quer internacional.
Acredito que para que a APCP possa alcançar uma posição de maior relevo no futuro da nossa modalidade, precisa da participação e do empenho dos Ciclistas mas também da manutenção de um diálogo aberto com as Associações, Equipas mas acima de tudo com a Federação Portuguesa de Ciclismo e também com a UCI.
A minha experiência recente como Ciclista, deu-me a percepção de como é difícil para um atleta preocupar-se com assuntos alheios ao seu objectivo principal: treinar, cuidar-se e competir. Por esse motivo, e por acreditar que posso contribuir para que a APCP seja uma Associação cada vez mais forte, me candidato à sua liderança, mas para isso preciso do apoio de todos vocês.
Não posso deixar de vos focar um ponto que acho muito importante:
-O Ciclismo é a modalidade que mais se tem empenhado no combate ao Doping e tem sido pioneira em métodos e testes, como tal tem sido muito fustigada e muitas vezes incompreendida pela opinião pública. Qualquer situação relacionada com este tema na nossa modalidade, é muitas vezes injustamente rotulada pela Comunicação Social como Doping. Num esforço para serem compreendidos os Ciclistas de todo o Mundo, têm abdicado de muita da sua privacidade e dos seus direitos como cidadãos. Nesse sentido acredito que a APCP, deve-se empenhar na divulgação da importância do respeito das regras e reforçar a ideia de que quem as viola, prejudica-se a si próprio, mas também á sua equipa e toda a nossa modalidade.
De igual forma, acho que a APCP deve estar atenta para que as autoridades competentes respeitem e cumpram essas mesmas regras, com o mesmo rigor, com que vós Ciclistas vos empenhais em as cumprir e respeitar.
Com o vosso apoio, posso garantir-vos todo o meu empenho, dedicação e entusiasmo no esforço para que a nossa modalidade seja cada vez mais forte e respeitada.
Os meus cumprimentos,
Joaquim Andrade
Joaquim Andrade recebeu o certificado que garante ter batido um recorde do Guiness na Volta a Portugal. O corredor que terminou a carreira profissional na temporada transacta é o único ciclista no mundo que conseguiu iniciar e concluir 21 edições da prova-rainda do calendário luso. Andrade correu a Volta pela primeira vez em 1989, repetindo a participação em todas as edições que se lhe seguiram até ao momento.
Ao longo das 21 presenças na Volta a Portugal, Joaquim Andrade ganhou uma duas etapas. A primeira foi em 1989, um contra-relógio individual da quarta etapa da Volta e, depois, na sexta tirada da edição de 1995, enquanto o natural de Travanca representava as cores da Maia-Jumbo.
Joaquim Andrade foi alvo de homenagem de final de carreira em Santarém numa iniciativa lançada pelo principal patrocinador, Luis Almeida, prontamente correspondida pelo director-desportivo Mário Rocha. Joaquim Andrade, que no Festival de Pista em Tavira cumpriu a sua derradeira prova da sua carreira, após 34 anos ligado ao ciclismo de competição, reviveu com alguma emoção a sua experiência na LA-Paredes Rota dos Móveis.
“Quando estava em recuperação sofri uma lesão grave na Volta ao Alentejo. Quando estava no hospital e a lesão revelou-se mais grave do que eu pensava, podendo por em causa a minha carreira foi importante o apoio do director-desportivo”, recordou o natural de Travanca que alinhou, na sua primeira Volta a Portugal, em 1989.
“Consegui recuperar e dois meses após ter sido operado estava na Volta a Portugal. Ajudar o André Cardoso a ganhar a camisola da montanha foi algo que me marcou”, enfatizou Andrade que, elogiou, entre outros colegas a convivência com Francisco Mancebo. “Era um campeão na bicicleta,mas um campeão maior fora dela. Foi muito importante o seu apoio, numa altura dificil”, resumiu referindo-se ao período de convalescência após a queda da estrutura na pista da Malveira, “o pior momento da minha vida”.
Mário Rocha, por seu turno, enalteceu o profissinalismo de Joaquim Andrade considerando “uma honra acompanhar as últimas épocas de uma ciclista com um percurso invejável de 21 voltas cumpridas”.
A homenagem a Joaquim Andrade juntou cerca de duas dezenas de pessoas num restaurante em Santarém aproveitando a proximidade do Festival Bike onde a LA-Paredes Rota dos Móveis se faz representar.
A LA-Paredes Rota dos Móveis mantém-se na estrada na época de 2010, contando com cerca de 350 mil euros para pagamento de salários. O director-desportivo, Mário Rocha, ainda não avançou para qualquer contratação, mas já definiu quais os homens que serão dispensados. Joaquim Andrade sai por ter colocado um ponto final na carreira. A renovação com Constantino Zaballa não será fácil e tudo indica que o espanhol deixará a formação do Vale do Sousa. Com guia de marcha certo para outras paragens estão Bruno Barbosa, Celestino Pinho, David Vaz e Rubén Calvo.
Joaquim Andrade sai mas deixa saudades, pelo que será homenageado no próximo sábado. À margem do Festival Bike, em Santarém, a LA-Paredes Rota dos Móveis vai agradecer ao corredor toda a dedicação à modalidade, num almoço-convívio em que participará o Exército Português, que já prestou homenagem a Joaquim Andrade no final da Volta a Portugal.
O veteraníssimo do pelotão nacional – cumprirá 40 anos a 16 de Agosto – prepara-se para participar pela 21ª ocasião na Volta a Portugal, um “score” que poderá integrar o “Guiness Book of Records”, conforme salienta a assessoria de imprensa da LA-Rota dos Móveis. Joaquim Andrade apresenta-se à partida de Lisboa na melhor condição dos últimos anos tendo escapado aos azares – leia-se quedas – que martirizaram sucessivamente a sua participação.
“Não me têm acontecido os azares dos últimos anos e tenho conseguido treinar com regularidade e bem, por isso acredito que estarei melhor e em condições de ajudar a equipa e aquele que vier a ser designado como chefe-de-fila da LA Paredes Rota dos Móveis” reconhece. O natural de Travanca, estabelece os seus objectivos pessoais nesta que será a sua última Volta a Portugal: “ganhar uma etapa”.
Com cinco títulos de Campeão Nacional, doze vitórias em provas por etapas (incluindo a Volta ao Algarve e a Volta ao Alentejo), um triunfo na Clássica Porto-Lisboa e um recorde de 20 presenças na Volta a Portugal – todas elas concluídas – Joaquim Andrade deixará a competição no final de época, desconhecendo o seu rumo a médio prazo: “tenho andado tão empenhado a preparar a Volta que ainda nem sequer pensei como vai ser o meu futuro. É óbvio que quero continuar ligado a uma modalidade que me deu muito”, acrescenta.
O veterano Joaquim Andrade, ciclista que completa 40 anos em Agosto, renovou por uma temporada o contrato com o Paredes-Rota dos Móveis. Em declarações ao jornal Record, Andrade anunciou que esta será a sua última época como corredor profissional. O natural de Travanca pretende participar mais uma vez na Volta a Portugal. Joaquim Andrade tem já o recorde de 20 presenças na Volta, tendo terminado em todas as participações, mas pretende chegar às 21 Voltas completas. Filho do vencedor da Volta a Portugal de 1969, Joaquim Andrade nunca conseguiu ganhr a prova-rainha do calendário português, mas tem um currículo recheado de sucessos, contando 37 vitórias como profissional.
O Paredes Rota dos Móveis terá em 2009 um plantel bastante distinto daquele que competiu em 2008, sendo, para já, sete as saídas confirmadas. Além dos já noticiados Francisco Mancebo e Eladio Jiménez, a equipa de Mário Rocha prescinde para a próxima temporada do concurso de Joaquim Andrade, Micael Isidoro, Alexis Rodríguez, Gustavo Rodríguez e Jose Cuesta. Até ao momento, Mário Rocha conta com quatro corredores que transitam da época anterior – Bruno Barbosa, David Vaz, Hector Figueira e Vergílio Santos -, mais duas contratações já firmadas, Celestino Pinho (ex-Barbot-Siper) e Constantino Zaballa (ex-LA-MSS).
As fileiras da equipa do Vale do Sousa vão ainda ser engrossadas com dois neoprofissionais espanhóis, que, segundo a Biciciclismo, são Miguel Ángel Candil e Rubén Calvo, cuja contratação terá sido intermediada por Francisco Mancebo, ciclista da Fercase-Rota dos Móveis em 2008.