O norte-americano Floyd Landis, desclassificado do Tour 2006 e que, consistemente negou o recurso a dopagem, tendo dispendido parte considerável dos ganhos da sua carreira na defesa jurídica reconheceu, por fim, ter usado produtos dopantes na Volta a França desse ano.
De acordo com o Wall Street Journal, Landis enviou um email à União Ciclista Internacional e aos seus sponsors admitindo a prática de dopagem. O mesmo jornal escreveu que na missiva Landis detalhou o uso sistemático de doping e, numa entrevista concedida no dia seguinte, admitiu que o fez ao longo da sua carreira e, em particular, no Tour 2006.
“Quero limpar a minha consciência”, afirmou o norte-americano. “Não quero fazer parte do problema”. Segundo a mesma fonte, Landis informou do sucedido a União Ciclista Internacional e a USA Cycling, a federação norte-americana da modalidade.
As confissões de Landis em vários emails enviados, referem ainda acusações graves que implicam directamente a estrutura da US Postal. De acordo com Landis, terá sido Johan Bruyneel, actual director-desportivo da RadioShack, a iniciá-lo na dopagem com testosterona enquanto ciclista da US Postal e no verão – Junho – de 2002. De acordo com o conteúdo dos emails enviados por Landis, também Armstrong e demais ciclistas norte-americanos da equipa terão conhecimentos avançados de dopagem. “Fui instruído por Bruyneel para me encontra com Armstrong e pedir-lhe EPO. A primeira vez que usei EPO foi Eprex e vinha em seis seringas. Apliquei-a de forma intravenosa por várias semanas antes da próxima retirada de sangue e não tive qualquer problema com os controlos da Volta a Espanha”.
Landis refere ainda que, aquando da saída da US Postal, terá confessado ao dono da sua nova equipa, a Phonak, o seu passado num programa de dopagem sanguínea e terá manifestado a vontade de implantar o mesmo sistema na equipa suíça. Segundo Landis, citado pelo Wall Street Journal, Andy Rihs terá acolhido a sugestão e financiado a operação. As acusações de Landis não se quedam por aqui envolvendo outros ciclista da US Postal da altura – como Levi Leipheimer ou David Zabriskie – que, adianta, terá ajudado a dopar numa competição na Califórnia.
Tanto Armstrong, como Bruyneel ou Hincapie – outro dos ciclistas referidos por Landis – não reagiram, para já, às acusações do ciclista norte-americano.
(em actualização)
Novas melhorias serão introduzidas no passaporte biológico e os ciclistas estarão mais expostos caso recorram a métodos e substâncias dopantes, de acordo com a nova responsável anti-dopagem da União Ciclista Internacional, Francesca Rossi.
Numa entrevista à Associated Press, a italiana oriunda do atletismo considera que todo o “processo está a melhorar” e a gestão da informação aquando de um caso positivo será comunicada com maior rapidez. A “expert” italiana falou à imprensa dias após a comunicação de três ciclistas com práticas suspeitas de dopagem identificados pelo “passaporte”.
Rossi trabalhou previamente num laboratório credenciado pela AMA em Roma, onde se tornou directora-adjunta, e supervisionou os testes anti-dopagem aplicados no Jogos Olímpicos de Inverno de Turim em 2006. A responsável que substituiu a australiana Anne Gripper no cargo ajudou a desenvolver os chamados “perfis esteróides”, instrumento no qual se baseia, em parte, a aplicação do passaporte biológico. A italiana fará parte ainda de um painel de especialistas que, este ano, irá aconselhar federações desportivas e laboratórios como colher transportar e analisar as amostras de urina tendo por objectivo alterações no perfil esteróide, contrariando a norma em vigor em que os laboratórios procuram e testam apenas substâncias específicas.
De acordo com Rossi outro problema identificado pela UCI diz respeito às “microdoses”. A técnica consiste administrar produtos dopantes em quantidades pequenas, mas de forma regular – como EPO – , de modo a que as flutuações de um perfil sanguíneo sejam camufladas.
“Temos que direccionar os testes o mais possível para a microdose”, disse Rossi. “É como um jogo de xadrez. Temos que ter em conta o próximo passo de um possível prevaricador e tomar as nossas decisões com isso em mente “.
Confrontado com um resultado positivo, o suíço Thomas Frei confessou o uso de EPO e escusou-se a esperar pelo resultado da contra-análise. “É verdade, tenho usado EPO. Requerer a amostra B é, por isso, inútil. A possibilidade de ser negativa é mínima”, confessou de forma aberta o suíço de 25 anos que representou a Astana entre 2007 e 2008 e fazia presentemente parte dos quadros da BMC.
Contrariando a lei da rolha ou do desvio de responsabilidades tão em voga nos desportistas apanhados com doping, o discurso de Frei é frontal, não se escondendo em questões acessórias e de negação das evidências. Mediante a assunção de EPO, Frei avançou que as pessoas do seu “círculo íntimo” sabiam do “que se estava a passar”.
Questionado, em conferência de imprensa na sua cidade natal, em Olten, Frei confessou que passou a recorrer à dopagem em 2008 e que foi apanhado quase por “acaso”. Desculpabilizando a equipa de qualquer envolvimento – lamentou que o caso tenha dado publicidade negativa à BMC – Frei confessou que não sabe ainda se indicará o nome do médico – presumivelmente fora do ciclismo – que lhe terá fornecido os produtos dopantes. “Para mim é uma suspensão, mas as consequências serão muito maiores para o médico que será imediamente impedido de exercer a sua profissão”.
Frei foi ainda mais longe afirmando ter sido apanhado por “acaso”, quando o controlo supresa surgiu no domicílio pelas 06h00 da manhã. Frei adiantou que tinha tomado a micro-dose de EPO, a primeira em três meses, na véspera do controlo e que se tivesse bebido vários litros de água após a injecção, o resultado do teste à urina teria dado negativo. “Foi uma negligência”, acrescentou Frei que se escusou a beber água mesmo quando o médico do controlo anti-dopagem lhe bateu à porta.
“Não sou um mentiroso nato. Não conseguiria mentir sobre isto”, disse ainda.
A ciclista Vania Rossi foi alvo de um controlo anti-dopagem com resultado positivo a EPO CERA comunicou o Comité Olímpico Italiano (CONI). O resultado “positivo” da namorada de Riccardo Ricco teve origem numa amostra recolhida no campeonato italiano de ciclocrosse a 10 de Janeiro, em Segrate (Milão) na qual a atleta obteve o segundo lugar. Rossi seguiu as pisadas de Ricardo Ricco tendo o corredor italiano sido apanhado com a mesma substância durante a Volta a França 2008.
A Terceira Secção do Tribunal Provincial de Almería, Espanha, rejeitou o recurso interposto pelo ciclista espanhol Carlos Roman Golbano, que contestou na barra do tribunal a legitimidade de sistema de localização que é utilizada para recolher informações vitais sobre o paradeiro de desportistas que estão sujeitos a controlo anti-dopagem.
Segundo a decisão, que confirma o primeiro julgamento no caso emitido pelo Tribunal Civil Almería , em setembro de 2007, a execução do sistema de localização em Espanha não viola os direitos individuais garantidos pela Constituição daquele país, nomeadamente no que respeita à protecção da privacidade .
A decisão do tribunal de Almería foi celebrada pela União Ciclista Internacional (UCI), que defendeu a legitimidade do sistema de informação lado a lado com a Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC).
Presidente da UCI, Pat McQuaid, disse: “O ciclismo tem estado na vanguarda da luta contra o doping nos últimos anos. Estamos orgulhosos de que mais uma vez o nosso compromisso oferece benefícios para todo o movimento desportivo. Estamos cada vez mais convencidos de que os esforços de luta contra o doping será cada vez mais eficaz graças a decisões como esta, que reconhecem os princípios básicos sobre os quais nossas estratégias e acções são baseadas”, refere McQuaid.
João Cabreira enfrenta a 29 de Janeiro a Agência Mundial Anti-dopagem (AMA) no Tribunal Arbitral do Desporto naquele que, eventualmente, é a última escada jurídica de um processo que data desde o Verão de 2008. A data da audiência chegou a ser agendada por diversas vezes mas só agora surge no site oficial da instituição. No TAS, Cabreira – presentemente lesionado – terá que defender-se da acusação de viciação de amostra em controlo anti-dopagem com recurso a protease, uma enzima que, de acordo com o laboratório de Colónia e a AMA, foi aplicada para corromper a amostra colhida inviabilizando traços de eventuais produtos dopantes.
João Cabreira foi inicialmente suspenso por dois anos pelo Conselho Disciplinar (CD) da Federação Portuguesa de Ciclismo, mas o Conselho Jurisdicional do mesmo organismo ilibou o corredor. Caso o TAS atribua razão à AMA, Cabreira pode enfrentar até dois anos de suspensão assim como a desclassificação do título nacional conquistado em 2008 após o alegado controlo manipulado pelo corredor.
A história é simples. Um corredor júnior italiano, com uma promissora carreira, foi alvo de um controlo “positivo” com hormona de crescimento, tendo sido suspenso por 21 meses. Diante do Comité Olímpico Italiano (CONI) relatou os episódios de dopagem alegadamente praticada pelo seu clube e que terão começado ainda enquanto menor de idade.
O episódio posto a descoberto pelo Reppublica vinca ainda a (falsa) necessidade de uma “farmácia” para a afirmação no ciclismo júnior e sub-23 italiano numa altura em que os profissionais, depois da catadupa de casos de dopagem, estarão mais contidos. Ampolas intravenosas e intramusculares, tónicos, ácido fólico, vitaminas, analgésicos, estimulantes, seringas preparadas e conservadas no frio são exemplos de medicamentos constantes do “tratamento” de Eugenio Bani em período de treinos e corridas.
“Tive um resultado positivo no campeonato italiano e não sei porquê. Numa tomei nada em casa, injecções ou outra coisa qualquer. Os meus pais nem conhecem os medicamentos. As únicas pessoas que me davam algo eram os dirigentes da equipa”, relatou Eugenio Bani no que parece ser uma história de terror, com seringas pré-confeccionadas administradas pelos dirigentes da equipa, sem o eventual conhecimento do ciclista.
“Injecções e pastilhas. Tudo o que era preciso para recuperar. Eram vitaminas. Era o que me diziam” explica Bani que, uma vez por semana, se encontrava com os responsáveis da equipa e com um enfermeiro para ser sujeito à “terapia”. Bani confessa ainda que não era o único ciclista sujeito ao mesmo tratamento.
“O que me aconteceu a mim pode acontecer a qualquer um. Estou convencido que não fui o único que tomou – Hormona de crescimento – sem saber. Mas só eu dei positivo. Um colega meu chegou a desmaiar duas vezes em prova…”, assevera.
O norte-americano Tom Zirbel confirmou resultado “positivo” num controlo anti-dopagem efectuado efectuado em Agosto, após a prova dos Nacionais de contra-relógio dos Estados Unidos, na qual obteve o segundo posto. O corredor de 31 anos apresentou traços de dehidroepiandrosterona (DHEA), um esteróide endógeno que influi, entre outros, na produção de testosterona. Tom Zirbel espera agora a contra-análise ao primeiro resultado divulgado em Novembro.
Zirbel foi uma das revelações dos últimos campeonatos do Mundo, tendo alcançando o quarto lugar na prova de contra-relógio individual conquistada por Fabian Cancellara. Após três anos na formação estaduniense da Bissell, o relançamento da carreira estava previsto, em 2010, no seio da Garmin-Transitions que terminou de imediato o seu contrato.
“Tendo tido a honra de ser colega de equipa do Tom nas duas últimas épocas não tenho razões para duvidar da sua integridade como corredor”, resumiu por sua vez o português João Correia, via Twitter.
Foto: Joe Mac1
O espanhol Eladio Jimenez anunciou o final de carreira após o caso “positivo” de EPO Recombinante na última Volta a Portugal. “Vamos a ver se tenho sorte com a contra-análise e dá negativo. Porque sou inocente…Se não me querem no ciclismo, ficarei em casa, que estou melhor”, avançou à agência EFE.
Jimenez confirmou ainda que a contra-análise será efectuada no próximo dia 15 e confirmou que a sua retirada é “absoluta”.
O corredor do CC Loulé/Louletano/AquaShow tinha um contrato assinado com a Rock Racing para a próxima época onde reencontraria o seu antigo companheiro de equipa na Banesto, Paco Mancebo.
A 12 de Agosto, Eladio Jimenez triunfou no alto da Nª Srª da Assunção na sexta etapa da Volta a Portugal cruzando a meta fazendo gesto de embalar uma criança e com o polegar na boca num gesto dedicado a vitória à filha recém-nascida. Na altura expressou-se assim: “Tenho uma filha com três meses e meio e dedico-lhe este triunfo. Houve vários ataques e na resposta a um deles ataquei eu, era a altura certa e ne olhei para trás. Vim para a vitória”.
A vitória em Santo Tirso foi alvo de um resultado positivo por “EPO Recombinante” – a contra-análise é feita no próximo dia 15 – que acabou com a carreira do corredor. O Jornal Ciclismo recupera a crónica desse dia pela pena de José Carlos Gomes.
Link directo e classificação: http://jornalciclismo.com/volta-a-portugal-eladio-jimenez-ganha-favoritos-prosseguem-luta-ao-segundo
“O espanhol Eladio Jiménez (CC Loulé-Louletano-Aquashow) venceu hoje a sexta etapa da Volta a Portugal, uma ligação de 174,6 quilómetros entre Barcelos e o alto da Senhora da Assunção, montanha de segunda categoria. O português Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) manteve a liderança da prova, aumentando a diferença para o segundo classificado, João Cabreira (CC Loulé-Louletano-Aquashow), que está agora a 7 segundos da camisola amarela. Na luta ao segundo pela vitória final, David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira) e Rubén Plaza (Liberty Seguros) aproximaram-se de Ribeiro, no dia em que uma queda atirou Hugo Sabido (LA-Paredes Rota dos Móveis) para fora dos dez primeiros e em que as dificuldades da estrada mostraram que Héctor Guerra (Liberty Seguros) é uma carta fora do baralho na disputa da vitória.
A escalada para a Senhora da Assunção não é tão dura quanto isso, mas a forma rápida como foi abordada era de molde a provocar algumas diferenças, sobretudo porque toda a tirada se disputou sob calor intenso. Os ataques sucederam-se desde os primeiros metros da escalada, com Bruno Pires (Barbot-Siper) a abrir as hostilidades. Depois de alcançado o alentejano, sucederam-se as escaramuças e na resposta a uma dessas movimentações, a cerca de 3 quilómetros do final, Eladio Jiménez disparou para a vitória na etapa.
Entre os favoritos à vitória na Volta, o mais activo foi Patrik Sinkewitz (PSK Whirlpool-Author), acabando por pagar a factura e ceder alguns segundos na meta. Nuno Ribeiro teve a situação sempre controlada e respondeu às mexidas dos corredores mais próximos de si. Na aproximação à meta, o ataque mais letal surgiu de onde menos se esperava, Rubén Plaza (Liberty Seguros), que não puxou um metro no auxílio ao líder, arrancou com uma velocidade impressionante para o segundo lugar – pensou que ganhara e levantou os braços – e com ele levou David Blanco, fazendo com que o galego do Tavira ficasse em terceiro e se acercasse de Nuno Ribeiro, graças às bonificações.
Os quilómetros finais desta jornada deixaram a nu várias situações. Desde logo que Américo Silva, ao contrário do inicialmente anunciado, não tem total confiança em Nuno Ribeiro. Vai deixar ao camisola amarela a tarefa de marcar os corredores mais próximos de si – aqueles que teoricamente menos hipóteses terão no contra-relógio – deixando para Rubén Plaza a obrigação de estar taco a taco com David Blanco. É uma estratégia arriscada, pois Plaza perdeu poder nos contra-relógios e, sem um investimento total em Nuno Ribeiro, a Liberty Seguros pode perder pau e bola.
Além desta precisão acerca da estratégia da Liberty Seguros, a sexta etapa da Volta reduziu o lote de candidatos.
Olhando à geral saída da tirada de hoje, vislumbram-se cinco homens com grandes possibilidades de lutarem pela amarela final: Nuno Ribeiro e Rubén Plaza (Liberty Seguros), David Bernabéu (Barbot-Siper), Patrik Sinkewitz (PSK Whirlpool-Author) e David Blanco (CC Loulé-Louletano-Aquashow). João Cabreira (CC Loulé-Louletano-Aquashow) e Tiago Machado (Madeinox-Boavista) poderão ter uma palavra a dizer, o primeiro porque dispõe da Torre para ganhar terreno, o segundo porque é fortíssimo no contra-relógio. Hugo Sabido e Ruslan Pidgornny (ISD-Neri) podiam ainda estar nas contas não fosse a perda de contacto com o pelotão, devido a uma queda colectiva, na etapa de hoje. Quem disse adeus definitivo às ambições foram Héctor Guerra, Bruno Pires e Cândido Barbosa.”
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