O exotismo e a magia parecem pairar no ar sempre que se fala de voltas e corridas em África. É verdade e é mentira. O que desconhecemos hoje é estranho, amanhã é quotidiano.
Edgar Tavares
Efectivamente no Ruanda, surpreendeu-me a paixão e entusiasmo do público pelo ciclismo, os sorrisos no final da etapa, o ondular longínquo dos campos verdes no país das mil colinas. Tudo era novo, estranho, interessante e bonito ao mesmo tempo. Tinha-me preparado bem depois de ter regressado à competição seis meses antes. A organização da volta foi assegurada pela empresa francesa GSO e foi para mim um privilégio e um prazer estar presente com a equipa francesa amadora, C.A. Castelsarrasin.
Em consequência da boa prestação da equipa obtivemos um convite para participar na Volta a Marrocos que se realizou de 26 de Março a 4 de Abril. 10 dias, 10 etapas, 1483 km com partida e chegada a Casablanca passando pelas quatro cidades imperiais de Marrocos : Marrakech, Fès, Meknès e Rabat. À partida 22 equipas entre as quais as selecções nacionais de Marrocos, Ruanda, Tunísia, Argélia…; equipas profissionais : Katyusha, Loborika (presente com o actual campeão nacional croata), MTN (equipa sul africana líder de UCI Africa Tour), Team Type 1 (americana que contava com Mickael Creed, ex-colega de equipa de Sérgio Paulinho na Discovery) e a nossa modesta equipa amadora.
Para esta Volta a Marrocos, os meus olhos habituados já não estranharam. O exotismo e magia são quotidiano. Ainda assim, não posso negligenciar o facto de que se trata de uma Volta com a mesma importância da nossa Volta a Portugal para o povo marroquino. Directo no final de etapa, muitas marchas de “pompa e circunstância” com ministros e generais e danças e musicas tradicionais no inicio e fim de etapas.
No plano desportivo, depois de um inicio de época conturbado por uma tendinite no joelho esquerdo e a defesa da minha tese de doutoramento, cheguei a Marrocos numa condição física que não me permitiria ambições desmesuradas pelo que o objectivo era de terminar a volta melhorando a minha forma física. Em termos da equipa, Julien Schick era o chefe de fila e candidato a um lugar entre os melhores da volta e uma boa classificação por equipas seria bónus.
Depois de um inicio de volta tranquilo e sem sobressaltos eis que, na sétima etapa, quando estávamos em 6º na classificação por equipas e Julien Schick se encontrava no 9º lugar na classificação geral, uma avaria mecânica impediu que ele continuasse no primeiro grupo e ficaram por terra as nossas ambições de uma boa classificação nas gerais individual e colectiva. Restava lutar por uma vitória de etapa. Depois do 5º lugar de Thomas Peyroton-Dartet na 5ª etapa, Julien Schick consegue o 2º lugar na etapa matinal do nono dia. Pessoalmente, ao longo dos dias melhorei a minha condição física, tendo feito como melhores resultados, 19º na 2ª etapa ; 16º na 8ª etapa (153 km percorridos a 47,6 km/h) e 14º na 10ª e ultima etapa da prova. Terminei a minha primeira Volta a Marrocos, que passa a ser a competição mais longa que fiz até hoje, na 36ª posição a 32m30s do vencedor o esloveno da equipa croata, Dean Podgornik.
Seguem-se agora as provas do calendário amador francês, que encaro agora com outros olhos, outra força e outra determinação.
Termino agradecendo ao Jornal Ciclismo a oportunidade de exprimir a minha visão da Volta a Marrocos.
O português Edgar Tavares (CA Castelsarrasin) ganhou o prémio da super-combatividade da Volta ao Ruanda, troféu que premiou o mais combativo de toda a competição. A prova terminou hoje, com o corredor luso a ser o 16º classificado – segundo melhor europeu -, a 47m59s do vencedor, o marroquinho Adil Jelloul. A derradeira tirada ligou Nyagatare a Kigali, ao longo de 156 quilómetros.
Fiel ao espírito combativo, Edgar Tavares chegou a rolar escapado na última etapa, mas acabaria por ser alcançado pelo pelotão antes da formação da fuga do dia. A escapada certa integrou três marroquinos – os grandes dominadores da Volta ao Ruanda – e o alemão Timo Scholz, colega de equipa de Edgar Tavares. A vitória foi para Mouhcine Lahsaini, que cortou a meta isolado, após desenvencilhar-se dos companheiros de ocasião. Edgar Tavares chegou integrado no pelotão, a 4m00s do vencedor. O tempo perdido hoje para Scholz impediu o português de concluir a corrida como melhor europeu.
O português Edgar Tavares (CA Castelsarrasin) voltou a evidenciar-se pela combatividade na Volta ao Ruanda, terminando a sétima etapa da prova na segunda posição, entre os dois companheiros de fuga. O vencedor da tirada de 151,3 quilómetros, entre Kigali e Nyagatare, foi o holandês Dirk Oude Ophuis, Tavares foi segundo, com o mesmo tempo, enquanto, também com igual registo, o marroquino Ismail Ayoune foi o terceiro. Seguiu-se o líder da competição, o também marroquino Adil Jelloul, a 3m56s. Na geral, Edgar Tavares subiu uma posição, sendo agora o 18º, a 44m28s.
A Volta ao Ruando, pontuável para o calendário continental africano, termina amanhã, após a ligação de 156 quilómetros, entre Nyagatare e Kigali. O percurso contempla três contagens de montanha de terceira categoria.
O português Edgar Tavares (CA Castelsarrasin) foi o 16º classificado na sexta etapa da Volta ao Ruanda, um contra-relógio individual de 33,8 quilómetros, em redor de Kicukiro. O melhor registo foi averbado pelo marroquino Abdelaati Saadoune, corredor que se adaptou melhor ao sinuoso traçado que homenageou as vítimas do genocídio no Ruanda. O único português em prova assume que lhe faltou potência, sobretudo nos últimos oito quilómetros, que eram a subir. Na geral, Edgar Tavares conserva o 19º lugar, a 45m29s do líder, o marroquino Adil Jelloul.
Amanhã disputa-se a sétime e penúltima tirada da competição do calendário continental africano. O pelotão vai percorrer 151,3 quilómetros, entre Kigali e Nyagatare, na savana do Ruanda. O tralado inclui três contagens de montanha de terceira categoria, estando a derradeira a cerca de 45 quilómetros da meta.
Edgar Tavares, o corredor amador português que está a correr a Volta ao Ruanda pela formação francesa CA Castelsarrasin, foi hoje o quinto classificado, na quinta etapa da competição, que ligou Butare a Kigali, na distância de 134,5 quilómetros. O ciclista luso começou com as pernas doridas, mas com a alma satisfeita, por envergar a camisola vermelha, da combatividade, ontem conquistada, depois de mais uma jornada em fuga. No final, da tirada de hoje, Edgar Tavares ainda tinha mais motivos para sorrir, pois conseguira um honroso quinto lugar sobre a meta.
A competição africana tem sido dominada pela selecção de Marrocos, que vence etapas e lidera a prova. Isso mesmo sucedeu hoje. O mais rápido do dia foi Mouhcine Lahsaini, embora o comando da Volta ao Ruanda continue na posse do compatriota Adil Jelloul, segundo a passar o risco. Quando faltam três ligações para o final, Edgar Tavares é o terceiro melhor europeu, ocupando o 19º lugar, a 45m29s do primeiro classificado.
Rui Costa, Tiago Machado, Sérgio Paulinho, Nelson Oliveira e até João Correia são os emigrantes ilustres do ciclismo português. Mas não são os únicos corredores lusos que competem no estrangeiro ou não fosse Portugal um país de emigração. Nesta altura, enquanto o ciclismo europeu está no defeso e a preparar a época de 2010, há corridas a decorrer noutros continentes. E Portugal está lá representado. Edgar Tavares, 25 anos, é português e compete, por estes dias, na Volta ao Ruanda.
Ao fim de três etapas, a corrida é liderada pelo marroquino Mohamed Erragragui. Numa classificação totalmente dominada pelos africanos, o primeiro europeu é o alemão Timo Scholz, no 17º posto. Edgar Tavares segue na 23ª posição, a 35m29s do comandante. A corrida não tem sido isenta de percalços para o corredor luso. Logo no primeiro dia, Edgar Tavares foi abalroado, em plena etapa, por um carro da comunicação social. “Eu estou bem, mas a bicicleta não”, contou o português, no final da tirada, no seu espaço no Facebook.
A segunda etapa já correu melhor a Edgar Tavares, que esteve em fuga e mostrou a camisola da sua equipa, a amadora francesa CA Castelsarrasin. A terceira jornada assistiu a uma vitória em solitário de Mohamed Erragragui, que, dessa forma, passou a comandar a prova. O português cedeu 14m29s face ao marroquino.
A Volta ao Ruanda faz parte do calendário continental africano, na categoria 2.2, a mesma a que, no calendário europeu, pertence o GP Joaquim Agostinho. A prova começou anteontem e prolonga-se até dia 24 deste mês.