Artigos com a tag ‘Delmino Pereira’

Castro Marim com elevado nível competitivo [reacções]

01 Mar 2009 7:57pm

A prova inaugural da Taça de Portugal de XCO em Castro Marim consagrou a  evolução que se deseja das diferentes categorias e escalões de competição, com a entrada de novos atletas e afirmação dos valores que despontaram em épocas transactas. Nos Elites, o triunfo de José Melitão testemunhou a polivalência de um betetista que, com resultados regulares ao longo dos anos, compete em duas frentes -  cross-country (XCO) e maratonas (XCM) – com relativo sucesso. Por outro lado, Luis Pinto mostrou no Algarve um interessante resposta à contrariedade mecânica que foi alvo – problema no eixo dianteiro da sua roda da frente – oscilando entre a excelente recuperação e, posteriormente, pela quebra perante o esforço anterior. A sua condição, até porque liderava isolado aquando do seu azar, permiti-lhe aspirar a uma boa classificação em Banyoles, Catalunha, no próxima fim-de-semana na primeira competição fora de portas em 2009.

Nos sub-23, Ricardo Vicente (Bicisintra) forneceu uma interessante resposta a Tiago Ferreira, actual campeão nacional da categoria e vencedor no Algarve, num duelo que se perspectiva ao longo da época, à semelhança, por exemplo, do que se passará no escalão júnior, malgrado a vantagem pontual conseguida para David Rodrigues – vencedor em Castro Marim – diante do rival Ricardo Marinheiro – ausente desta prova, em competição (vitoriosa) em Espanha.

As categorias acima citadas foram particularmente acompanhadas pelo seleccionador nacional Paulo Pais que, no final, destacou ” o nível muito elevado e de grande espectacularidade na maior parte das categorias”. “Gostei ainda da atitude e da evolução de alguns atletas mais jovens e nos escalões inferiores e que, a médio prazo, poderão integrar os trabalhos da Selecção Nacional”, acrescentou.

Por sua vez, Delmino Pereira, presidente-adjunto da FPC, avaliou como “positivo” o arranque da Taça de Portugal de XCO: “O cross-country está a renascer e notou-se, em Castro Marim, um aumento aproximado de 30 por cento no número de participantes”, afirmou. “O evento destinado às escolas de ciclismo e de BTT foi uma participação positiva e feliz que contagiou, com a alegria própria dos jovens, uma grande jornada de BTT. Em termos gerais, todas as corridas foram bem disputadas e com muito público. É uma nova dinâmica que queremos implementar no BTT e Castro Marim foi disso um importante exemplo”, disse.

Delmino Pereira: “Nivel competitivo do XCO vai aumentar”

26 Fev 2009 6:31pm

A primeira prova da Taça de Portugal de Cross-Country (XCO) disputa-se no domingo em Castro Marim, Algarve, na abertura de época que se espera de lançamento cross-country nacional tendo em vista as épocas de apuramento 2010 e 2011 para os Jogos Olímpicos de Londres.

Numa temporada em que todas as competições da Taça de Portugal foram promovidas à categoria internacional C2, a reedição dos duelos nos trilhos vividos nos últimos anos poderá ser marcada pela entrada de novos atletas em competição, no esperado aumento do nível desportivo da generalidade dos participantes. Para Delmino Pereira, presidente-adjunto da Federação Portuguesa de Ciclismo, essa é a principal novidade: “o aumento do nível geral dos atletas, graças a manifesta intenção de especialização no cross-country, e aposta da Federação Portuguesa de Ciclismo no projecto das Selecções Nacionais e na internacionalização dos nossos atletas”, referiu ao Jornal Ciclismo.

“O Cross-Country é uma modalidade olímpica e o apoio ao seu desenvolvimento é fundamental. Creio que a disciplina está mais animada e competitiva e com mais visibilidade. Acredito por isso que o nível competitivo vá aumentar”, resumiu o responsável.

Outra novidade nas provas da Taça de Portugal de XCO diz respeito às competições destinadas às escolas de ciclismo e de BTT, com encontros regionais de escolas de ciclismo nos escalões de Iniciados, Infantis e Juvenis.

Actualização obrigatória para treinadores de BTT em 2009

06 Fev 2009 4:01pm

A UVP-FPC divulgou já no seu site a acção de formação de treinadores de BTT para a época em curso, de frequência obrigatória para  treinadores  de  nível  1  que  orientam  equipas  de  BTT – a não frequência da formação deverá impossibilitar o desempenho das funções de treinador junto da respectiva equipa. A formação irá  realizar-se  no dia  28  de  Fevereiro  em  Castro Marim ou, em alternativa,  dia 7 de Março na Trofa.   No programa constam prelecções sobre os seguintes temas: Introdução e lançamento de época 2009, por  Delmino Pereira, responsável UVP-FPC para o BTT, Metodologia do treino até ao escalão sub-23 (Prof. Mário Alpiarça e Prof.Tiago Aragão), Luta contra a Dopagem (Dr. José Nóvoa e Dr. José Soares) e, ainda, uma intervenção sobre o papel da Imagem e Comunicação a cargo de João Moreninho, director de Marketing da Lagos Sport.

Informações: http://www.uvp-fpc.pt

BTT Frajovem é primeira prova da AC Porto em 2009

05 Fev 2009 6:20pm

A segunda edição do 2º BTT Frajovem, prova de resistência com tempo limite de três horas decorre no próximo domingo, a partir das 09h00, em Frazão, Paços de Ferreira. A competição é organizada Associação Juvenil FraJovem sob a égide da Associação de Ciclismo do Porto e espera mais de uma centena de participantes, entre classes de federados e promoção. O responsável do BTT na Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira marcará presença no evento que assinala simbolicamente a primeira competição a decorrer com o apoio da nova direcção da AC Porto.

Simpósio anti-doping organizado pela RFEC e pela FPC

02 Jan 2009 8:06pm

Juan Carlos Castaño, presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo, reuniu-se hoje com a direcção da Federação Portuguesa de Ciclismo num encontro de trabalho que se saldou pelo estabelecimento de um acordo de príncipios em diversos temas, nomeadamente na acção anti-dopagem. Castaño, que viajou a Lisboa acompanhado por Jose Luis Algarra, antigo coordenador técnico da FPC, foi recebido por Artur Lopes e restantes membros da direcção numa reunião no qual estreitaram laços de combate à dopagem. Nesse sentido, foi acordado a realização em Janeiro de 2010 de um simpósio ibérico focando os vários temas da luta anti-doping, assim como a  cooperação total entre instituições em todas as acções conjuntas na luta antidoping.

José Santos: “Gosto mais de ciclismo do que de vitórias”

31 Out 2008 9:41pm

Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Santos, o director-desportivo há mais anos em actividade no ciclismo profissional luso fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pelo Boavista ao ciclismo português. Sem medo de criticar a dopagem, José Santos apela a uma mudança de mentalidades.
Como se dá a sua chegada ao ciclismo?
Foi em 1969, já lá vão quase 40 anos. Estive ligado a várias iniciativas: o ciclismo juvenil na Direcção-Geral dos Desportos, a fundação da Associação de Cicloturismo do Norte, também tive uma acção intensa no ciclismo popular. Mais tarde, fundei o Jornal Ciclismo e, durante sete anos, impulsionei o ciclocrosse em Portugal, organizando quase 20 provas por ano. Por contingências várias, não continuei e o ciclocrosse acabou em Portugal. Este ano ainda estudei a hipótese de retomar essa modalidade, mas desisti da ideia, porque não havia equipas nem atletas interessados.
Entretanto, também foi ciclista.
Sim, representei alguns clubes importantes: Coelima, Benfica, FC Porto. Fiz duas voltas a Portugal e concluí-as. Fui campeão nacional de pista, mas foi uma carreira um bocado em diagonal.
Como se dá a sua chegada ao Boavista?
O meu pai era o treinador e eu escrevia n’O Comércio do Porto. Acabou por proporcionar-se a minha entrada para o clube e cá estou há 25 anos.
Fez todo um percurso que fez de si o director-desportivo há mais tempo em actividade no ciclismo profissional português. Que balanço faz e que mudanças se observaram?
É verdade. Já tenho quase 30 voltas a Portugal no currículo. As mudanças não foram muitas. Os problemas que havia mantêm-se. Cheguei a ser seleccionador e director-técnico nacional. As reformas que então foram ensaiadas não tiveram grande repercussão, havendo pouca evolução da modalidade. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização em Portugal.
Isso não evitou que o ciclismo tenha perdido parte substancial da importância pública.
A causa foi a passagem das principais corridas da Empresa do Jornal de Notícias (JN) para uma entidade que não era credível e que não tinha capacidade para suportar o caderno de encargos proposto pela Federação. Além disso, era uma empresa sem capacidade, dentro da sua estrutura, para trabalhar a comunicação, coisa que o Jornal de Notícias fazia. Começou com força, através de transmissões em directo de muitas provas, mas o que é certo é que a maioria dessas corridas já não se realiza. A organização em Portugal dos Campeonatos do Mundo também afastou os média do ciclismo, porque se criou uma situação de descrédito: o país que organizava os Mundiais não os transmitiu pela televisão
Neste período deu-se também uma maior internacionalização das provas portuguesas. Foi positivo?
Não temos capacidade económica para tantas provas internacionais. Eu gostava que as nossas corridas fossem todas internacionais, mas não há suporte para isso e quase todas elas dão prejuízo. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
A ausência de um grande ídolo nacional e a saída de cena dos principais clubes não terão contribuído para a quebra de impacto da modalidade?
Penso que não. A saída do JN é que reduziu o ciclismo a uma actividade como as outras e até com menos importância. O ciclismo tem público, mas o afastamento desse grupo mediático provocou o afastamento de outros órgãos de comunicação social. Acresce que os jornais desportivos são produtos comerciais. A excessiva comercialização do jornalismo também é prejudicial.
Uma discussão cíclica respeita aos alegados benefícios dos clubes tradicionais para o ciclismo. Estando num, o Boavista, sente-se beneficiado ou prejudicado por isso?
Se houvesse mais clubes tradicionais, haveria mais público. Veja-se o caso recente do Benfica que atraiu mais público. No entanto, o inverso também é verdade e este desporto resistiu muitos anos sem os clubes. Toda a modalidade que não tenha Benfica, FC Porto e Sporting sofre com dificuldades de público e de exposição mediática.
As dificuldades financeiras do Boavista têm-se reflectido na equipa de ciclismo?
Para já, não, embora tenha alguma apreensão relativamente ao futuro. Fruto de uma gestão bastante equilibrada, temos os vencimentos todos em dia e toda a estrutura controlada. Isto foi conseguido com grande sacrifício e rigor. Mas o clube não estando bem, a secção pode vir a sofrer. A angariação de patrocinadores pode ser dificultada, porque a percepção pública da credibilidade da instituição não é a melhor.
A gestão equilibrada de que falava fez com que a equipa de ciclismo tenha mudado de objectivos constantemente, da equipa vencedora do início da década de 1990 até a desempenhos recentes mais comedidos. É fácil fazer essa transição de ambições?
Para quem gosta de ciclismo é natural. Eu gosto mais de ciclismo do que de vitórias. Somos das equipas mais antigas, porque sabemos o orçamento que temos e é com essas verbas que temos de viver, melhor nuns anos do que noutros. Quando temos ciclistas cujo vencimento ultrapassa as nossas possibilidades deixamo-los sair. Fomos a equipa portuguesa que maiores valores lançou no ciclismo nacional e internacional: José Azevedo, Jose Luis Rebollo, Josep Jufre, David Bernabeu, Adrian Palomares, Manuel Cardoso, por exemplo. Todos eles se iniciaram como profissionais no Boavista.
Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: o Cássio Freitas e o Joaquim Gomes. Ultimamente, o Tiago Machado, o José Azevedo ou o Pedro Silva também deixaram a sua marca. O Azevedo não fez aqui grande história, embora tenha cá passado os dois anos que considero mais importantes na carreira dele, porque as duas primeiras épocas como profissional são fundamentais.
Apesar das oscilações orçamentais, o palmarés é bastante preenchido.
Vencemos todas as provas nacionais. A dada altura só nos faltava o Porto-Lisboa e a Volta ao Alentejo, mas até essas corridas ganhámos. A nível internacional, estivemos presentes em algumas das principais competições: Volta a Espanha, Critério Internacional, Dauphiné Libèrè, Volta a França do Futuro, que vencemos por equipas…
Uma série de corredores que passaram pelo clube têm hoje tarefas de gestão de equipas de sub-23. Há no Boavista o cuidado de formar os atletas para que, finda a carreira, possam continuar na modalidade?
Sempre tivemos uma política de debate com os ciclistas. Não é por acaso que o Delmino Pereira é presidente-adjunto da Federação, que o Paulo Couto dirige a APCP e uma equipa, o Fernando Mota e o Pedro Silva estão à frente de equipas… Incentivamos a colocarem de pé alguns projectos. É importante o técnico dialogar com os corredores, espicaçando-os para a discussão. Provoco o debate e isso é importante como formação para que quem ganhou dinheiro com o ciclismo possa servir depois da modalidade com novos projectos.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

José Santos: “Artur Lopes é um elemento forte numa Direcção fraca”

31 Out 2008 9:30pm

Mesmo que tenha divergido de Artur Lopes no passado, José Santos elogia o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, considerando que o líder federativo prestigia o ciclismo português. Mais dúvidas merece a equipa de trabalho que acompanha Lopes, com duas excepções, também alvo de palavras de apoio: Delmino Pereira e Francisco Manuel Fernandes. José Santos propõe a substituição das associações por delegações federativas, dotadas de meios humanos capazes de colocarem em prática as políticas definidas a nível central.
O actual presidente da Federação está há 16 anos no cargo e foi eleito para mais um mandato. Pode fazer-se um balanço linear destes anos todos?
Não há alguma alternativa ao actual presidente. Ele é um elemento muito forte dentro de uma direcção muito fraca. Tem um bom presidente-adjunto, Delmino Pereira, e uma pasta financeira, Francisco Manuel Fernandes, bem gerida. Mas só o poder do presidente nem sempre é suficiente, só o seu valor prestigia a equipa directiva. Embora eu lhe aponte alguns erros e críticas, como a retirada da Volta ao JN.
O panorama a nível associativo é menos risonho?
As associações têm um papel altamente secundário. Acho até que seria mais proveitoso para a modalidade que as associações fossem substituídas por delegações da Federação Portuguesa de Ciclismo. Passava a haver uma política nacional aplicada em cada local. Um erro da actual Federação é ter muitos técnicos em Lisboa, não os distribuindo pelas associações regionais. Há um que conheço, o Luís Teixeira no Minho e é por isso que essa associação funciona melhor do que quase todas as outras juntas. A associação do Algarve, fruto essencialmente do trabalho de dois dirigentes, também é muito boa. De resto…
O ciclismo jovem tem estado a ser bem gerido?
Havia muito mais praticantes quando tínhamos o Movimento Juvenil de Ciclismo do Norte, mas os tempos eram outros.
Um dos problemas da modalidade é haver poucos novos praticantes e, grande parte, vir já de famílias ligadas ao ciclismo.
Há poucos praticantes novos porque não há equipas. No Boavista recebemos uma média de meia dúzia de telefonemas por mês de familiares de jovens que querem iniciar a prática de ciclismo e não sabem onde fazê-lo. Não havendo clubes não pode haver ciclistas. Por isso há muitos praticantes de BTT, porque a burocracia é menor e não existe a necessidade do clube. Na estrada, há demasiada burocracia. Por exemplo, era importante que a determinada altura da época os juniores de segundo ano pudessem competir com os sub-23, da mesma forma que estes competem com os profissionais. Irrita-me quando me dizem: “A UCI diz que é assim”. E rio-me quando vejo as multas das provas nacionais em francos suíços. É um exemplo que demonstra a total dependência em relação à UCI.
A escassez de clubes tem a ver com os custos elevados do ciclismo face a outras modalidades?
Também. Mas um aspecto a ter em conta é a falta de massa crítica para se desenvolverem projectos de raiz. Talvez a actual geração de corredores venha a ter essa capacidade, mas entretanto o que fomos assistindo foi a antigos corredores que terminam a carreira e querem logo implementar projectos megalómanos. Isso não pode ser. O caso do Benfica é um desses. Não está de acordo com a realidade nacional.
Em que medida?
Inflacionou o mercado de sub-23, destruindo o trabalho feito pelas equipas desse escalão. Também inflacionou o mercado profissional. E agora abandona ou reformula-se, não tendo uma política de continuidade.
Mesmo assim valeu a pena este regresso?
Penso que não. Criou expectativas que saíram goradas e inflacionou o mercado para valores que as outras equipas não estavam preparadas.
O ciclismo vive acima das suas possibilidades?
Sim, mas nem é tanto a nível das equipas. É mais ao nível da organização das provas. Uma corrida internacional custa quase tanto como formar uma equipa para o ano inteiro. Não temos dimensão para tantas provas internacionais. A actual situação é quase como a de um indivíduo que se desloque de Porsche, mas que não tenha dinheiro para a gasolina. Depois as dificuldades são grandes para pagar os prémios. Se a Volta ao Alentejo, por exemplo, fosse nacional, o orçamento chegava para fazer uma volta ao Baixo Alentejo e outra ao Alto Alentejo. E isso seria preferível para o ciclismo.
O futuro do ciclismo passa pelo BTT ou a estrada ainda tem muito que dar?
A estrada tem futuro, mas é preciso inovar. Não é uma tarefa fácil, mas é preciso dar a volta. Não podemos, por exemplo, continuar presos aos ditames da UCI. A média das edições todas da Volta a Portugal é de 16 dias. Não podemos fazer uma Volta só com 11 dias. Se baixarmos de escalão podemos ter 15 dias. Cada dia ganho é mais importante, porque permite levar a prova a mais localidades e cada dia a mais significa maior rentabilização do investimento dos patrocinadores. Num país com a dimensão do nosso, 11 dias é escasso. Isto não é a Bélgica ou o Luxemburgo.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 24 de Outubro de 2008

Delmino Pereira: “Só teremos verbas para investir quando tivermos mais praticantes filiados”

31 Out 2008 7:52pm

O ex-ciclista Delmino Pereira é o rosto da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) para a vertente de BTT. Tendo pela frente a difícil tarefa de chamar à estrutura federativa os milhares de praticantes e as centenas de provas que crescem sem vínculo oficial, o natural de Campeã, Vila Real, quer fazer crescer o BTT da base para o topo. Primeiro há que aumentar o número de federados para melhorar o nível competitivo e encontrar grandes campeões. É esse plano que explica em entrevista ao Jornal Ciclismo.
Que projectos tem enquanto responsável pelo BTT na Federação Portuguesa de Ciclismo?
Não sou o responsável máximo. O BTT é uma área entregue ao senhor Armelim Azevedo, que teve um problema de saúde, motivo pelo qual a equipa de BTT foi reforçada comigo e com o senhor Rodrigo Ramos. A FPC reconhece que o BTT é a vertente em maior crescimento e expansão e teremos de tomar medidas mais determinadas e fortes para corresponder à evolução do BTT, organizando e optimizando toda a oportunidade que temos de melhorar.
Em termos concretos, que medidas são essas?
Há três questões em jogo. Primeiro, aumentar o número de provas e de praticantes inscritos na FPC. Em segundo lugar, dinamizar a modalidade no que concerne à competição, melhorando o nível das provas. Por fim, aumentar o empenhamento nas selecções e na internacionalização.
Qual a prioridade?
Temos urgência de reforçar o BTT nas suas bases e é algo que estamos já a fazer. Temos um índice elevadíssimo de corridas e atletas não filiados. De imediato, estamos a proporcionar condições vantajosas para que se inscrevam.
Que condições são essas?
Ao nível de seguros desportivos, âmbito no qual melhoraremos a cobertura, isentaremos de franquias de participações de sinistros. Estamos a estabelecer protocolos que beneficiarão todos os atletas federados, de que é exemplo o protocolo já assinado com as Pousadas de Juventude e que confere descontos a todos os filiados na FPC. Estamos também a preparar um outro protocolo com o Inatel. As condições de filiação de provas estão a ser melhoradas, diminuindo os encargos para os organizadores. Um clube inscrito na Federação paga 30 euros para filiar uma prova de BTT de um dia. Não é preciso andar por aí com provas piratas. Vamos exigir aos organizadores que diferenciem as taxas de inscrição para filiados e não filiados, uma vez que os filiados têm seguro que cobre todo o ano.
Isso pode tirar proveitos às organizações.
Não tira. Os organizadores têm de pagar os seguros. Se um atleta já está segurado, não faz sentido estarmos a pagar um seguro específico para aquela prova.
Que receptividade espera para essas medidas?
Estamos convencidos de que, aumentando a adesão dos praticantes de BTT à FPC, ganhamos capacidade de argumentação para pedirmos mais apoios ao Governo para uma vertente em franca expansão. Só com esta adesão teremos verbas para investir na competição e para aumentar o nível desportivo dos nossos praticantes. É desejável que surjam no BTT atletas profissionais. Vê-se muita qualidade, atletas que poderão prestigiar o país nas provas internacionais.
Muitos praticantes de BTT criticam a FPC, alegando que, apesar de haver mais pessoas a praticar BTT, os esforços federativos estão mais direccionados para a estrada. Faz sentido?
Não. A FPC toda a vida desenvolveu o ciclismo de estrada, mesmo quando não havia o BTT. O ciclismo de estrada é auto-suficiente, porque tem um trunfo extraordinário: a Volta a Portugal, um produto extremamente rentável. O que sustenta o ciclismo de estrada é a Volta e as receitas que recebemos do acordo que temos com a PAD. Não faz sentido que a federação desloque verbas do ciclismo de estrada para o BTT. Quando nos criticam estão a cometer um erro de análise. O praticante de BTT deve consciencializar-se de que o trunfo do BTT é o grande número de praticantes. Só quando tivermos esses praticantes filiados é que teremos verbas para investir no BTT. Estamos convencidos de que acabará por haver uma forte adesão dos praticantes de BTT à Federação Portuguesa de Ciclismo, o que nos dará argumentos para pedir mais apoios, de modo a podermos investir.
Esta preocupação da FPC não poderia ter surgido mais cedo? O fenómeno não é tão recente como isso.
A adesão tem vindo a acentuar-se há poucos anos. Despertou a febre das maratonas e, neste momento, temos organizadores com credibilidade e outros que nem tanto. Não creio que seja tarde para agirmos. Há uma tradição de prática livre e desburocratizada do BTT. Reconheço que poderíamos ter feito mais, mas está a chegar a hora exacta de não permitirmos que tudo continue como está. Estamos a perder a oportunidade de ter grandes campeões a disputar mundiais e europeus. Dado o “boom”, de certeza que nestes pelotões há atletas de muita qualidade. O que mais apaixona os praticantes de BTT é superar-se desportivamente, dando o seu máximo na proximidade com a natureza. As maratonas não são apenas lazer. São também competições. E as competições têm problemas. É preciso normalizar regras de segurança para proteger os atletas. Há normas de saúde também em causa: nem todos os praticantes estão preparados para os esforços que são exigidos. Alguém tem de controlar isso e tem de ser a federação. Por fim, há a questão do doping. São provas teoricamente de lazer, mas pode existir doping, porque há prémios e interesses económicos envolvidos. É responsabilidade da federação tutelar estes assuntos.

Trabalho de João Santos e José Carlos Gomes, publicado em 23 de Janeiro de 2008

Delmino Pereira: “Há necessidade de criar figuras no BTT”

31 Out 2008 7:49pm

Delmino Pereira promete maior investimento nas selecções e revela ter em mãos um orçamento para levar representações nacionais a provas em Espanha, sendo legítimo esperar que a selecção nacional esteja presente no Mundial de cross country, em Madrid. O dirigente federativo mostra-se esperançado no fomento do profissionalismo e afirma que a federação tudo fará para ajudar a criar, entre os campeões de BTT, figuras reconhecidas pelo público.
Haverá maior investimento este ano nas selecções? Recordo que os praticantes de cross country queixam-se de que têm poucas possibilidades de evoluir em provas internacionais.
A nossa intenção é aumentar o orçamento das selecções nacionais e o cross country, como modalidade olímpica, inspira um grande desejo na Federação Portuguesa de Ciclismo de poder levar uma selecção aos Jogos Olímpicos.
Mas apenas para 2012.
Sim. Mas tenho a certeza de que nunca mais os orçamentos das selecções serão inferiores aos actuais. Irão crescer todos os anos, até porque acreditamos que o BTT será uma bandeira do desporto nacional. Este ano não foi possível participar nas olimpíadas porque não tínhamos entrada directa, era necessário preparar um dossiê a solicitar um “wild card” e quando essa oportunidade surgiu já não era viável, pois o próprio Comité Olímpico não viabilizou esse pedido de atribuição do “wild card”.
O profissionalismo é possível no BTT?
A competição é um assunto muito sério e só será levada a sério no BTT quando as empresas que estão na modalidade puderem proporcionar condições de profissionalismo e de semiprofissionalismo. Estamos a chegar a esse ponto e o nível irá melhorar, porque não podemos comparar o praticante que trabalha noutra área e aquele que apenas se dedica ao desporto. Portanto, acreditamos que, em breve, teremos atletas de nível nacional. Mal sintamos isso, levamo-los a competições internacionais.
Isso será já para 2008?
Sim. Tenho em mãos um orçamento para analisar a deslocações. Não podemos ir a todas, mas poderemos ir a algumas provas em Espanha. Madrid não é assim tão longe.
Teme ser mal recebido no meio por ser um homem da estrada destacado para coordenar o BTT?
A ideia da minha deslocação para o BTT foi colocar uma pessoa nova no terreno. Assumimos que era preciso fazer mais pelo BTT e é para isso que cá estamos. Por outro lado, não sou um homem da estrada, sou um homem do ciclismo. E também gosto muito de BTT. Já em 1986, quando fui correr aos Estados Unidos, vi logo que o futuro do ciclismo seria o BTT.
Como está a ser trabalhado o BTT ao nível das escolas de ciclismo?
Está a ser criado um encontro de escolas só para BTT e estão a ser preparadas escolas de BTT. Por outro lado, a inscrição das crianças até aos 14 anos custa apenas 10 euros.
Grande parte das provas está concessionada a empresas de eventos. Qual o “feedback”? Por vezes ouvem-se críticas.
Talvez esteja generalizado um espírito de crítica contra a federação. As provas são concessionadas a várias organizações, que têm liberdade para as desenvolver e rentabilizar. Há provas da Taça de Portugal que são espectaculares e bem disputadas e outras que não são tão bem conseguidas. No entanto, são empresas cujo trabalho conhecemos e respeitamos. Em termos gerais, a fórmula tem funcionado bem.
Quais as estratégias da FPC para valorizar a Taça de Portugal?
Há necessidade de criar figuras no BTT. É nosso desejo criar campeões. Tentaremos promover os nossos melhores atletas para que haja referências na modalidade, ajudando-os a ter alguma penetração mediática. Por exemplo, no ano passado, pela primeira vez conseguimos protocolar com a RTP a transmissão de 435 minutos de transmissão de BTT no canal 2. Este ano, temos a informação de que está a ser mais fácil organizar as provas, porque a notoriedade já é maior.
Faz sentido ter de pagar para participar numa prova oficial quando já se pagou a inscrição anual na federação?
É uma situação polémica. O ideal seria que não se pagasse, mas as provas de BTT são caras e ainda não é uma modalidade aceite como alta competição. Ainda não sai na imprensa diária.

Trabalho de João Santos e José Carlos Gomes, publicado em 23 de Janeiro de 2008