Artigos com a tag ‘Dopagem’

Nova rede de dopagem desmantelada em Espanha

25 Nov 2009 11:08am

Uma nova rede de dopagem foi desmantelada em Espanha numa operação coordenada pela Guarda Civil e que procedeu, de forma praticamente simultânea, a 15 buscas tendo como epicentro a cidade de Valencia. A operação que decorreu no terreno nesta terça-feira e estaria a ser investigada pela Guardia Civil desde Junho passado terá como ‘cabecilha’ o médico peruano Walter Viru, anteriormente citado pelo ex-ciclista Jesus Manzano como fornecedor de produtos dopantes à antiga Kelme, tal como o seu colega Eufemiano Fuente. A operação Grial efectou buscas na clínica do médico assim como em duas farmácias, um armazem farmacêutico e domicílios de vários atletas e ciclistas do qual resultaram várias detenções,entre os quais constam os ciclistas Pedro Vera (Andalucia-Caja Sur) (Contentpolis-Ampo) e  Cristina Navarro, além do próprio Viru, seu filho e esposa e vários distribuidores.

A figura desportiva mais relevante e presumivelmente implicada é ‘Paquillo’ Fernandez, atleta de marcha, duplo campeão europeu e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Segundo fontes não identificadas pela imprensa espanhola terão sido apreendidos produtos dopantes no domícilio do atleta, como EPO e Hormonas de crescimento.

(em actualização)

Dopagem: Nota Editorial

03 Mar 2009 9:09pm

O ponto 4 do Estatuto Editorial do Jornal Ciclismo é bem claro: “O Jornal Ciclismo assume-se frontalmente ao lado daqueles que lutam contra o doping, porque entende que esse tipo de práticas fraudulentas impede o desenvolvimento e o crescimento da modalidade, devido à imagem negativa e ao descrédito que lança sobre todos os agentes ligados ao ciclismo”.

Com base neste princípio, não podemos permitir que o Jornal Ciclismo, através das suas caixas de comentários, se transforme numa plataforma branqueadora ao serviço de quem quer descredibilizar a luta contra a dopagem. Mesmo que a intenção não seja essa, muitos dos comentários que têm chegado em catadupa têm esse efeito prático.

Até aqui temos assumido uma postura de permissividade em relação aos comentários, apagando apenas aqueles que são declaramente insultuosos e difamatórios para as pessoas neles visadas. Outros, apesar de estarem na fronteira do difamatório, têm sido aprovados e estão online.

Daqui em diante será diferente. Porque as instituições que lutam contra a dopagem, em Portugal e internacionalmente, nos merecem todo o crédito, não mais serão aprovados comentários que visem descredibilizar estas instituições. Aqueles que pedem – e com justiça – presunção de inocência para os suspeitos de dopagem não podem imputar, impunemente, actos de perseguição e de incompetência a quem trabalha contra o doping.

Assim, de forma fontal, informamos que a aprovação de comentários estará sujeita a este critério aqui explicado.

A redacção

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Jornalista do L’Equipe pressionado para não revelar casos de dopagem

04 Fev 2009 5:17pm

O caso, não sendo novo, é recente. Em Dezembro do ano passado, o jornalista especialista em assuntos de dopagem do L’Equipe, Damien Ressiot, terá sido aconselhado pela proprietária do Grupo Amaury para refrear a cobertura do tema, limitando-se a reportar factos e a evitar novas denúncias, como a que o jornal francês deu à estampa em 2005, revelando a presença de EPO em amostras de urina congeladas de Lance Armsntrong respeitantes ao Tour 1999. Agora, o caso saíu da surdina, com a publicação de um comunicado na edição impressa do ’Le Canard Echaîné’  , um jornal satírico semana de actualidade. Segundo o comunicado da Société des Journalistes (SDJ) do L’Equipe, cuja direcção é presidida pelo próprio Ressiot, a pressão existiu mesmo e reportou-se em concreto a Ressiot, o único de 300 jornalistas que escreve sobre o tema mas que, todavia, com o caso Armstrong terá dado a mais importante manchete do jornalismo naquele diário nos últimos anos.

“Foi expressamente pedido a Damien Ressiot de não reportar qualquer revelação de dopagem”, afirma o comunicado que alerta ainda para o conflito de interesses vigente entre o L’Equipe e as organizações da ASO (Volta a França, Paris-Dakar), ambas nas mãos do grupo Amaury.

Simpósio anti-doping organizado pela RFEC e pela FPC

02 Jan 2009 8:06pm

Juan Carlos Castaño, presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo, reuniu-se hoje com a direcção da Federação Portuguesa de Ciclismo num encontro de trabalho que se saldou pelo estabelecimento de um acordo de príncipios em diversos temas, nomeadamente na acção anti-dopagem. Castaño, que viajou a Lisboa acompanhado por Jose Luis Algarra, antigo coordenador técnico da FPC, foi recebido por Artur Lopes e restantes membros da direcção numa reunião no qual estreitaram laços de combate à dopagem. Nesse sentido, foi acordado a realização em Janeiro de 2010 de um simpósio ibérico focando os vários temas da luta anti-doping, assim como a  cooperação total entre instituições em todas as acções conjuntas na luta antidoping.

2008, ano de CERA

14 Nov 2008 1:07am

Eritropoetina de terceira geração terá chegado ao pelotão em 2004. Metodologia de detecção foi desenvolvida este ano e já causou transtorno: Riccò, Piepoli, Schumacher, Kohl e Sella. Volta a Portugal com amostras retrotestadas em busca da EPO milagrosa

Em 2008, o mundo velocipédico passou a acordar com um novo acrónimo no léxico da dopagem, ironicamente de fácil memória ao ouvido: CERA, a designação para Continous Erythropoïetin Receptor Activator, uma espécie de “Super-EPO”, capaz de produzir numa só injecção por mês os mesmos efeitos de produção de glóbulos vermelhos alcançados com a EPO tradicional de administração quase diária. Produzida sob chancela dos Laboratórios da ROCHE, a CERA  é tida como presente no pelotão internacional desde há quatro anos, cumprindo em ciclistas – e eventualmente outros desportistas de fundo – a missão que a sua forma comercial recente (Mircera, 2007) cumpre em doentes anémicos. O “boost” é excelente e, até à última Volta a França, apresentava-se indetectável. Primeiro foi o laboratório de Paris a desenvolver um método de traçar a molécula na urina, depois seguiu-se uma metodologia complementar, testada na Suíça, e capaz de detectar a substância no sangue. O método combinado foi posto em prática e os falsos resultados começaram a tombar.

O veneno da Cobra
O primeiro foi Riccardo Riccò. A jovem e ambiciosa estrela do pelotão italiano acusou  pela primeira vez a famosa molécula, também consagrada como exemplo da EPO de terceira geração. Riccò acusou CERA numa amostra retirada da quarta etapa do Tour, antes da suas exibições vitoriosas na altas montanhas da prova. No turbilhão, o dia seguinte ao anúncio do positivo de Riccò, permitiu levantar a lebre ao colega de equipa Leonardo Piepoli. O italiano terá confessado o uso da mesma substância, mas desmentiu mais tarde diante do inquérito do Comité Olímpico Italiano. Valeu-lhe pouco a mentira, pois a confirmação chegou a seis de Outubro, com duas amostras positivas por CERA.

O caso Gerolsteiner e Sella
A febre da CERA, que necessita, ao contrário de outras formas de EPO (Aranesp, Dynepo, exemplos da EPO de segunda geração) uma singular tomada para efeitos prolongados, vitimou ainda outras figuras do Tour, com a retrotestagem das amostras recolhidas na prova. Os próximos positivos foram ambos da mesma equipa alemã, Gerolsteiner, curiosamente com desaparição anunciada ainda antes de qualquer caso. O primeiro foi o alemão Stefan Schumacher, vencedor dos dois contra-relógios individuais do Tour. O caso de Schumacher foi revelado pela Agência Francesa de Luta Anti-dopagem (AFLD) e, embora causando surpresa, justificou a surpresa que a hegemonia das suas prestações demonstraram. Por fim, coube ao imberbe austríaco Bernard Kohl, o último grande papel de vilão. Kohl foi a sensação da prova, conquistando a camisola da montanha e o terceiro lugar final: o pódio do Tour, afinal, estava contaminado. Entre os casos de Schumacher e Kohl, a UCI testou, em Agosto, pondo em prática a metodologia de detecção de Lausana e Paris, as amostras congeladas recolhidas de um controlo fora de competição de Emanuelle Sella, vencedor do prémio da montanha e de três etapas da Volta a Itália. A confirmação da presença da mesma molécula, aumentou para para cinco o número de corredores apanhados (para já) com esta substância.

Portugal à espera dos resultados
Na rota da dopagem habitualmente citada pela UCI, Portugal não escapou à febre da CERA. As amostras colhidas da última Volta a Portugal serão testadas em Lausana. A notícia estalou no começo do mês e, para já, toda a prudência é necessária. No total, foram 18 as amostras que seguiram para a Suíça.